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Posts tagged Custos

Cerveja é tema de graduação em universidade ‘top 60’ do mundo

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Instituição alemã oferece até mestrado na fabricação de cervejas.
Aulas acontecem em fábrica da mais antiga cervejaria do mundo.

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Publicado no G1

Medicina, engenharia, arquitetura, física, cerveja… Sim. Você não leu errado. Entre os cursos de ensino superior oferecidos pela Technische Universität München (Universidade Técnica de Munique), da Alemanha, está o bacharelado e até o mestrado em cervejaria. Aos interessados brasileiros, a boa notícia é que a instituição tem uma política de incentivo ao intercâmbio de estudantes estrangeiros. O curso, no entanto, é todo ministrado em alemão.

A Universidade Técnica de Munique é uma das instituições de ensino mais tradicionais do mundo. Fundada em 1868, formou, entre outros profissionais notáveis, o engenheiro Rudolf Diesel, inventor do motor a diesel. No prestigiado ranking mundial de universidades promovido pela Quacquarelli Symonds (QS), aparece na 54ª colocação, à frente, por exemplo, da Universidade de São Paulo (USP), melhor representante brasileira, que ocupa a 132ª posição.

Os cursos de bacharelado e mestrado em “tecnologia na fabricação de cervejas e bebidas”, como foi nomeado (em tradução livre), têm duração de três e dois anos, respectivamente. As aulas são conduzidas fora do campus da universidade, nas dependências da fábrica da Weihenstephan, a cervejaria mais antiga do mundo em atividade. Para garantirem o diploma, os estudantes ainda têm de cumprir períodos obrigatórios de estágio prático profissional.

A grade de disciplinas do curso de bacharelado abrange desde as etapas iniciais de caracterização e produção de bebidas, como a aplicação de tecnologias de fermentação, até a parte de finalização, com estudos sobre embalagem e proteção do produto contra influências ambientais. Além disto, temas como a economia de custos durante a fabricação de cervejas também são abordados durante as aulas.

De acordo com a Universidade Técnica de Munique, a formação possibilita uma ampla área de atuação, que não se restringe apenas a postos de trabalho em fábricas de cerveja. Segundo a instituição de ensino, a graduação também oferece oportunidades de emprego em laboratórios, institutos de pesquisa e em outras empresas que compõem a grande cadeia que envolve a produção de cerveja e outras bebidas.

Custos e recepção a estrangeiros
As inscrições deste ano para se candidatar a uma das vagas do curso já estão fechadas. Os brasileiros interessados deverão ficar atentos à reabertura do período de inscrição, que só deve acontecer em maio de 2016, para enviar a candidatura pelo site da universidade. Entre os documentos exigidos para concorrer a uma vaga estão o comprovante de conclusão do Ensino Médio, currículo atualizado e certificado de proeficiência na língua alemã.

A Universidade Técnica de Munique é pública e pertence ao Estado da Baviera. Com isto, a única obrigação financeira de seus alunos é o pagamento de uma quantia semestral de 113 euros. O valor já inclui a taxa destinada à união de estudantes e os custos do cartão para utilizar o transporte público local durante todo o semestre.

Ao todo, pouco mais de 100 alunos estavam matriculados no primeiro semestre de bacharelado em tecnologia na fabricação de cervejas em 2015. Além do estudantes alemães, muitos estrangeiros – vindos especialmente de países da América do Sul e da Ásia – compõem as salas de aula do curso.

Estudar em Hogwarts custaria uma pequena fortuna, segundo estimativa

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Estimativa do preço a se pagar por um ano de estudo numa das mais qualificadas escolas de bruxaria do mundo: US$ 43.031, ou cerca de R$ 135.600 Foto: Reprodução/Tumblr

Estimativa do preço a se pagar por um ano de estudo numa das mais qualificadas escolas de bruxaria do mundo: US$ 43.031, ou cerca de R$ 135.600
Foto: Reprodução/Tumblr

Publicado no NE10

Que o sonho de receber a carta de convite para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts sairia bem caro para os pais dos pequenos bruxos, já se poderia imaginar.

