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Bienal do Livro do Ceará terá Valter Hugo Mãe e outros escritores

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Publicado em O Povo

A organização da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará anunciou em coletiva nesta segunda-feira, 31, os nomes dos primeiros autores convidados para o evento, que acontece entre 14 e 23 de abril de 2017, no Centro de Eventos do Ceará e em múltiplos espaços de Fortaleza.

Um dos nomes de destaque é o escritor angolano Valter Hugo Mãe, autor de “Máquina de Fazer Espanhóis” e “O Filho de Mil Homens”, entre outros. Também foram anunciados: Antônio Prata, Cristovão Tezza, Daniel Galera, Ignácio de Loyola Brandão, Márcia Tiburi, Leonardo Sakamoto, Mary del Priori e Marcelino Freire. Acrescente à lista, a cearense Natércia Pontes, autora de “Copacabana Dreams”.

A Bienal foi transferida para 2017 devido ao período eleitoral, e a escolha pelo mês de abril foi simbólica. O período situa o evento entre datas que celebram a importância da literatura, como o nascimento de Monteiro Lobato, em 18 de abril, quando se comemora o Dia do Livro Infantil, e 23 de abril, o Dia Mundial do Livro, que marcará o encerramento do evento.

Quem são os autores da nova literatura brasileira

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Publicado no Hypeness

Em um momento tão conturbado e difícil como o que o Brasil atravessa, os escritores e escritoras se fazem ainda mais necessários. Para nossa sorte, uma forte geração de autores vêm moldando a nova literatura brasileira e, com isso, refletindo uma série de igualmente novas realidades do próprio país, mais urbanizado, desenvolvido, porém ainda repleto de problemas sociais e políticos que já assolavam a realidade dos grandes do passado.

Se antigamente a literatura tinha como função primordial e maior inventar e, ao mesmo tempo, explicar o Brasil em suas infinitas facetas, hoje a mira da pena do escritor parece estar mais voltada para si – e, quem sabe, ao falar de si, acabar falando também de um novo país. Memórias triviais amplificadas, como épicos do banal, ampliando também a voz dos que não tem voz, a dor e a delícia do que há de estranho e específico em cada individualidade e contexto. Uma turma mais ensimesmada e menos politizada (com evidentes exceções) ao menos no sentido habitual do termo – e se o artista é sempre o termômetro de seu lugar e época, o que isso quer dizer sobre o duro Brasil de hoje?

Como sabemos, toda seleção é injusta, e comete gafes ou ausências imperdoáveis. Essa, portanto, é uma amostra da fina literatura produzida hoje por aqui – a pouca presença de autores do nordeste, por exemplo, é crime inafiançável, sinal dos tempos, da dificuldade de mudar o eixo de lugar. Entre romancistas, poetas, cronistas, toda sorte de escrita que aponta para a identidade nacional, ao mesmo tempo que expande nossas noções ao notarmos um pouco do que pensam, sentem e, principalmente, escrevem esses autores.

Angélica Freitas

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Com dois livros lançados, a poeta gaúcha Angélica Freitas se tornou a mais comemorada poeta dessa nova geração. Autora de Rilke Shake (2007) e do celebrado Um útero é do tamanho de um punho (2013, finalista do Prêmio Portugal Telecom), Angélica é co-editora da revista de poesia Modo de Usar & Co., e já foi publicada em diversas antologias espalhadas pelo mundo. Dona de uma poética feminina, urbana, bem humorada e sagaz, Angélica é hoje parte de uma série de poetas mulheres que se destacam com a mais interessante poesia produzida por aqui.

Ferréz

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Autor, rapper, crítico e ativista, Ferréz é autor de nove livros, entre eles Os ricos também morrem (2015), Capão Pecado (2000), Manual prático do ódio (2003), Deus foi almoçar (2011) e Ninguém é inocente em São Paulo (2006). Um dos mais prolíficos autores contemporâneos, Ferréz escreve novelas, contos, poemas e letras como parte do que ficou conhecido como Literatura Periférica, advinda justamente das periferias. Violenta, imagética, oral e real, sua literatura à margem se transforma em universal ao ser feita a partir e para o jovem da favela.

