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Livro ‘A Paixão Segundo G.H.’, de Clarice Lispector, será adaptado para o cinema

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Nathalia Oliveira, no A Gambiarra

O romance A Paixão Segundo G.H., de 1964 escrito por Clarice Lispector, será adaptado para o cinema pelo cineasta Luiz Fernando Carvalho.

O livro é considerado de difícil adaptação. O relato fala sobre os pensamentos e a consciência de uma mulher que demite sua empregada doméstica e em seguida vai limpar o quarto de serviço da casa. Nesse momento, ela se depara com uma barata.

A maioria dos críticos considera A Paixão Segundo G.H o trabalho mais importante da obra da autora.

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A atriz Maria Fernanda Cândido já está se preparando para viver a protagonista de ‘A Paixão Segundo G.H.’

Segundo o jornal O Globo, a atriz já está se preparando para interpretar a personagem de Clarice Lispector no cinema.

Em entrevista ao jornal, ela afirmou já ter um envolvimento emocional com o livro e que gosta da experiência de trabalhar com Luiz Fernando Carvalho.

Li o livro quando tinha 29 anos. E foi fundamental para a minha vida, foi uma experiência. Tenho uma afinidade grande com o Luiz. Esse aprofundamento que ele propõe é fundamental para realizarmos e desenvolvermos um trabalho. Gosto de como ele leva tudo isso e como propõe o laboratório. É muito tenso, tem uma rotina de muita dedicação, muitas horas por dia. Mas é assim que funciona.

A preparação da atriz inclui treinamento vocal, estudo de interpretação e completa imersão no texto original, que é coordenado pessoalmente pelo diretor.

A Paixão Segundo G.H. ainda não tem data de lançamento prevista.

Lorrayne Isidoro Gonçalves: uma atleta do cérebro

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Lorrayne Isidoro (Foto: Marcia Foletto/Agência O Globo)

Lorrayne Isidoro (Foto: Marcia Foletto/Agência O Globo)

 

A vitória na Olimpíada de Neurociência de Lorrayne, de 17 anos, moradora da favela e estudante de escola pública, mostra o que as oportunidades podem fazer por nossos jovens

Flavia Yuri Oshima, na Época

A segunda-feira, 27 de junho, encerrou uma angústia para a família Isidoro Gonçalves que se arrastava havia mais de 45 dias. A 24 horas do momento do check-in no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, os passaportes da estudante carioca Lorrayne Isidoro Gonçalves, de 17 anos, e de sua mãe, Estela Meirelles Isidoro, de 38 anos, ficaram finalmente prontos, depois de um atraso agonizante. Perder o prazo de embarque não implicaria apenas a remarcação de hotel e passagens. A demora de a Polícia Federal entregar os documentos a Lorrayne e sua mãe poderia levar o país a perder a oportunidade de disputar uma medalha na Olimpíada Internacional de Neurociência, a Brain Bee, que ocorre nesta semana em Copenhague, na Dinamarca, com a participação de adolescentes de 52 países. Lorrayne ficou em primeiro lugar na versão brasileira da competição. Antes dela, outros dois garotos e uma menina, desde 2013, levaram o nome do Brasil para a competição internacional. Lorrayne é a primeira aluna vinda de uma escola pública a representar o Brasil. Lorrayne é também a primeira negra a ficar entre os primeiros colocados. E Lorrayne é, além disso, a primeira adolescente nascida numa favela a embarcar para a Dinamarca para enfrentar competidores de todo o mundo. Não obstante esses predicados, Lorrayne representa muito mais do que a escola em que estuda, a comunidade em que vive ou a cor de sua pele. Sua história representa, sobretudo, a força das oportunidades num país em que a grande maioria da população negra e pobre como Lorrayne sofre com a falta de perspectivas.

O conteúdo abordado no curso de dez horas e na prova de 100 questões que compõem as Olimpíadas de Neurociências não existe no currículo do ensino médio de nenhum país. Os alunos devem correr para estudar morfologia, farmacologia, linguística e pontos mais avançados de biologia e química. Para chegar à Dinamarca, Lorrayne se preparou ao longo de dois anos. Passou a participar do grupo de estudo de incentivo à pesquisa em ciências mantido pela Fiocruz, no Rio de Janeiro, e recebeu a ajuda de uma professora do Colégio Pedro II, onde estuda, para aprender conteúdos mais avançados de biologia. Em 2015, colou no calcanhar da vencedora e levou a medalha de segundo lugar na Olimpíada brasileira. Neste ano, disparou na frente. “Não posso revelar a pontuação, mas Lorrayne abriu uma vantagem enorme em relação ao segundo colocado”, diz Alfred Sholl Franco, neurocientista e coordenador nacional da competição, criada em 1999, nos Estados Unidos.