Agora, no entanto, há uma estimativa mais concreta do preço a se pagar por um ano de estudo numa das mais qualificadas escolas de bruxaria do mundo: US$ 43.031, ou cerca de R$ 135.600.

O valor foi calculado por Kevin O’Keefe, colunista do site Mic.com, que usou informações do site Pottermore e comparações com as universidades de elite no Reino Unido para determinar o custo exato.

Hogwarts é o palco principal para os primeiros seis livros da série “Harry Potter”.

Para chegar ao valor, O’Keefe calculou o preço dos itens presentes na “lista de materiais” da escola da bruxaria, como varinha (US$ 42), caldeirão (US$ 105), vestes (US$ 576) e até uma coruja (US$ 140), de acordo com o valor em galeões, moeda do mundo bruxo equivalente a 5 libras esterlinas ou cerca de R$ 25, informado pelo site Pottermore. Somados, todos os itens custariam o total de US$ 1.031, ou R$ 3.250.

Os outros US$ 42 mil viriam da anuidade cobrada por Hogwarts. Ainda que não haja consenso de que a instituição seja paga, já que os livros não citam o fato expressamente, O’Keefe supôs que ela cobraria dos alunos um valor semelhante ao das universidades do mundo real e utilizou como referência o custo médio da anuidade das melhores universidades do Reino Unido.

Assumindo esses valores, o curso completo de sete anos de formação em Hogwarts sairia pela pequena fortuna de R$ 950 mil. A família Weasley, por exemplo, teria desembolsado ao longo dos anos mais de R$ 6,5 milhões se todos os sete filhos tivessem completado seus estudos.

Custos transformam creche em ‘luxo’ educacional nos EUA

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A conta da creche veio cedo para o português Nuno Geraldes Freire, morador de Chevy Chase, região elegante da capital americana, Washington.

Pablo Uchoa, na BBC

Nuno e Hannah precisaram garimpar vaga para Madalena em Washington DC

Nuno e Hannah precisaram garimpar vaga para Madalena em Washington DC

Por causa da alta demanda, e pela prioridade dada a filhos de funcionários federais, embaixadas e instituições multilaterais, ele teve de – como diz – “inscrever o feto” em listas de esperas de diversas instituições.

Cada uma cobrou entre US$ 50 e US$ 150, mesmo sem a garantia de vaga.

Estes gastos foram somente um aperitivo do que Nuno e sua esposa, Hannah, proprietários de um café no centro de Washington, passaram a bancar quando Madalena, hoje com cinco meses de idade, finalmente conseguiu uma vaga.

A mensalidade custa US$ 2.145 e não inclui sequer as fraldas, se queixa o empresário. “Nem mesmo a fotografia que hoje tiramos da bebê é oferecida. Se quisermos, temos de pagar. A esse preço, eu esperava lagosta e uma garrafa de champanha”, ironiza.

“Frequentar a creche está ao preço de uma boa universidade. Talvez num futuro próximo se deva colocar no currículo.”

‘Tirar a sorte’

A ironia é que isso é exatamente o que indica um levantamento da ONG Child Care Aware of America, segundo o qual mandar os filhos para um berçário ou creche já custa mais que pagar uma universidade pública em 31 dos 50 Estados americanos.

A média varia entre US$ 4,8 mil por ano (cerca de R$ 10,6 mil), no Mississippi, e US$ 16,5 mil (mais de R$ 36 mil), em Massachusetts, verificou o estudo.

Os valores são altos porque refletem os custos de se operar um serviço fortemente ancorado na mão de obra – que responde por até 80% da sua planilha de gastos – e cheio de regulamentações para garantir a segurança e a qualidade do cuidado das crianças. Para a ONG, não existe “gordura” nos custos das creches, o que indica que o problema não tem solução fácil.