Bruna Beber

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Bruna é carioca de São João de Meriti e, hoje vivendo em São Paulo, a nostalgia de sua infância e suas vivências à distância da capital, formando sua personalidade poética, são elementos fortes de sua poesia. Dona de um humor debochado e, ao mesmo tempo, de um olhar lírico e melancólico, Bruna foi vencedora do prêmio Quem Acontece em 2008, na categoria Revelação Literária. É autora dos livros A fila sem fim dos demônios descontentes (2008), Balés (2009), Rapapés & Apupos (2010) e Rua da Padaria (2013).

Pedro Rocha

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O poeta carioca Pedro Rocha abraça o fazer poético como ofício em todas as suas etapas – da escrita propriamente, passando pela publicação, até chegar ao ato de falar o poema. Um dos fundadores do seminal evento de experimentação artística CEP 20.000, no Rio de Janeiro, Pedro é um poeta da fala. Autor dos livros Onze (2002), Chão Inquieto (2010) e Experiência do Calor (2015), Pedro é editor dos selos Lábia Gentil, especializado em poesia, e Cartonera Caraatapa, e já participou dos principais festivais de poesia da América Latina.

Conceição Evaristo

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Ainda que com mais idade, Conceição Evaristo começou a publicar nos anos 1990, e lançou seus primeiros livros já nos anos 2000, sendo, portanto, jovem enquanto autora. Autora dos livros Poncía vivêncio (2003), Histórias de leves enganos (2016), Becos da memória (2006), Poemas da recordação e outros movimentos (2008), entre outros, em sua literatura a crítica social se mistura com a ancestralidade e a religião, sob a marca de uma escrita feminina e negra. Seu livro Olhos d’água (2015) foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria contos.

Ana Martins Marques

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A poeta mineira Ana Martins Marques é autora dos livros A vida submarina (2009), Da arte das armadilhas (2011) e O livro das semelhanças (2015). Vencedora do prêmio Biblioteca Nacional e finalista do prêmio Portugal Telecom, Ana se vale de temas cotidianos e de uma poética informal para trazer o leitor pela mão por seus poemas, como cúmplices – para só (mais…)

4 brasileiros são indicados ao Dublin Literary Award

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Publicado no Blog do Galeno

3c27O International Dublin Literary Award divulgou a lista de indicados e há quatro brasileiros concorrendo ao prêmio. Daniel Galera, Michel Laub, Paulo Coelho e Paulo Scott concorrem ao prêmio de 75 mil euros para o autor e 25 mil euros para o tradutor de suas obras para o inglês. Ao todo, foram indicados 160 livros, de 44 países e escritos originalmente em 19 línguas. No dia 12 de abril de 2016, o prêmio divulga a lista dos finalistas e o vencedor será conhecido no dia 9 de junho.

Daniel Galera concorre com Barba ensopada de sangue, que em inglês ganhou o título Blood-drenched beard, traduzido por Alison Entrekin — que virá ao Brasil essa semana para o Encontro Conexões Itaú Cultural, como adiantou o nosso colunista Felipe Lindoso em sua coluna de hoje – e publicado no Reino Unido pela Hamish Hamilton. Michel Laub concorre com Diário da queda (Diary of the fall), traduzido por Margaret Jull Costa e publicado nos EUA pela Other Press e no Reino Unido pela Harvill Secker. O mega-seller Paulo Coelho concorre pelo seu mais recente título, Adultério, que em inglês ganhou tradução literal, como Adultery, também traduzido por Margareth Jull Costa em parceria com Zoë Perry e publicado nos EUA pela Alfred A. Knopf. Já Paulo Scott, concorre com Habitante irreal que ganhou sua versão em inglês traduzida como Nowhere people feita por Daniel Hahn e publicada pela An Other Stories, no Reino Unido.

Galera e Laub foram indicados pela Fundação Biblioteca Nacional, já Coelho chegou ao prêmio indicado por duas bibliotecas – a Galway County Library, da Irlanda, e a Jacksonville Public Library, dos EUA. Paulo Scott foi indicado pela Biblioteca Municipal de Oeiras, de Portugal.

O prêmio, organizado pela cidade de Dublin, tem por objetivo promover a excelência na literatura mundial e reconhece um único romance escrito originalmente em inglês ou que já tenha tradução feita para a língua inglesa.

