Contando e Cantando (Volume 2)

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Por que o livro é caro no Brasil

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publicado na Super!

Não é novidade para ninguém. Nos Estados Unidos e na Europa, um livro sai bem mais barato que no Brasil. Vamos só lembrar um dos muitos exemplos. Na França, um dos volumes com as aventuras de Asterix (vendidos em livrarias, não em bancas) sai pelo equivalente a R$ 8,95. Aqui, custa R$ 17,00. A capa, o tamanho, o número de páginas, os quadrinhos, tudo é idêntico. Só o que muda é o idioma que vem dentro dos balões. Claro: os custos da tradução não explicam o aumento.

Livros

O problema é a tiragem. Enquanto outros países trabalham com tiragens médias de mais de 10 000 exemplares por edição, no Brasil esse número fica na casa dos 2 000. O mercado é pequeno, vende-se pouco, e elevar essa média é produzir encalhes. Daí que, com edições reduzidas, o custo por unidade sobe. O raciocínio é bem simples. Fora o papel, que varia segundo a quantidade de exemplares, toda edição tem um custo fixo, do qual não dá para fugir. Composição das páginas, máquinas, revisões, ilustrações, tudo isso independe da tiragem. E quando se divide o custo fixo pelo número de exemplares, tem-se o custo unitário.

Como o mercado brasileiro se organizou com base nas pequenas tiragens, o preço final de um volume é sempre alto. Mesmo os best-sellers, que vendem dezenas de milhares de cópias, custam caro, já que os editores fixam o preço com base em padrões (um certo “x” por página) estabelecidos a partir das baixas tiragens. A vantagem, dos editores, é que best-sellers dão mais lucro. E quase sempre compensam o prejuízo dos títulos que acabam encalhando nas prateleiras.

O leitor brasileiro é prejudicado pelas tiragens pequenas. Como o mercado de livros no Brasil é bem reduzido, as edições são minguadas. Na média, não passam dos 2 000 exemplares. A equação é cruel: tiragens mínimas projetam o custo unitário lá para as alturas. O leitor, quando pode, é quem acaba pagando a conta. Veja, em porcentagens, para quem vai cada parcela do preço de capa que você paga na livraria:

Papel

Menos de 5%

Às vezes é transformado no vilão da história. O custo subiu — depois do Real, o preço da tonelada de papel branco passou de cerca de 600 para 1 100 reais —, mas não significa nem 5% do preço de um livro.

Editor

Cerca de 25%

O editor fica com algo em torno de 25% do preço de capa. Esse valor paga os custos de funcionamento da editora, a tradução, revisão, paginação e o lucro.

Autor

De 7% a 12%

Recebe em média 10% do preço de capa de um livro, mas essa porcentagem varia. O valor inclui todos os custos de seu trabalho. Na maioria dos casos, o autor não recebe adiantamentos.

Gráfica

Cercade 8%

O custo de impressão de um livro comum, sem ilustrações impressas em papel especial, é da ordem de 8% do preço de capa, sem incluir o preço do papel.

Distribuidor

Cerca de 15%

A maior parte do preço de capa do livro fica na distribuição e venda. O distribuidor atacadista fica com 15%.

Livraria

40%

A livraria fica com 40% do preço de capa do livro, em média.

Boa educação traria US$ 23 tri ao Brasil no longo prazo

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Publicado em Exame

São Paulo – Empregos, riqueza e bem-estar individual são coisas que dependem apenas do que as pessoas sabem e do que elas podem fazer com o que sabem. Não existem atalhos para equipar pessoas com as habilidades apropriadas e oferecer-lhes as oportunidades para que usem suas aptidões de maneira eficiente.

E se há algo que a economia global nos ensinou nos últimos anos é que não basta nos estimular para sair de uma crise e que não podemos simplesmente imprimir mais dinheiro para superá-la. Países como o Brasil podem ­se sair muito melhor preparando mais pessoas com condições de colaborar, competir e ­­­se ­conectar de maneira que possam obter um emprego mais atraente, melhorando de vida e impulsionando a economia.

A atual deficiência na capacitação dos trabalhadores brasileiros limita seriamente o acesso das pessoas a empregos mais bem remunerados e compensadores. E a distribuição desigual das habilidades tem implicações significativas na maneira como os benefícios do crescimento econômico do país são divididos na sociedade brasileira.

