Posts tagged dar aulas

Os superprofessores particulares que educam filhos de milionários

0

Fok recusou US$ 20 mil de pais de aluno para garantir que ele tirasse nota máxima em exame Imagem: Arquivo pessoal

Philippa Fogarty, no UOL

O trabalho de Melissa Lehan como professora particular a levou a lugares fantásticos. Ela trabalhou nas Bermudas por alguns anos, depois no Canadá. Também teve passagens pelo sul da França, pelas Bahamas e pela região da Toscana, na Itália. No momento, está atuando no interior de Luxemburgo, onde ganha um salário anual de seis dígitos.

Formada na prestigiada Universidade de Oxford, no Reino Unido, Lehan, de 36 anos, educa crianças em casa há 10 anos. Seus clientes são geralmente pais ricos que, por várias razões, não se contentam com as escolas locais e querem uma educação melhor para seus filhos.

Ela diz amar seu trabalho, que inclui acomodação e viagens de graça. Mas, quando questionada por que, não destaca ter ensinado em locais exóticos ou dentro de um iate. Em vez disso, Lehan discorre sobre os relacionamentos que desenvolve com seus alunos e da liberdade que tem para lecionar, explicando os assuntos de uma forma diretamente relevante para eles.

“Ter essa conexão emocional com uma criança e ajudá-la, conhecendo-a tão bem que você sabe o que ela vai aprender – é o que me faz seguir em frente”, diz.

Boom de aulas particulares

Ao redor do mundo, a indústria de ensino privado está crescendo. Segundo previsões, seu faturamento vai alcançar US$ 227 bilhões (cerca de R$ 895 bilhões) até 2022, impulsionado pelo crescimento na Ásia e pelo desenvolvimento de aulas on-line, na medida em que mais empresas conectam estudantes a professores, independentemente da distância física.

No entanto, esse setor continua em grande parte não regulamentado e há todos os tipos de provedores do serviço: freelancers, escolas, grandes redes, serviços online, agências personalizadas e muito mais.

No topo, há um pequeno número de pessoas extremamente bem pagas, conhecidas como “superprofessores”. O significado varia de acordo com a região.

Na Europa, a figura mais conhecida costuma ser a do professor particular em tempo integral, como Lehan, em muitos casos usado por pais super-ricos que trabalham no exterior e que querem levar seus filhos para as melhores escolas e universidades nos EUA ou no Reino Unido.

Já no leste da Ásia, a expressão “superprofessor” normalmente se refere a um especialista em um determinado assunto que ensina grupos – um exemplo de destaque é Lam Yat-yan, de Hong Kong, um professor de língua chinesa que recusou uma oferta de emprego de US$ 11 milhões (R$ 43 milhões) em 2015.

Nos Estados Unidos, onde em 2017 mais de 3,7 milhões de estudantes fizeram testes de admissão para universidades, trata-se de um profissional conhecido por preparar candidatos para provas e que cobra taxas altíssimas por hora.

Mas além de cobrar altas somas, o que faz um superprofessor? Que tipo de habilidades eles têm, por que eles escolheram essa profissão e como chegaram aonde estão?

Preparação e sacrifício

No caso de Lehan, o termo “superprofessor” não lhe desperta interessa. Ela diz que a expressão glamouriza um papel que “não é bem compreendido”. “No dia a dia, sou professora”, diz “que trabalha duro”.

A maioria dos professores de Ensino Médio se especializa em um ou dois assuntos, mas Lehan ensinou várias disciplinas a crianças. Ela é formada em línguas e compartilha um amor pela matemática, mas desde cedo dominar o campo das ciências sempre foi um desafio. Em seu primeiro emprego, ela trabalhou sem parar para se certificar de que estava a par de toda a ementa.

“Para mim, a química (com o aluno) foi a única coisa em que tive que focar minhas atenções”, diz ela. “E, então, você obviamente passa o tempo tentando aperfeiçoar seu método de ensino, incluindo pequenos truques.”

Planejamento e preparação também levam tempo. “Você planeja para ter certeza de que o que ensina está funcionando especificamente para o seu aluno. Isso significa que, embora você tenha uma ementa em mente, é preciso revisá-la ao longo do tempo e fazer ajustes, de forma que o conteúdo pareça agradável ao aluno”.

Para Anthony Fok, sacrificar o tempo com a família e com os amigos faz parte do trabalho. Ele é professor em Cingapura, onde 70% dos pais matriculam seus filhos em aulas extras.

Fok, de 35 anos, dá aulas de economia para grupos de estudantes que se preparam para entrar em universidades locais e estrangeiras. Ele trabalha à noite e nos fins de semana e faz parte de um pequeno, mas crescente grupo de “superprofessores”. O faturamento de sua empresa gira em torno de US$ 726 mil (R$ 2,9 milhões) por ano.

