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Conheça 10 escritores que eram famosos pelo uso de drogas

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Não é de hoje que artistas e drogas andam juntos. Sempre vemos rockstars usando drogas, assim como atores, pintores e… é claro, também, escritores! Haverá alguma conexão entre o fazer artístico e o uso de drogas? Muitos escritores, dos mais importantes, já usaram drogas, e ainda escreveram obras inteiras sob influência destas. Seriam as drogas alguma espécie de combustível criativo? Baudelaire, em Paraísos Artificiais, argumenta que o artista não pode depender de um veneno – como ele mesmo cunha as drogas – para pensar; porém não é novidade que, quando sob o efeito de substâncias que alteram a percepção, é possível ver as coisas de formas diferentes, fator este que, conseqüentemente, amplia a visão do escritor, cujo um dos principais intentos é mostrar, através de palavras, pontos de vista antes pouco – ou nunca – percebidos por outros. E isto é bem descrito também por Baudelaire, ainda em Paraísos Artificiais, referindo-se ao haxixe como um verniz mágico que colore a vida com solenidade, aclarando toda sua profundeza, e a embriaguez, assim, ilumina a inteligência.

Apesar de, obviamente, não ser necessário o uso de substâncias químicas para escrever, muitos escritores parecem ter uma necessidade de usar tais substâncias. Seria alguma consequência da ansiedade daqueles que questionam, talvez demais, o mundo a seu redor, por isso sentem a necessidade de escrever, e assim também a necessidade de se entorpecer de alguma forma? Bem, cada um usa drogas por seus próprios motivos, e não é certo julgar que é exatamente por esta ou por outras razões, mas o certo é que há uma forte presença do uso das drogas entre os literários. Portanto, segue uma breve lista com alguns (só alguns, é quase impossível lembrar-se de todos eles) dos mais importantes escritores que já usaram drogas – e que até já escreveram grandes obras sob sua influência.

p.s: alguns dos escritores abaixo não usavam, necessariamente, nenhuma droga ilítica. Mas, a bebida afetou tanto suas vidas que fica difícil não mencioná-los.

Hunter S. Thompson – Seu forte apreço pelo álcool lhe rendeu a fama de ter sido o fundador do jornalismo Gonzo, expressão que significa algo como “o último homem a permanecer em pé após muita bebida”, e como se isso não fosse o suficiente para colocá-lo com louvor nesta lista, ele até chegou, certa a vez, a dizer: “Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo.” Thompson conviveu com a cultura hippie, e utilizou várias drogas, como LSD e álcool – sua bebida favorita era o rum. Seu mais famoso livro, Medo e Delírio em Las Vegas, foi o resultado distorcido de uma matéria que ele ficara de fazer para uma revista sobre uma corrida, porém gastou o dinheiro da hospedagem em drogas e bebidas, e acabou escrevendo, em vez da matéria, um relato sobre seus dias de entorpecimento. Thompson suicidou-se em 2005, com um tiro de espingarda. Em 2011, estreiou o filme O Diário de um jornalista bêbado, com Johnny Depp, que é baseado em um livro de Thompson.

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Stephen King – O mais famoso escritor de terror contemporâneo, Stephen King diz não se lembrar muito bem de quando escreveu um de seus maiores clássicos, Cujo, pois andava mal por conta do uso excessivo de cocaína e álcool na época. Seu problema com alcoolismo é até refletido em sua mais célebre obra, O Iluminado, na qual Jack Torrance também mostra ter um problema com bebidas. Com a agravação do vício de King, sua família e seus amigos interviram e desde então ele esteve sóbrio.