Em Nova York, o custo médio anual de uma creche, US$ 15 mil, equivale a mais que o dobro do que os residentes do Estado pagam para estudar em uma universidade pública, indicou a pesquisa.

O berçário de Madalena em Washington custa US$ 2.145 por mês pra Nuno e Hannah

O berçário de Madalena em Washington custa US$ 2.145 por mês pra Nuno e Hannah

Por ser uma área exclusivamente urbana, o Distrito de Columbia, onde está Washington, tem médias tão altas que nem entraram na comparação. O valor pago por Nuno e Hannah não foge da norma na capital americana.

“A tendência geral (nos Estados Unidos) para os custos de educação em todas as suas formas é continuar subindo a um ritmo mais rápido do que tanto a inflação quanto o aumento da renda”, disse à BBC Brasil a diretora de Políticas da organização, Michelle McCready.

Porém, diferentemente da universidade – uma despesa para a qual os pais se preparam desde a infância dos filhos – os custos com creche pegam muitos de surpresa, ela diz. As alternativas são escassas e contar com os sogros é inviável em um país onde as oportunidades de trabalho em outros Estados implicam a separação das famílias.

“Quando estes serviços ficam fora do alcance dos pais, muitos optam por opções informais, o que é tirar a sorte”, avalia McCready.

Babás contratadas informalmente podem acabar sendo “fantásticas”, reconhece a especialista. Mas o resultado de cuidados de baixa qualidade pode ser o desperdício de potencial de crianças, justamente em uma idade crucial para o seu desenvolvimento cerebral e emocional.

Desenvolvimento infantil

Estudos do economista James Heckman, Prêmio Nobel da Universidade de Chicago, indicam que dar estímulos nos primeiros oito anos de vida das crianças tem o efeito duradouro de elevar o seu QI até pelo menos os 21 anos de idade.

Por “estímulos”, Heckman se refere a “tudo que os pais de classe média já fazem” para oferecer desde cedo incentivos e um ambiente que estimule as habilidades cognitivas dos filhos.

“Pais em desvantagem econômica simplesmente não estão provendo muita informação para os filhos”, disse o economista em uma entrevista recente à rede pública PBS.

Heckman emprega o termo “abismo” para se referir a este fenômeno, que não deixa de ser um espelho das disparidades de renda e oportunidades na sociedade americana. E que também se traduz na qualidade dos serviços educacionais que os pais podem prover para os seus filhos.

Os Estados Unidos estão entre os países com custo mais alto de cuidados de primeira infância do mundo: equivalente a 23% da renda familiar de um lar em que os dois pais trabalham, segundo os cálculos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Na Irlanda, Reino Unido e Suíça, os custos com o cuidado na primeira infância são ainda mais altos proporcionalmente, mas a média dos países da OCDE é de 11,8%.

O Departamento de Saúde americano considera preocupante quando essa rubrica supera 10% do orçamento familiar.

Segundo a Child Care Aware of America, a creche come em média 18% do salário de um casal em que ambos trabalham – e mais de 60% dos ganhos de uma mãe solteira.

“Os pais necessitam deixar seus filhos em idade pré-escolar em esquemas que funcionem, e a sociedade precisa de mais pessoas trabalhando para fortalecermos a economia”, diz McCready. “Portanto, não é um problema apenas social, mas também econômico.”

Baque para as mães

O mais comum é que esse baque econômico tenha efeitos sobre os horizontes profissionais das mães. Um levantamento do instituto Pew Research indicou que 30% das mães americanas que saem da força de trabalho nunca mais voltam, comparado a 23% em 1999.

Para o instituto, a explicação está no alto custo do cuidado infantil.

Mesmo quem se planejou e pode arcar com ele, como a advogada Missy McGoogan, não escapa de fazer uma ginástica logística. Solteira, ela voltou a trabalhar cerca de quatro meses após o nascimento do filho Kiran.