Para isso, cobra dos seus alunos US$ 305 (ou R$ 1,2 mil) por quatro aulas de 90 minutos, taxas que ele diz estarem no mesmo nível de outros tutores ou “talvez com um pouco acima da média”. Suas aulas estão cheias – a tal ponto que alguns pais chegam a reservar um lugar em sua turma com três anos de antecedência ou mesmo oferecer dois anos de pagamento adiantado.

Em dada ocasião, um dos pais lhe ofereceu US$ 20 mil (R$ 78 mil) se Fok garantisse que seu filho tiraria a nota máxima no exame. Ele recusou. “Não é possível realizar milagres no último minuto”, diz ele. “A primeira dificuldade é que os pais acham que o dinheiro resolve todos os problemas. Mas não é verdade!”

Em um mercado competitivo, Fok conquistou seu nicho aperfeiçoando seu currículo. Ele começou a dar aulas na universidade, depois passou cinco anos como professor de uma escola antes de abrir seu próprio negócio de ensino em 2012.

Hoje, é o autor de vários livros sobre economia. Ele garante que se mantém atualizado pelos exames anteriores, bem como pelas últimas tendências, além de permitir que seus alunos lhe enviem mensagens a qualquer momento.

‘Não prometa demais e não entregue menos’

Nos imensos mercados de ensino de Hong Kong e da Coreia do Sul , os professores “estelares” dependem de um grande número de estudantes, fazendo palestras on-line ou ao vivo para aumentar seu alcance. Mas Fok diz não querer comprometer a qualidade de seu ensino ao fazer isso.

Ele critica quem entra nesse setor apenas pelo dinheiro e argumenta que a chance de fracassar é alta. “Os professores devem ser genuinamente apaixonados por ensinar e precisam se esforçar 100% para ajudar os alunos a melhorar”, diz Fok. “Não prometa demais e não entregue de menos. Trabalho duro, trabalho duro e trabalho duro.”

Enquanto isso, na Califórnia, Matthew Larriva ganha US$ 600 por hora dando aulas particulares para as provas SAT ou ACT, usadas para admissão em universidades americanas. Larriva começou a dar aulas em 2011 e, desde então, abriu sua própria agência de preparação para os testes.

Outras empresas do setor eram “generalistas”, defende ele, e havia espaço para uma alternativa de alto nível. Agora, conecta famílias com professores que recebem US$ 250 (R$ 985) por hora, escreve livros, faz apresentações e aceita apenas um ou dois alunos por vez.

“O que eu entrego – e a razão pela qual acho que eles estão dispostos a pagar – é a durabilidade dos resultados”, diz ele. Muitas pessoas só trabalham no campo por um curto período de tempo, diz ele, mas, se você ficar, “começa a desenvolver um ritmo que é realmente forte”.

Em sua opinião, professores experientes podem ajudar alunos a escolher a prova certa, o cronograma e a meta de pontuação, além de adaptar seu ensino para maximizar o progresso em diferentes níveis de habilidade.

Algumas pessoas, diz Fok, calculam que ele ganhe mais de US$ 1 milhão (R$ 3,94 milhões) por ano, mas não veem o tempo gasto trabalhando nos bastidores.

“Para cobrar US$ 600 (R$ 2.365) por hora, é preciso constante preparação, viagens e marketing”, diz ele. “E, uma vez no batente, é um trabalho cansativo durante as noites, fins de semana e feriados. Tenho que ser professor para meus alunos, conselheiro para os pais deles e mediador entre as famílias.”

Larriva estima que seja uma das cerca de 100 pessoas mais bem pagas em seu campo, mas lembra que há outros que cobram muito mais. Quanto ao conceito de “superprofessor”, ele diz não se importar com pessoas com status de celebridade, desde que seus resultados estejam alinhados com o marketing que fazem.

Sua maior preocupação, diz, é que não há qualificação padronizada para ser professor nos EUA. Muitas pessoas se anunciam como instrutores de preparação de testes, mas às vezes não está claro de que forma beneficiam seus alunos. Ele gostaria que as empresas publicassem os resultados dos estudantes, dando aos pais maior transparência.

Padrões profissionais

Adam Caller concorda. Ele é fundador da Tutors International, com sede em Londres, que fornece professores em tempo integral (incluindo Melissa Lehan) para famílias ricas. Atualmente, sua empresa está oferecendo salários de seis dígitos nos EUA, Bermudas, Luxemburgo e Hong Kong.

Em vez de se concentrar em salários ou “superprofessores” (um termo de que ele não gosta por mexer com o medo dos pais), Caller diz que o importante é resultado para o aluno. Ele contrata apenas professores qualificados (a menos que o cliente solicite o contrário) e suas funções podem incluir requisitos específicos – idiomas extras, música ou esportes, experiência com crianças problemáticas ou dificuldades de aprendizado.