Charles Baudelaire – Famoso por sua poesia ligada ao vinho e às drogas, Baudelaire escreveu Paraísos Artificiais, na qual narra sobre as experiências geradas pelo uso do haxixe, do ópio e do vinho. Inclusive, fez parte de um grupo chamado Clube dos Hashishins, que se reuniam, obviamente, para usar haxixe. Baudelaire narra, de forma lírica, em sua obra, diversas formas como o haxixe, o ópio e o vinho, mas principalmente o haxixe, que pode ampliar a percepção do artista, iluminando sua inteligência. Porém, no fim do livro, ele condena o uso de substâncias como auxílio à criatividade, dizendo: “Aquele que puder recorrer a um veneno para pensar, em breve não poderá mais pensar sem o veneno. É possível imaginar o terrível destino de um homem cuja imaginação paralisada não soubesse mais funcionar sem o recurso do haxixe ou do ópio?” (Paraísos Artificiais, p. 50)

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Edgar Allan Poe – Impossível deixar fora desta lista o célebre Edgar Allan Poe. O escritor passou por diversos dilemas sérios no decorrer de sua vida, e entre eles (ou talvez em decorrer deles) estavam a dependência do álcool e do ópio. Poe inclusive mostra, em alguns de seus contos como Berenice e Ligeia, protagonistas também dependentes do ópio. Além de álcool e ópio, o escritor também usava láudano, e foi isso que utilizou em sua tentativa de suicídio, em 15 de novembro de 1848, um ano antes de sua morte.

Thomas de Quincey – Sua autobiografia chama-se Confissões de um comedor de Ópio – o que deixa bem claro o porquê dele estar nesta lista. De Quincey usava Láudano, uma mistura de ópio e álcool que contém morfina e codeína. Quando estava sem se entorpecer, sua produção literária tendia a decair, o que demonstra a importância das drogas em sua vida. Baudelaire foi fortemente influenciado por de Quincey, e em Paraísos Artificais há diversas citações da biografia deste, seguidas de comentários de Baudelaire. De Quincey defende abertamente o uso do ópio em Confissões de um comedor de Ópio, ao contrário de Baudelaire, que acabou se mostrando contra o uso.

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Hemingway – Quando falam de Hemingway, muitos o associam facilmente à bebida. São diversas as frases de Hemingway relacionadas ao assunto, como:”Eu bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes”, e “Para conviver com os tolos, um homem inteligente precisa beber” Sua bebidas preferidas eram o absinto, o Mojito, que conheceu em Havana, e também uma versão especial de Daiquiri, que hoje inclusive é chamada de Special Hemingway. O escritor, que bebia excessivamente em decorrer de problemas como depressão, se suicidou em 1961.

Samuel Coleridge – Láudano e ópio também eram as drogas preferidas de Samuel Coleridge, o autor do poema A Balada do Velho Marinheiro (The Rime of the Ancient Mariner), um dos poemas épicos mais fortemente influenciado pelo uso de drogas já escrito. Coleridge pertencia ao mesmo círculo social de Quincey, que chegou a escrever um ensaio sobre Coleridge e seu uso excessivo de ópio – o ensaio chama-se Coleridge e o Ato de Comer Ópio (Coleridge And Opium-Eating).

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Jack Kerouac – Um dos maiores escritores da famosa geração Beat escreveu muito sob efeito de drogas. O amigo do escritor, Allen Ginsberg, comentou que o próprio Kerouac disse que sentia que conseguia escrever mais dessa forma. Muitos de seus romances, entre eles, o aclamado On the Road, foram escritos sob a influência de benzedrina, entre outras drogas. Kerouac também bebia muito, o que pode ser considerado o seu suicídio lento, uma vez que o escritor chegou a declarar que, por ser católico, não podia cometer suicídio, mas podia beber até a morte. E foi o que ele realmente fez: Kerouac sofreu uma hemorragia de varizes no esôfago, o que o levou a fazer 26 transfusões de sangue, e foi em virtude do alcoolismo que ele morreu, em 1969.

