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Quais valores a educação deve transmitir?

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Lydia Cintra, na Superinteressante

Atenção, educadores. Vocês já devem saber, mas não custa repetir: o papel de vocês no mundo é essencial. Ensinar, aprender e retransmitir conhecimento é uma das formas mais nobres de se colocar neste planeta, passar valores e formar verdadeiros cidadãos. Por isso, este texto é especialmente para vocês.

Mas não deixe de ler se você não é educador. Ele também se aplica a todos que acreditam que a educação é a única saída – ou melhor, o único meio – para transformar e fazer do mundo um lugar mais justo, humano e interessante para se viver.

Não se pode esperar, portanto, que as práticas educacionais sejam neutras. É como a imparcialidade no jornalismo: utopia. Quem educa é movido por ideias e ideais. Saber reconhecê-los na sociedade em que vivemos é que consta como grande desafio. “Cabe perguntar qual tipo de ideologia que a educação vem inserindo ao sabor das diversas tendências políticas e principalmente econômicas, em um sistema que entende a educação como aprendizagem para o mercado de trabalho e não como direito humano”, defendem Moema Viezzer e Mônica Osorio Simons, consultoras em Educação Ambiental.

Moema é cientista social com experiência em Projetos Educativos em áreas rurais do Nordeste Brasileiro e fundadora da ONG Rede Mulher de Educação. Mônica é mestre em Educação, Especialista em Educação Ambiental, Bióloga e responsável pela Área Estratégica de Educação Ambiental da Secretaria da Saúde da Prefeitura de Guarulhos.

Para elas, uma educação transformadora é aquela que promove a crítica, a autonomia, a inserção política e a mudança de hábitos, ações que vão muito além do mero acúmulo de informações. Afinal, um cidadão autônomo e com capacidade crítica tende a não seguir o fluxo das coisas como as coisas são. Quem se depara com o mundo e avalia suas possibilidades, sabe que mudar é necessário.

Moema e Mônica fazem parte da Rede Planetária do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis com Responsabilidade Global. O nome é grande e o motivo é nobre: promover a educação ambiental como primordial para a formação do ser humano. Mas, que fique claro: não estamos falando daquela educação ambiental que ensina a separar resíduos recicláveis. Aqui, ela é a própria educação, aquela que poderíamos chamar de “formal”.

No geral, as questões da educação ambiental estão atreladas a determinadas disciplinas específicas como a de ciências. Mas, na verdade, “ela se vincula muito mais a posturas e valores em um profundo respeito pela dinâmica da vida, do que a conteúdos teóricos que em si mesmos não garantem a mudança de atitudes, haja vista a distância que ainda temos entre a teoria e a prática”, dizem.

Mais abordagens holísticas, menos “caixinhas” de conhecimento. A ideia é trazer a educação socioambiental para o centro da vida cotidiana, o centro dos sistemas de ensino, o centro da gestão ambiental. “Uma iniciativa que pretende contribuir para mudar o mundo e salvar-nos junto com o planeta”. É isso: precisamos, antes de tudo, salvar a nós mesmos.

> on October 11, 2011 in Berlin, Germany.

Tratado de Educação Ambiental

A criação da Rede Planetária partiu de ações iniciadas com a criação do Tratado de Educação Ambiental, que resultou da 1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental realizada no Rio de Janeiro, em 1992, durante o Fórum Global da Eco 92.

O Tratado é formado por 16 princípios e sugere um plano de ação que deve desdobrar-se em centenas de outros planos nos âmbitos mundial, regional, nacional e local. É um instrumento estratégico para que a educação ambiental esteja no cotidiano das pessoas, na vida da comunidade, no ensino formal, no ambiente empresarial, no terceiro setor…

A sua construção contou com a participação de educadoras e educadores adultos, jovens e crianças de oito regiões do mundo (América Latina, América do Norte, Caribe, Europa, Ásia, Estados Árabes, África e Pacífico do Sul). Inicialmente publicado em cinco idiomas, ele serviu de apoio a ações educativas e inspirou a criação de Organizações da Sociedade Civil, Redes de Educação Ambiental e políticas públicas.

As ações mundiais relacionadas ao Tratado deram origem à 2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental, iniciada em 2008 e fortalecida com a Rio +20, que aconteceu no ano passado. Logo depois, os trabalhos se voltaram à construção da Rede Planetária do Tratado de Educação Ambiental, uma estratégia de articulação de experiências e trabalhos.

O que está sendo feito no Brasil?

Há diversos exemplos no Brasil para os quais os princípios do Tratado servem como base de ação. O Instituto Ecoar para a Cidadania foi um dos primeiros frutos e se constituiu como referência da Educação Popular Ambiental, atingindo todos os Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida: escolas, grupos comunitários, empresas e instituições do poder público.

Em Guarulhos/SP foi criado o GTIEA – Grupo de Trabalho Intersetorial de Educação Ambiental (Decreto Lei nº 28698/11) e o município desenvolve diversas linhas de ação pautadas nos princípios do Tratado, envolvendo mais de 100 mil alunos através do Programa Saúde na Escola, tendo também uma rede de 7 Centros de Educação Ambiental que atendem aos diferentes segmentos da comunidade com inúmeras ações regulares numa programação mensal voltada a prática da sustentabilidade.

Em Piracicaba/SP, a OCA – Laboratório de Educação Ambiental da USP vem desenvolvendo estudos especiais e oficinas pautadas no Tratado de EA. O Instituto Paulo Freire desenvolve jornadas locais do Tratado de Educação Ambiental no MOVA-Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, utilizando a metodologia dos Círculos de Cultura proposta por Paulo Freire. O Instituto Supereco atua há 18 anos e já envolveu mais de 1,5 milhão de alunos. Os princípios do Tratado permeiam todas as suas atividades que procuram tornar a educação ambiental transversal e transdisciplinar, incluindo nos projetos pedagógicos a valorização da diversidade cultural dos povos tradicionais e a conservação da biodiversidade.