Ele diz acreditar que deve haver uma qualificação profissional que reconheça formalmente a experiência dos professores.

“Seria excelente se houvesse um órgão de fiscalização por meio do qual seu profissionalismo, seu conhecimento, seu desenvolvimento profissional fossem medidos”, diz ele.

No caso de Lehan, se posta em prática, essa iniciativa poderia levar a uma melhor compreensão do que ela faz para ganhar a vida. “Acho que há muitas pessoas que não percebem que eu não estou apenas dando um pouco de aulas de francês, mas ensinando um conjunto completo de disciplinas”, diz ela.

Para ela, são os alunos – a garota rejeitada por sua escola como uma “aluna de baixo desempenho” que passou a se destacar em todas as provas, por exemplo – que tornam seu trabalho recompensador, em vez de inúmeras qualificações no currículo.

Matthew Larriva concorda. “Sim, o trabalho é sedutor às vezes – ter bilionários fazendo café para você e ser convidado para jantar em família com um congressista – mas mais envolvente do que glamour é o privilégio: entrar na vida de alguém nesta posição única, conhecer uma família e fazer com que eles confiem a você uma grande parte do futuro de seus filhos.”

Chega ao Brasil a biografia do antropólogo Claude Lévi-Strauss

0

O antropólogo belga Claude Lévi-Strauss Foto: Edições Sesc

Belga deu aulas na USP e compreendeu o Brasil em ‘Tristes Trópicos’

Paulo Nogueira, no Estadão

Que tal ler sobre um homem que viveu 101 anos e morreu Imortal? Que criou uma ciência (ou ao menos um ramo frondoso dela)? Que escreveu um livro clássico, acima de tudo inclassificável? Que deu aulas na USP, em Nova York e Paris, e aprendeu muita coisa com gente que andava pelada e dormia no chão? Um homem cujo nome era música, calça e filosofia, e por vezes um risco mortal?

Salivando? Então basta percorrer as 782 feéricas páginas da biografia Lévi-Strauss, de Emanuelle Loyer. A autora é especialista em história intelectual da Universidade Sciences-Po, em Paris. Confirmando a barbada, esta obra embolsou o prêmio Femina de ensaio, em 2015.

Um dos supremos intelectuais do século 20, Claude Lévi-Strauss (1908-2009) nasceu em Bruxelas, mas é tão francês quanto Astérix. De origem obviamente judaica, o sobrenome de Lévi-Strauss sempre deu pano para mangas. Em 1940, com a França sob ocupação alemã, ele foi a Vichy pedir autorização para voltar à capital, onde nazistas saíam pelo ladrão. O funcionário pestanejou: “Com esse nome, o senhor quer ir para Paris?” Caindo a ficha, Claude se mandou para os EUA, onde foi aconselhado pelos diretores da New School a usar L. Strauss em vez de Lévi-Strauss – “para que o senhor não seja confundido com uma marca de jeans”. Também foi confundido com o autor de valsas vienenses Richard Strauss. E com o filósofo Leo Strauss. Hoje é inconfundível.

Claude, embora tenha declinado bater o ponto na École Normale Supérieure, poleiro dos prodígios da geração (Sartre, Aron, Merleau-Ponty, Paul Nizan), cursou filosofia e direito – já na etnologia foi um autodidata. Ainda na faculdade, simpatizou com os princípios do socialismo e fez militância estudantil. Mas, por feitio e convicção, foi sempre um socialista insociável, que nunca sujeitou tudo a um materialismo farisaico. E saudou no ato, em 1933, o romance Viagem ao Fim da Noite, do endiabrado reacionário Louis-Ferdinand Céline. Isso quando a esquerda ortodoxa estava embevecida com o Realismo Socialista de Jdánov.

Naquela época, apesar de recém-casado, o professor do ensino médio Lévi-Strauss se sentia como se tivesse perdido o bonde e a esperança. Até que ouviu um som talismânico. “Minha carreira foi decidida num domingo de 1934, às 9h da manhã, com um toque de telefone”. Era um convite para dar aulas de sociologia na engatinhante USP, com a isca de que “há muitos índios na periferia de São Paulo”. Não havia. Depois, o embaixador brasileiro na França jogou água no chope: “Não há mais índios no Brasil”. Havia.

Lévi-Strauss tinha 26 anos. Ficou no Brasil quatro anos, lecionando em francês, “a segunda língua dos brasileiros escolarizados”. Em 1934, São Paulo contava mais de 1 milhão e 200 mil habitantes e crescia a jato (50 anos antes, não passava dos 100 mil!). Antes, fez escala no Rio de Janeiro, com o qual embirrou: “Os trópicos são menos exóticos do que antiquados.” Comparou os morros cariocas a “dedos numa luva apertada”. Em Sampa, o primeiro arranha-céu que vê na vida: o edifício Martinelli. A delegação de professores europeus era uma espécie de seleção galáctica de dentes de leite: entre outros, Fernand Braudel (depois um dos pais da “história das mentalidades”), Roger Bastide (que traduzirá Casa Grande e Senzala) e o grande poeta italiano Giuseppe Ungaretti.