Aldous Huxley – O autor do famoso Admirável Mundo Novo considerava o LSD e outros alucinógenos como portais para percepções espirituais profundas, místicas. Ele escreveu a obra As Portas da Percepção, na qual descreve experiências com o uso de drogas como o ácido lisérgico, a mescalina, entre outras. Huxley disse, em uma entrevista à Paris Review, em 1960, que, indiretamente, o uso de tais substâncias pode ajudar no processo criativo, mas não de forma que alguém possa dizer “agora vou tomar um ácido para escrever um poema brilhante”, isso ele não acreditava que funcionasse.

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Bukowski – O próprio já dizia: “Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.” “Se algo ruim acontece, você bebe em uma tentativa de esquecer, se algo de bom acontece, você bebe para celebrar, e se não acontecer nada, você bebe para fazer algo acontecer ” Depois dessas, acho que o próprio Bukowski já explica com suas próprias palavras porque está nessa lista, certo? Em suas obras há muitas referências ao álcool, assim como à maconha, apesar do escritor ter dito ser contra o uso de drogas; ele gostava realmente era de beber, de beber muito, inclusive defende o uso do álcool abertamente, como se pode notar no vídeo abaixo, onde diz que se não fosse a bebida, provavelmente teria se matado:

Menções importantes:

Truman Capote

Ken Kesey

Robert Louis Stevenson

William S. Burroughs

Philip K. Dick

Sylvia Plath (alcoolismo)

Anne Sexton (alcoolismo e pílulas para dormir)

Lord Byron (alcoolismo)

E então, que tal a lista? Quais escritores você acha que faltam aqui? (Sim, concordo que realmente faltam muitos, mas por mais escritores que se acrescente, acho que ainda faltariam mais haha) Comente!

Obs.: lista inspirada livremente na matéria litreactor.com

Literatura acima das nuvens e outros links

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Sérgio Rodrigues, no Todo Prosa

A Qantas, companhia aérea australiana, lançou um curioso programa (em inglês, acesso gratuito) de encomenda de livros de ficção e não-ficção para serem distribuídos em seus voos. Os tamanhos são variados como as rotas, mas a ideia é que o volume seja sempre lido entre a decolagem e o pouso. No cálculo, levou-se em conta que o leitor médio dá conta de algo entre duzentas e trezentas palavras por minuto. Os nomes dos autores ainda não foram divulgados.

Por alguma razão, não consigo imaginar Gol ou Tam fazendo isso.

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Há um ingrediente adicional que torna mais eficaz o recurso ao pensamento esotérico. Para deixá-lo doutrinariamente inofensivo, para despojá-lo de todo perigo satânico, Coelho o combina com doses adequadas de cristianismo tradicional: citações da Bíblia, quadros do Sagrado Coração de Jesus, rezas do Pai Nosso… O público majoritário não se sente em pecado por ler heresias, e o narrador, ao mesmo tempo que se faz passar por alguém dotado de poderes paranormais (capaz inclusive de telepatia), deixa saber que é também um bom cristão, apesar de seus flertes com a magia.

Por que Paulo Coelho é tão ruim, na avaliação de Héctor Abad Faciolince (em espanhol).

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A escrita é uma porta pequena. Algumas fantasias, como peças grandes demais de mobília, não passam por ela.

O blog de Maria Popova traz uma intrigante seleção (em inglês) de anotações de Susan Sontag sobre o ato de escrever, colhidas em seus diários (publicados no livro As consciousness is harnessed to flesh).

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Esta reportagem de Jones Lopes da Silva no jornal gaúcho “Zero Hora”, sobre as seringas compartilhadas que dizimaram quase toda uma geração de jogadores do Gaúcho de Passo Fundo, paga – no conteúdo e na forma – parte daquela dívida que, dizem, a literatura brasileira tem com o futebol.

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Dan Brown, que acaba de voltar ao primeiro lugar nas listas de best-sellers com seu “Inferno”, tem um método peculiar (em inglês) para combater o bloqueio criativo: pendura-se de cabeça para baixo.