Além do drama com o atraso da passagem, Lorrayne também passou um bom tempo no suspense de como viabilizaria a viagem. A organização da Olimpíada criou uma página na internet para pedir contribuições para Lorrayne viajar. Em cinco dias, foram arrecadados R$ 54 mil. Por fim, a direção do Colégio Pedro II conseguiu recursos do Fundo de Assistência Estudantil, que bancou passagens e custos da viagem para Lorrayne, sua mãe e a professora que a ajudou nos estudos extras.

O foco nos últimos dois anos na área de ciências não comprometeu o desempenho de Lorrayne em outras áreas. Pelo segundo ano consecutivo, a estudante ganhou uma bolsa do colégio por seu desempenho no curso de escrita criativa. Ela recebe R$ 150 por mês. Nessa oficina, ajudou a montar o primeiro livro com produção dos alunos no ano passado. Lorrayne tem um conto seu entre os textos selecionados. Nele, descreve as agruras de um adolescente que mora com sua família num país em guerra e vive triste porque as escolas estão fechadas. Como Lorrayne dá conta de tanta coisa ao mesmo tempo e se sai bem nelas?

Meio sem jeito com a pergunta e muito tímida, a própria Lorrayne ensaia uma resposta, sentada no voo que a levará para a Dinamarca, enquanto o avião não decola: “Só faço isso, então…”. É a professora de língua portuguesa Liliane Machado quem arrisca uma resposta mais elaborada. “Ela é inteligente e dedicada e, acima de tudo, tem clareza de que a educação é o caminho para se sobressair e melhorar as condições de vida que tem hoje”, diz ela.

INCENTIVO PÚBLICO Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A escola designou uma professora para ajudar Lorrayne em estudos extras (Foto: Divulgação Pedro II)

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Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A escola designou uma professora para ajudar Lorrayne em estudos extras (Foto: Divulgação Pedro II)

 

Lorrayne é a filha mais velha entre quatro meninas. Ela e a família moram na favela Camarista, no Méier, desde que os pais passaram a viver juntos, há 20 anos. No mesmo bairro, o pai, Jorge Gonçalves, de 62 anos, mantém uma barraca próxima a uma agência do Banco do Brasil, onde revende pães, bolos e doces. Sai de casa às 9 horas da manhã e retorna por volta da meia-noite. “É quando encontro Lorrayne estudando”, diz ele, que cursou até o 2o ano do ensino médio. “Ela vai à tarde para a escola, mas usa a manhã para fazer outros cursos. Por isso tem de ficar à noite debruçada nas lições”, diz seu Jorge. Na casa de dois quartos em que Lorrayne mora há sempre alguém estudando. Além dela e das irmãs, que segundo o pai também são ótimas alunas, crianças e adolescentes da vizinhança ocupam a sala e a cozinha para receber as aulas de reforço da mãe de Lorrayne, Estela Isidoro. Com o dinheiro dessas aulas, ela complementa o que o marido ganha como camelô e consegue manter as filhas mais velhas longe da jornada de trabalho e do estudo noturno, comum na comunidade. Estela nunca frequentou pedagogia ou licenciatura. O que ela ensina aprendeu em seu tempo de escola e nos livros das filhas. Ninguém na família cursou uma faculdade, assim como ninguém tem um emprego formal, convênio médico ou qualquer tipo de seguro. Entre os dias 26 de junho e 11 de julho, não haverá nenhum tipo de entrada financeira na família. As aulas estão suspensas enquanto Estela acompanha Lorrayne na primeira experiência internacional de ambas. E a barraca de pães ficará fechada enquanto seu Jorge cuida das demais filhas. E o bolso, como fica? “Vale a pena ficar apertado por algo assim”, diz ele.

