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Posts tagged decisão

Filme sobre ‘cura gay’ com Nicole Kidman é cancelado no Brasil

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Nicole Kidman e Lucas Hedges em ‘Boy Erased’ (foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

‘Boy Erased’ será lançado somente em home video. Autor do livro que deu origem ao longa chamou de ‘censura’ a decisão

Publicado no UAI [via Estadão]

O drama Boy Erased: Uma verdade anulada tinha estreia anunciada no Brasil para o dia 31 de janeiro pela Universal Pictures. A empresa, porém, cancelou o lançamento e deve divulgar o filme no país apenas para home video. A decisão pegou mal e o próprio Garrard Conley, ativista cujo livro inspirou o filme, falou em “censura”. A empresa alega que a decisão foi tomada “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria”.

Baseado no livro de memórias do ativista americano e dirigido por Joel Edgerton, o longa foi indicado para o Globo de Ouro nas categorias melhor ator de drama, pela atuação de Lucas Hedges, e melhor música para filmes (e acabou não levando nenhum dos dois, e também não levou nenhuma das esperadas indicações ao Oscar). Russel Crowe e Nicole Kidman completam o elenco.

A trama conta a história do jovem gay Jared Eamons (Hedges), filho de Marshall Eamons (Crowe), pastor de uma cidade conservadora do Arkansas, e da religiosa Nancy Eamons (Kidman). Segundo sinopse divulgada pela própria Universal, em dezembro de 2018, “quando confrontado pela família sobre sua sexualidade, (o personagem) se vê pressionado a escolher entre perder seus familiares e amigos ou se submeter a um programa de terapia que busca a ‘cura’ da homossexualidade”.

Garrard Conley – cujo livro Boy Erased foi lançado agora no Brasil pela editora Intrínseca – se mostrou descontente nas redes sociais com o ocorrido. “Boy Erased censurado no Brasil. Sentia que isso poderia acontecer e é muito triste que esse tipo de coisa esteja acontecendo num país tão maravilhoso”, escreveu.

Netflix: 2ª temporada de ’13 Reasons Why’ chega em meio a polêmicas

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13 reasons why; Os 13 porquês (Netflix/Divulgação)

Boa parte dos fãs da série se perguntam sobre a decisão de produzir mais episódios para a história, que chegam ao serviço de streaming na sexta-feira, 18

Publicado na Exame

São Paulo – Por que fazer uma segunda temporada para uma série sobre uma garota que tirou a própria vida? Especialmente quando tanto a morte quanto os motivos que a levaram a isso foram totalmente destrinchados no primeiro ano. É o que boa parte dos fãs de 13 Reasons Why, da Netflix, se perguntam sobre a decisão de produzir mais episódios para a história, que chegam ao serviço de streaming na sexta-feira, 18.

Em entrevista ao Estado, Alisha Boe, que vive a jovem Jessica Davis, responde. “Há tantas histórias a serem contadas”, diz a atriz. Após uma primeira temporada focada em Hannah, ela acredita que os personagens que a cercam merecem ter as próprias histórias ouvidas. “A vida continua depois que Hannah morre e estamos explorando esse lado.”

Alisha esteve na última semana no Brasil, acompanhada dos colegas Christian Navarro, que vive Tony Padilla, e Brandon Flynn, intérprete de Justin Foley, que também opina sobre as críticas. “Entendo que há um grupo de fãs de livros que se tornam produtos audiovisual. Há sentimentos diferentes quando você lê um livro ou vê uma série”, pondera.

“Mas desafio todas essas pessoas a ver a última temporada de Game of Thrones, foi muito boa!”, brinca o ator, que pede que as pessoas deem uma chance ao segundo ano de 13 Reasons Why.

Nesta temporada, o foco é o julgamento iniciado pela mãe de Hannah, a garota que comete suicídio, contra a escola Liberty, onde ela estudava. O objetivo é provar, usando como referência 13 fitas cassetes gravadas pela jovem em vida – o mote da primeira temporada – que sua morte veio em decorrência do bullying sofrido por ela no colégio, além de ter sido abusada sexualmente por um colega de classe, que também atacou uma amiga sua, Jessica.