Outro ponto de destaque é que o Tratado embasa toda a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil (Lei nº 9795/99) cujo grupo gestor é constituído pelos Ministérios de Meio Ambiente e Educação.

O que diz o Tratado?

Conheça os 16 princípios do Tratado de Educação Ambiental:

1. A educação é um direito de todos, somos todos aprendizes e educadores.

2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade.

3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.

4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social.

5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.

6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas.

7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e inter-relações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente tais como população, saúde, democracia, fome, degradação da flora e fauna devem ser abordados dessa maneira.

8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e equitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas.

9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, linguística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, além de estimular a educação bilíngue.

10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.

11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado.

12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana.

13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.

14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores.

15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis.

16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

Para conhecer mais sobre o Tratado e as ações desenvolvidas, acesse o site ou o Facebook da Rede.

Imagens: Getty Images (1 e 2) Divulgação (3)

Intelectuais brasileiros explicam por que ainda é importante ler Marx

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Publicado na Folha de S.Paulo

Questionados pela Folha, quatro intelectuais brasileiros explicam as razões pelas quais os escritos do filósofo alemão Karl Marx são importantes até os dias de hoje e, por isso, ainda merecem leitura.

Confira:

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ROBERTO SCHWARZ, crítico literário

“Como percepção da sociedade moderna, não há nada que se compare a ‘O Capital’, ao ‘Manifesto Comunista’ e aos escritos sobre a luta de classes na França. A potência da formulação e da análise até hoje deixa boquiaberto. Dito isso, os prognósticos de Marx sobre a revolução operária não se realizaram, o que obriga a uma leitura distanciada. Outros aspectos da teoria, entretanto, ficaram de pé, mais atuais do que nunca, tais como a mercantilização da existência, a crise geral sempre pendente e a exploração do trabalho. Nossa vida intelectual seria bem mais relevante se não fechássemos os olhos para esse lado das coisas.”

*

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI, filósofo:

“Os textos de Marx, notadamente ‘O Capital’, fazem parte do patrimônio da humanidade. Como todos os textos, estão sujeitos às modas, que, hoje em dia, se sucedem numa velocidade assombrosa. Depois da queda do Muro de Berlim, o marxismo saiu de moda, pois ficava provada de vez a inviabilidade de uma economia exclusivamente regida por um comitê central ‘obedecendo a regras racionais’, sem as informações advindas do mercado. Mas a crise por que estamos passando recoloca a questão da especificidade do modo de produção capitalista, em particular a maneira pela qual esse sistema integra o trabalho na economia. O desemprego é uma questão crucial. As novas tecnologias tendem a suprir empregos. Na outra ponta, o dinheiro como capital, isto é, riqueza que parece produzir lucros por si mesma, chega à aberração quando o capital financeiro se desloca do funcionamento da economia e opera como se a comandasse. A crise atual nos obriga a reler os pensadores da crise. Como cumprir essa tarefa? Alguns simplesmente voltam a Marx como se nesses 150 anos nada de novo tivesse acontecido. Outros alinhavam as modas em curso com os textos de Marx, apimentados com conceitos do idealismo alemão, da psicanálise, da fenomenologia heideggeriana. Creio que a melhor coisa a fazer é reler os textos com cuidado, procurando seus pressupostos e sempre lembrando que a obra de Marx ficou inacabada e sua concepção de história, adulterada, por ter sido colada, sem os cuidados necessários, a um darwinismo respingado de religiosidade.”

*

DELFIM NETTO, economista

“Porque Marx não é moda. É eterno!”

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LEANDRO KONDER, filósofo:

“Os grandes pensadores são grandes porque abordam problemas vastíssimos e o fazem com muita originalidade. A perspectiva burguesa, conservadora, evita discuti-los. E é isso o que caracteriza seu conservadorismo. Marx é o autor mais incômodo que surgiu até hoje na filosofia. Conceitos como materialismo histórico, ideologia, alienação, comunismo e outros são imprescindíveis ao avanço do conhecimento crítico. Por isso, mais do que nunca é preciso frequentá-los.”

caricatura: Baptistão

E bom senso, tem?

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Hillé Puonto, no Manual Prático de Bons Modos em Livrarias

porque eles querem tudo, menos livros.

das coisas absurdas [criada com a ajuda da comunidade hippie] que já pediram para nós, livreiros:

– aparelho nasal;
– crédito para celular;
– telesena;
– remédio para dor de cabeça;
– preservativos;
– sabonetes;
– cadeado;
– ficha de orelhão (2008);
– espada;
– telescópio;
– palitinhos de sorvete;
– aparelho celular;
– forma de bolo;
– cinta do dr.ray (HAHAHA);
– pilha;
– tesoura;
– guardanapo para bordar;
– camiseta de time de futebol, feminina, tamanho m;
– aspirador de pó;
– capa para proteger computador da poeira;
– aparelho de som para carro;
– gelo seco;
– álcool em gel;
– pipoca de microondas;
– tomada;
– pincel e creme de barbear;
– escova e pasta de dente;
– caixa de ferramentas;
– pen drive com músicas baixadas;
– amor

“já me perguntaram se vendia ferramentas. sério, dessas que papai usa para consertar encanamento em casa, na base da marginalidade e falta de conhecimento mesmo. e daí que o cidadão perguntou: ‘aqui não é o lojão vende tudo?’, e eu, pasma: ‘não, moço, aqui é uma livraria…” – nina vieira

“também já me pediram papel de parede para computador. isso mesmo, aquele que fica na tela do computador” – rafael guedes de lima

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