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“O mau livro não fica –um romance demanda tempo”, diz Isa Pessoa sobre nacionais

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Raquel Cozer, na A Biblioteca de Raquel

O começo dos anos 2000 não foi bom para autores brasileiros de ficção. No momento em que nosso mercado mais se profissionalizou, com players internacionais comprando nacos de editoras locais, estruturas se tornando menos familiares e livrarias cobrando por espaço, perdeu quem não tinha alto potencial de vendas. No limiar do estereótipo, a disputa entre o vampiro hollywoodiano e o autor brasileiro a gente sabe quem ganhou.

O ano que começa traz indícios de um movimento contrário. Nenhuma grande editora vai desistir de seus best-sellers, mas é digno de nota que mesmo as que faturam bem, obrigada, com a fórmula conhecida queiram ampliar catálogo nacional. Ainda que seja em parte curioso reflexo de anterior interesse internacional. Foi tema de reportagem que fiz para a Ilustrada de hoje.

A Isa Pessoa, diretora editorial e dona da Foz, ficou conhecida, nos anos 90 e 2000, como diretora editorial da Objetiva, justamente pelo investimento em nacionais –especialmente por colocá-los nas listas de mais vendidos, algo que virou exceção da exceção.

Cheguei a mandar perguntas a ela para a reportagem, mas vi as respostas tarde demais. Respostas muito boas, de quem conhece a edição e o mercado. Estão aí.

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Você criou a Foz com foco na produção nacional contemporânea, certo? Que obras ficção de autores em atividade já estão planejados para este ano?
Sim, o foco é esse. Para este ano estão programados o novo romance de Tatiana Salem Levy, “Maranhão”, e o de Paulo Scott, “O Ano em que Vivi Só de Literatura”.

Estão planejados. Todos trabalhando para isso. Mas, se o autor não considerar sua obra suficientemente acabada, para publicarmos com todo cuidado necessário em 2013, não iremos apressar o lançamento em função de uma oportunidade do mercado, para o fim de ano ou alguma feira literária, por exemplo.

Já vi esse filme, não funciona: depois tudo passa, e o mau livro não fica. Um romance demanda tempo para ser escrito, editado, e durar.

Na Objetiva, você era conhecida pelo seu trabalho com autores nacionais. Agora, chega um momento em que outras grandes editoras estão demonstrando mais interesse na produção de ficcionistas contemporâneos. O que aconteceu, de um, dois anos para cá, para levar a esse movimento?
Não consigo imaginar ambição mais bela, como editora brasileira, do que publicar autores nacionais que vendam bem, que cheguem às listas, sejam lidos e queridos pelo público –e pela crítica também, aí a gente chega perto do paraíso.

Foi o que aconteceu, por exemplo, quando publicamos a coleção Plenos Pecados, na Objetiva, e por alguns anos os autores brasileiros ocuparam a lista de ficção, às vezes cinco ao mesmo tempo (Ubaldo, Verissimo, Torero, Noll, Zuenir). Mas isso aconteceu do final dos anos 1990, até 2000. Depois, não me lembro de tantos escritores nacionais irem para a lista ao mesmo tempo.

De dez anos para cá, os estrangeiros passaram a dominar as vendas, como sabemos, os índices de nosso mercado traduzindo o que acontece mundo afora, enfim globalizados “comme il fault”. As tiragens de ficcionistas brasileiros minguando, com exceções louváveis nessa fase comercialmente ingrata para os autores nacionais.

A disputa internacional pelos autores e por séries de sucesso do livro que vira filme esquentou nosso mercado no início do milênio: todo mundo querendo o novo cachorro, o novo vampiro. E o autor brasileiro ofuscado, sem atenção do marketing das editoras, vendendo pouco. Mas um editor também precisa dos prestígio dos prêmios literários, da presença midiática na Flip –o que aguçou nos últimos anos, a meu ver, a busca por brasileiros que ocupassem esse lugar, ampliassem essa pesquisa por ficcionistas talentosos, de preferência jovens.

Vale ressaltar, nesse contexto, a compra de livros pelos programas governamentais, incluindo regularmente a ficção brasileira, que passaram a representar uma saída comercial para a publicação de autores nacionais de qualidade.

Em geral, a ficção nacional não entra na lista de mais vendidos. Acha possível, sendo realista, que esse cenário mude nos próximos anos?
A ficção nacional pode atrair mais leitores, sim, não tenho dúvida disso. Quando a editora investe mais na campanha de lançamento de um livro, e esse livro é bom, condição “sine qua non”, ele pode alcançar patamares maiores de venda do que se fosse lançado numa baixa tiragem, sem atenção da mídia, do editor, dos livreiros.

