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Idealizadora da Flip confirma próxima edição para agosto de 2014

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Liz Calder fez declaração durante última mesa do evento, no domingo.
Este ano ficou marcado pelo tema protestos e três cancelamentos de autores.

Publicado no G1

 

No último dia da  11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Logo após o encerramento da 11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Liz Calder, idealizadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), confirmou que a próxima edição do evento acontecerá em agosto de 2014 – normalmente acontece em julho. Ela fez o anúncio durante o encerramento da 11ª Flip, na “Mesa de cabeceira”. O diretor-geral Mauro Munhoz já havia falado durante coletiva na tarde deste domingo que a 12ª Flip provavelmente seria adiada para agosto por conta da Copa do Mundo.

O evento chegou ao final na noite deste domingo (7), comemorando o fato de ter sido “tão harmônica e tranquila nesse momento de manifestações”, declarou o diretor-geral Mauro Munhoz durante entrevista coletiva. No entanto, os protestos foram o centro das atenções neste ano, cuja programação ganhou três mesas somente sobre a situação atual política brasileira, com muita participação da plateia. Além disso, o assunto foi abordado em meio a outros debates literários e os próprios paratienses organizaram suas reinvidicações.

Outra questão da 11ª Flip foi a desistência de três autores estrangeiros: o francês Michel Houellebecq e o norueguês Karl Ove Knausgård, por “problemas pessoais”, e o egípcio-palestino Tamim al-Barghouti, por “extravio de passaporte”. “Os cancelamentos são muito chatos e não tem como controlar. Tentamos manter contato regular com o autor para ter certeza de que ele não mudou de ideia, mas, quando acontece em cima da hora, não tem o que dizer além de insistir e contornar. Mas encontramos boas substituições. Fiquei feliz que o T.J. Clark topou fazer uma aparição extra”, contou.

Por conta disso, o curador Miguel Conde afirmou não ter tido tempo de pensar na próxima edição. “Ainda não temos um autor homenageado escolhido para o ano que vem. Essas semanas foram corridas e ainda está em aberto. Pensamos em vários nomes, mas isso vai ter de ser conversado”, declarou. Munhoz disse que Mario de Andrade, Lima Barreto, Rubem Braga ou “talvez alguma mulher” sejam as possibilidades.

O evento homenageou o romancista alagoano Graciliano Ramos, o que o curador considerou “adequado para este momento político”. “Nos outros anos tivemos Gilberto Freyre e Nelson Rodrigues, mas o Graciliano não é apenas um escritor que teve uma atuação de militância, mas cuja obra se define com essa preocupação. É um escritor que pensa as implicações do seu próprio lugar como intelectual no Brasil”, disse.

(mais…)

Manifestações já ganham espaço nas salas de aula dos colégios paulistanos

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Estudantes trocam experiências sobre política, movimentos sociais, mobilização digital, partidos políticos, representatividade, ditadura, mídia e até literatura e cinema

Paulo Saldaña, no Estadão

A onda de manifestações que tomou o Brasil chegou aos colégios. Além de dominarem a conversa dos jovens, os protestos motivaram uma programação oficial das escolas, que têm promovido atividades para discutir mobilidade, política, movimentos sociais, mobilização digital, partidos políticos, representatividade, ditadura, mídia e até literatura e cinema. Tudo tem sido tema de debates nas salas de aula.

Werther Santana/Estadão Máscara do filme ‘V de Vingança’ virou sinônimo de ativismo e tem sido usada com frequência

Werther Santana/Estadão
Máscara do filme ‘V de Vingança’ virou sinônimo de ativismo e tem sido usada com frequência

Tentar entender os atos e a importância dos atores envolvidos é a tônica das atividades dentro dos colégios, com a participação de alunos do ensino fundamental e, sobretudo, do médio. Assim como nas ruas, os jovens é que têm tido o papel mais ativo nos debates. Até porque muitos deles participaram de alguns dos atos, que começaram com a reivindicação contra o aumento da tarifa de ônibus e depois tiveram uma proliferação de pautas, indignações e causas de protesto.

