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A maldição da resenha mal-humorada

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Maltratar ou ignorar livros de sucesso é sempre uma péssima ideia

Danilo Venticinque, na Época

Acompanhei, por obrigação e com uma enorme preguiça, as críticas da imprensa internacional ao livro Inferno, de Dan Brown. Torço para que o leitor tenha escapado. São textos que não explicam nada sobre o sucesso internacional do autor, mas explicam muito sobre a perda de prestígio dos críticos. Segundo eles, Dan Brown é prolixo, repetitivo e tem um estilo pedestre. Por que, então, seus livros vendem centenas de milhões de exemplares?

Na coluna anterior, sobre a importância dos best-sellers, faltou mencionar que a crítica é uma das principais fontes do discurso contra autores que fazem sucesso – ou do silêncio a respeito deles. Há uma enorme dificuldade para lidar com livros que vendem bem.

É uma lição que o jornalismo de cinema – ao menos o bom jornalismo de cinema – aprendeu há algumas décadas. Um bom crítico sabe que não pode julgar um blockbuster de Holywood e um filme independente com os mesmos critérios. Não se trata de estabelecer uma diferença de qualidade entre os dois, mas de avaliar de forma diferente obras que têm propostas distintas. O brilhante Roger Ebert, primeiro crítico de cinema a receber um prêmio Pulitzer, sabia fazer isso como poucos. Escrevia com sensibilidade sobre cineastas como Terrence Malick, mas também era capaz de divertir-se com os filmes de James Cameron.

O mesmo vale para a literatura. Analisar a prosa de Dan Brown e criticá-lo por seu estilo é como criticar Os vingadores por sua história leve e ritmo acelerado. Nenhum crítico de cinema capaz de se levar a sério faria isso. É algo tão despropositado quanto criticar Morangos silvestres pela falta de explosões e perseguições de carros.

Os leitores e espectadores sabem o que esperar de cada filme e de cada livro. O único desorientado é o crítico. Quem reclama da prosa pedestre de Dan Brown deveria, antes, respirar fundo e tentar se divertir com o enredo de seus livros. A vida não precisa ser sempre tão séria.

Há os que criticam os sucessos comerciais por princípio, na tentativa de fazer o público ler obras literárias mais profundas. É um esforço vão. O extrato bancário de Dan Brown é a prova de que ninguém deixará de ler um livro divertido por causa de uma resenha mal-humorada. Chega a ser ridículo ver jornais com centenas de milhares de leitores se engajarem numa campanha contra autores que vendem centenas de milhões de livros. É muito mais produtivo analisar Dan Brown como um fenômeno de entretenimento e tentar ajudar o leitor a escolher o que ele lerá depois de Inferno. Há livros bons nas listas de mais vendidos. Elogiá-los é muito mais útil do que criticar os livros supostamente ruins.

No Brasil, as resenhas mal-humoradas de best-sellers são mais raras do que no exterior. A postura usual aqui é fingir que eles não existem – sobretudo se são autores nacionais. É algo que só existe no jornalismo cultural. Se uma multidão ocupa uma grande avenida numa manifestação, os cadernos de política do dia seguinte inevitavelmente trarão manchetes sobre isso. É uma regra básica. O que se faz nas páginas dedicadas à literatura equivale a desprezar a multidão e, em vez disso, elogiar a beleza de uma outra avenida, vazia, a quilômetros de distância. É um perigoso exercício de ignorar notícias, e um flerte com a irrelevância.

Há algumas semanas, no Fórum das Letras de Ouro Preto, o editor Ivan Pinheiro Machado citou o sucesso dos livros de bolso da L&PM como um exemplo de como os jornais têm pouca influência sobre as vendas. A coleção ultrapassou os 30 milhões de exemplares, mesmo sendo rotineiramente ignorada na imprensa. No ano passado, quando revistas e jornais se comoviam com o lançamento da antologia de jovens autores brasileiros pela Granta, a editora Record oportunamente lançou a coletânea Geração subzero, com textos de 20 autores “congelados” pela crítica e adorados pelo público. Estavam lá os vampiros de André Vianco, o fenômeno infantojuvenil Thalita Rebouças e sucessos recentes da literatura fantástica, como Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Carolina Munhóz. Todos conquistaram os leitores sem a ajuda da crítica. Bom para eles – e péssimo para os críticos.

Numa época em que qualquer um pode publicar sua opinião na internet e centenas de blogs divulgam boas resenhas de best-sellers, há vários caminhos para o futuro da crítica. Ignorar as preferências dos leitores certamente é o pior deles.

Amor e ódio aos best-sellers

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Por que tanta má vontade com livros que fazem sucesso?

Danilo Venticinque, na Época

Escrever um texto criticando o chavão “o brasileiro não lê” teve um efeito imediato: nunca mais ouvi essa frase. Não que as pessoas tenham parado de dizê-la, evidentemente. Só pararam de repeti-la para mim – o que não muda o país, mas ao menos me dá um pouco de sossego.

