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Posts tagged De Salvador

Imagina na Copa #16 – Projeto Bibliocicleta

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Mariana Ribeiro, no POP News

Bibliocicleta? Bicicloteca? Biblioteca? Bicicleta? Toin! É, confesso que no começo eu me enrolei um pouco também. E o correto é Bibliocicleta mesmo, segundo o Augusto e seu orientador de TCC…

Foi em Simões Filho, município da região metropolitana de Salvador, que fica a cerca de 25km da capital baiana, que esta história nasceu e se desenvolveu.

A Bibliocicleta é uma tecnologia social desenvolvida a partir de um trabalho de conclusão de curso de Design, na Universidade Federal da Bahia. O Augusto é o responsável por tanta criatividade! Esta história começa com dois pepinos: o primeiro deles, um problema com o primeiro tema escolhido para elaboração do TCC; o segundo, com um contratempo que cancelou os planos que ele tinha para montar uma biblioteca popular em uma casa no Centro da Cidade.

O Augusto sempre foi do tipo de pessoa que quis construir alguma alternativa para tudo aquilo que de certa forma o incomoda. E a história do Augusto é muito ligada com a vivência na cidade e com a carência de experiências culturais. Ele e um grupo de amigos, sempre com esta característica de se incomodar e se mexer para modificar o que poderia ser melhor, estavam pensando em construir algum equipamento cultural em sua cidade. As primeiras ideias estavam ligadas a ter uma sede para amigos artistas se reunirem em um espaço pensado para ser ambiente de criação de novos projetos. De cara eles pensaram em construir um Cinema ou Teatro, mas quando foram colocar o projeto no papel, perceberam que não era o momento e que o investimento financeiro ia além do que eles estavam preparados. Foi daí que surgiu a ideia de se criar uma biblioteca comunitária!

A primeira biblioteca pensada por eles teve o apoio dos amigos na arrecadação de livros. Eles fizeram um chamado para os amigos tirarem os livros empoeirados das prateleiras e doarem para que eles pudessem disponibilizar estes materiais pra mais gente. Eles tinham acabado de conseguir o empréstimo de uma casa (uma casa grande, no centro da cidade, um sonho – como o próprio Augusto nos disse). Mas aí, com cerca de duas ou três semanas que tudo estava caminhando bem, eles precisaram devolver o espaço, a pedido do dono do estabelecimento, que teve um problema pessoal.

Obviamente, eles não desistiram! Com os livros já em mãos, e agora pegando poeira em um outro lugar que não era mais as prateleiras de seus antigos donos, os meninos correram para criar uma solução para aquele problema.

Foi em um processo de criação pelo Design que eles chegaram na solução mágica e itinerante da Bibliocicleta! Depois de muita pesquisa e de encontrar referências incríveis de bibliotecas intinerantes espalhadas pelo mundo, o projeto foi pensado com algumas premissas: ser facilmente replicável; usar recursos humanos disponíveis; reutilizar ou reciclar materiais disponíveis; ser de baixíssimo custo de implementação.

No primeiro modelo da Bibliocicleta foi desenvolvido um carrinho para ser conectado na parte traseira da bicicleta, assim eles não precisariam de fazer adaptações na bike. O material escolhido para fazer o carrinho foi o PVC, por uma série de motivos: ele é super flexível e tem os mais diversos tipos de conectores disponíveis no mercado, assim é possível desenhar quase todo tipo de formas geométricas com ele, sem muita dificuldade; é super barato e facilmente encontrado em sobras de obras e reformas; é leve e não requer grandes ferramentas ou habilidades para manusear etc.

Bicicleta adaptada e livros arrecadados? “Bora” pras ruas! Chegou a hora de levar os livros para ganharem novos donos. A galera sempre escolhe locais públicos para levarem os livros. Normalmente, praça, escolas ou campos de futebol. Regiões onde há mais crianças e adolescentes costumam fazer mais sucesso, mas o público do projeto não é só este, eles atendem a todas as faixas etárias e enchem a cabeça de crianças e adultos com histórias incríveis! O Augusto estava nos contando que chega a doar 150 livros por saída (e, olha, você acha que ele passa o dia todo embaixo do sol? É nada! A gente presenciou. No dia em que estávamos com ele, foram doados cerca de 100 livros em menos de uma hora!).

Depois de implantado, o projeto começou a ter um reconhecimento orgânico incrível. Uma série de pessoas procurou o Augusto para saber mais do projeto e ele acabou ganhando voz para falar do projeto em espaços como TEDx e na Bienal Brasileira de Design! Foi aí que eles enxergaram uma boa oportunidade de replicar o projeto e foi com recurso de um edital do Ministério da Cultura, que estava buscando projeto de incentivo à leitura, que eles desenvolveram a Metodologia e promoveram Oficinas para replicação do projeto. Hoje, o projeto já ganhou muito mais regiões e por ser muito bem pensado para ser facilmente replicado vem evoluindo super rápido!