Custo de cuidado de primeira infância custa em média 11% da renda das famílias na OCDE

Custo de cuidado de primeira infância custa em média 11% da renda das famílias na OCDE

Por uma combinação de fatores, a advogada conseguirá trabalhar de casa a maior parte do tempo e contratou uma babá – cujos valores variam entre US$ 15 e U$ 25 por hora nos Estados Unidos – para passar cinco horas por dia cuidando de Kiran.

“Tenho sorte de estar em uma carreira que me permite contratar uma babá”, diz Missy. Mesmo assim, ela conta que as primeiras experiências com uma empregada não foram bem sucedidas. “O problema é encontrar alguém em quem você possa confiar.”

“Você passa muito tempo pesquisando, procurando e entrevistando candidatas. Muita gente contrata imigrantes ilegais e paga menos, mas as pessoas conscientes pagam salários decentes, plano de saúde e férias. Quem cuida bem do seu filho merece ganhar um salário honesto.”

Missy conseguiu solucionar o problema de onde deixar Kiran, mas ainda sente, como outras mulheres, que a menor disponibilidade para o trabalho acabará prejudicando-lhe a carreira.

“As mulheres ainda são vistas pelos empregadores como menos produtivas, porque podem ter de dedicar menos horas ao trabalho”, avalia.

A advogada, que trabalhou a vida toda em escritórios privados de advocacia, diz que agora “a perspectiva de uma carreira no serviço público ou em uma organização sem fins lucrativos parece mais atraente”.

Brasil

A educação infantil particular tem seu peso no orçamento das famílias brasileiras, mas não é tão expressivo, explica o professor Naércio Menezes, do Insper, com base em dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE), de 2008.

“Famílias com gastos mensais acima de R$ 2.743 (equivalente hoje a R$ 3.617, com a correção da inflação) gastavam em média R$ 340 (ou R$ 448) com creches, menos do que gastavam com os ensinos fundamental, médio ou superior”, diz o pesquisador.

Para famílias com orçamento inferior a R$ 1.372 (hoje equivalente a R$ 1.809) esse gasto era de R$ 56 (hoje R$ 73) em média.

Mas, como muitas coisas no país, a média esconde cenários extremos.

De um lado, há um deficit de cerca de 8 milhões de vagas em creches públicas em todo o Brasil.

Do outro, a BBC Brasil encontrou, em bairros nobres de São Paulo, creches particulares que chegam a custar cerca de R$ 5 mil (cerca de US$ 2.230) por mês – mais do que a mensalidade de algumas faculdades de primeira linha.

Segundo o Anuário da Educação 2014, da ONG Todos Pela Educação, 44% das crianças de 0 a 3 anos da parcela mais rica da população frequentam creches, contra 16,2% entre as famílias mais pobres.

A meta do Plano Nacional de Educação é atender no mínimo 50% de todas as crianças brasileiras entre 0 a 3 anos até 2016.

Mas, segundo Menezes, isso não é necessariamente algo bom. “Para crianças nessa idade, o mais importante é ter pessoas que interajam com elas. Será que todas as creches, públicas ou privadas, terão atendimento e comida de qualidade? Se não tiverem, talvez seja muito melhor para a criança ficar em casa, sendo cuidada por parentes.”

Custos dificultam mudança de estado de aprovados no Sisu

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Sistema permite mobilidade; governo oferece bolsas de estudo de R$ 400.
Prazo de matrícula dos convocados na 1ª chamada termina nesta terça (21).

Milena, de 18 anos, vai deixar Campo Grande para estudar na Federal de Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Milena, de 18 anos, vai deixar Campo Grande para estudar na Federal de Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Publicado por G1

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do governo federal permite que estudantes sejam aprovados em universidades de qualquer estado da federação. Assim, por exemplo, um estudante da Região Norte pode ingressar em uma instituição do Sul, e vice-versa. Mas essa mobilidade também cria um obstáculo para que alguns dos convocados efetivem suas matrículas: a dificuldade financeira para se sustentar longe de suas cidades de origem.