“Tudo isso rapidamente virou tema na sala, o que fizemos foi organizar esse debate e puxar os links necessários para uma boa reflexão”, diz o professor de História Luis Fernando Massa, do tradicional Colégio Ofélia Fonseca, de Higienópolis, zona oeste de São Paulo. “Cidadania é um grande tema transversal, mas há também conteúdos específicos, que vão de movimentos sociais do século 19 na Europa a revoltas pelo Brasil.” Ditadura militar e também manifestações no Oriente Médio, no que ficou chamado de Primavera Árabe, também tem espaço nas conversas.

O estudante Luis Gerodetti, de 16 anos, acompanhou uma das manifestações – além de participar das discussões nas redes sociais e nas aulas no Ofélia. “Nos encontros, a gente entendeu que a queda no preço da passagem foi um passo. Mas não adianta querer tudo ao mesmo tempo”, disse ele, aos colegas Guilherme, Amanda e Caio, todos de 17 anos. Para eles, que estão no 3.º ano, a internet é a fonte mais confiável para se informar sobre os protestos. “As TVs só mudaram o enfoque, apoiando os atos por causa da audiência”, diz Amanda.

A máscara do filme V de Vingança, que apareceu em diversas cenas nos últimos dias, também tem sido vista nos corredores da escola. “É meio que um símbolo de ativismo, nem todos que estão com a máscara vão para vandalizar”, explica o estudante Luca Scuracchio, de 15 anos, dono do adereço.

Mídia. Em um movimento que ganhou proporções nas redes sociais, a análise da mídia ganhou destaque entre os alunos. A comparação de notícias foi uma das principais atividades do Colégio São Judas Tadeu, na Mooca, zona leste. “Estamos pegando os editoriais, textos de colunistas, e fazendo comparações para entender como os meios de comunicação estão abordando as manifestações, tentando ver o que está por trás do que vira notícia”, diz a professora de História Mônica Broti.

Ela explica que, do ponto de vista pedagógico, a abordagem tenta abarcar toda a problemática com um foco histórico, tendo em vista as manifestações que o Brasil já teve. “Fizemos também comparações com fotos da Praça da Sé no movimento das Diretas Já e das passeatas no impeachment do Collor, ampliando o debate.”

Para a estudante do 9° ano Victória Donato Ribeiro, de 13 anos, esse tem sido um momento histórico para a juventude, uma oportunidade de, assim como jovens de outras épocas, deixar sua marca. “Temos conversado muito sobre isso, que os jovens fazem a diferença. Porque a gente acreditou”, diz ela. “Eu tenho gostado bastante. O governo não tem de mudar tudo, o povo tem de decidir. Os políticos não são mais povo, só ligam pra eles mesmos.”

O Colégio Equipe, também em Higienópolis, tem incentivado o protagonismo e a reflexão dos estudantes. A escola montou um painel com várias reportagens com leituras diferentes sobre a manifestação, de modo a incentivar a troca de ideias sobre o que está acontecendo. “A intenção é que todos os alunos, ao longo da semana, alimentem o painel e realizem um debate com convidados”, explica a diretora Luciana Fevorini. Na próxima quinta-feira, integrantes do Movimento Passe Livre vão participar dos debates. Pelo menos dois desses líderes estudaram no Equipe.

Quem mexeu nas “Memórias do cárcere”

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O Partido Comunista censurou e editou o clássico de Graciliano Ramos?
A suspeita existe desde a publicação da obra. O que há de verdade nela

OBRA PÓSTUMA Graciliano Ramos nos anos 1950. Ele deixou quatro versões para Memórias do cárcere (1953), publicadas após sua morte. E aprovou a versão final, crítica ao Partido Comunista, do qual fez parte (Foto: Arq./Estadão Conteúdo)

OBRA PÓSTUMA
Graciliano Ramos nos anos 1950. Ele deixou quatro versões para Memórias do cárcere (1953), publicadas após sua morte. E aprovou a versão final, crítica ao Partido Comunista, do qual fez parte (Foto: Arq./Estadão Conteúdo)

Marcelo Bortoloti, na Época

Filiado ao Partido Comunista, pelo qual chegou a ser candidato a deputado federal, o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) nunca permitiu que questões partidárias interferissem em sua literatura. Essa atitude independente, presente em cada um de seus livros, é o mote central dos debates da Festa Literária Internacional de Paraty (a Flip), que acontecerá no próximo mês e homenageará Graciliano com mesas de discussão e leituras. O tema também põe em evidência uma polêmica antiga, que manchou a trajetória de uma de suas obras mais importantes, Memórias do cárcere. Desde que foi lançado, pesa sobre o livro a acusação de ter sido adulterado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Uma denúncia que nunca foi completamente comprovada e ainda ecoa, até nos meios acadêmicos. Até que ponto Memórias do cárcere seria um texto legítimo?