Leonardo Neto – PublishNews

Quinto romance de Daniel Galera deve ser lançado em 2016

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Foto: Vinicius Felix

Foto: Vinicius Felix

Autor de “Barba Ensopada de Sangue”, Daniel Galera prepara novo livro enquanto procura diminuir participações em eventos literários e o tempo gasto com os games

Vinicius Felix, no Brasileiros

Se tudo der certo, teremos um novo romance de Daniel Galera em algum momento do ano que vem. Foi o que o autor paulista, radicado em Porto Alegre, adiantou durante participação, ao lado dos autores Ronaldo Bressane e Joca Reiners Terron, em uma mesa no Centro Cultural Sesc Paraty intitulada Territórios Literários.

Sobre a trama do sucessor de Barba Ensopada de Sangue (Companhia das Letras), alguns pequenos detalhes: a história se passa em Porto Alegre nos dias de hoje (2013, 2014…) e conta com três personagens centrais que eram próximos na virada do milênio e se reencontram anos depois, após tomarem rumos muito diferentes na vida.

Conversamos rapidamente com o autor sobre trabalho, leituras e videogame (Galera escreveu um longo ensaio sobre a narrativa do jogo Prince of Persia).

Você está em um período entre livros. Atrapalha ou ajuda a trazer ideias participar de eventos literários?
Fazer esse tipo de evento na época que a gente tá se dedicando a escrever um livro atrapalha um pouco, sim, mas é tudo uma questão de medida. Esse ano, a minha prioridade é trabalhar no romance novo, então eu diminuí muito a participação em debates e viagens que tenham a ver com literatura. Mas eu acho que cortar totalmente também não é o caso porque eventualmente é algo que eu gosto de fazer e divulgar a obra é parte do trabalho do autor. O autor só tem que cuidar para não deixar essa parte da divulgação se impor sobre o tempo e a energia necessária para escrever. Sem os livros em si, todo o resto deixa de existir.

Rola muita pressão? Já te fizeram várias perguntas sobre o livro novo.
Rola, mas é natural. Eu também, como leitor, fico querendo saber no que os escritores que eu gosto estão trabalhando, então me sinto bem quando fazem essas perguntas porque significa que as pessoas leram os livros anteriores e gostaram. Mas, às vezes, eu não gosto muito de falar porque não tem como mesmo, porque o projeto tá em uma fase muito inicial e pouco concreta, ele pode mudar e fica difícil colocar em algumas palavras qual é a história, não é por questão de má vontade. E às vezes, eu também não gosto muito de falar por uma sensação um pouco superticiosa de que se a gente compartilhar demais o trabalho pode depois não conseguir escrever o que desejava ou pode ir até o fim e não ficar tão bom quanto acredita. Então, tem um receito que é até um pouco irracional, mas que existe também. Mas agora, quando estou em um estágio como o de agora, que o livro já está andando e eu já escrevi quase um terço dele, é mais fácil de falar, não me importo de compartilhar um pouco e satisfazer um pouco a curiosidade dos dos leitores porque eu entendo e fico lisonjeado com essa curiosidade.

Após a mesa, você recebeu um monte de livros de jovens autores, você gosta disso?
Gosto, adoro receber. E na medida do possível, leio também, às vezes leio pelo menos uma parte para ter uma noção do trabalho do autor. Eu me lembro muito bem da época que eu fazia os meus livros de forma independente, todos os meus esforços para tentar fazer esses livros circularem e serem lidos. Então, agora que estou em outro estágio da minha carreira, eu não só tenho uma curiosidade real pelo que as outras pessoas estão produzindo, mas gosto de dar essa atenção porque Às vezes, se eu gostar de um livro desses e indicar para algum amigo meu que é editor, pode ajudar, isso pode acontecer.

O que você anda lendo?
Eu tô lendo mais não-ficção do que ficção, ultimamente. Tenho lido alguns livros de filosofia e alguns estudos que tem a ver com temas sobre antropoceno, sobre pós-humanismo, são os temas que tem me interessado recentemente e eles tem um pouco a ver com coisas do livro que estou escrevendo – e também alguns autores de filosofia de uma corrente nova chamada realismo especulativo, algumas coisas de ciência que me interessa . E eu intercalo isso com alguma coisa de literatura. Recentemente, eu li o Restinga do Miguel de Castilho, gostei bastante. Eu li alguns originais que me mandaram, entre eles um livro novo do Edyr Augusto Proença, um escritor paraense que vai ser publicado em breve – o livro dele se chama Psica e eu gostei muito, inclusive acabei escrevendo a orelha dele. É um livro bem legal.