Adolescentes negros e pobres como Lorrayne e suas irmãs são o grupo com maior chance de abandonar a escola antes da conclusão do ensino médio. Entre estudantes da classe social de Lorrayne e os mais ricos, as diferenças são abissais. Apenas 32% dos adolescentes pobres concluem o ciclo de educação básica, em relação aos 83% dos mais ricos. Apenas 45% dos jovens negros que se matriculam no ensino médio concluem essa etapa, enquanto entre brancos esse percentual é de 66%. No mundo do trabalho, as diferenças permanecem. Segundo dados deste ano do IBGE, o negro ganha 59% do salário de um branco no mesmo tipo de função.

Lorrayne e suas irmãs têm ao lado delas pais saudáveis, com condições de ajudá-las a driblar essas estatísticas, como vêm fazendo até agora. Mas quantos adolescentes, filhos de casais comprometidos com a educação, como Jorge e Estela, não tiveram de trocar os livros pelo trabalho antes da hora? Imprevistos como uma doença na família ou a separação de casais podem romper o frágil equilíbrio de quem vive à margem do trabalho formal, sem nenhum colchão para amortecer quedas que deveriam ser temporárias. Lorrayne e sua família são a prova de que um país, ao garantir condições básicas de segurança, moradia e educação de qualidade a quem precisa, pode diminuir as diferenças entre ricos e pobres, brancos e negros. A família Isidoro Gonçalves só precisa, agora, deixar de ser exceção.

Ex-faxineira mergulha nos livros e é aprovada no STF e mais 3 órgãos

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Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal aprovada em quatro concursos públicos (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal aprovada em quatro concursos públicos (Foto: Alexandre Bastos/G1)

 

Colegas insinuaram que ela havia comprado gabarito da prova, de 2008.
Mulher também foi aprovada no STJ, Ministério do Trabalho e MPU.

Renata Moraes, no G1

Título original: ‘Pensaram que eu era analfabeta’, diz faxineira do STF que passou no órgão

Após cinco anos trabalhando como faxineira no Supremo Tribunal Federal, Marinalva Luiz achou que era uma brincadeira ver o próprio nome na lista de aprovados no concurso do órgão. A mulher passou semanas mergulhada nos livros e anotações para a prova de técnico judiciário. O resultado também surpreendeu colegas, que chegaram a insinuar que ela havia comprado o gabarito.

“Minha família e amigos já sabiam que eu ia passar, pois eu estudava sem parar e só falava em concurso e mais concurso”, disse. “Muita gente, infelizmente, não gostou da novidade. As pessoas ficaram em choque, não esperavam que uma moça que trabalhou na limpeza do tribunal tivesse conhecimento suficiente para passar, ainda mais que concorri com quem já tinha se formado em advocacia. O preconceito está enraizado na sociedade brasileira ainda.”

O concurso aconteceu em 2008. O salário previsto era de R$ 3 mil – 500% a mais do que os R$ 500 que ela recebia mensalmente. Marinalva foi a 29ª colocada e aguardou os quatro anos de validade do certame pela convocação. Mesmo com a seleção expirando antes, a mulher não desanimou e passou em outras três provas: Superior Tribunal de Justiça, Ministério do Trabalho (onde está atualmente) e Ministério Público da União.

Para ela, o fato de sempre ter apreciado literatura influenciou nas conquistas. “Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam porque eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida.”

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada (Foto: Alexandre Bastos/G1)

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada
(Foto: Alexandre Bastos/G1)

A mulher também baixou conteúdos em sites e pedia ajuda de amigos da família que trabalhavam no Judiciário. Nascida em Anápolis, cidade goiana a 160 quilômetros de Brasília, ela decidiu atuar na área de limpeza porque o salário era melhor do que o que recebia trabalhando em uma loja para noivas e como costureira.

“Duvidavam da minha capacidade porque eu era auxiliar de serviços gerais e, como tal, deveria ter muito pouco estudo. Não aceito que me julguem sem me conhecer”, afirma. “O que me deixou impressionada foi pensarem que, por ter trabalhado na limpeza, era analfabeta ou coisa do gênero. Eu já tinha o ensino médio, trabalhava numa butique mas ganhava menos que na limpeza e trabalhava muito. No STF era muito melhor! Nunca me abati com isso, mas, realmente, inveja é uma coisa que te assusta.”