Na USP, Lévi-Strauss dá seis aulas de 55 minutos por semana, de março a novembro. Ele e sua mulher Dina, com a mesma formação acadêmica do marido, viram parças da intelligentsia local, sobretudo Mário de Andrade. O regresso à França coincide com o início da 2.ª Guerra Mundial. Lévi-Strauss só voltará ao Brasil em 1985, com o presidente Mitterrand. Mas dirá: “O Brasil representa a experiência mais importante da minha vida”.

Em 1940, se exila nos EUA, no mesmo cargueiro em que enjoa André Breton. Em NY, rola um encontro decisivo: com Roman Jakobsson, que lhe apresenta o estruturalismo. Daí nascerá a antropologia estrutural, postulando uma configuração que ordene a entropia dos fatos, através da análise de mitos e laços de sangue. Seja a sociologia seja a antropologia já refletiam uma “linhagem francesa”, com Émile Durkheim e Marcel Mauss. Em meados do século 20, o etnocentrismo era torpedeado: já não se tratava do “fardo do homem branco”, ou de ensinar canibais a comer de garfo e faca – em vez disso, o elogio da diversidade e do interlocutor. Até porque, como observou Aron: “Uma parte do melhor do Ocidente acabou nos fornos crematórios de Auschwitz.” Tratava-se, isso sim, de tentar conciliar o sensível e o inteligível, natureza e cultura. A influência da linguística em Lévi-Strauss nunca extrapolou – como aconteceu, por exemplo, com Jacques Derrida e sua famosa frase desconstrucionista: “não há nada fora do texto” (a não ser, claro, as interpretações de Derrida).

Em 1955, jorra a lava verbal de Tristes Trópicos, uma obra metamórfica, porosa, meio budista meio lunática – uma autoanálise que bate na trave da catarse absoluta. O título, com sua aliteração lírica e soturna, levanta a bola para o incipit rabugento, que chuta o balde da premissa antropológica: “Odeio viagens e exploradores.” Relatando o convívio com índios caduveos, bororos e nambiquaras, é para muitos o mais importante livro de um estrangeiro sobre o Brasil. E é a chef d’oeuvre de Lévi-Strauss, um clássico que funde literatura e ciência, espécie e indivíduo, eternidade e devir – aliás, o próprio título é de um romance que o autor quis escrever e depois amarelou.

Tristes Trópicos, com suas quase 500 páginas, foi concluído em cinco meses, numa máquina de escrever de teclado alemão comprada numa biboca em São Paulo. Tentar definir essa obra é como empunhar vento (por ela ser praticamente tudo, menos um pastel de vento). A biógrafa Emanuelle Loyer faz uma airosa tentativa, ao compará-la com o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa. Quando Tristes Trópicos saiu, Sartre (cujo existencialismo Lévi-Strauss tinha esculhambado) declarou-se “deslumbrado”.

É uma narrativa encantada, por vezes amarga como um limão verde. Se alguém quer ser etnólogo pensando em Indiana Jones, pode tirar o cavalinho da chuva. “Não há lugar para a aventura nessa profissão. Temos de nos levantar com o dia, permanecer acordado até que o último índio esteja dormindo, e de o vigiar durante seu sono. Temos de nos esforçar para passar despercebidos, estando sempre presentes; ver tudo, reter tudo, anotar tudo, dar mostras de uma indiscrição humilhante, mendigar informações de um garoto ranhoso”. Sim: a antropologia às vezes é um programa de índio.

É evidente a tentação do autor pelo texto literário, sem prejuízo do rigor científico (neste aspecto, lembra Primo Levi). Em 1973, Lévi-Strauss é eleito para Academia Francesa. Em 2004, a Bibliotheque de la Plêiade (coleção da Gallimard que canoniza os clássicos da literatura francesa) abre sua primeira exceção para um não literato: Claude Lévi-Strauss – e com o autor ainda vivo. É a vantagem da arte sobre a ciência: nos melhores casos, aquela caduca mais devagar e, nas obras-primas, talvez nunca. O Édipo de Sófocles continua novinho em folha – já a teoria geocêntrica de Ptolomeu é uma curiosidade histórica.