O livro foi publicado no final de 1953, oito meses depois da morte de Graciliano. Ele apresenta um relato contundente, em que descreve o período de um ano que passou encarcerado pela ditadura de Getúlio Vargas, de março de 1936 a janeiro de 1937. Mantém sua independência e visão crítica da realidade. Por esse motivo, a acusação de que o partido teve acesso aos originais, trocou adjetivos e suavizou passagens controversas foi inicialmente recebida com descrença.

A insistência com que a denúncia foi levantada semeou a dúvida no meio literário. Como consequência mais desastrosa, provocou também um racha na família de Graciliano, com uma briga pública entre a filha Clara Ramos e o filho Ricardo, responsável pela publicação do livro. Eles morreram sem se falar. Nas últimas três semanas, com a ajuda dos professores Vanda Cunha Nery, da Universidade Federal de Uberlândia, e Godofredo de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do pesquisador Thiago Mio Salla, da Universidade de São Paulo (USP), ÉPOCA mergulhou nos originais de Memórias do cárcere, para colocar um ponto final no caso.

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Tratava-se um livro importante para os comunistas, pois deveria ser uma obra-chave sobre a Intentona Comunista de 1935. Depois da morte de Graciliano, foi noticiada uma visita que Astrojildo Pereira, um dos fundadores do PCB, fez a sua família. Astrojildo argumentava que, por se tratar de uma obra política, o livro precisava da aprovação da cúpula do PCB, que faria eventuais mudanças e supressões. A família não concordou. Os comunistas já haviam lido alguns capítulos, publicados em jornais, e estavam indóceis. Agildo Barata, um dos líderes do PCB, achou ridículo ser retratado como um sujeito baixinho e de fala fina. Também não havia o tom de manifesto político que os comunistas esperavam, mas um mergulho profundo no drama humano de pessoas confinadas em condições adversas.

Foi uma polêmica sem razão
de ser, mas que provocou
uma briga na família ”
RICARDO RAMOS FILHO, NETO DE GRACILIANO RAMOS

Graciliano não sabia bater à máquina, e os originais entregues à editora estavam datilografados. Havia suspeitas de que o partido ajudara nessa tarefa, aproveitando para corrigir o texto a seu contento. O livro foi lançado meses depois pela editora José Olympio. Era ilustrado com imagens de sete páginas manuscritas por Graciliano. Tais manuscritos meramente ilustrativos aguçaram a curiosidade do crítico literário Wilson Martins (1921-2010). Ele teve a ideia de compará-los com os capítulos impressos. Martins percebeu que havia diferenças e, num artigo publicado um mês depois da primeira edição, no jornal O Estado de S. Paulo, acendeu o debate. “Infelizmente estas memórias, na edição atual, não merecem confiança”, escreveu. Martins dizia entender a gravidade do que afirmava e que, na comparação que fez dos manuscritos com a versão impressa, ficava evidente que o texto original de Graciliano não fora seguido. Eram mudanças apenas estéticas, mas davam margem a suspeitar de outras alterações mais profundas, de cunho ideológico. “Julgamentos sobre o Partido Comunista, por exemplo, ou sobre homens ou ideias pessoais de Graciliano Ramos não teriam também sido modificados ou suprimidos?”, questionou Martins.