Polêmicas

A discussão sobre abuso sexual na série vem no momento em que Hollywood fala sobre o tema, após denúncias contra o produtor Harvey Weinstein e outros nomes do entretenimento, como o autor do livro que deu origem a 13 Reasons Why, Jay Asher, que não tem envolvimento com a produção.

“O louco é que o roteiro ficou pronto duas semanas antes de começarmos a gravar, que foi quando saíram as notícias”, relembra Alisha. “Tudo isso me fez perceber como essa história é importante, especialmente para essa geração, que são os próximos líderes.” Ao mesmo tempo em que repudia a demora histórica para o assunto vir à tona, ela se diz aliviada. “Sou uma jovem atriz nessa indústria que, por causa de todas as mulheres que denunciaram, provavelmente nunca vou lidar com isso na minha carreira.”

Na primeira temporada, além da crueza das cenas de estupro, o momento em que Hannah tira a própria vida causou grande polêmica e fez serviços de prevenção ao suicídio, de vários países, se manifestarem contra a série. “Só queremos que as pessoas tenham conversas abertas sobre saúde mental”, diz Alisha.

“Queremos ser uma plataforma para pessoas perceberem que têm responsabilidade sobre elas mesmas”, completa Brandon. “Mesmo quando você é uma vítima, por mais difícil, você é responsável por seu bem-estar mental e físico. Às vezes, quem você acha que pode ajudar não ajuda.”

Diante da gravidade do tema, a Netflix criou alertas. Antes de iniciar os episódios, um vídeo com o elenco anuncia o site 13reasonswhy.info, que direciona os espectadores para centrais de apoio. Os atores também se ajudam. “Filmamos juntos num lugar que não é nossa casa. Conversamos sobre o que aconteceu no dia”, relata Navarro. “É importante poder falar e ser ouvido”, acrescenta ele.

Os fãs que torcem o nariz para a segunda temporada da série 13 Reasons Why têm como principal argumento o fato de que a história da protagonista, Hannah Baker, vivida por Katherine Langford, foi encerrada após o seu suicídio e a divulgação das 13 fitas cassetes gravadas por ela, nas quais ela revela a decisão de tirar a própria vida. Para contrariar esses fãs, Hannah está de volta na segunda temporada. Como isso vai acontecer, porém, é um mistério sobre o qual a Netflix faz segredo.

O certo é que a personagem é vista de volta tanto em trailers quanto em imagens de divulgação da segunda temporada da série, nas quais ela aparece interagindo, de alguma forma, com Clay Jensen (Dylan Minnette), o outro protagonista. Na primeira temporada, a interação entre os dois era por meio das fitas e por lembranças de momentos juntos, flertes e da amizade entre eles, abalada junto com os acontecimentos com a garota no colégio.

Além disso, há a batalha judicial que a mãe de Hannah, Olivia (Kate Walsh), move contra a escola Liberty, por conta de todo o bullying sofrido pela garota por lá, o que teria motivado o suicídio, algo que pode revelar memórias sobre a vida dela que ainda não foram exploradas na primeira temporada.

Seja como for, é fato que a Netflix e os produtores de 13 Reasons Why precisavam aproveitar o talento de Katherine Langford, revelada na série. Além do imenso sucesso entre o público, sua performance rendeu à jovem, que tem apenas 22 anos, recém-completados, uma indicação para o Globo de Ouro de melhor atriz em série de drama este ano, na mesma categoria em que concorriam Caitriona Balfe (Outlander), Claire Foy (The Crown), Maggie Gyllenhaal (The Deuce) e Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale), que foi a vencedora do prêmio.

Na última semana, Katherine chegou a ser, também, uma das convidadas do disputadíssimo baile de gala do MET Museum, em Nova York.

Família muda de cidade para voltar a estudar em busca de uma vida melhor

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“Tem gente que aplaude nossa decisão e tem gente que acha que é loucura”

Publicado no Razões para Acreditar

Muitas coisas podem nos levar a fazer transformações profundas em nossa vida e, para esta família foi a busca por maiores oportunidades. Maurício Salazar Jorge e Suely Fontes Rodrigues viviam em Palmeiras, cidade pequena no interior do Mato Grosso do Sul, com seus 2 filhos e todos trabalhavam na fabricação de móveis rústicos.