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A ideia não é nova, mas nunca ganhou a sustentação de argumentos tão detalhados (em inglês, acesso gratuito): Humbert Humbert, o narrador pedófilo de “Lolita”, de Vladimir Nabokov, era judeu?

 

Com Bolsa Família, alunos do Norte e NE têm aprovação maior que média

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Fernando Moraes/Folhapress

Foto: Fernando Moraes/Folhapress

Mariana Tokarnia, no UOL

Estudantes beneficiados pelo programa governamental Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média brasileira no ensino médio das escolas públicas. A taxa de aprovação desses alunos é de 82,3% no Norte e de 82,7% no Nordeste, enquanto a taxa brasileira é 75,2%.

Os números foram feitos com o cruzamento de dados de 2011 do MEC (Ministério da Educação) e do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e apresentados hoje (16) pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, no 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).

“Os mais pobres tiveram um desempenho melhor do que a média”, constata Tereza Campello. “Não só conseguimos garantir que essas crianças não saiam mais da escola, mas conseguimos garantir que elas consigam ir melhor na escola”.

Ela atribui o rendimento ao fato de que os estudantes beneficiados pelo programa não podem ter uma taxa de frequência inferior a 85%. Para os demais alunos, a taxa é 75%.

“Além disso, esses estudantes são superestimulados, as famílias entendem que é um ganho muito grande”, diz a ministra.

No Brasil, esses estudantes também se destacam.  A taxa de abandono escolar brasileira no ensino médio era de 10,8% em 2011, mas entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família, a taxa foi de 7,1%. A taxa de aprovação entre os beneficiados foi de 79,9% em comparação à taxa nacional de 75,2%.

Ensino fundamental pior

No ensino fundamental, estudantes beneficiados do Norte e Nordeste tiveram taxa de rendimento um pouco inferior à taxa nacional. No Norte, a taxa de aprovação dos beneficiados foi 84,4% em 2011 e  82% no Norte, em comparação à taxa nacional de 86,3%.

No Brasil, a taxa geral de aprovação dos beneficiados foi 83,9%. O abandono nacional nessa etapa do ensino foi 3,2%. Entre os beneficiados, também foi inferior, 2,9%.

A ministra também apresentou dados que mostram a maior presença dos 20% mais pobres da população brasileira no sistema de ensino. Em 2001, 17,3% dos jovens com 16 anos, que fazem parte desse grupo, tinham ensino fundamental completo. O número passou para 42,7%, em 2011. No Brasil, em 2001, 43,8% dos jovens nessa faixa etária tinham o ensino fundamental completo, e em 2011, 62,6%.

Entre os 20% mais pobres do país, os jovens de 15 a 17 anos na escola passaram de 71,1%, em 2001, para 81,1%. No Brasil, a porcentagem de jovens nessa faixa etária na escola passou de 81% para 83,7%. Entre os 20% mais pobres de 15 a 17 anos no ensino médio, – a idade adequada a essa etapa de ensino – a taxa passou de 13,6% para 35,9%. A variação nacional foi  37,4% para 51,7%.

“Houve uma melhora no fluxo escolar e são os mais pobres que estão puxando esses indicadores para cima”, constata Tereza.

 

Alunas escrevem carta para a rainha da Inglaterra e recebem resposta ‘real’

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Jovens escreveram uma carta para Elizabeth II durante a aula de inglês.
Carta de resposta da rainha chegou após seis meses em São Vicente, SP.

Bruna Sena e a professora Anna Bongiovanni fizeram parte do projeto (Foto: Mariane Rossi/G1)

Bruna Sena e a professora Anna Bongiovanni fizeram parte do projeto (Foto: Mariane Rossi/G1)

Mariane Rossi, no G1

Um grupo de estudantes de São Vicente, no litoral de São Paulo, recebeu uma carta com respostas exclusivas da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. A carta, que foi enviada pelas alunas como parte de um trabalho escolar, foi respondida tópico a tópico pela rainha, para surpresa das estudantes que imaginavam que, no máximo, receberiam uma resposta padrão.