Talvez a chave para Tristes Trópicos (e para a vida do seu autor) resida em sua última frase, na forma de um felino enigmático e elegante mas também expressivo: “Tal como o indivíduo não está só no grupo e cada sociedade não está só entre as outras, o homem não está só no universo. Assim que o arco-íris das culturas humanas tiver acabado de afundar-se no vazio cavado pelo nosso furor, este arco tênue permanecerá. Este favor que toda a sociedade ambiciona, onde ela situa o seu ócio, o seu prazer, repouso e liberdade, e que consiste em captar a essência do que ela foi e continua a ser, aquém do pensamento e além da sociedade, na contemplação de um mineral mais belo que todas as nossas obras; no perfume mais sábio que os nossos livros, respirado no âmago de um lírio; ou no piscar de olhos, cheio de paciência, serenidade e perdão recíproco que um entendimento involuntário permite, por vezes, trocar com um gato.”

‘O professor pagava meu almoço’: a jovem de periferia aprovada em um dos vestibulares mais difíceis do país

0

A estudante Bárbara da Costa viajou para o Rio para fazer a matrícula com passagem comprada com as milhas de um professor | Foto: Ricardo Borges/BBC Brasil

Bárbara da Costa Araujo matou a curiosidade de conhecer a sala de embarque do aeroporto de Fortaleza há poucas semanas. Apesar de morar há anos em um dos bairros no entorno do aeroporto, até então a experiência dela com o terminal se resumia ao barulho dos pousos e decolagens.

Camila Veras Mota, na BBC Brasil

Com passagem só de ida – comprada com as milhas de seu professor de matemática -, a jovem de 19 anos tinha como destino o Rio de Janeiro, onde faria sua matrícula no Instituto Militar de Engenharia (IME).

É dela uma das 98 vagas disputadas em um dos vestibulares mais exigentes do país, em uma maratona de provas com ênfase nas matérias de exatas, feita por quase 6,3 mil alunos de todo o país.

“As provas discursivas de matemática e física são as mais difíceis do país, mais do que as do ITA”, diz Francisco Antônio Martins de Paiva, o professor Max, que acompanhou a jovem e que há 20 anos dá aulas em turmas preparatórias para as provas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do IME. “A gente brinca que, se um professor conseguir acertar metade das questões, a escola pode contratar (para dar aula nas turmas regulares) de olho fechado”, completa.

O perfil de Bárbara destoa da grande maioria dos aprovados no instituto – e nos cursos mais disputados das demais instituições de ensino superior do país -, egressos de escolas particulares e de classe média e alta.

Ela é a primeira pessoa da família a entrar na faculdade. A avó e a mãe, com quem morava em uma casa simples, trabalharam praticamente a vida inteira fazendo faxinas.

Ela estudou até a 8ª série em uma escola estadual do bairro perifério da Vila União, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,467, equivale a pouco mais da metade do registrado em Fortaleza, 0,732, de acordo com dados de 2014 compilados pela prefeitura.

O indicador é construído a partir de dados de renda, saúde e educação de cada região; quanto mais próximo de 1, mais desenvolvida ela é.

No fim do ensino fundamental, em 2012, Barbara disputou com outros 400 jovens de bairros carentes uma das 20 bolsas custeadas por uma ONG de educação. Se fosse selecionada, poderia cursar o ensino médio em uma escola particular. Vencidas as nove etapas do processo, Bárbara foi matriculada no ano seguinte.

De ônibus, o trajeto até a nova sala de aula, no centro de Fortaleza, era de mais ou menos uma hora. Tempo que ela considera razoável, já que o namorado – também bolsista do mesmo programa – acordava às 4 da manhã para ir de Caucaia, cidade-satélite da capital, a Fortaleza.

O nível da turma era alto, ela lembra, mas os anos de estudos para Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) – sempre por conta própria, já que a mãe sempre a deixara “muito solta” – ajudaram no primeiro ano.

Com bom desempenho, ela conseguiu uma vaga nas turmas especiais preparatórias para os vestibulares do IME, que têm mais aulas de matemática, física e química.

“Foi um baque, tirei o primeiro 4 da minha vida, em física. Foi horrível”, ela conta. Bárbara abriu mão das olimpíadas de matemática para se concentrar no pré-vestibular e as notas melhoraram. Na primeira tentativa, ela foi aprovada em engenharia na Universidade Federal do Ceará (UFC), mas queria mais.

Getty Images
Image caption Bárbara quer fazer mecânica de automóveis e sonha em trabalhar na Fórmula 1

O problema é que a bolsa financiada pela ONG só se estendia até o terceiro ano do ensino médio. A escola topou custear o curso extensivo. No primeiro ano, contudo, o mal de Parkinson que acometia o avô piorou. A mãe parou de trabalhar para cuidar dele.

O orçamento da família, que já era apertado, ficou ainda mais restrito. Um dos remédios de uso contínuo custava R$ 35 por semana. “Isso era muito pra gente”.

O avô faleceu e, depois daquele ano difícil, Bárbara não fez boas provas.