A família inteira havia parado de estudar no ensino fundamental para se dedicar inteiramente ao trabalho, mas o corpo de Maurício começou a reclamar, depois de tantos anos de trabalho pesado, que incluía carregar e cortar madeira para fabricar os móveis. Apesar da ajuda constante da família, o serviço pesado ficava por conta dele mesmo. Foi aí que ele teve a ideia de voltar a estudar, o que acabou inspirando sua esposa e filho mais velho, Maxiel Rodrigues Jorge a fazerem o mesmo.

Porém, em Palmeiras só existiam escolas de ensino fundamental, então a família teve que mudar de cidade para que pudesse receber o tão sonhado diploma do ensino médio. Atualmente eles estão vivendo na capital, Campo Grande e percorrem cerca de 5 km de bicicleta, todos os dias, para irem até a Escola Estadual Brasilina Ferraz Mantero.

A decisão da família costuma dividir opiniões: “Tem gente que aplaude nossa decisão e tem gente que acha que é loucura”, afirma Maurício, mas o que importa é que, eles estão certos de que fizeram a escolha certa e já têm até planos de continuarem estudando. “Maxiel é desses que gosta de abrir televisão, arrumar as peças, o computador, vai ser inventor”, disse o pai orgulhoso do filho, que provavelmente estudará Engenharia ou algo ligado à tecnologia. Já a mãe pensa em ser enfermeira, mas ainda não tem certeza: “Eu gosto do Biologia, de Filosofia também”.

Os três estudam na mesma sala e se dizem satisfeitos com a experiência de unir família com estudos: “A gente não briga não. Sentamos juntos na sala de aula e em semana de prova a gente estuda aqui em casa antes”.

Suely diz que tem dificuldade em matemática, mas que graças ao filho tem garantido boas notas. O sonho desta família é o mesmo que milhões de brasileiros e eles nos mostram que quando a gente tem força de vontade, tudo é possível: “A gente vivia uma vida que, se não mudasse nada, íamos morrer daquele mesmo jeito. Mas tomamos uma decisão e sabemos que só por meio da educação isso vai melhorar. Nossos filhos estão trilhando seu próprio caminho pra não terminarem que nem a gente”.

Com informações de Campo Grande News

Fotos: Roberto Higa

Em novo romance, Ian McEwan explora mundo jurídico e religioso

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Juíza precisa decidir sobre caso de jovem com leucemia cujos pais religiosos recusam transfusão de sangue

Premiado escritor britânico leu várias sentenças judiciais para escrever novo livro e diz que descobriu nelas um “subgênero literário” - André Teixeira / Agência O Globo

Premiado escritor britânico leu várias sentenças judiciais para escrever novo livro e diz que descobriu nelas um “subgênero literário” – André Teixeira / Agência O Globo

Maurício Meireles em O Globo

RIO – É bem possível que Ian McEwan, em 66 anos de vida, tenha entrado mais vezes na lista final do Man Booker Prize do que em uma igreja. Embora seja ateu, ele, que é um dos maiores romancistas britânicos em atividade, botou as testemunhas de Jeová no centro do conflito legal — e moral — atravessado pela protagonista de seu novo livro: “A balada de Adam Henry”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Jorio Dauster. Enquanto escrevia o romance, McEwan se lembrava de algumas vezes ter feito a seguinte pergunta a membros dessa religião, que batiam à sua porta para convertê-lo: você deixaria seu filho de 8 anos morrer, se para salvá-lo fosse preciso uma transfusão de sangue?

Todos diziam sim, que era a lei de Deus. O romancista rebatia dizendo que muita gente acharia tal resposta estarrecedora: tudo bem um adulto morrer por suas crenças, mas fazer o mesmo com uma criança não é correto, argumentava.