A atividade, realizada em uma escola particular de São Vicente, foi proposta pela professora de inglês Anna Gongiovanni aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Os alunos deveriam escrever uma carta em inglês para alguma personalidade americana ou britânica. “A mídia divulgou demais o jubileu de diamante da rainha, que representa os 60 anos de reinado. Como ela estava na mídia, uma turma preferiu escrever para ela. Elas fizeram a carta. Eu não mexi na essência. Só corrigi a gramática”, conta.

Carolina Simões, Júlia Machado, Bruna de Araújo e Bruna Sena, todas de 14 anos, se juntaram para discutir o que desejavam escrever para a majestade. Em três aulas de inglês, elas montaram uma carta para a rainha Elizabeth. “A gente mandou um parabéns pelo jubileu. Também falamos que gostávamos da língua inglesa, que era um sonho nosso viajar para a Inglaterra e que a gente acompanhava muito a monarquia”, conta Bruna Sena.

As estudantes precisaram pesquisar palavras no dicionário e utilizar termos mais formais, tudo em inglês. Uma das alunas escreveu a carta à mão e, após algumas aulas, a carta estava pronta, de acordo com todos os protocolos exigidos pelo de Palácio de Buckingham. “Quando se escreve uma carta informal você usa expressões, contrações, uma linguagem simples, coisas que não são permitidas em uma linguagem formal. A carta tem que ser bem elaborada e elas fizeram isso com muita propriedade. A única coisa que eu fiz foi corrigir, mas eu deixei a ideia delas. E eu acrescentei uma coisa. Congratulei ela pelo jubileu de diamantes, dizendo que eu já havia viajado muitas vezes e que sempre gostei do Reino Unido”, explica a professora.

Carta da rainha Elisabeth enviada às estudantes de São Vicente, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)

Carta da rainha Elisabeth enviada às estudantes
de São Vicente, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)

A carta foi enviada em outubro do ano passado para a rainha Elizabeth. Depois do começo do ano, Anna e as alunas já tinham perdido as esperanças de receber uma resposta. Elas tinham ouvido falar que a rainha não respondia mais as cartas enviadas por fãs e, por isso, pensaram que o recado delas seria mais um entre outros do mundo inteiro que não teria resposta. “Alguns amigos meus tentaram e não conseguiram resposta. Eu perdi as esperanças. Eu registrei o recibo do correio e deixei na direção da escola, porque talvez as meninas pudessem me questionar um dia.”, explica Anna. Mas, no começo de abril deste ano, elas tiveram uma surpresa. Uma correspondência chegou no colégio, em São Vicente, com as iniciais da realeza inglesa.

A coordenadora mostrou a carta para a professora de inglês, que ficou bastante surpresa. “Quando eu vi o emblema da rainha, eu não acreditei. O dia inteiro eu dei aula sorrindo, porque geralmente eu sou muito séria em sala de aula, mas naquele dia eu não conseguia”, lembra Anna. As alunas também ficaram radiantes com a notícia. “A gente mandou, mas a gente não imaginava. Quando a professora falou da resposta foi uma surpresa muito grande”, conta Bruna.

Envelope da carta enviada pela Rainha Elisabeth (Foto: Mariane Rossi/G1)

Envelope da carta enviada pela Rainha Elisabeth
(Foto: Mariane Rossi/G1)

A carta veio endereçada com o nome do colégio, da professora e das alunas. A mensagem foi escrita pela assessora da rainha e falava que a majestade agradecia pelas congratulações pelo jubileu de diamante. Ela também agradecia pelas estudantes a terem escolhido durante o projeto de inglês e pelas coisas boas que escreveram a ela. Apesar da rainha não ter tempo para responder pessoalmente todas as cartas que recebe diariamente, ela ficou muito feliz em ouvir a mensagem das jovens, segundo a mensagem. “Eles têm circulares feitas. Sempre mandam circulares agradecendo. A nossa foi a assessora pessoal da rainha que mandou, respondendo tudo sobre o que nós falamos. Elas leram a carta e responderam para nós. Ela me agradece a gentileza e agradece as alunas. Foi muito legal. Foi uma coisa pessoal e por isso fiquei muito feliz, porque raramente isso acontece”, afirma. Além da carta com a resposta, a rainha também enviou um cartão com várias fotos, feitas durante o jubileu de diamantes.