Marinalva diz que a família tinha pouco recursos, mas que nunca precisou parar de estudar. “Nós eramos pobres, mas tínhamos tudo o que precisávamos. Livros, roupas, brinquedos; meus pais se esforçavam e nos davam. Mas, como todo mundo, você sempre quer mais, e eu queria morar numa casa com piscina, muita árvores, pois lembra muito a minha infância.”

Segundo ela, a melhor vantagem do emprego no serviço público foi poder incluir a mãe como dependente no plano de saúde. “Ela foi muito bem tratada nos melhores hospitais do Plano Piloto e Taguatinga, especialmente no Santa Marta e São Francisco, onde infelizmente, ela veio a falecer, há dois anos.”

Marinalva conta que chegou a começar a estudar direito, mas decidiu trancar o curso por ver que não era exatamente o que queria. Ela voltou a costurar e diz sonhar em fazer moda nos próximos anos.

“Voltei a costurar por raiva”, ri. “Toda vez que pedia uma costureira para fazer umas roupas, ela demorava demais ou [as peças] não ficavam do jeito que eu queria. Como já tinha trancado a faculdade, já estava procurando uns cursos para fazer, dar uma boa revisada em ajustes e conhecer novos métodos de ensino. Daí vi que realmente costurar é uma coisa que adoro fazer, independentemente de ser uma profissão. Todo dia faço algo. Para meus amigos e parentes, faço consertos e reformas.”

Dicas
A mulher diz que, para a prova do STF, se preparou com o conteúdo de analista judiciário – com curso superior – e não para o de técnico. Assim, afirma, acumulava mais conhecimento. Ela também conta que estava decidida a passar em concurso e que acha que a determinação contribuiu para o sucesso.

“Vários colegas faziam deboche quando fui aprovada, vieram correndo me falar que não iria ser chamada. É uma coisa que você vê se você quiser. Eu nunca deixei que me jogassem para baixo, mas não imaginei que fosse calar a boca de tanta gente depois que fui aprovada”, conta.

“A primeira dica é: decida onde você quer trabalhar. Eu só fiz concurso para o judiciário porque as matérias são as mesmas e somente o regimento interno que muda. Fiz do Ministério do Trabalho porque queria incentivar uma amiga a estudar e acabei fazendo a inscrição no último dia. Caí aqui de paraquedas”, ri. “Segundo: estude por livros e sites, nunca compre apostilas. Além de resumidas demais, são caríssimas. Um exemplo: quando estudava ainda para o STF, já tinha tudo quanto era exercício feito. Uma amiga comprou uma apostila na banca de revista e fui dar uma olhada apenas nos exercicios sobre a legislação do tribunal.”

Marinalva afirma que os exercícios eram iguais aos que já tinha em casa. A terceira dica dela é manter o foco. “Vi gente estudando ao mesmo tempo para bancos, tribunais, agências reguladoras, Metrô etc. Nossa! Você acha que nosso cérebro armazena todo esse tipo de informação em curto prazo? São órgãos diferentes, as matérias às vezes também são.”

A mulher conta se sentir feliz ao ver que outras pessoas ficam motivadas ao estudar quando conhecem a história dela. Para ela, a principal lição com a própria experiência foi ver que todo mundo é capaz.

“Eu passei num concurso que era disputadíssimo entre os funcionários da minha empresa, estagiários. Eu passei e eles não. O diferencial foi que não estudei para passar, estudei para aprender e entender como funciona o nosso Estado Brasileiro. Fui devagarinho. O que não entendia, voltava e fazia tudo de novo. E uma frase que resume bem o eu fiz foi:’Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez’.”

Estudantes da rede pública celebram aprovações em instituições federais

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Alunos de colégio no Jardim Europa, em Goiânia, somam bons resultados.
Eles afirmam que dedicação e ajuda de professores foram fundamentais.

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Publicado em G1

Quatro alunos do Colégio Estadual Jardim Europa, no bairro de mesmo nome, em Goiânia, comemoram aprovações em instituições de ensino federais. Sempre estudando na rede pública, eles atribuem o sucesso às longas jornadas de estudos, que para alguns chegava a 12 horas diárias, e ao apoio que receberam do corpo docente da escola.

Uma das estudantes que obteve um bom resultado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é Elen Samara, de 17 anos. Por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ela passou em 1º lugar para odontologia na Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Eu fui aprovada pelo sistema de cotas para alunos de escola pública, mas estou muito feliz com o resultado. A minha nota do Enem, que foi média de 728 e 920 na redação, ainda me garantiu vagas em medicina em outras universidades do país, mas como não quero mudar daqui, optei pela odontologia”, contou ao G1.

