Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged democracia

Formação política para todas as idades

0

escola-eleicao-democracia

Publicado em Nova Escola

Democracia, ditadura, questões de gênero e de classes seriam assuntos muito complexos para os pequenos? A “Coleção Boitatá” chega às livrarias para dizer que nunca é cedo para começar a discutir esses temas. Quem conta um pouco mais sobre os livros é o editor-assistente de NOVA ESCOLA Wellington Soares. Confira a seguir!

“Muita gente acredita (e eu também) que uma das funções da Educação é formar politicamente os alunos. Para mim, isso significa preparar as crianças, os jovens e os adultos para que possam compreender o funcionamento da sociedade e participar ativamente dela, principalmente para defender a existência e a manutenção de uma forma de organização que seja justa para todos. Em épocas como as que vivemos agora – cheias de tensão política – isso se mostra cada vez mais importante. Mas como aplicar esses princípios em sala de aula?

Algumas obras podem ajudar no trabalho. Um dos meus livros teóricos favoritos é “Pedagogia do Oprimido” (Paulo Freire, 256 págs., Ed. Paz e Terra, tel. 11/ 3286 0802, 35 reais), um clássico em que o autor discute a importância da Educação para garantir que as classes populares compreendam as injustiças da sociedade e lute contra elas.

Mas há outras obras mais fáceis de digerir que podem ser uma boa pedida para abordar com os alunos: “Quando eu voltei, tive uma surpresa” (Joel Rufino dos Santos, 140 págs., Ed. Rocco, tel. 21/3525-2000, 59,50 reais), que reúne cartas do autor enviadas ao filho enquanto esteve preso durante a ditadura militar, e a coleção de pôsteres do mesmo período presentes no livro “Os Cartazes Desta História” (Vladimir Sacchetta, Ricardo Carvalho, José Luiz del Roio/orgs., 254 págs., Ed. Escrituras/Instituto Vladimir Herzog, tel. 11/5904-4499, 90 reais) dão bons subsídios para discutir conceitos como repressão, ditadura, democracia, censura, entre outros, com os estudantes.

Para as crianças mais novas, a quantidade de bibliografia disponível é menor. “Pais e educadores têm muita dificuldade em encontrar material de apoio adequado para introduzir esse tipo de conversa”, conta Thaisa Burani, editora da coleção Boitatá, lançada pela Boitempo no início de dezembro.

Já foram publicas duas obras: “A Democracia Pode Ser Assim” (Equipo Plantel e Marta Pina/ilust., 52 págs., Ed. Boitempo, 11/3875-7285, 42 reais) e “A Ditadura é Assim” (Equipo Plantel, Mikel Casal/ilust., 52 págs., Ed. Boitempo, 11/3875-7285, 42 reais). Ainda serão publicadas outras duas: “As Mulheres” e os “Homens e Existem Classes Sociais”.

Os quatro livros foram originalmente publicados na Catalunha, na Espanha, durante a transição entre os governos do general Francisco Franco (1892 – 1975) e o retorno à democracia. Para adequá-los à realidade brasileira, as obras foram traduzidas e receberam algumas adaptações. “No caso de ‘Ditadura é Assim’, o ilustrador, que é basco, gentilmente topou incluir dois ditadores brasileiros. Não constava nenhum na edição original, e tanto nós quanto ele concordávamos que isso seria importante para os leitores daqui”, exemplifica a editora. Os textos abordam os temas – tão difíceis – de uma maneira divertida e próxima dos pequenos. Veja abaixo dois exemplos de como eles tentam explicar os conceitos de democracia e ditadura para a garotada.”

img7

DEMOCRACIA:
“(…) para ser democrata,
é preciso ser tolerante, igualitário, justo.
É preciso saber ganhar e saber perder.”

 

 

 

img9

DITADURA:
“Todo mundo obedece ao ditador só porque tem medo dele.
E quem não obedece nem tem medo é castigado.”

 

Livro para ensinar política para crianças de 5 a 7 anos consegue financiamento coletivo

0

1

Brunella Nunes, no Hypeness

Desde que somos apenas um brotinho, nossos pais já têm mil planos e ambições para nós. Acontece que pai e mãe, na prática, não decide nada por ninguém, mesmo que as crianças cresçam sem noção alguma sobre poder e liberdade de escolha. Pensando nisso, o grupo do Laboratório Hacker vai criar um livro infantil focado em política, o “Quem Manda Aqui?”, primeiro volume de uma série de livros com o tema.