A pressão para que a jovem começasse a trabalhar aumentou – a aposentadoria do avô era parte importante da renda doméstica – e, no segundo ano de cursinho, a escola ofereceu a Bárbara uma vaga no alojamento que mantém para hospedar alunos carentes vindos do interior do Ceará e de outras partes do país com potencial de aprovação. “Isso ajudou a me afastar um pouco dos problemas”.

Um dos professores pagou seu almoço durante todo o ano letivo e outro contribuía com algumas despesas esporádicas com as quais ela não conseguia arcar.

O professor Max foi buscar Bárbara no dia da mudança – para surpresa dele, restrita a uma mochila e um saco de supermercado. “A casa era um espaço entre dois imóveis, um vão de dois ou três metros, que a família cobriu e colocou uma porta improvisada. Sem estrutura nenhuma”, ele lembra.

‘Aos 21 anos, eu não sabia somar frações’

A realidade não era tão diferente da história do próprio professor. Max nasceu em Canindé, no interior do Ceará, e cresceu numa vila em que os moradores dividiam todos o mesmo banheiro. “Em casa não tinha uma mesa, eu estudava na rede”, conta.

Em 1992 prestou o primeiro vestibular para História e, no início do curso, descobriu que era apaixonado por matemática. “Aos 21 anos, eu não sabia somar frações. Comecei a estudar sozinho, o que me abriu a possibilidade para que começasse a dar aulas particulares para ganhar algum dinheiro”.

Getty Images
Image caption ‘Em casa não tinha uma mesa, eu estudava na rede’, diz o professor de matemática

Ele mudou de curso, virou professor em uma escola pública e, pouco tempo depois, foi convidado por uma escola particular – para dar aulas de ciências.

No esforço para adquirir conhecimento por conta própria, resolvia dezenas de provas. Foi assim que descobriu os testes do ITA, entre os mais difíceis do país. “A primeira vez que peguei uma prova, não sabia resolver uma questão. Pensei na hora: ‘opa, é isso aqui mesmo que eu quero'”.

O que começou como desafio virou vocação. Há 20 anos ele é titular das turmas especiais do pré-vestibular.

“Também tive gente que acreditou em mim”.

Desigualdade de oportunidades

Histórias como a do professor Max e a de Bárbara são exceções. “Muito do futuro de quem nasce no Brasil está determinado por suas condições socioeconômicas quando nasce”, diz o pesquisador do Insper Naercio Menezes Filho, estudioso dos temas de educação, mercado de trabalho e desigualdade.

“A diferença entre o sistema público de educação e as escolas privadas, entre outras razões, alimenta uma desigualdade de oportunidades que é enorme no país”, acrescenta.

Para se ter uma ideia, ele exemplifica, filhos de pais analfabetos têm 3% de chance de concluir o ensino superior – percentual que cresce para 70% quando os os pais passaram pela universidade.

A escolaridade, por sua vez, é determinante para definir o nível de renda e até onde o salário de cada um pode chegar. No Brasil, a remuneração média de quem tem ensino médio completo é de R$ 1 mil, valor que salta para R$ 4,6 mil para quem conseguiu concluir uma faculdade.

Engenheira da Fórmula 1

Bárbara sabe que é uma dessas exceções estatísticas, mas isso não a impede de sonhar alto.

‘Muita gente não teve as mesmas oportunidades’, diz a jovem | Foto: Ricardo Borges/BBC Brasil

“Eu não gosto que me coloquem limite”, ela disse, inicialmente se referindo ao fato de que muita gente da família e do bairro torceu o nariz quando ela disse que queria ser engenheira.

Apaixonada por carros, quer trabalhar na Fórmula 1. Ao longo da infância e da adolescência ela sempre se imaginou nos boxes que via nas transmissões das corridas pela televisão, trabalhando nos carros que passam pelo pit stop.

“Eu sei, é sonhar alto, mas me deixem sonhar!”, ela diz, rindo.

Com o olho grudado na tela, nos ziguezagues que parecem intermináveis para quem não gosta do esporte, ela ouvia da mãe e da avó: “Barbara, aprende a fazer as coisas de casa, aprende, porque em algum momento você vai casar e nao vai saber fazer nada”.

Insistiam para que ela escolhesse uma carreira “mais feminina”, que fosse pediatra ou professora. “Eu acho que, quanto mais baixa é a classe social, maior é o machismo”, comenta.

O resultado da aprovação saiu no dia 6 de dezembro. Depois de comemorar, a ficha caiu. “Pronto, passei. Agora não tenho dinheiro pra um exame (médico), pra uma passagem”, conta, com bom humor.

O professor Max juntou suas milhas e comprou-lhe o tíquete para o Rio de Janeiro. O diretor da escola descobriu e resolveu pagar os exames médicos exigidos pelo instituto.