Para não perder a vaga, alguns desses alunos afirmaram ao G1 que vão recorrer a moradias estudantis e buscar empregos e estágios, entre outras alternativas. Há ainda os que desistiram e vão adiar o sonho de entrar na faculdade. O prazo para matrícula dos candidatos aprovados na primeira chamada termina nesta terça-feira (21).

Jeane passou no 1º lugar de ciências biológicas da Ufam (Foto: Arquivo pessoal/Jeane Souza)

Jeane passou no 1º lugar de ciências biológicas
da Ufam (Foto: Arquivo pessoal/Jeane Souza)

Jeane Souza, de 18 anos, moradora do Amapá, passou em 1° lugar no curso de ciências biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mas abriu mão da vaga por conta da condição financeira da família.

“Entrei em consenso com meus pais para cursar uma graduação no Amapá. Espero o resultado da Unifap [Universidade Federal do Amapá] e ainda vou tentar uma vaga no Prouni [Programa Universidade para Todos, do governo federal]”, diz Jeane, conformada.

A compra de passagens aéreas para realização da matrícula presencial obrigatória em Manaus e o custo de se manter na capital amazonense durante a graduação foram as principais dificuldades que levaram à desistência da jovem.

“Por estudar tanto em 2013, decidi me inscrever em uma universidade federal mesmo sabendo do risco de não conseguir viajar. A minha primeira opção no Sisu seria medicina, mas acompanhei a nota de corte e vi que não era possível. Então optei pela Ufam, porque seria viável ser aprovada. Foi uma realização pessoal”, afirma.

Esforço e economia
A estudante Milena Gama Caetano, de 18 anos, mora em Campo Grande e foi aprovada no curso de medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS) pelo Sisu. Ela já fez a matrícula, está se preparando para se mudar para Aracaju, mas vai precisar de ajuda para conseguir cobrir os gastos.

Milena disse que pagou caro na passagem aérea para garantir a matrícula. Por isso, pretendia dormir no aeroporto para evitar gastos com hospedagem. Os planos dela, porém, mudaram após um amigo oferecer hospedagem em sua casa.

A jovem tem visão monocular (só enxerga de um olho) e concorreu às vagas de cota para portadores de deficiência física. Por conta disso, antes de efetivar a matrícula, a estudante vai ser avaliada por uma junta médica da UFS.

Milena contou que já pesquisou os custos de moradia e alimentação em Sergipe. “Nos primeiros meses, vou ficar em um pensionato, depois pretendo me mudar para um apartamento e dividir o aluguel com algum amigo”, disse. Para economizar, ela também vai fazer as refeições no restaurante da universidade. “O almoço custa mais ou menos R$ 1. Ainda vou tentar uma bolsa de iniciação científica ou de auxílio a universitários, para me ajudar”, afirmou.

O mineiro Gerry vai tentar o auxílio-moradia da UFBA (Foto: Gerry Costa/Arquivo pessoal)

O mineiro Gerry vai tentar o auxílio-moradia da
UFBA (Foto: Gerry Costa/Arquivo pessoal)

Ajuda de parentes
O estudante Gerry Costa, de 22 anos, que mora em Belo Horizonte, foi aprovado no curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. Na nota de corte, ele obteve 802 pontos. Com essa pontuação, Gerry disse que não conseguiria passar no mesmo curso na Universidade de Minas Gerais (UFMG).

Para se manter na capital baiana, o estudante pretende contar com a ajuda de parentes e com um provável auxílio-moradia oferecido pela UFBA. “Também penso em arrumar um emprego ou, quem sabe, um estágio na área.”