E os jogos?
Tô jogando The Witcher 3, que tá acabando com a minha vida, é muito perigoso. Eu tento jogar mesmo só nos momentos que realmente sobram.

Não atrapalha muito no trabalho?
Eu tô conseguindo controlar, eu acabo jogando 20% a mais do que eu deveria. Não chega a me atrapalhar, como em momentos anteriores da minha vida em que eu acabava mergulhando mais a fundo. Mas tenho jogado Witcher e no computador eu joguei o Endless Legend, um jogo de simulação tipo Civilization, que agora eu já parei, mas durou algumas semanas. Jogo bom sempre tem, é meio desesperador.

‘Cordilheira’, de Daniel Galera

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‘Cordilheira’, de Daniel Galera, e o conceito nietzschiano de vida como obra de arte

Sofia Alves, Homo Literatus

Nietzsche diz que a arte assume um papel importante na vida das pessoas, como no romance Cordilheira, de Daniel Galera.

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Cordilheira, parte da coleção Amores expressos, que tinha como objetivo levar 17 autores diferentes para 17 cidades ao redor do globo a fim de escreverem histórias com características de tais locais, não é dos mais famosos títulos do autor contemporâneo brasileiro Daniel Galera. O romance retrata a história da jovem escritora Anita, que no auge de seus 29 anos vê a morte de seu pai, por quem fora cuidada desde criança, e lida com uma relação fracassada e vive com cada vez mais intensidade o desejo de se tornar mãe. Em meio a esse turbilhão de acontecimentos, a protagonista é convidada a visitar Buenos Aires, onde seu livro estava em fase de lançamento. Lá, durante uma noite de autógrafos, encontra um misterioso rapaz que lhe faz uma pergunta desconcertante e sem resposta sobre o final de seu próprio romance.

Com o desenrolar do romance podemos perceber que a figura masculina surgida durante a sessão de autógrafos gosta de ser chamada de Holden, mas que não possui verdadeiramente esse nome. Tal adoção faz parte da incorporação de um caráter escolhido pelo personagem e desenvolvido na história escrita pelo próprio. Mais a frente, os amigos de Holden são adicionados à narrativa e rapidamente é possível notar que possuem personalidades parecidas com a do rapaz, ou seja, também assumem posições adquiridas a partir do desenvolvimento literário de uma história.

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Assim, é possível observar que há incutida nos personagens a ideia de “vida como obra de arte” apresentada largamente na obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Tal conceito baseia-se na experiência de vida como uma grande obra de arte, tornando as experiências estéticas a única maneira de viver-se bem. A arte vira uma alternativa de fuga de todos os problemas mundanos e ilumina a difícil jornada que é viver. No romance de Galera, os personagens veem na literatura, mais especificamente nos livros os quais eles mesmos escreveram, roteiros de vida que estão sob seus controles, sendo então religiosamente seguidos e passíveis de mudanças arquitetadas pelos próprios.
A arte assume então o papel de motivadora da vida, e não o contrário, como Nietzsche defende em sua obra O nascimento da tragédia, na qual baseou-se na arte grega e em suas subdivisões para definir os impulsos artísticos de cada ser humano. Para os personagens, a expressão literária e sua plena vivência justificam o ato de levantarem-se diariamente para seguirem seus roteiros manchados naquelas páginas de papel. Ao invés de viverem de forma regular, caminhando de acordo com as necessidades do destino e dessa forma produzindo sua literatura, cada personagem descrito trata tal forma artística como determinante de sua existência, não permitindo então que nenhum ato da grande peça escrita saia mal executado.

Além disso, é possível concluir que a arte como vivência plena torna a vida dos personagens suportável, ou seja, é através de tais experiências estéticas que podem ser capazes de continuar a viver. Tal fato pode ser considerado como uma fuga irremediável de suas realidades individuais, onde a incompreensão e a dor dominam o cenário e tornam suas vidas difíceis e pesadas. Ao arquitetar seus universos, é possível prevenirem-se de possíveis decepções e problemas inerentes à existência.

Nietzsche e Galera parecem ter travado um diálogo demonstrando na teoria e na prática uma das funções da arte. Enquanto o filósofo propõe a exposição e a reflexão dos fatos, o escritor escancara na face do leitor os problemas e dificuldades que estão diretamente ligados com a produção e a compreensão do exercício literário.

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