Em outras palavras, onde grande parte dos adultos são precariamente capacitados, fica difícil incorporar tecnologias que aumentem a produtividade e introduzam novas maneiras de trabalhar, retardando assim um avanço nos seus níveis de vida.

Nesse aspecto, as qualificações têm um peso maior do que a renda ou o emprego. Pessoas menos capacitadas são muito mais propensas a ter problemas de saúde, a enxergar-se como objetos — e não como atores em processos políticos — e a confiar menos em outras pessoas.

O Brasil não conseguirá desenvolver políticas justas e inclusivas e mobilizar todos os cidadãos enquanto a falta de proficiência em habilidades básicas impedir as pessoas de participar plenamente da sociedade. E para nenhum grupo isso é mais importante do que para a juventude atu­al, que não consegue competir em experiência ou em conexões sociais com os mais velhos.

Investir cedo é crucial. As escolas brasileiras de hoje serão a economia e a sociedade do Brasil de amanhã. O conhecimento e as habilidades dos estudantes de 15 anos, conforme medidos pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), são altamente preditivos das habilidades que os adultos têm ou que adquirirão mais tarde na vida.

O Brasil tem muito a ganhar com a elevação da qualidade e da equidade nos resultados do aprendizado. Se o país conseguir garantir que todos os estudantes de 15 anos atinjam com sucesso pelo menos o nível mais baixo de desempenho do Pisa (nível 1), só isso acrescentará 23 trilhões de dólares à economia brasileira durante o tempo de vida dos que hoje estão com 15 anos.

Isso equivale a 7,5 vezes o tamanho atual da economia brasileira e mostra que as recompensas da melhor escolaridade eclipsam qualquer custo que se estime necessário para o avanço.

É verdade que o sistema educacional brasileiro enfrenta desafios sociais bem maiores do que os de muitos países. Mas o fato de os garotos socialmente mais desfavorecidos em Xangai superarem o desempenho escolar dos garotos mais ricos do Brasil nos lembra que pobreza não é destino, e isso retira as desculpas dos mais complacentes.

Entretanto, podemos dizer que o copo está meio cheio em vez de meio vazio. Entre os paí­ses que aderiram ao Pisa desde 2000, o Brasil é o que mais avançou em desempenho. Além disso, o país conseguiu ampliar significativamente a população de 15 anos que tem acesso à escola. Mas o sistema educacional brasileiro ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar padrões mundiais de excelência.

Evidentemente, ninguém pode simplesmente copiar e colar sistemas escolares no atacado. Mas o Pisa revelou uma quantidade surpreendente de características compartilhadas pelos sistemas escolares mais bem-sucedidos do mundo. Todos concordam que educação é importante, mas a prova real ocorre quando se compara a educação com outras prioridades.

Portal de sebos começa a vender livros novos

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Alguns títulos oferecidos são mais baratos do que nos concorrentes e chegam a custar quase o mesmo que os usados

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Com um acervo de 12 milhões de livros provenientes de 1.300 sebos e pequenos livreiros espalhados por mais de 300 cidades brasileiras, a Estante Virtual quer ir além da venda de títulos usados e fora de catálogo e entra, agora, na briga pelo mercado de livros novos. Não que esse tipo de comercialização não fosse feito antes. “Há muitos anos os sebos não vendem apenas livros raros e esgotados, como está no imaginário das pessoas. Vendem livros seminovos e, mais recentemente, novos – que compram de ponta de estoque das editoras ou numa transação normal”, explica André Garcia, fundador da Estante Virtual. A abertura para o novo negócio, acredita, vem do fato de as livrarias estarem cada vez mais restritas, até por limitação de espaço, a obras comerciais.

No acervo geral, estão disponíveis 12 milhões de livros

No acervo geral, estão disponíveis 12 milhões de livros

No entanto, os best-sellers não serão ignorados pelos sebos. Muito pelo contrário. Ontem, um exemplar de A Culpa É das Estrelas, o livro mais vendido no País em 2014, estava sendo oferecido no portal pelo Sebovero por R$ 16,99. Na Amazon, que costuma ter os preços mais baixos – e é criticada no mercado por isso – ele custava R$ 20,61. O preço de capa é R$ 29,90. Uma curiosidade: a edição usada mais barata era vendida por R$ 15.