Atualmente, o jovem mora com a avó, Maria da Conceição Azevedo, de 77 anos, e disse que ela se assustou quando soube que o neto vai mudar de estado, mas entendeu que essa é uma chance de vida para ele. “Estou correndo atrás do meu sonho. Todo esforço é válido.”

Treineiro aprovado
O estudante João Pedro Lopes de Lima, de 16 anos, ainda não concluiu o ensino médio e acabou disputando uma vaga pelo Sisu como treineiro. Ele passou no curso de bacharelado em história na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas não vai efetuar a matrícula porque, mesmo que já tivesse concluído o ensino médio, não teria condições financeiras para mudar de estado. “Fiquei desapontado, mas me conformei”, diz João Pedro, que mora em Crateús, no interior do Ceará.

O jovem estuda em escola pública e diz que sempre sonhou em estudar história. “Não temos condições econômicas. Teria que ficar em uma residência estudantil. Pensei em tentar uma bolsa de iniciação ou trabalhar, mas poderia não conseguir.” João Pedro mora com a mãe, que é trabalhadora autônoma e não tem renda suficiente para sustentá-lo em outro estado.

O estudante afirma que a aprovação como treineiro no Sisu também serviu de estímulo para que ele se prepare mais e consiga uma aprovação no fim de 2014 – desta vez, na Universidade Federal do Ceará (UFC). “Vou estudar bastante para a UFC”, disse João Pedro, acrescentando que tem outros colegas na mesma situação.

Milena, de MS, é recepcionada por colega no dia da matrícula em Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Milena, de MS, é recepcionada por colega no dia da
matrícula em Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Bolsa de R$ 400
Para tentar diminuir o problema de alunos que não têm como se manter longe de suas cidades natais, o Ministério da Educação (MEC) criou, em maio do ano passado, o Programa Nacional de Bolsa Permanência para estudantes de graduação de universidades e institutos federais. O governo destina R$ 400 mensais a alunos com renda familiar média per capita de até 1,5 salário mínimo durante o período do curso. Para quilombolas e indígenas, a bolsa é de R$ 900.

Segundo o MEC, o estudante não precisa ter ingressado no ensino superior por meio do sistema de cotas nem ter cursado o ensino médio em escolas públicas para receber a “bolsa permanência”. Para conceder o benefício, o MEC exige, além do critério financeiro, que o aluno esteja matriculado em um curso cuja carga horária média seja de cinco horas diárias.

Além do programa do governo federal, há instituições que mantêm iniciativas específicas para alunos carentes, como moradia e ajuda financeira para cobrir os custos com transporte e alimentação.

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Fundação Universitária Mendes Pimentel (Fump) é a instituição responsável por prestar assistência aos estudantes de baixa renda. Eles são classificados por nível de dificuldade financeira, e os mais carentes não pagam para comer nos restaurantes universitários, têm moradia, tratamento médico e odontológico gratuitos, ganham bolsas para pagar transporte e material acadêmico, entre outros benefícios.

Já na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há um alojamento com 504 quartos no campus da Cidade Universitária. As vagas são distribuídas mediante avaliação da condição socioeconômica e da distância do local de moradia da família do candidato.

Ações isoladas
Organizações sem fins lucrativos – como a Fundação Estudar, com sede em SP – também são opções a estudantes que têm dificuldade financeira para bancar os estudos, seja com despesas de mensalidade ou de moradia. Todos os anos, a Estudar seleciona, em média, 30 bolsistas que recebem auxílio em dinheiro e uma espécie de “mentoria profissional” (orientação e acompanhamento sobre carreira, com dicas profissionais e de mercado).

As bolsas da fundação variam de 5% a 95% do valor solicitado pelo candidato, e é concedida de acordo com sua condição socioeconômica. A seleção, no entanto, é rigorosa. Mais que um excelente desempenho acadêmico, a instituição procura estudantes de graduação e pós que tenham “sonhos e projetos para melhorar o país”.