Se liguem em mais informações:

> Algumas Bibliocicletas replicadas:

> Jequié

> Coroa da Lagoa

> Algumas referências utilizadas no processo de construção da Bibliocicleta baiana:

> Bibliobus

> Bibliomula

> Biblioburro

Galeria de fotos:

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O uso da bicicleta pelo mundo:

 

 

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dica do Jarbas Aragão

Jovem percorre o Brasil de ônibus à caça das melhores experiências educacionais

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Ana Krepp, na Folha de S.Paulo

Conversando com gente que encontra em rodoviárias, albergues, hotéis, restaurantes e pontos turísticos de cidades de diversas regiões do Brasil, Caio Dib, 22, tem descoberto escolas e projetos educacionais inovadores.

Formado desde o fim do ano passado em jornalismo, ele partiu de São Paulo a Belém, em março, para uma viagem de cinco meses pelo país, de ônibus.

Eram dois os objetivos na partida: conhecer, de fato, o Brasil e mapear boas práticas em educação.

“Eu não conhecia a realidade do meu país, vivia fechado em escritórios e precisava crescer como pessoa. Para isso, precisei conhecer mais da educação, que é intrínseca à realidade”, diz.

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Há três meses na estrada, ele percorreu mais de 9.000 quilômetros e passou por 42 cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nos próximos dois meses, ele pretende visitar pelo menos mais 21 cidades.

Caio ficou surpreso com a quantidade de iniciativas que encontrou no Nordeste. O Ceará, particularmente, lhe chamou a atenção.

“Eles tiram ótimas notas nas provas oficiais do governo. O Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] tem uma meta para 2021 que várias escolas de lá já bateram”, diz.

Em Pentecoste, a 85 km de Fortaleza, ele visitou uma escola técnica estadual “com infraestrutura de colégio particular e método de aprendizagem cooperativa.”

Os alunos se reúnem em grupos de três a seis crianças, leem e debatem o tema de cada aula.”Aprendem a argumentar, ouvir opiniões e a trabalhar em grupo.”

No Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador, conheceu uma parceria entre sete escolas locais que preconiza que qualquer lugar pode ser uma sala de aula.

“Por que não aprender biologia no parque, em vez de aprender no laboratório da escola?”, questiona.

ROTEIRO

“Antes de sair fiz um planejamento do roteiro da viagem, mas muda tudo quando chego em um lugar e fico sabendo que na cidade vizinha tem algo interessante.”

No primeiro dia em uma cidade, Caio costuma ficar na recepção de um hotel para conversar com pessoas e pegar dicas de projetos interessantes. No dia seguinte, anda pelas ruas e visita museus.

“A maioria dos monitores de museus é estudante de licenciatura e está envolvido de alguma maneira com educação, então eles me dão dicas.”

O planejamento inicial, de ficar no máximo três dias em cada cidade, caiu por terra. Lugares como Salvador e Brasília ocuparam mais de uma semana do roteiro.

Imprevistos como esse fizeram Caio rever também seu planejamento financeiro. Os R$ 6.000 reservados para os gastos com hospedagem, deslocamento, alimentação e imprevistos foram revistos.

A nova previsão é que R$ 15 mil sejam suficientes para mantê-lo até agosto.

Quando voltar a São Paulo, a ideia é lançar dois livros. Um sobre as experiências que viveu e outro sobre os projetos educacionais mais interessantes que encontrou.

dica do Chicco Sal

Caetano Veloso: Brisa

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Leio com certa preocupação que o “acordo” sobre a língua portuguesa ficará ainda em banho-maria até 2015

Caetano Veloso, em O Globo

Paquito, duplamente colega meu (já que compõe canções e mantém uma coluna semanal), a propósito da aprovação do novo PDDU pela câmara dos vereadores de Salvador (que, dizem, liberaria as empresas imobiliárias para construir sem respeitar a passagem da brisa), relembrou o divino poema de Bandeira (que Paquito mesmo musicou faz alguns anos):

Recebendo notícias do calor do Rio e curtindo o ventinho brando (é verdade que nem sempre tão brando) que entra por minha casa do Rio Vermelho, emocionei-me ao reler os versos desse pernambucano carioca que fazia poesia assim como quem não faz nada.

Brisa é uma linda palavra. Uma linda ideia expressa no som adequado. Fico pensando nos rappers paulistanos, sobretudo Mano Brown, de quem ouço com tanta frequência a palavra “brisa” ocupando área semântica especial, funcionando como metáfora para outras dimensões da vida. Mano Brown e os Racionais, aliás, é que escreveram a música sobre Marighella que soa como feita por quem sente real identificação com a guerrilha. Nada a ver com meu lento lamento semimonumental. Nelson Rodrigues dizia que “Caminhando” de Geraldo Vandré — a canção favorita dos que se queriam revolucionários — era “uma berceuse”. Felizmente ele não teve de viver para ouvir a minha “Um comunista”. Nelson era um tipo angelical de anticomunista (em geral uma malta desagradável). A brisa de Bandeira, Paquito, Brown e Salvador salva tudo.