“Ou ele está com preço promocional ou esse livro já está sendo vendido na ponta de estoque porque ele não é o último best-seller”, avalia Garcia, que afirma não haver uma orientação de sua empresa quanto aos preços praticados, ou seja, não há intenção de concorrer de igual com as grandes redes. “Não regulamos. No caso dos usados e seminovos, o preço é muito importante e recomendamos um desconto de 40% ou mais em relação ao preço de capa. No caso dos novos, não pedimos nenhum desconto e eles dão se quiserem. Mas no nosso entendimento, o preço não é o foco no caso dos livros novos. Ele está na diversidade de títulos e na sustentabilidade do mercado.”

O que a Estante Virtual está iniciando agora, a Amazon já faz, por exemplo, nos Estados Unidos – mas não aqui, por ora. Sebos consultados pelo Estado disseram que ainda não foram procurados pela empresa.

Até o fim de janeiro, pequenas livrarias também vão poder vender seus livros pelo portal. “Um dos pilares da Estante Virtual é a sustentabilidade, sempre privilegiando os pequenos e médios players. Queremos democratizar o acesso dos leitores ao livro estejam eles onde estiverem. Queremos inverter a lógica da hiperconcentração”, diz.

Principal portal do gênero, a Estante Virtual entrou em conflito com os fornecedores este ano ao aumentar suas tarifas – sua comissão varia hoje entre 8% e 12% e ela recebe R$ 42 de mensalidade. “Foi uma tensão gerada por uma movimentação que envolveu um aumento do patamar de serviços. Muito do que fizemos foi pedido dos livreiros, e não havia como viabilizar sem uma revisão da tarifa.” Alguns ameaçaram tirar o acervo do ar. “Mas a saída foi infinitesimal, não chegou a 10.”

Com alto custo e restrições impostas pela lei, mercado de biografias não deslancha no país

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Editores preferem títulos e autores estrangeiros para evitar processos

Publicado no Divirta-se

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Biografias ocupam a quinta posição entre os gêneros preferidos pelo leitor brasileiro

Daqui a duas semanas, Fortaleza recebe o primeiro Festival de Biografias do Brasil, que já estava programado bem antes de esquentar todo o debate envolvendo artistas, jornalistas, juristas, editores e biógrafos. A polêmica provavelmente fará parte da pauta, junto a outras questões como a reflexão sobre como se faz, por que se faz, como escolher um personagem e por que a procura pelas biografias. Certamente, se o assunto vem provocando tantas controvérsias, é porque existe interesse e um grande mercado por trás. Mas será que biografia é mesmo vendável e rentável como tem sido propagado?

Segundo a última pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), realizada anualmente por encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em 2012, o setor editorial brasileiro faturou R$ 4,9 bilhões e vendeu 434,9 milhões de livros. No ano anterior, o faturamento foi menor, R$ 4,8 bilhões, porém, mais obras foram comercializadas, 469,4 milhões.

Dentro deste contexto, no segmento das biografias foram produzidos 6,5 milhões de livros em 2011, e 4,1 milhões, em 2012, representando participação de 1,3% no mercado editorial. Uma redução significativa. No entanto, segundo pesquisa da GFK Brasil, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado no mundo, o gênero ocupa atualmente a quinta posição em vendas no país e apresentou crescimento de 14% entre janeiro e setembro de 2013, comparando com o mesmo período do ano passado. Mas, sem dúvida, esses números poderiam melhorar ainda mais, como atestam os especialistas.

“As restrições impostas pela legislação e por parte de alguns herdeiros, além dos custos muito elevados, desencorajaram as editoras a seguir adiante com o mesmo ímpeto da década de 1990, quando começaram a pipocar os livros de biógrafos como Ruy Castro e Fernando Morais. Acredito que o auge mesmo ainda não chegou. Há uma carência de biografias muito evidente no mercado brasileiro. A população tem sido prejudicada em sua busca por conhecimento”, lamenta Bernardo Ajzenberg, diretor-executivo da Cosac Naify, editora que tem no catálogo as biografias de Clarice Lispector, Jayme Ovalle, Matisse e Cícero Dias.