Mercado de Frankfurt acorda para o Brasil

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País convidado da próxima Feira de Frankfurt, 72 obras de literatura brasileira ganharão edição alemã até o final de 2013

Publicado em O Povo

Daniel Galera: entre os escritores que terão obras traduzidas

Nada mais fácil do que achar um livro de Paulo Coelho numa livraria alemã. Difícil, nas últimas duas décadas, era encontrar outro autor brasileiro. Mas toda história tem suas reviravoltas.

Com a homenagem que a Feira do Livro de Frankfurt faz ao Brasil, em outubro próximo, e os subsídios para tradução da FBN (Fundação Biblioteca Nacional), a literatura brasileira renasce no maior mercado de livros da Europa.

De 2012 até o fim de 2013, a Alemanha ganhará 72 obras de literatura (54 inéditas), 19 antologias e 19 livros infantis. Incluindo títulos de não ficção, serão cerca de 250 livros de autores brasileiros ou que têm o Brasil como tema.

É bem mais do que os 59 títulos brasileiros que circulavam na Alemanha em 2011, sendo 39 edições de Paulo Coelho. O cálculo é de Michael Kegler, tradutor que compilou os números para a Feira de Frankfurt.

Tradicionalmente, a literatura do país convidado do principal evento editorial do mundo atrai investimento das editoras alemãs. “A atenção que o país recebe da mídia, essencial para vender livros, estimula os editores”, diz Nicole Witt, agente literária que representa 50 autores brasileiros na Alemanha.

O bom momento criado pela feira foi ajudado pelas bolsas de tradução da FBN. Criado em 2011, o programa subsidiou até agora parte dos custos de tradução para a língua alemã de 56 obras de ficção e 10 antologias.

“O momento é este”

A Suhrkamp, a S. Fischer e a Wagenbach são as editoras que mais estão publicando livros brasileiros. De nove a 10 títulos cada, elas mesclam autores clássicos, contemporâneos e antologias.

A primeira fez uma seleção que vai de Mário de Andrade a Daniel Galera. Já a S. Fischer aposta especialmente em Jorge Amado e Chico Buarque, enquanto a Wagenbach tem, entre outros, Guimarães Rosa e Paulo Scott.

A pequena Assoziation A se destaca com as obras de Luiz Ruffato e Beatriz Bracher. A DTV, de grande porte, colocou suas fichas em Francisco Azevedo. E a Schöffling & Co. optou por relançar toda a obra de Clarice Lispector, projeto para 10 anos.

Mesmo com o forte impulso, as 72 traduções que o Brasil conseguiu é menos do que outros países homenageados por Frankfurt alcançaram. A Argentina, convidada em 2010, teve cerca de 100 novas traduções, enquanto a Islândia teve 90.

Para alguns editores, a demora na criação das bolsas de tradução da FBN justifica a diferença, assim como a indecisão das editoras. “Muitas queriam o melhor romance de todos e acabaram por perder várias oportunidades”, afirma a tradutora Marianne Gareis.

“Cada país tem uma trajetória internacional”, diz Fábio Lima, coordenador do programa de traduções da FBN. “Chegar a Frankfurt com alto número de publicações é um feito, mas o principal desafio é a continuidade, ou seja, manter um número considerável de traduções nos próximos anos.”

É o mesmo desafio que o Brasil tinha em 1994, quando foi convidado de Frankfurt pela primeira vez, e que não conseguiu cumprir. Após a feira, não houve nenhum estímulo sistemático à promoção da literatura brasileira. Desta vez, há as bolsas de tradução, com orçamento total de R$ 17,5 milhões até 2020.

O que esperar para depois de 2013? “O momento para publicar é este. No ano que vem, será difícil motivar os livreiros alemães com obras do Brasil” afirma Marco Bosshard, da Wagenbach. Já Witt mostra-se otimista. “Ainda há muitos brasileiros que merecem tradução, e hoje temos condições melhores para conseguir isso”, diz. ( Roberta Campassi, da Folhapress)

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