“Eu tive muitas oportunidades e gente que acreditou em mim. Muita gente não teve as mesmas oportunidades que eu, sei disso”. Aos amigos, por isso, ela aconselha que agarrem as chances sempre que elas aparecerem.

A jovem optou pelo IME, onde está matriculada como oficial da ativa, por conta do salário que a universidade paga aos alunos durante os 5 anos de curso – além, claro, da possibilidade de cursar mecânica de automóveis.

Ela mora em um alojamento dentro do instituto, localizado na Praia Vermelha, no bairro da Urca.

Bárbara quer mandar parte da renda mensal para a mãe e a avó, guardar um pouquinho para comprar uma passagem “de volta” para Fortaleza – para visitar a família e o namorado, aprovado em engenharia em uma faculdade pública do Ceará – e economizar para comprar, no futuro, uma casa melhor para a avó – o que, para ela, é “o maior sonho”.

Professor cego e cadeirante inspira alunos: ‘A superação está dentro de cada um’, diz

0
Osvaldo Fernando Moreira leciona na rede municipal há 4 meses (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Osvaldo Fernando Moreira leciona na rede municipal há 4 meses (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Síndrome de Devic afetou visão e movimentos das pernas de Osvaldo Fernando Moreira aos 13 anos. Ele leciona em sala do 5º ano de escola municipal de Rio Claro, SP.

Fábio Rodrigues, no G1

Uma doença rara degenerativa tirou a visão e parte dos movimentos das pernas de Osvaldo Fernando Moreira, aos 13 anos, mas não o impediu de sonhar. Formado em pedagogia, o professor de 29 anos inspira alunos do 5º ano do ensino fundamental para quem dá aulas em Rio Claro (SP) desde junho deste ano. “A superação está dentro de cada um”, disse ao G1 neste domingo (15), Dia do Professor.

Moreira é concursado na Escola Municipal Jovelina Morateli, no bairro Mãe Preta, onde sente-se realizado pela profissão que diz ter se apaixonado logo nos primeiros meses da graduação. Para conseguir o que queria, foi preciso muita dedicação, característica que admira em si próprio.

Síndrome de Devic

Moreira nasceu saudável, mas na adolescência foi diagnosticado com a síndrome de Devic, uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central. Em uma semana, perdeu a visão e parte dos movimentos das pernas.

O tratamento começou em 2001 no Centro de Habilitação Princesa Victoria (CHI) onde se aproximou de pessoas com dificuldades semelhantes. Lá aprendeu a se comunicar em braile e logo passou a dar aulas para crianças com deficiência visual e múltiplas deficiências. Seis anos depois, prestou concurso e, em 2008, passou a trabalhar na unidade.

Ao concluir a graduação, Moreira prestou outro concurso para professor da rede municipal de ensino e, em maio deste ano, teve que se desligar do CHI. “Por ter toda uma história de ajuda e recuperação, foi muito difícil a minha saída”, contou.

Primeiro dia de aula foi marcante, disse professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Primeiro dia de aula foi marcante, disse professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Primeiro dia de aula

O professor lembrou que teve receio em relação ao primeiro dia de aula, pois não sabia o que iria encontrar. Ele não conhecia a escola, os professores, não sabia se o prédio era adaptado e não tinha noção de como seria recebido pelos pais e alunos. A experiência, entretanto, o surpreendeu.

“As crianças são curiosas, perguntaram por que tinha ficado doente, como uma pessoa cega enxerga, como eu fazia em casa. Contei a minha história e elas ficaram surpresas por eu conseguir fazer tantas coisas. Com isso, foi quebrando aquele gelo. No primeiro dia de aula saí muito feliz pela receptividade dos alunos e da escola”, disse.

Segundo Moreira, a Secretaria Municipal de Educação fez algumas melhorias no prédio da escola, como rampas e adaptações no banheiro. As portas largas e sala ampla facilitam a circulação entre os alunos. “Eles vêm, pegam minha cadeira e levam até o lugar deles. Leem a pergunta, a resposta e dou as orientações”, contou.

A professora Ana Cristina de Souza Cruz auxilia o trabalho. “Quando tem explicação na lousa, eu falo e ela escreve. Ela é como se fosse meus olhos e braços. Discutimos e planejamos o conteúdo aplicado, as crianças têm sorte por terem dois professores”, disse ele.

Independência

O professor morava com os pais e três irmãos, mas há quatro anos comprou um apartamento e desde então vive sozinho. No começou a mãe não gostou muito da ideia, mas acabou aceitando com a condição de que ela pudesse cozinhar e fazer outras tarefas.

O acordo durou pouco tempo, pois Moreira aprendeu a fazer feijão, carne de forno, torta, bolo e outras receitas que pega na internet. Ele disse que também limpa a casa e lava roupas.