O livro sustenta um tom anticomunista. Ridiculariza tanto a revolução como seus heróis. Mesmo conhecendo o conteúdo da obra, Martins manteve sua acusação até o fim. Argumentava que Graciliano poderia ter sido ainda mais severo com os comunistas. Uma série de intelectuais escreveu artigos defendendo a veracidade do texto. O filho Ricardo Ramos (1929-1992) também veio a público expressar seu repúdio à denúncia. A polêmica poderia ter arrefecido aí, com o desmentido da família. Ganhou um novo capítulo em 1979, desta vez mais doloroso. Clara Ramos, a filha mais nova de Graciliano, localizou na editora José Olympio sete capítulos inteiros manuscritos por Graciliano. Algumas páginas eram aquelas usadas como ilustração na primeira edição do livro. O restante do material, ainda inédito, também tinha diferenças em relação ao texto publicado.

Com esses capítulos nas mãos, Clara travou uma briga pública com o resto da família. Na ocasião, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem com o título: “As memórias que Graciliano não escreveu”. Clara acusava a mãe, Heloísa, e o irmão Ricardo de ter permitido a interferência na obra do pai. Cobrava deles a entrega dos outros capítulos manuscritos. Clara morreu em 1993, aos 71 anos, sem ter se reconciliado com os familiares. Ela ainda acreditava que o livro fora alterado pelos comunistas. “Mais uma vez tenho consciência de minha precariedade. Relaciono num livro as implicações do caso, assino embaixo, deixo o caso registrado, a solução nas mãos de Deus”, escreveu em seu último livro, Cadeia, publicado um ano antes de morrer.

OPONENTES No alto, o crítico Wilson Martins em 1996. Em 1953, ele acusou o PCB de atenuar o tom de Graciliano. Ricardo Ramos (abaixo, em foto com Graciliano) confirmou que o texto era do pai (Fotos: José Cordeiro/Estadão Conteúdo e arq./Estadão)

OPONENTES
No alto, o crítico Wilson Martins em 1996. Em 1953, ele acusou o PCB de atenuar o tom de Graciliano. Ricardo Ramos (abaixo, em foto com Graciliano) confirmou que o texto era do pai (Fotos: José Cordeiro/Estadão Conteúdo e arq./Estadão)

Na ocasião, Ricardo Ramos também publicou o livro de memórias, Retrato fragmentado, em que contou sua versão da história. Ele afirmava que Graciliano escrevia e reescrevia os capítulos à mão, sempre perseguindo a expressão mais sucinta. Portanto, era de esperar a existência de versões diferentes do livro. Em seguida, ele passava o texto para Heloísa Ramos datilografar. Todos os meses Graciliano entregava três capítulos datilografados ao editor José Olympio. Ele os guardava num cofre. Não poderia haver intermediários.

Para esclarecer o caso, desde então em aberto, um trabalho foi realizado há alguns anos pela pesquisadora Vanda Cunha Nery. Em sua tese de doutorado em comunicação na PUC de São Paulo, Vanda reuniu todas as versões do texto e fez uma comparação entre elas, que os estudiosos chamam de crítica genética. Ela também verificou como as várias versões apareciam no livro publicado. Memórias do cárcere tem dois esboços e uma versão completa manuscrita, guardados na USP. Também existe a versão datilografada, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. “Comparei linha por linha e posso garantir que não houve nenhuma alteração significativa no texto. Mesmo na versão datilografada, há correções com a letra de Graciliano”, diz a pesquisadora.

Já seria um desmentido poderoso. Mas ele não encerrou o assunto, porque Vanda não analisou os sete capítulos em poder de Clara Ramos, hoje nas mãos da filha dela, Luciana. No final da vida, Clara dizia que esses sete capítulos traziam alterações que sugeriam a existência de uma nova versão da obra, a definitiva, cujos outros originais estavam desaparecidos. A história é repetida até hoje. ÉPOCA analisou esses manuscritos com a ajuda de Godofredo de Oliveira, professor da UFRJ. Ele descobriu que toda a polêmica estava fundada num erro: os sete manuscritos não são originais do livro, mas versões alternativas de capítulos, que Graciliano publicou na imprensa daquele tempo.

Com a ajuda do pesquisador Thiago Mio Salla, organizador do livro Garranchos, foi localizado cada um dos capítulos publicados na imprensa. Eles saíram no Correio da Manhã, no Diário Carioca e na revista Temário. Os textos nos jornais são idênticos aos dos manuscritos guardados por Clara. Isso revela que tais originais foram produzidos unicamente para esse fim e anula a possibilidade de outra versão para a obra. “Foi uma polêmica sem razão de ser, mas que provocou uma briga na família”, diz Ricardo Ramos Filho, neto do escritor.