Digo “um pouco” porque tenho deparado, frequentemente, com outro comentário pessimista. Em vez de reclamar de quem não lê, reclamam do que as pessoas têm lido. Romances de fantasia, literatura erótica, autoajuda, séries juvenis. As pessoas até leem, mas só leem bobagens.

A minha resposta é quase sempre a mesma: que bom. Que bom que as pessoas leem Cinquenta tons de cinza, Crepúsculo, Dan Brown e afins. O prazer da leitura começa pela liberdade para que cada um leia o que quiser.

Nas prateleiras das livrarias, a divisão é nítida. Há os livros que disputam a atenção dos leitores habituais. Esses livros, em geral, ficam escondidos – o que não é um problema, pois seus leitores costumam saber onde achá-los. E nas posições de destaque, nas vitrines e na entrada das lojas, estão aqueles raros títulos que são capazes de trazer um novo público à livraria. Uma boa parte desse púbico é formada por pessoas que não têm o hábito de ler, mas estão dispostas a mudar de ideia graças ao apelo de uma história ou de um autor. Elas decidem dedicar aos livros parte do tempo que gastariam indo ao cinema, assistindo à televisão ou fazendo qualquer outra coisa. Quase todos os leitores vorazes já estiveram nesse lugar. Antes de ser disputado por uma infinidade de livros, o tempo de leitura precisa ser conquistado.

Pense no primeiro livro que você leu com prazer. Provavelmente é um best-seller. Alguns têm dificuldade para admitir, mas a grande maioria dos leitores começa por eles.

Os críticos desses livros de sucesso costumam dizer que eles ocupam um espaço que poderia ser dado a outros títulos, mais refinados. Não é preciso sequer entrar no mérito literário da obra para provar que essa ideia está errada. Não existe, convenhamos, a figura do leitor que vai à livraria para comprar Em busca do tempo perdido e acaba deixando Proust de lado para se entregar a Cinquenta tons de cinza. Mas existe, sim, o contrário: o leitor que começou com Cinquenta tons de cinza e que, um dia, poderá ser apresentado à obra de Proust. E, se não fossem as algemas de E. L. James, talvez ele jamais tivesse pisado numa livraria.

É comum a crença de que os leitores de best-sellers só lerão outros best-sellers. Mas o caminho de cada leitor é imprevisível. Conheço adolescentes que emendaram a leitura de Crepúsculo em O morro dos ventos uivantes (o livro favorito da personagem Bella), seguiram para a obra de Jane Austen e, a partir daí, perderam-se nos clássicos da literatura inglesa. O mundo de Sofia, um belo best-seller da minha adolescência, convenceu muitos estudantes a ler Platão e Aristóteles.

Há leitores de O alquimista que se debruçaram sobre a obra do Nobel de Literatura Hermann Hesse – incentivados pelo próprio Paulo Coelho, que escreveu uma introdução a uma edição de Sidarta. Leitores de Dan Brown não precisam nem sair das prateleiras de best-sellers para encontrar Umberto Eco e, em seguida, se render a Italo Calvino e a outros autores do século XX. Leitores de Paulo Leminski, um best-seller improvável, se sentirão à vontade nas prateleiras de poesia. Fãs de E. L. James podem se aventurar na obra de Anaïs Nin, D. H. Lawrence ou do Marquês de Sade. Tudo por causa de um livro numa vitrine.

A moda das séries e trilogias nas listas de mais vendidos ajuda a garantir que a paixão desses fãs por livros seja duradoura. Quem leu apenas um livro e gostou muito dele pode, infelizmente, voltar a uma rotina sem leitura. Quem se acostumou a esperar por novos lançamentos e voltou às livrarias após cada um deles dificilmente perderá o hábito de ler quando sua série favorita acabar. Sempre há uma nova série para ser lida, ou um clássico para ser descoberto.

Mesmo os leitores que só leem best-sellers são uma boa notícia. Não só para eles mesmos (que, afinal, estão se divertindo), mas também para todo o mercado. “O aumento no número de best-sellers permite que os editores ousem mais e apostem em obras literárias que têm prestígio, mas não dão o mesmo retorno financeiro”, disse a Época José Luiz Goldfarb, curador do prêmio Jabuti. Quer conhecer de verdade uma editora de livros? Olhe para os livros que ela lança um ano depois de ganhar dinheiro com um grande best-seller. É nessa hora que, com os cofres cheios, os editores podem investir na literatura em que acreditam e lançar livros sem a pressão pelo retorno financeiro imediato. Se não houvesse grandes sucessos comerciais, o mercado como um todo encolheria – e essas edições jamais veriam as estantes.

