Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged David Bowie

Filho de David Bowie cria “clube do livro” inspirado em seu pai

0

david-bowie-preto-branco

O clube será inspirado nas obras favoritas de Bowie

Matheus Anderle, no Tenho Mais Discos Que Amigos

Duncan Jones, o filho de David Bowie, acaba de criar um clube do livro através de seu Twitter.

Intitulado David Bowie Book Club, o projeto terá como objetivo discutir as obras favoritas do lendário cantor. O clube começará por Hawksmoor, premiado livro de 1985 escrito por Peter Aykroyd. Hawksmoor esteve presente na lista dos 100 livros favoritos de Bowie, lançada oficialmente em 2013.

dv1 dv2

A obra se passa em Londres e segue as histórias paralelas de Nicholas Dyer, que constrói igrejas nas quais realiza sacrifícios humanos durante o século 18, e Nicholas Hawksmoor, um detetive dos anos 1980 que investiga assassinatos cometidos nas mesmas igrejas.

De acordo com Jones, os fãs que quiserem se juntar ao clube e discutir o livro com ele tem até o dia 1 de Fevereiro para lê-lo. Você pode conferir mais informações sobre a concepção da ideia logo abaixo.

David Bowie chega ao Brasil com retrospectiva no MIS e livro

0

Gaía Passarelli, na Folha de S.Paulo

Os “cartões de estratégias oblíquas” criados por Brian Eno e usados na gravação da trilogia de Berlim estão lá. Filmagens raras da turnê do álbum “Diamond Dogs”, também. E ainda a primeira foto de divulgação, os macacões coloridos, a apresentação de “Starman” na BBC em 1972.

Seria preciso muito espaço para descrever o que se pode ver na exposição “David Bowie”, que o MIS (Museu da Imagem e do Som) paulistano abre ao público no dia 31.

É a maior retrospectiva já dedicada a um artista pop. Organizada pelo londrino Victoria & Albert Museum, a mostra teve acesso aos mais de 75 mil itens do David Bowie Archive, acervo pessoal que reúne fotografias, figurinos, estudos, pinturas e cenários usados ao longo dos 46 anos de carreira.

Macacão em matelassê, de 1972. O vestuário foi desenhado por David Bowie e Freddie Burretti para a capa do álbum Ziggy Stardust e para a turnê posterior

Macacão em matelassê, de 1972. O vestuário foi desenhado por David Bowie e Freddie Burretti para a capa do álbum Ziggy Stardust e para a turnê posterior / The David Bowie Archive/Divulgação

David Bowie, 1973, presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

David Bowie, 1973, presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Masayoshi Sukita

David Bowie durante a filmagem do clipe de 'Ashes to Ashes', em 1980. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

David Bowie durante a filmagem do clipe de ‘Ashes to Ashes’, em 1980. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Brian Duffy/Divulgação

Fotomontagem de David Bowie com fotos de cenas do filme 'O homem que caiu na Terra', 1975-1976

Fotomontagem de David Bowie com fotos de cenas do filme ‘O homem que caiu na Terra’, 1975-1976 / Filme de David James/The David Bowie Archive/Divulgação

Collant arrastão, de 1973. O vestuário foi desenhado por Natasha Korniloff para 'The 1980 Floor Show'

Collant arrastão, de 1973. O vestuário foi desenhado por Natasha Korniloff para ‘The 1980 Floor Show’ / The David Bowie Archive/Divulgação

Fotografias promocionais para Diamond Dogs, de 1974. Presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

Fotografias promocionais para Diamond Dogs, de 1974. Presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Terry O\’Neill/The Davide Bowie Archive/Divulgação

Modelo do cenário para a turnê de "Diamond Dogs", de David Bowie, em 1974. Concepção de Jules Fisher e Mark Ravitz. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação

Modelo do cenário para a turnê de “Diamond Dogs”, de David Bowie, em 1974. Concepção de Jules Fisher e Mark Ravitz. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação

Conjunto em matelasse usado por David Bowie em 1972. O vestuário foi desenhado por Freddie Burretti para a turnê de Ziggy Stardust

Conjunto em matelasse usado por David Bowie em 1972. O vestuário foi desenhado por Freddie Burretti para a turnê de Ziggy Stardust / Richard Davis/Divulgação

Letra original de "Ziggy Stardust", de David Bowie, de 1972. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

Letra original de “Ziggy Stardust”, de David Bowie, de 1972. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação

Collant de malha assimétrico usado por David Bowie em 1973. O vestuário foi desenhado por Kansai Yamamoto para a turnê do disco Aladdin Sane

Collant de malha assimétrico usado por David Bowie em 1973. O vestuário foi desenhado por Kansai Yamamoto para a turnê do disco Aladdin Sane / The David Bowie Archive/Divulgação

David Bowie, em imagem de 1973 presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

David Bowie, em imagem de 1973 presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Masayoshi Sukita/Divulgação

Botas plataforma vermelha da turnê de 1973, cortesia do David Bowie Archive

Botas plataforma vermelha da turnê de 1973, cortesia do David Bowie Archive / David Bowie Archive Image/Divulgação

Foto original da capa do álbum "Earthling", de 1997

Foto original da capa do álbum “Earthling”, de 1997 / Frank W Ockenfels

“O desafio desse tipo de exibição é justamente reunir material, então nesse sentido boa parte do trabalho já estava feito,” conta Victoria Broackes, curadora do V&A ao lado de Geoffrey Marsh.