Wilson Martins e Clara Ramos foram induzidos ao erro, porque a imagem dos manuscritos destinados à imprensa foi publicada na primeira edição da José Olympio, como se fossem de originais do livro. A denúncia ganhou força diante do histórico de orientação ideológica e controle que o PCB exercia sobre seus autores. “Era uma polêmica antiga, mas que nunca teve um desfecho”, diz Godofredo. Ao completar 60 anos, a história aparentemente ganhou seu ponto final.

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44% dos professores de SP já sofreram agressão, diz sindicato

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Pesquisa da Apeoesp ouviu professores em 167 cidades do estado.
Agressão verbal provocada pela falta de respeito é a mais comum.

Publicado por G1

1O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) divulgou nesta quinta-feira (9) uma pesquisa sobre a violência nas escolas. Quase metade dos professores entrevistados relata que já sofreu algum tipo de agressão. A pesquisa ouviu 1.400 pessoas em 167 municípios do estado.
Brigas entre alunos e crimes mais graves estão ocorrendo nas escolas. Dos professores da rede estadual, 44% deles dizem ter sofrido algum tipo de agressão – física ou verbal.

Para 35% dos professores entrevistados, os pais ou os responsáveis são quem deve resolver a violência praticada pelos filhos. Outros 25% acham que a escola também tem papel decisivo. E, para 19% dos entrevistados, o governo do estado tem que tomar medidas mais efetivas.

Do total, 84% presenciaram ou ficaram sabendo de casos de violência na escola em que lecionam. Para 95%, os maiores responsáveis são os próprios alunos e apontam o uso de drogas e de álcool, o tráfico de drogas e a briga de gangues como situações que geram violência nas escolas. Os alunos são as maiores vítimas de da violência: 83%.

A agressão verbal é a mais comum, segundo os professores. Para 74% dos entrevistados, o xingamento e a falta de respeito são os principais problemas. A desestruturação familiar é apontada por 47% como a razão da violência, e 49% acreditam que é resultado da educação que os alunos recebem em casa. Em segundo lugar aparece o bullying, com 60%. Pelo menos 5% dos entrevistados já sofreram agressão física.

Para os professores, as escolas e o governo teriam que envolver os pais nesse debate contra a violência. Palestras e debates nas escolas atrairiam os pais para 28% dos professores. Para 16%, também é preciso investir em cultura e lazer dos alunos e familiares. Outros 15% querem que o policiamento nas áreas próximas às escolas seja reforçado para evitar a presença de gangues e tráfico de drogas.

As câmeras de segurança que serão instaladas nas escolas, medida anunciada nesta quarta-feira (8) pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), não são vistas como uma grande medida contra a segurança, segundo os professores. Só 4% acreditam que as câmeras ajudem a reduzir a violência.

Para biógrafa de Sartre, filósofo volta a ser debatido por intelectuais franceses

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Marcelo Bortoloti, na Folha de S.Paulo

Mais de 30 anos após a morte de Jean-Paul Sartre (1905-1980), ninguém ainda é capaz de arriscar de que forma sua obra entrará para a posteridade. O filósofo francês continua despertando paixões, e sendo louvado ou execrado conforme a orientação política do seu leitor.

Sua biógrafa, a franco-argelina Annie Cohen-Solal, autora de “Sartre, 1905-1980” (LP&M), começa a enxergar uma retomada de estudos mais isentos –ou mais acadêmicos– a seu respeito.

Esta semana ela entregou à editora Gallimard os originais de “Une Renaissance Sartrienne” (“Um Renascimento Sartreano”, em tradução livre), no qual aponta a volta do autor aos círculos universitários da França, de onde ele havia sido banido.

Jean-Paul Sartre em Ouro Preto (MG), em 1960, fotografado pela escritora Zélia Gattai (Zélia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado)

Jean-Paul Sartre em Ouro Preto (MG), em 1960, fotografado pela escritora Zélia Gattai (Zélia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado)

Cohen-Solal é uma defensora aguerrida do filósofo, e ela própria é parte deste movimento. Em junho, ela organiza na École Normale Supérieure, universidade parisiense onde Sartre estudou, um ciclo de debates sobre ele.