— Para eles, eu só pensava assim porque não entendia a morte. Diziam que a morte não é o fim, mas o começo. O começo da vida no Paraíso — lembra McEwan. — Eles estão convencidos não só de que Deus existe, mas de que conhecem os desejos d’Ele. O que na verdade é só uma versão dos seus próprios desejos.

Testemunhas de Jeová se opõem, por dogma religioso, a transfusões de sangue. E é com isso que Fiona, personagem principal do livro, precisa lidar. Juíza de uma Vara de Família com uma crise no casamento — o marido sai de casa para viver um romance —, ela precisa julgar o caso de Adam Henry. Com 17 anos, sofrendo de leucemia, o rapaz precisa de uma transfusão, mas os pais se recusam a permiti-la. O hospital recorre ao Judiciário para fazer o procedimento de forma compulsória. Assim, em “A balada de Adam Henry” vai buscar a dimensão literária do mundo da lei.

— Há poucos juízes na literatura. Normalmente, quando a ficção encontra a lei é para tratar de criminosos, detetives, espiões, advogados e vítimas. Mas o juiz é uma figura central nesse mundo — afirma Ian McEwan.

‘Às vezes, a lei é muito estúpida. Mas, quando bem aplicada, ela traz uma prosa límpida e precisa.’

– Ian McEwansobre o efeito da lei na literatura

Reconhecido como um mestre da engenharia e da arquitetura do romance, o autor britânico pesquisou muito para escrever o livro — algo comum em seu processo de criação. Ian McEwan conversou com amigos juízes. Leu sentenças judiciais. Foi quando impressionou-se com a qualidade filosófica, histórica e legal dos argumentos dos homens de toga.

— Às vezes, a lei é muito estúpida. Mas, quando bem aplicada, ela traz uma prosa límpida e precisa. Descobri (nas sentenças) um subgênero literário — diz o escritor. — A lei aplicada tem uma dose de racionalidade e compaixão. O direito da família me interessou porque é o mais próximo dos problemas cotidianos, em oposição ao direito penal. Há muito em comum entre a boa literatura e as sentenças judiciais. E, na Vara de Família, os julgamentos envolvem crianças, divórcios, o fim do amor.

Assim, Fiona é um personagem que usa sua racionalidade para organizar a vida alheia — mas que não consegue resolver seus próprios conflitos. Ela escreve muito bem, mas em casa não encontra as palavras para discutir sua vida sexual com o marido. Numa virada da trama, a juíza vai a um quarto de hospital encontrar Adam Henry a fim de clarear seu julgamento sobre o caso. Nesse encontro, ela recita um poema de W. B. Yeats para o jovem, que a partir daquilo começa a questionar suas crenças e depois compõe uma balada — daí o título do romance. O final da história é dúbio.

— Não é uma reflexão sobre a leitura como um todo, mas sobre minha própria experiência ao ler Yeats pela primeira primeira vez, aos 16 anos. Foi o poema que abriu a porta de toda a poesia para mim. Yeats tem esse efeito em adolescentes. Por isso, a balada que Adam compõe é influenciada por ele e tem a mesma métrica do poema — diz Ian McEwan.

CONDIÇÃO HUMANA

Além de ateu, Ian McEwan foi amigo próximo do escritor e jornalista Christopher Hitchens — um crítico sempre virulento da religião. Por isso, poderia surpreender o tratamento humano que o autor britânico dá às testemunhas de Jeová. Mas isso é o resultado de seu amadurecimento. Mais jovem, Ian McEwan escreveu livros conhecidos pela dimensão sombria. Agora, diz ele, sua escrita mudou para uma exploração mais profunda da condição humana.

— Acho que aprendi a perdoar, fiquei mais generoso e tolerante. Por isso, quis tratar as testemunhas de Jeová de modo mais terno. Se eu fosse mais jovem, talvez tivesse agido de forma mais agressiva contra eles, em vez de tentar entendê-los. Seria fácil fazer piada sobre a crença em relação ao sangue, mas não quis desenvolver uma tese ateísta — afirma o escritor. — Sim, meu trabalho mudou, até porque comecei muito jovem. Mas ainda estou interessado em conflitos, dilemas morais e em tentar entender quem nós somos.

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