As palavras se sentem bem na poesia. “Que a brisa do Brasil beija e balança”. Diretamente no épico de Castro Alves ou citado na soneterapia de Augusto de Campos, esse verso é tudo o que as palavras querem para se sentirem bem. Para exercerem sua função e seu destino.

Leio com certa preocupação que o “acordo” sobre a língua portuguesa ficará ainda em banho-maria até 2015. A preocupação não impede que haja alívio. O acordo é cheio de lacunas e é suspeito. Tantos livros corrigidos e reimpressos! Pra quê? Mas o que me interessa comentar aqui é a docilidade — não, não apenas docilidade, a verdadeira paixão — com que os brasileiros adotam essas normas que são anunciadas. Isso me impressiona. Sempre me impressionou. Nos anos 1970, quando caíram os acentos diferenciais e os que indicavam sílaba subtônica (antes, tínhamos de escrever, por exemplo, “fôra”, para diferençar de “fora”, e tínhamos de pôr um acento grave em, por exemplo, “ràpidamente”, para frisar que o advérbio vinha de um adjetivo proparoxítono). Todo mundo se guiou. Em editorial da “Folha”, leio que o “acordo” não é uma dessas leis brasileiras que “não pegam”. Ao contrário. A mim, esse respeito rápido (vejo-o nos jornais e nos e-mails, ouço perguntas sobre as mudanças mesmo de pessoas pouco letradas) me parece da mesma natureza do interesse pelos professores de gramática: o povo quer ordem na língua que fala. Quer saber o que é certo, como se deve escrever. Deseja, num plano mais superficial, exercer sua vaidade; num plano mais profundo, saber que sua língua é respeitada e respeitável, que ela é forte.

Claro que detesto que tenhamos passado a grafar “para” para “para” e para “pára”. Isso só cria confusão e não tem absolutamente nenhuma vantagem. Lendo o excelente “Marighella” de Mário Magalhães, me deparei com alguns casos em que tive de recomeçar a ler a frase para saber se a palavra incial era um “fora” ou um “fôra”. Isso, embora mis velho do que o acordo, tampouco é bom. Para nada. Mas é bom que os falantes procurem adequar-se o mais pronto possível ao que lhes chega anunciado como regra. Eles buscam a norma, assim como o assalariado busca o carro e a geladeira. A vanguarda revolucionária dos sociolinguistas é leninista: eles sabem melhor o que os falantes querem. Segundo eles, os falantes querem que lhes seja dito que está bom do jeito que eles já fazem (sem deixar de contar que existem a norma, o carro e a geladeira).

Não se enganem: gosto do Bagno. Mas ao pensar sobre essas coisas, prefiro voltar a Marighella, Mano Brown, Paquito e Manuel Bandeira. Brisa. Os poetas sabem que os acordos podem ser respeitados porque a poesia vencerá no fim. Eles se submetem sabendo que é coisa de somenos. Não sou poeta para postar-me tão alto. Chio um pouco. Sou um falante popular que sempre quis saber melhor. Por favor, não roubem minha brisa.

Vamos viver no Nordeste, Anarina.

Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.

Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.

No Nordeste faz calor também.

Mas lá tem brisa:

Vamos viver de brisa, Anarina

foto: Internet

Mãe vai rezar e filha chega atrasada a local de prova do Enem 2012 em Salvador

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Sivalda dos Santos, 32, que estava na igreja rezando, perdeu o horário de levá-la ao local de prova
Sivalda dos Santos, 32, que estava na igreja rezando, perdeu o horário de levá-la ao local de prova

Luiz Francisco, no UOL

O que seria uma prece para ajudar a filha a passar no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2012 e cursar direito acabou se transformando em um pesadelo. A dona de casa Sivalda Santos deixou a periferia de Salvador na manhã desde domingo (4) para rezar em uma igreja. “Fiquei muito concentrada e, quando percebi, já era tarde”, afirmou a dona de casa, ao chegar com oito minutos de atraso ao Colégio Luís Viana.

Os portões do colégio, uma das maiores unidades da rede pública da Bahia, foram fechados pontualmente às 12h (a Bahia não aderiu ao horário de verão). “Não responsabilizo a minha mãe por nada. Ela sempre fez o melhor para mim”, disse Adriele Santos, filha da dona de casa.

Ao chegarem à escola, mãe e filha ainda tentaram uma última cartada: convencer dois seguranças que estavam do lado de dentro dos portões. “Temos ordens expressas para não deixar ninguém entrar. Não podemos abrir nenhuma exceção, mesmo entendendo a situação delas”, disse Fernando Soares.

O movimento no colégio foi tranquilo. Os primeiros estudantes chegaram ao Luís Viana por volta das 9h30. “Trouxe sanduíche de frango, suco e água”, afirmou Fernanda Albuquerque, 18, que sonha em cursar psicologia.

foto: João Alvarez/UOL

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