Mesmo assim, levaram dois anos visitando o arquivo. “Para mim, o mais excitante foi encontrar anotações, pequenos pedaços de papel com rabiscos à mão”, diz Broackes. A dupla de curadores ressalta que Bowie “escolheu não participar de nenhuma etapa da exposição”.

A montagem brasileira, com cerca de 300 itens, não é rigidamente idêntica à original, até por questões de espaço. Algumas peças menores podem não aparecer nos corredores do MIS, mas André Sturm, diretor-executivo do museu (e fã de Bowie) afirma, sem dar detalhes, que há “algumas novidades e uma estará logo na entrada”.

Geoffrey Marsh, curador do V&A / Divulgação

Geoffrey Marsh, curador do V&A / Divulgação

O livro comemorativo da mostra também ganhou versão nacional, uma coedição entre o MIS e a editora Cosac Naify. Com mais de 300 páginas, traz análises e ensaios sobre a influência de Bowie.

Sem dar entrevista há anos, Bowie não perdeu sua capacidade de manipular. “A ideia por trás dele é que você pode ser quem quiser”, diz Marsh. Fascinado pela cultura pop e também um ator e pensador sério, Bowie é “um mestre na manipulação da mídia”, lembra o curador.

Em março de 2013, encerrou uma década de reclusão lançando o álbum “The Next Day”. O disco concorre ao Brit Awards (artista solo e disco do ano) e ao Grammy (apresentação e álbum de rock).

DAVID BOWIE – MOSTRA
QUANDO abre em 31/1; ter. a sex., das 12h às 21h; sáb., das 10h às 22h; dom. e feriados, das 11h às 20h; até 20/4
ONDE MIS (av. Europa, 158, Jardim Europa; tel. 0/xx/11/2117-4777)
QUANTO ingressos antecipados por R$ 25, no site www.ingressorapido.com.br; no MIS, a partir de 31/1, por R$ 10; entrada gratuita às terças-feiras

Livro investiga trio David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop, que mudou o rock

0

Cadão Volpato, na Folha de S.Paulo

A morte de Lou Reed, em 27 de outubro último, colocou um ponto final numa era. Um clarão de lucidez saltou do noticiário naquela manhã de domingo: o mundo havia perdido um de seus artistas mais importantes.

O fundador do Velvet Underground esteve no centro dos períodos mais rebeldes, estranhos e energéticos que a música jovem viveu nos últimos 50 anos.

Ele é um dos vértices do triângulo apresentado no excelente “Dangerous Glitter – Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop Desceram ao Inferno e Salvaram o Rock’n Roll”, escrito por Dave Thompson, um jornalista inglês autor de cem livros sobre cultura pop.

David Bowie (esq.) e Lou Reed se encontram no Dorchester Hotel, em julho de 1972 (Divulgação)

David Bowie (esq.) e Lou Reed se encontram no Dorchester Hotel, em julho de 1972 (Divulgação)

Thompson cruzou os caminhos dessas três figuras, contando suas trajetórias desde o princípio e levando-as ao ápice de seus movimentos selvagens –o tempo de muita purpurina, salto alto, penteados horrorosos, maquiagem de travesti e androginia de butique conhecido como “glitter” ou “glam rock” nos anos 1970.

Ele entrevistou diversas testemunhas ao longo do tempo, falou com as estrelas e soltou a mão com senso de humor e inteligência.

O resultado é um livro de caráter histórico, ainda mais com o desaparecimento de um de seus protagonistas.

“Dangerous Glitter” nos leva ao interior da Factory, a central nova-iorquina de Andy Warhol onde o Velvet Underground –ainda uma banda barulhenta e estilosa– encontrou o seu ninho.

Lá, Lou Reed é apresentado a Nico, a modelo-cantora alemã que seduziu a todos –de Jim Morrison e Alain Delon a Iggy Pop– e com quem viveu um romance.

Lou é o catalisador das forças que levaram o rock cheio de flores do verão do amor de 1967 para o inferno das drogas e do excesso do “glam rock”.

“The Velvet Underground & Nico”, o clássico “disco da banana”, lançado no ano do apogeu hippie e também de “Sgt. Peppers”, dos Beatles, já deixava claro que os subterrâneos eram bem mais cabeludos do que supunha a filosofia da paz e do amor.

Seus temas eram o sadomasoquismo, as drogas pesadas, a prostituição, o tráfico, tudo embalado em barulho, microfonia e uma viola (tocada por John Cale) cujo som lembrava uma motosserra.

Por trás de tudo vinha a poesia barra-pesada e lírica de Lou, que havia estudado literatura e fora amigo do escritor Delmore Schwartz, autor de “Nos Sonhos Começam as Responsabilidades”.

Bowie era fã de Lou e não tinha nenhum sucesso na manga, a não ser “Space Oddity”, que havia gravado certeiramente em 1969, o ano em que o homem pisou na Lua.

Também era fã de Iggy, um baixinho enfurecido que comandava o Stooges, uma das bandas mais ensandecidas de todos os tempos.

O livro traça esses destinos improváveis até o momento em que os três se transformam em estrelas tão exageradas que, mesmo sem purpurina, como no caso de Iggy, acabariam atraindo a ação e a reação de um movimento que recolocaria o rock em sua selvageria inicial: o punk.

O que teria sido do gênero sem Iggy Pop e Lou Reed –e sem David Bowie como contraponto? O livro de Dave Thompson responde a essa e outras perguntas com louvor.

Go to Top