A jovem, que estuda no colégio do Jardim Europa desde o 1º ano do ensino médio, diz que prestou o Enem por dois anos seguidos. “O apoio que tive aqui na escola foi muito importante e também fiz um cursinho por sete meses. Eram até 12 horas de estudos por dia, inclusive aos finais de semana, mas valeu a pena. Sempre sonhei em ser dentista, especializada em crianças, e agora isso vai se tornar realidade”.

Mãe de Elen, Elisete da Costa Gonçalves diz que o resultado obtido pela filha é motivo de orgulho. “Ela será a primeira a ter um curso superior na família e isso nos deixa muito feliz. Agradeço por ela ter tido muita força de vontade, mas também ao colégio, pois, mesmo sendo público, sempre exigiu muita disciplina e isso é importante”, disse.

Outra estudante que comemora a aprovação é Lara Soares, de 17 anos, que passou em 1º lugar no curso de zootecnia no Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), em Uberaba (MG). Ela também cursou o ensino médio no colégio e diz se dedicou muito para atingir o objetivo.

“Eu dividia o meu tempo entre os estudos, mais ou menos 7 horas por dia, e o trabalho na área de eventos. Prestei o Enem em todos os anos do ensino médio, pois queria adquirir experiência para o último, que foi o decisivo. Felizmente consegui o curso que eu queria, já que é uma área em que terei muitos ramos de atuação aqui em Goiás. Vou estudar lá em Minas, mas depois pretendo voltar para ficar ao lado da minha família”, contou.

A estudante ressalta que, caso não tivesse conseguido uma vaga por meio do Sisu, não teria condições financeiras de arcar com um curso particular. “Eu teria que ir atrás de alguma bolsa, mas ainda bem que me dediquei o suficiente. Tive muito apoio dos meus professores que, além do conteúdo diário em sala, me passavam tarefas extras. Graças a tudo isso eu consegui”, ressalta.

Múltipla aprovação
Já a estudante Juliana Duarte, de 18 anos, foi aprovada em duas instituições de ensino: em 1º para o curso de ciências contábeis na UFG, por meio de cotas para alunos de escolas públicas, e em 8º na Universidade Estadual de Goiás (UEG) para química industrial. Ainda em dúvida sobre qual área vai seguir, ela diz que se dedicou muito.

“Não fiz cursinho, mas, além das aulas no colégio, eu estudava em casa sozinha, pelo computador. Fiz muitos simulados e chegava a fazer 10 horas de estudos por dia. Acho que isso me ajudou muito, assim como os professores que eu tive”, relata.

Em 2014, a estudante também tirou uma boa nota no Enem, que lhe garantiu vagas em história e engenharia elétrica no Instituto Federal de Goiás (IFG). “Como eu ainda não tinha concluído o ensino médio, tinha que entrar com um mandado de segurança para pode estudar. Mas aí tinha que continuar lá e no colégio ao mesmo tempo. Como seria muito puxado, achei melhor esperar o ano de 2015. No fim mudei os cursos que eu queria, mas consegui ser aprovada de novo”, destacou.

Já o estudante Gerson Borges, de 17 anos, comemora a aprovação em 7º lugar, por meio das cotas para escola pública, no curso de ecologia, da UFG, e o 15º lugar em biologia na UEG. Segundo ele, isso prova que mesmo os alunos da rede pública podem concorrer com aqueles que sempre estudaram em instituições particulares.

“Eu estudava cerca de 10 horas por dia e deixei muitas coisas de lado em busca desse objetivo. Fiz o Enem por três vezes e acho que essa experiência foi importante, pois na hora da verdade eu consegui me sair bem. Por isso todos devem acreditar no próprio potencial e correr atrás”, afirmou o rapaz.

Dedicação
Para a vice-diretora do Colégio Estadual Jardim Europa, Kátia Regina Dias Barbosa, a fórmula para o sucesso dos alunos é uma só: trabalho em equipe e dedicação. “Todo o nosso efetivo, desde a direção até a coordenação e corpo docente, é muito unido. Aí criamos vínculos com os estudantes para que eles possam se conhecer e desenvolver o próprio potencial. Tudo isso, aliado à disciplina, só rende bons frutos, como podemos ver”, afirmou.