Prêmios literários, presença na Flip etc. são fatores determinantes na divulgação do nome do autor junto ao público, o que contribui para o círculo virtuoso, quando o livreiro dá mais atenção ao livro, e o consumidor também. Mas, se o livro não consegue o bom boca a boca, esqueça. É isso, no frigir dos ovos, que fará o livro vender mesmo, superar uma carreira regular, modesta, e alcançar a lista dos mais vendidos.

Claro que um autor nacional consegue escrever esse livro, por isso precisa de tempo para fazê-lo, de competência, de diálogo com o editor, de condições financeiras para tanto, de divulgação qualificada etc. Isso custa caro, e o editor precisa investir, naturalmente se o livro convencê-lo.

Como você seleciona autores para a Foz? É diferente hoje de como era quando você selecionava autores para a Objetiva, pensando, por exemplo, no maior número de agentes literários hoje em atividade no país?
A oferta é muito grande. Hoje talvez maior ainda, tendo em vista –também– o maior número de agentes literários. Todo dia recebo pelo menos um original novo para avaliar.

São basicamente os mesmos critérios de avaliação, ainda mais rígidos, na verdade, em função de um cronograma enxuto –a qualidade do texto, o potencial do autor, sua disposição em trabalhar junto com o editor, esculpir esse texto, esgotar todas as chances de aprimorá-lo.

Acho que me tornei uma editora mais exigente, sim, em função de um novo projeto profissional.

Jornal Extra distribui livros em ação comemorativa

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Adriana Alvez foi a primeira a encontrar o livro de Paulo Coelho na Central do Brasil  (Imagem: Fabiano Rocha/ Extra)

Adriana Alvez foi a primeira a encontrar o livro de Paulo Coelho na Central do Brasil
(Imagem: Fabiano Rocha/ Extra)

Publicado no Comunique-se

O jornal Extra comemora 15 anos e prepara ações para celebrar o aniversário com os leitores. O projeto “Letras nas Ruas” vai distribuir 750 livros em vários locais da cidade do Rio de Janeiro. A campanha incentiva a leitura e o compartilhamento das obras com outras pessoas.

Em parceria com as editoras Globo, Sextante, Record e Objetiva, o projeto irá presentear leitores em estações do Metrô e da SuperVia, shoppings e em praças ao logo de 50 semanas. Na última quarta-feira, 16, o jornal entregou 15 exemplares de Manuscrito encontrado em Accra, da Sextante, autografados pelo escritor Paulo Coelho.

“A proposta é que o leitor, após usufruir um dos títulos, possa compartilhá-lo com outras pessoas, deixando-o à disposição em algum ponto da cidade. Dessa maneira, acreditamos que, além de presentear o leitor, conseguiremos reforçar ainda mais a preocupação do jornal em estimular a cultura e o prazer de ler”, afirmou Daniela Ferreira, gerente de marketing do Extra.

As obras têm a mensagem “Este livro encontrou você”, uma dedicatória que explica a ação e uma ficha que estimula o compartilhamento do livro com outras pessoas.

TV Câmara exibe hoje documentário sobre o escritor Rubem Alves

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O teólogo e educador Rubem Alves é personagem da 'Série Memórias', da TV Câmara(Imagem: Augusto de Paiva/AAN)

O teólogo e educador Rubem Alves é personagem da ‘Série Memórias’, da TV Câmara
(Imagem: Augusto de Paiva/AAN)

Publicado no Comunique-se

Em homenagem ao escritor e jornalista Rubem Alves, a TV Câmara produziu um documentário que traz  relatos de como  a trajetória do também pedagogo se mistura com a educação contemporânea no Brasil. Dirigido por Dulce Queiroz, o material faz parte da ‘Série Memórias’, que traz a biografia de grandes personalidades brasileiras. O filme será exibido no próximo sábado, 19, às 21h.

Intitulado “Rubem Alves – O professor de espantos”, o filme aborda algumas fases da vida de Alves. Primeiro, o pastor da Igreja Presbiteriana que vê sua fé ruir em pleno regime militar ao ser vítima da cumplicidade entre Estado e Igreja.  Depois, o mundo acadêmico, onde revela-se educador e filósofo, para, finalmente, encontrar-se na maturidade e dedicar-se à literatura e a poesia.

Partidário das ideias de Paulo Freire e em constante diálogo com pensadores e poetas como Nietzsche, Bachelard, Robert Frost e Adélia Prado, o “jardineiro” Rubem Alves semeia ideias tão “revolucionárias” que acabam provocando a crítica e o desprezo de muitos setores da intelectualidade brasileira e também a cumplicidade de todos os que são apaixonados pela Educação, explica a emissora.

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