Para os que não gostam de best-sellers, há sempre uma alternativa simples e muito eficiente: ignorá-los e ler outra coisa. Com tantas obras à disposição de cada leitor e um tempo finito para ler, indignar-se com a existência de livros de sucesso é um exercício fútil. O único leitor que é forçado a ler lançamentos de que não gosta é o crítico literário. Talvez isso explique, em parte, sua obsessão negativa por autores como Paulo Coelho. Isso é assunto para outro texto. Mas cabe uma constatação: com seus livros de sucesso e sua popularidade, Paulo Coelho fez mais pela leitura no Brasil do que qualquer um de seus críticos. O maior defeito de Paulo Coelho é que há apenas um Paulo Coelho. Se tivéssemos mais autores como ele, seríamos um país de leitores.

Autor americano Dan Brown faz má literatura de boa qualidade em “Inferno”

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Luiz Bras, na Folha de S.Paulo

Thomas Malthus, no clássico “Ensaio sobre o Princípio da População”, de 1798, foi taxativo: a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, enquanto a população humana cresce em progressão geométrica.

Duzentos e tantos anos mais tarde, o geneticista Bertrand Zobrist, mais novo anjo exterminador criado por Dan Brown, também é taxativo: nossa espécie está à beira da extinção. A menos que haja um evento catastrófico que diminua drasticamente a superpopulação, nossa espécie não sobreviverá por mais cem anos.

Zobrist está empenhado em exterminar pelo menos metade da população mundial. Fará isso para semear a futura cultura pós-humana.

O escritor americano Dan Brown durante o lançamento de "Inferno", seu mais recente romance, em Madri (Juan Carlos Hidalgo/Efe)

O escritor americano Dan Brown durante o lançamento de “Inferno”, seu mais recente romance, em Madri (Juan Carlos Hidalgo/Efe)

Dan Brown, após passar pelos Illuminati, pela Opus Dei, pela maçonaria, pela Igreja Católica e por Leonardo da Vinci, chegou ao inferno.

Dante Alighieri é o novo fantasma que assombra o simbologista mais gente fina de todos os tempos, Robert Langdon (que também atenderá, se for chamado de Tom Hanks).

A primeira parte da trilogia “A Divina Comédia” é a mais cruel e sádica das três. Ótimo. Crueldade e sadismo é tudo o que queremos num romance de ação e investigação.

MISTUREBA

O “Inferno” de Dante e outros infernos aparentados, como os de Botticelli, Michelangelo e Gustave Doré, cercam Langdon no quarto romance da série de Dan Brown.

Ele acorda em Florença, amnésico, perseguido pela polícia e por uma sociedade secreta chamada Consórcio, é salvo por uma médica intelectualmente superdotada, corre contra o tempo, desvendando códigos e charadas.

“Inferno” , o romance, é uma deliciosa salada mista sobre o pós-humano, misturando arte, literatura, religião, alta tecnologia, engenharia genética e assassinato em massa. Em resumo: é má literatura de boa qualidade.

Para a crítica sisuda, as colagens esquizofrênicas que Dan Brown faz de obras-primas da arte e da literatura, de organizações secretas, de fatos científicos e históricos não passam disso: colagens esquizofrênicas.

É claro que “Anjos e Demônios”, “O Código Da Vinci”, “O Símbolo Perdido” e agora “Inferno” , se pudessem falar, se pudessem repetir o tom jocoso do Coringa, perguntariam para a crítica sisuda: “Why so serious?”.

Discutir seriamente best-sellers como esses, valendo-nos de rigorosos critérios da alta literatura, é perda de tempo. O único critério válido é o afetivo. Amamos certos livros porque amamos certos livros. Da mesma maneira que amamos certas pessoas. Ficar racionalizando sobre a origem ou a natureza desse amor é inútil.

Promoção: “Tudo é possível”

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A história está repleta de casos de pessoas que emergiram das profundezas do desespero ou que conseguiram realizar façanhas além do imaginável.

Tudo é possível nos permite conhecer algumas dessas proezas para que elas nos orientem e nos sirvam de inspiração.

O livro reúne exemplos de superação de personalidades como Coco Chanel, Bruce Lee, Walt Disney, Bill Gates, Dan Brown, Steve Jobs e Paulo Coelho. Além disso, apresenta lições atemporais de grandes nomes como Confúcio e Buda, contos da sabedoria universal e textos sobre a origem de ícones comerciais do nosso tempo, como Coca-Cola, Amazon e YouTube.

A partir desses relatos, Allan Percy nos convida a refletir sobre as inúmeras possibilidades que a vida nos oferece diariamente. Por meio de cada pequena ou grande ação, somos nós que escolhemos o caminho a seguir. Se ele nos levará à felicidade e ao sucesso, ou se permaneceremos na mesmice, vai depender apenas do que fizermos hoje.

Vamos sortear 3 exemplares de “Tudo é possível“, lançamento da Sextante do mesmo autor dos best-sellers Nietzsche para estressados, Oscar Wilde para inquietos e Kafka para sobrecarregados.

Para concorrer, basta fazer login e preencher os requisitos do aplicativo abaixo.

O resultado será divulgado no dia 20/6 e os nomes dos ganhadores serão conhecidos aqui no post e no perfil @livrosepessoas.

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