O colégio, que existe há 23 anos, tem cerca de 700 alunos divididos entre os turnos matutino e vespertino. Segundo Kátia, além dos quatro estudantes citados acima, pelo menos outros 11 conseguiram aprovações em universidades, sendo públicas ou com bolsas de estudos em particulares.

“Felizmente todos os anos os nossos alunos conseguem bons desempenhos e isso também reflete nos resultados da escola. Isso atesta o bom trabalho que desenvolvemos e motiva a todos os professores a continuarem se dedicando a um ensino de qualidade”, destacou.

A professora Denilsan Monteiro dos Santos, que leciona a disciplina de Língua Portuguesa, diz que ver os alunos sendo aprovados em instituições federais é um motivo de alegria para ela e os colegas. “Ficamos muito felizes por todos eles e isso mostra que estamos no caminho certo. Eles são os instrumentos para divulgar o nosso trabalho e são a prova de que nada é obtido sem esforço. Boa educação também é possível na escola pública, basta que alunos e os profissionais juntem suas forças”, afirmou.

Dedicação cria talento, diz brasileiro “gênio” de Harvard

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Publicado no UOL

“Gabriel Guimarães é um gênio da ciência da computação”, afirma uma matéria do “Business Insider”, site norte-americano especializado em negócios e tecnologia. Quem não conhece a história de Gabriel pode talvez imaginá-lo um pouco grisalho, já com uns bons anos de estudo e experiência prática que alicerçam esse título. Na verdade, Gabriel é um capixaba de 21 anos, estudante de ciência da computação e economia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, eleito pelo site de notícias como um dos 19 atuais alunos mais brilhantes da lendária instituição de ensino.

A trajetória do brasileiro tem como um divisor de águas o ano de 2011, quando, ainda aluno de Eletrotécnica no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), ele concluiu, à distância e em menos de três semanas, o curso CS50 oferecido pela universidade norte-americana. Trata-se do curso básico de ciência da computação de Harvard, que oferece uma base sobre a área de programação e abre o caminho para a atuação em webdesign, bancos de dados, sistemas eletrônicos e programação de software, entre outras possibilidades.

Encantado com a experiência, Gabriel resolveu compartilhar a oportunidade com outros alunos brasileiros que não dominam a língua inglesa e criou o CC50, uma adaptação totalmente em português e gratuita do curso CS50, autorizada pelo instrutor original do curso de Harvard, David Malan. Além de todo o material disponível online, Gabriel deu aulas presenciais para mais de 160 alunos e colocou os vídeos no site do curso.

Atualmente no terceiro semestre da graduação e Head Teaching Fellow (professor-bolsista, que trabalha como assistente de um docente) do CS50 -, Gabriel conversou com o Porvir sobre os caminhos que o levaram a Harvard e suas perspectivas para o futuro, como você pode ler a seguir:

Porvir: Quando você olha para trás, quais são os momentos, as decisões tomadas em relação à sua educação que você considera fundamentais para ter chegado não só a Harvard, mas a um papel de destaque dentro da universidade?

Gabriel Guimarães: Eu sempre gostei muito de aprender e sempre aprendi muito rápido. Violão, línguas, matemática, programação. Eu boto na cabeça que quero aprender alguma coisa e me dedico muito àquilo. Até depois de vir para Harvard essa característica de aprendizado continua bem forte. No meu primeiro ano, fiz um curso de matemática chamado Math 55, que é tido como o “curso de matemática mais difícil do país”. Eu não tinha experiência quase nenhuma com provas e matemática pura quando comecei, mas a minha vontade de aprender falou mais alto e no final das contas eu acabei conseguindo tirar A.

Uma das decisões que com certeza marcaram a minha vida foi o dia em que eu resolvi traduzir o CS50 para português, criando o CC50. Esse com certeza foi um dos meus maiores projetos, que me abriu diversas portas para outros projetos interessantes, mas eu não diria que se tratou de uma ideia “brilhante”, que aparece para poucos. Acho que se uma pessoa se aventura o suficiente em um campo que gosta muito, esse tipo de ideia aparece naturalmente. E o campo não precisa ser necessariamente acadêmico. Pode ser esporte, dança, música, atividade social. Enfim, as possibilidades são inúmeras. No meu caso, eu já estava interessado em programação e comecei a buscar mais e mais sobre o assunto, então a ideia de querer trazer oportunidades de aprendizado de computação com qualidade para brasileiros apareceu de forma natural.