Há exatos 70 anos, Sartre publicou “O Ser e o Nada”, um marco na filosofia do século 20. A obra deu popularidade ao existencialismo, doutrina segundo a qual a existência precede a essência, e portanto o homem se constrói pelos seus próprios atos.

Difundindo suas teses em livros de filosofia (como “O Imaginário”), mas também em obras de dramaturgia e romance (como “A Idade da Razão”), Sartre tornou-se uma celebridade mundial.

Mas sua imagem começou a ser maculada no final da década de 1950. Seu livro “Crítica da Razão Dialética”, lançado em 1960, foi recebido com muita desconfiança por tentar unir o existencialismo a ideias marxistas.

A partir daí, adotando posições políticas cada vez mais radicais como a adesão incondicional ao regime de Mao Tsé-tung, na China, sua produção foi acusada de estar à serviço de uma ideologia comunista.

Annie Cohen-Solal fala à Folha da condenação que Sartre experimentou na França e defende seu legado.

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Folha – Seu livro defende que as ideias de Sartre continuam vivas?
Annie Cohen-Solal – Não. Eu apenas descrevo a situação na França hoje. Depois de três décadas de uma crítica brutal contra Sartre na imprensa, e com muito poucas pesquisas acadêmicas sobre ele, surpreendentemente para mim, as coisas estão mudando. Toda uma geração de jovens estudantes está agora olhando para sua obra com uma perspectiva diferente.

Por quê?
Quando Sartre morreu, em 1980, recebeu tantas homenagens que parecia estarmos enterrando um segundo Victor Hugo. Em seguida, seu trabalho embarcou em uma aventura estranha, cheia de felicidade ou infortúnios, dependendo do país e de acordo com os tempos.

Enquanto na França passou a ser divertido criticar detalhes insignificantes da sua vida, as homenagens da Europa, África, Ásia e nas duas Américas concordavam que a mensagem de Sartre era uma ferramenta de referência para descriptografar o nosso tempo. Agora, estudantes franceses começaram a perceber esta relevância, especialmente na École Normale Supérieure, onde estamos discutindo a criação de uma cadeira Sartre.

Qual é seu legado mais importante?
Ele foi o intelectual global que deu poder aos enfraquecidos. O apoio dele aos excluídos, como judeus, africanos colonizados, homossexuais, mulheres e trabalhadores, ajudou a reverter a relação de poder. Hoje, muitas pessoas estão fazendo pesquisa sobre sua obra na África.

Por que recebeu tantas críticas na França?
Sartre foi educado em uma família protestante. Recebeu educação em casa até os dez anos, e foi muito influenciado por esses valores, que expressou em toda a sua vida.

Esse espírito protestante o levou a enfrentar tabus da memória coletiva francesa, como a colaboração com os nazistas, a tortura, a colonização etc. E sua atitude chocou muitas pessoas em um país de tradição católica.

Sua adesão radical ao comunismo afetou essa imagem?
Ele nunca foi um membro de carteirinha do Partido Comunista Francês, apenas um companheiro fortuito entre 1952 e 1956.

Ele apoiou os comunistas quando manifestações do partido estavam sendo injustamente sufocadas pela polícia francesa, mas se afastou deles quando os russos reprimiram a insurreição húngara e quando os tanques soviéticos invadiram Budapeste. Sartre terminou sua vida como um maoista, tornando-se mais e mais radical.

Sua participação política deve ser esquecida?
Eu não colocaria dessa forma. Acho que a trajetória e a obra de Sartre são um todo. E pessoas muito à direita não iriam se interessar por seu trabalho de qualquer modo.

Por que Sartre não saiu de moda no Brasil?
Eu digo que o Brasil é um dos países mais sartreanos em que já estive. E acredito que isso se deva, em parte, ao fato de Sartre ter passado três meses no país no verão de 1960. Na época, ele lutava ao lado dos revolucionários argelinos pela independência da colonização francesa, e suas ideias tiveram grande repercussão no país.

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