Escola passou por adaptações para receber professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Escola passou por adaptações para receber professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Superação

Religioso, o professor disse acreditar que Deus tem um propósito para tudo. “Talvez se eu não ficasse doente, não iria conseguir mostrar para as pessoas que há possibilidade e que não é preciso só reclamar dos problemas. Com a minha história, acabo transformando a vida de algumas pessoas”, disse.

Para ele, superação é uma capacidade do ser humano, basta querer fazer e se esforçar. O professor disse que sempre lembra aos alunos que é preciso correr atrás dos objetivos independentemente da limitação que se tem.

“Aceito a minha condição de ter duas deficiências, mas eu não me conformo porque senão não vou conseguir viver em paz, ser feliz. A ciência está avançada, a gente não sabe o dia de amanhã. Do mesmo jeito que fiquei doente posso recuperar. Eu acho que lamentar e reclamar de um problema não vai fazer com que consiga resolvê-lo, As pessoas têm que tem ter mais ação e força de vontade para seguir frente”, ressaltou.

Professor que usou Bíblia para dar aulas de história a presos recebe prêmio

0
Presos da Penitenciaria Central de Piraquara tem aulas, Plano Estadual de Educacao em prisoes. 09-05-14. Foto: Hedeson Alves

 Foto: Hedeson Alves

Di Gianne percebeu a grande quantidade de Bíblias disponíveis dentro da escola do presídio e decidiu utilizar o livro mais comum do sistema prisional

Larissa Ricci, no Correio Brasiliense

O professor de história mineiro Di Gianne de Oliveira Nunes está entre os 10 vencedores do “Oscar da educação”. Di Gianne, que leciona há 10 anos, colocou em prática um novo método para prender a atenção de seus alunos da Educação de Jovens e Adultos e Ensino Médio (EJA) da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) em Lagoa da Prata, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais: usou a Bíblia para ensinar história aos seus alunos. O prêmio, que reconhece professores de todo o país, foi criado há 19 anos e já reconheceu 211 educadores. Este ano, a Fundação Victor Civita recebeu 5.006 projetos inscritos e 10 foram vencedores da categoria Educadores Nota 10. Di Gianne é o único que representa o estado de Minas Gerais e recebeu o reconhecimento. Agora, concorre como Educador do Ano.

“Regime fechado, visão aberta”, esse foi o nome escolhido por Di Gianne Nunes para seu projeto. Professor de escola pública e privada, foi na Apac que surgiu a ideia de procurar por um método de estudo diferente. “Na unidade prisional, quando eu estava dando aula sobre império romano, um aluno me questionou se existia a possibilidade de estudar por meio da Bíblia. Foi então que percebi que a grande quantidade de Bíblias disponíveis dentro da escola do presídio. Agora, vou utilizar o livro mais comum do sistema prisional a nosso favor”, conta o professor. Ele demorou cerca de dois meses para se preparar para as aulas.

O primeiro desafio enfrentado pelo docente foi separar a fé do histórico. “O cenário da Bíblia é histórico e fértil. Mergulhamos em um trabalho intenso para estudar, analisando as tradições, as culturas e as sociedades dos romanos e dos gregos. Como no presídio os alunos não têm acesso à internet, usamos a Bíblia e os livros de história. Ora líamos um, ora outro e, depois, discutíamos se o fato era comprovado pela arquelogia”, conta. Os alunos aprenderam e se dedicaram: “Eles ficavam ansiosos para as aulas”, diz.
Continua depois da publicidade

As aulas ajudam, inclusive, em outras disciplinas, como literatura e atualidades, para entender os conflitos no Oriente Médio hoje. “Mudou o rendimento na sala de aula. Até na biologia, a lepra, por exemplo, muito citada na Bíblia. Ainda tem preconceito e isso vem desde a época. E tudo isso a gente vai refletindo, desconstruindo.” Além disso, a autoestima dos alunos aumentou e eles ficaram mais confiantes. “A mãe de aluno me ligou e disse, chorando: ‘Meu filho só tinha saído no jornal em páginas policial e, agora, todo mundo voltou a acreditar nele. De repente, ele era vencedor num projeto educacional em nível nacional”, lembra o professor.

Como ele ficou entre os 10 vencedores recebeu R$15 mil. Di Gianne resolveu devidir o valor entre os alunos da turma do EJA: “Nada mais justo. Eles são os protagonistas”, comentou. Agora, no fim de outubro, o professor vai à capital paulista junto com os outros docentes para concorrer ao título de Educador do Ano. Caso fique em primeiro lugar, receberá um vale presente de R$ 5 mil para a escola onde aplicou o trabalho e outro, em igual valor, de R$5 mil, para a escola onde aplicou o trabalho.

Go to Top