Bernardo também lembra que o custo de produção de uma biografia é muito elevado (pesquisas, viagens, digitalização de arquivos, direitos para uso de imagens, entre outros gastos) e que só perde para os livros de arte. “A rentabilidade vem com muita lentidão e é relativamente baixa”, assegura.

Insegurança
Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Sônia Jardim é outra que acredita que a insegurança jurídica que ronda o mercado possa intimidar as editoras e os próprios autores a publicar e a escrever biografias. “É um trabalho que exige muitos anos de pesquisa e investimentos. Os escritores e os autores ficam amedrontados. Você não sabe o que vai acontecer. Gasta-se com o lançamento, com a feitura do livro e, de repente, se tiver algum problema, os custos para a retirada do mercado ainda são maiores. Fora que ainda é preciso contratar advogado”, explica.

Sônia revela o surgimento de um novo profissional no setor, o consultor jurídico, que avalia previamente se o livro terá ou não complicações com biografados, herdeiros ou representantes legais. Ela diz que, às vezes, se torna preferível publicar biografias estrangeiras, porque certamente provocam menos chateações.

“Quem sai prejudicada é a história do Brasil e isso também afeta na formação de futuros leitores. Não tenho estudos para comprovar, mas ouso dizer até que a maior parte das biografias que se encontram em nossas livrarias são de autores estrangeiros, porque é mais fácil e mais prático. Ainda não tivemos um boom de vendas neste gênero e toda essa polêmica pode até atrapalhar”, analisa Sônia Jardim.

Milhares de livros com fungos serão incinerados de biblioteca no Paraná

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Em Ponta Grossa, obras estão contaminadas por dois tipos de fungos.
Departamento de Patrimônio diz que livros raros foram preservados.

20 mil livros serão incinerados por estarem contaminados por fungos (Foto: Vanessa Rumor/RPC TV)

20 mil livros serão incinerados por estarem contaminados por fungos (Foto: Vanessa Rumor/RPC TV)

Publicado por G1

Cerca de 20 mil livros do acervo da Biblioteca Municipal de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, no Paraná, serão incinerados por estarem contaminados por fungos. Um laudo divulgado no início de 2013 apontou a presença de dois tipos fungos nas obras, que podem causar infecções. De acordo com a diretora do Departamento de Patrimônio da prefeitura, Sabrina Gravina, até o final de setembro, os livros serão incinerados para evitar mais contaminação.

Sabrina explica que pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e do Departamento de Restauração da Biblioteca Pública do Paraná analisaram diversos títulos antes de serem encaminhados à nova sede da biblioteca, no bairro de Olarias. Até dezembro de 2012, o espaço funcionava no prédio histórico da antiga Estação Saudade, no Centro, que sofre com infiltrações e umidade. Das 35 mil obras, 20 mil não puderam ser reaproveitadas para o acervo e nem para doação.

“Os livros estão bem contaminados devido ao tempo em que ficaram expostos à ação dos fungos. O custo para restauração ficaria muito alto para a prefeitura”, esclarece a diretora. Segundo ela, todos os livros raros foram tratados e estão na nova biblioteca. “As obras a serem incineradas são todas comuns e de fácil acesso. Além disso, a biblioteca já recuperou esse acervo”, revela.

Livros foram contaminados por dois tipos de fungos (Foto: Vanessa Rumor/RPC TV)

Livros foram contaminados por dois tipos de fungos
(Foto: Vanessa Rumor/RPC TV)

Laboratório de restauro

A nova biblioteca possui um laboratório específico para restauro, o que não existia no prédio da Estação Saudade. Conforme a diretora da biblioteca, Gisele França, o laboratório possui produtos e espaço necessários para fazer a higienização das estantes. “Todo livro que chega à biblioteca passa para descontaminação para que o próximo usuário tenha um livro saudável para levar para casa”, explica.

Segundo ela, na antiga biblioteca, a higienização era precária. “Não tínhamos espaço e nem material adequado para cuidar do acervo. Agora, com a higienização correta, vai ser possível manter o tempo de vida do acervo prolongado”, acrescenta. Gisele comenta que o trabalho pretende evitar com que essa situação se repita.

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