A professora diz que sempre tenta incentivar os alunos de alguma forma, mas concede todo o mérito do resultado do trabalho às alunas que se dedicaram muito durante o projeto. Segundo ela, a turma sempre foi muito dedicada durante as aulas, tinham vontade de realizar a atividade e isso fez a diferença. Ela apenas lamenta não ter guardado uma cópia ou tirado uma foto da carta feita pelas alunas.

A resposta da rainha animou não só o grupo de meninas, mas todo o colégio. Agora, alguns alunos já vieram conversar com a professora sobre o projeto e estão empolgados para escrever cartas para outras personalidades. “O mais interessante agora é que todos os alunos querem escrever para o Barack Obama e para a NASA. Mas como isso é uma coisa séria não pode ser feito em cinco minutos”, finaliza a professora.

Confira a tradução da carta:

“A rainha gostaria de agradecer a sua carta e a mensagem de felicitação que você enviou para Sua Majestade pelo jubileu de diamante. A rainha achou muito gentil vocês escreverem para ela no projeto de inglês. Ela ficou muito apreciada pelo seus votos e as coisas boas que vocês disseram. Embora a rainha não tenha tempo para responder pessoalmente a todas as centenas de pessoas que escrevem para ela todos os dias, ela ficou muito feliz em receber a carta. Tenho que agradecer mais uma vez pelo cuidado que vocês tomaram com a carta, e eu espero que você entenda isso, porque Sua Majestade recebeu tantos cartões e cartas em seu jubileu de diamante, que não foi possível responder-lhe até agora”.

Cartão enviado em comemoração ao jubileu de diamantes da rainha Elizabeth (Foto: Mariane Rossi/G1)

Cartão enviado em comemoração ao jubileu de diamantes da rainha Elizabeth (Foto: Mariane Rossi/G1)

 

Autista adquire direito de estudar em Instituto Federal do ES

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Justiça decidiu em favor do jovem que reivindica cota para deficientes.
Eduardo fez o processo na ampla concorrência e obteve 170 pontos.

Eduardo fez o processo na ampla concorrência e obteve 170 pontos. (Foto: Fernando Estevão/ TV Gazeta)

Eduardo fez o processo na ampla concorrência e obteve 170 pontos. (Foto: Fernando Estevão/ TV Gazeta)

Amanda Monteiro e André Falcão, no G1

Eduardo Meneghel Barcellos da Costa, 15 anos, não deixou o autismo limitar sua vontade de estudar. No último dia 10, ele conseguiu uma liminar da Justiça Federal para que pudesse ingressar no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Ele participou do processo seletivo, fez prova para concorrer uma vaga no curso Agropecuária Integral, no campus de Alegre, mas como o instituto não dispõe de reserva de vaga nem outro meio de inclusão para pessoas com deficiência previsto no edital, Eduardo fez o processo na ampla concorrência e obteve 170 pontos, ficando como suplente. Com esse resultado, o pai de Eduardo decidiu buscar meios legais para garantir ao filho a entrada no Ifes.

1Eduardo conta que, quando soube da pontuação, pensou em desistir. “Fiquei desanimado. Mas quando meu pai falou que a gente ia lutar por isso, eu me animei. Como demorou muito, eu não estava achando que a gente ia conseguir. Mas a gente conseguiu. Agora estou ansioso para estudar”, conta.