O livro, voltado para crianças de 5 a 7 anos, vai traduzir em imagens e poucas palavras conceitos como Monarquia, Ditadura, Democracia, Desígnio Divino e Meritocracia, além de falar sobre formas de decisão como Voto e Consenso. Segundo um dos idealizadores do projeto, Pedro Markun, o livro colaborativo terá ainda a participação das próprias crianças para ser elaborado.

Serão quatro oficinas em diferentes regiões de São Paulo dedicadas a ideias de pais e filhos que participarão como autores. Na obra, personagens e situações serão representados em linguagens visuais como colagem, pintura, desenho, material utilizado posteriormente na produção editorial.

1

Entre os outros projetos bacanas já realizados por eles, Pedro citou alguns para o Hypeness: “faz um tempo que a gente vem explorando atividades para o público infantil que tentem explicar ou provocar uma reflexão política. A oficina de ‘Como fazer um projeto de lei?’ transforma as crianças em legisladores e coloca elas para pensar em soluções para problemas da cidade – que a gente escreve em forma de lei e encaminha para a Câmara Municipal”.

E por quê escolher as crianças? Pedro contou que os adultos têm dificuldades para visualizar soluções criativas, presos na realidade. “As crianças não têm essa limitação e são sempre capazes de imaginar outros futuros possíveis”, pontuou.

O projeto do livro arrecadou R$ 12.987 via financiamento coletivo, valor dedicado totalmente à causa e aos seus colaboradores, profissionais que serão remunerados. A obra infantil será publicada com Licença Livre (CC-BY) e ficará disponível gratuitamente para download.

1

1

1

O trabalho do Laboratório Hacker é composto por um grupo de hackers, ativistas, desenvolvedores, advogados, palhaços e acadêmicos que buscam novas maneiras de fazer política a partir das tecnologias digitais. O espaço esta aberto das 14h as 20hs para quem quiser aparecer, na rua Alfredo Maia, 506 – próximo ao metrô Armênia.

1

1

2

3

*Fotos cedidas gentilmente pela equipe Laboratório Hacker

Agradecimentos: Pedro Markun, Larissa Ribeiro e Raul Duarte

Professora afastada de colégio militar por discordar de livro didático ganha na Justiça direito de dar aulas

0

Felipe Bächtold na Folha de S. Paulo

Uma professora de história do Colégio Militar de Porto Alegre conseguiu na Justiça Federal o direito de retomar suas funções na escola após ser afastada por discordar do uso em sala de aula de um livro didático pró ditadura.

Silvana Schuler Pineda, 50, se recusou a adotar em classe obras da “Coleção Marechal Trompowsky”, em que são omitidas, diz ela, violações aos direitos humanos, assassinatos e tortura promovidas pelas Forças Armadas durante o regime militar (1964-1985).

A professora, que integra o quadro de servidores civis da instituição, foi retirada em abril das aulas do nono ano e realocada em um curso preparatório, de frequência opcional, e também em tarefas de planejamento.

Antes disso, ela diz ter feito críticas ao livro em uma reunião de professores, na qual mencionou que a Associação Nacional de História contesta o uso da obra nas escolas. Na ocasião, também pediu que a direção confeccionasse um documento reafirmando por escrito a obrigatoriedade do uso do livro didático em sala de aula.

“Passei a sofrer pressão: ou eu voltava atrás ou seria punida”, diz a professora.

Os livros da série são editados pela Biblioteca do Exército. Segundo Silvana, o golpe de 1964 é explicado como necessário para resguardar a democracia no país diante do avanço do comunismo no governo de João Goulart.

“É um colégio militar, mas não posso deixar do lado de fora meus direitos e cidadania quando entro para trabalhar”, diz ela.

A professora também vê no afastamento uma retaliação por sua atuação em uma associação de servidores civis e afirma ainda que não é a única na escola a criticar a obra.

A decisão que determinou a volta ao trabalho original foi tomada no início do mês, mas ela só reassumirá as aulas após o fim do recesso escolar de julho.

(mais…)

Go to Top