Porvir: Como você mesmo disse, a decisão de traduzir e disponibilizar o curso CS50 para estudantes brasileiros abriu muitas portas para você. Causou um maior impacto o nível de conhecimento que você mostrou ao disponibilizar o curso ou o fato de tê-lo feito de uma forma altruísta, para dar chance a alunos que não têm fluência em inglês?

Gabriel: Acho que o formato altruísta do curso foi algo super natural. Eu queria atingir o maior número de interessados possível, então a ideia de cobrar estava fora de cogitação. Várias pessoas queriam que eu buscasse parcerias e verba na época, mas eu preferi deixar os custos bem próximos de zero para não precisar desse tipo de coisa. Já vi muitos projetos falharem porque os idealizadores se prendem em uma busca eterna por parcerias e nunca botam a mão na massa. Para mim o mais importante é fazer acontecer. Então, pensando nisso, comecei a trabalhar e, quando tive que me comunicar com o diretor do IFES para pedir uma sala para dar o curso, o material já estava todo pronto e o CC50 já tinha 90 alunos interessados inscritos.

Porvir: O que você acha que te diferencia da média como estudante? Até que ponto as suas competências e habilidades têm a ver com genialidade e a partir de quando elas são fruto de uma lapidação que vai além de se ter uma inteligência extraordinária?

Gabriel: Talento com certeza é importante, mas dedicação cria talento. Na minha opinião, até a própria “facilidade de aprendizado” pode ser aprendida, esticada e desenvolvida. Eu decidi aplicar para faculdades nos Estados Unidos junto com a minha irmã mais nova no meu primeiro ano do Ensino Médio. Na época, nós decidimos falar só inglês um com o outro para praticar, o que fazemos até hoje, cinco anos depois. Desde aquele dia eu também comecei a me esforçar muito, tanto no colégio quanto na busca por fazer sempre mais do que só o básico que todo mundo fazia. Isso me levou, por exemplo, a começar a assistir aulas de Cálculo e Física com os alunos de graduação em Engenharia quando tinha 14 anos. Muita gente pode achar que esse tipo de coisa é difícil sem nem tentar. Tente! Se você estiver realmente disposto a trabalhar para que aquilo dê certo, é muito difícil dar errado. Na minha opinião, essa vontade constante de fazer mais e melhor é muito mais importante do que “genialidade” pura.

Porvir: A experiência em Harvard tem sido o que você imaginou? Há algum projeto específico no qual você está trabalhando ou que pretende desenvolver durante a sua formação?

Gabriel: Harvard é ainda mais do que eu imaginei. Depois de terminar o meu primeiro ano aqui, eu voltei para casa no Brasil e conversei com meus pais sobre o meu amadurecimento nesse ano que passou. Foi com certeza o ano mais denso da minha vida, tanto em quantidade de material acadêmico que estudei, quanto em amizades importantes que fiz e também em lições pessoais que tive. Antes de vir para cá eu não estabeleci metas muito específicas além de aprender o máximo possível sem deixar de me divertir. Atualmente o meu trabalho como Head TF do CS50 é o meu maior projeto. O curso tem um staff de 100 pessoas e alcança mais de 330 mil alunos no mundo inteiro. Adoro esse trabalho porque mescla a parte técnica de computação com educação e impacto social, além de incluir vários aspectos de management (gestão) que também gosto muito.

Porvir: Você já pensa no que vai fazer quando se formar? Qual seria o cenário ideal para você em 2017?

Gabriel: Eu penso em trabalhar com algo relacionado à tecnologia e inovação e com certeza quero voltar para o Brasil depois da graduação. Acho que o Brasil tem muito potencial e oportunidades maravilhosas, além de pessoas extremamente engajadas com quem eu quero muito trabalhar. Os defeitos do nosso país devem ser resolvidos por nós brasileiros e eu quero muito trabalhar por isso. Seguindo esse raciocínio, também não gosto de pensar em um “cenário ideal” porque mesmo um cenário ruim apresenta oportunidades e desafios muito interessantes. Gosto de ser otimista e pensar que qualquer cenário pode ser ideal se abordado da forma correta.

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