Para o pai de Eduardo, o professor Maurice Barcellos da Costa, ele teve desvantagem em relação aos demais candidatos diante da deficiência que apresenta, embora tenha tido um resultado bastante satisfatório para a sua condição, considerando que o primeiro aprovado fez 310 pontos e a última aprovada fez 220 pontos. “Candidatos cotistas foram aprovados uns com 110 pontos, outros com 140 pontos. Ou seja, se tivesse acesso privilegiado de acordo com suas peculiaridades, o Eduardo certamente seria aprovado”, diz o pai.

Maurice fez um requerimento administrativo ao Ifes, expondo os motivos com embasamento legal pedindo que fosse adotada medidas para que Eduardo fosse matriculado, mas o instituto negou. “Com a negativa do Ifes, entramos de imediato no Ministério Público Federal, que fez uma recomendação ao Ifes para providenciar a matrícula do Eduardo. O Ifes também negou essa recomendação, alegando que cumpriu o edital. Recorremos à Justiça, ajuizamos ação, a Justiça Federal fez toda análise do processo e novamente o MPF opinou, recomendando à Justiça que determinasse ao Ifes a criação da vaga. No dia 10 de abril saiu a decisão do juiz com a liminar garantindo a matricula do Eduardo”, conta o pai.

O desejo de Maurice é que o caso de Eduardo seja exemplo para todas as pessoas com limitações e também um incentivo para que as instituições busquem medidas inclusivas. “Estaremos sempre dispostos a participar com mais pessoas, com quem está nessa luta e tem alguma dificuldade de aceso à informação, alguma dificuldade de condições de mover ação semelhante, que tenha isso como exemplo. E também que as instituições se preparem melhor e venham dar essas condições para as pessoas com deficiência, sem que para isso seja preciso luta na Justiça. A legislação vigente já dá embasamento para a inclusão”, afirma.

A gente conseguiu. Agora estou ansioso para estudar”
Eduardo Meneghel, estudante

O reitor do Ifes, Denio Rebelo, informou que a procuradoria jurídica do instituto está estudando o caso, mas afirmou que a decisão judicial será cumprida. Denio afirma que ainda não existe ainda uma política pública já definida de forma legal em relação a pessoas com algum tipo de necessidade especial. “Não temos isso previsto no edital. Mas temos alunos cegos, surdos e cadeirantes, várias pessoas com deficiência que fizeram o processo seletivo da nossa instituição na ampla concorrência e são alunos regulares”, disse.

As aulas do curso começaram e fevereiro, mas a Justiça também determinou que Eduardo tenha a reposição de todas as aulas. O pai afirma que vai tentar permanecer com o filho durante um período de adaptação, em Alegre. Eduardo agora conta os dias para começar a estudar. “Meu pai me ajuda pra caramba, estou devendo muito para ele. É um exemplo para todo mundo”, diz.

Outro lado

O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) esclarece que o aluno Eduardo Meneghel Barcellos da Costa não foi aprovado para a seleção de que participou. Ele concorreu a uma vaga de Ampla Concorrência do curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio do campus de Alegre, mas ficou como suplente.

O Instituto informa ainda que o processo seletivo é regido por um edital – que determina os critérios da seleção – e a instituição precisa atender às normas descritas neste documento. Não há, por parte da legislação vigente em âmbito federal, uma política de cotas para pessoas com necessidades específicas.

A decisão judicial recebida pelo Instituto Federal do Espírito Santo no dia 12 de abril fixa prazo de dez dias para que “a instituição adote todas as providências para intimar o autor e orientá-lo sobre os procedimentos a serem adotados para início das aulas, de tal forma que, no máximo a partir do 11º dia o autor já possa frequentar as aulas”. A Procuradoria Jurídica do Ifes deu início à análise do processo no dia 15 de abril, primeiro dia útil após o recebimento.

Decisão da Justiça. (Foto: Fernando Estevão/ TV Gazeta)

Decisão da Justiça. (Foto: Fernando Estevão/ TV Gazeta)

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