Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged depressão

O doutorado é prejudicial à saúde mental

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Estudantes da Universidade de Barcelona estudam na biblioteca do edifício histórico da instituição. ALBERT GARCIA

Estudo diz que doutorandos são seis vezes mais propensos a desenvolverem ansiedade ou depressão

Pablo Barrecheguren, no El País

Nos últimos anos foram publicadas diversas pesquisas que alertam sobre o estado de saúde mental dos alunos de doutorado. Um exemplo recente é o trabalho que acaba de sair na Nature Biotechnology, apontando que os doutorandos são seis vezes mais propensos a desenvolverem ansiedade e depressão em comparação com a população geral. Segundo esse trabalho, dirigido pelo pesquisador Nathan Vanderford, da Universidade de Kentucky (EUA), isto significa que 39% dos candidatos a doutor sofrem de depressão moderada ou severa, frente a 6% da população geral.

Poderíamos pensar que esses resultados se devem a cortes nas condições de trabalho, ou que sejam algo intrínseco a empregos altamente competitivos, sejam ou não doutorados; entretanto, outro estudo, este realizado pela Universidade de Gent (Flandres, Bélgica), conclui que os doutorandos, em comparação com outros grupos profissionais com alta formação, sofrem com maior frequência sintomas de deterioração na sua saúde mental. “Esta é uma publicação muito importante, porque progressivamente estamos compreendendo que existem problemas de saúde mental entre os doutorandos, e estudos como este nos ajudam a entender melhor suas causas”, afirma Vanderford.

Para aprofundar esse tema, Katia Levecque, pesquisadora da Universidade de Gent e primeira autora do estudo belga, reuniu uma amostra de 3.659 doutorandos de universidades flamengas, que seguem um programa muito similar ao do resto da Europa e Estados Unidos, e quantificou a frequência com que os alunos afirmaram ter experimentado nas últimas semanas algum entre 12 sinais associados ao estresse e, potencialmente, a problemas psiquiátricos (especialmente a depressão). Entre essas características estão sentir-se infeliz ou deprimido, sob pressão constante, perda de autoconfiança ou insônia devido às preocupações.

Os resultados foram que 41% dos doutorandos se sentiam sob pressão constante, 30% deprimidos ou infelizes, e 16% se sentiam inúteis. Além disso, metade deles relatavam conviver com pelo menos 2 dos 12 sinais avaliados no teste.

“Fomos os primeiros a estudar os doutorandos como um grupo à parte, usando um tamanho de amostra adequado e comparando-os com outros grupos de população altamente formados”, enfatiza Levecque. Os resultados mais chamativos desse estudo aparecem quando se comparam pessoas fazendo uma tese doutoral com outras populações (um grupo de população geral, outro de trabalhadores e um de estudantes), todas elas com um alto nível educativo (de alunos da graduação universitária a doutorados): em todos os casos, o grupo de pessoas que estavam fazendo doutorado tinha com muito mais frequência sinais de deterioração em sua saúde mental, chegando por exemplo a que 32% dos doutorandos relatassem pelo menos 4 dos 12 sintomas, frente aos 12%-15% das pessoas dos grupos controle.

O estudo também examina se entre os doutorandos existem condições que aumentem as possibilidades de ter ou desenvolver um problema psiquiátrico. Levecque conclui, por exemplo, que o desenvolvimento desses sintomas é independente da disciplina do doutorado, sejam ciências, ciências sociais, humanidades, ciências aplicadas ou ciências biomédicas. Não ocorre o mesmo quanto ao gênero, já que as mulheres que fazem doutorado têm 27% mais possibilidades de sofrerem problemas psiquiátricos que os homens.

Outro fator que pode influir na saúde do estudante, nesse caso tanto negativa quanto positivamente, é o tipo de orientador: a saúde mental dos doutorandos era melhor do que o normal quando tinham um mentor cuja liderança lhes inspirava. Pelo contrário, outros estilos de liderança eram neutras, ou no caso dos orientadores que se abstinham de dirigir ou guiar o doutorando — um tipo de liderança laissez-faire — seus orientandos tinham 8% mais chances de desenvolverem sofrimento psicológico. “Mas, além do estilo de liderança, há outros fatores importantes, como o nível de pressão no ambiente profissional, o próprio controle sobre o ritmo de trabalho ou quando fazer pausas, que também estão relacionadas com o orientador. Por isso o orientador é relevante tanto direta como indiretamente para a saúde mental dos doutorandos”, detalha a pesquisadora.

A conciliação familiar é outro tema importante, já que quem tem uma situação conflitiva entre sua família e o trabalho fica 52% mais propenso a desenvolver um problema psiquiátrico. E o mesmo ocorre com a carga de trabalho, que pode chegar a aumentar em 65% a aparição de distúrbios psiquiátricos.

Todo esse trabalho feito pela Universidade de Gante deixa claro que mesmo em países como a Bélgica, onde as condições econômicas são favoráveis, o desenvolvimento do doutorado expõe os alunos a situações tóxicas para sua saúde mental, acima do que é habitual em outros ambientes similares. Sobre isto, Levecque enfatiza o valor de melhorar a assistência em saúde mental aos doutorandos, já que eles são um dos pilares da produção científico-tecnológica em nível mundial; e dá três conselhos básicos: “Em primeiro lugar, forme-se e dedique tempo a conhecer sua própria saúde… e a de outras pessoas. Em segundo lugar, fale de um modo explícito sobre a saúde mental. E finalmente, no nível das organizações, estas deveriam se preocupar com o bem-estar dos seus empregados tanto por razões humanitárias como financeiras: o bem-estar do funcionário e sua eficácia trabalhista estão altamente correlacionados”.

Aumento de transtornos mentais entre jovens preocupa universidades

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Alunas de Medicina, Karen e Anna participam de grupo que fez ciclo de palestras para tratar de saúde mental Foto: Alex Silva/Estadão

Alunas de Medicina, Karen e Anna participam de grupo que fez ciclo de palestras para tratar de saúde mental Foto: Alex Silva/Estadão

 

Casos frequentes de alunos com ansiedade e depressão têm levado instituições públicas a criar núcleos de prevenção e atendimento psicológico; estudantes também organizam grupos de apoio nas redes sociais para compartilhar relatos e oferecer ajuda

Fabiana Cambricoli e Luiz Fernando Toledo, no Estadão

A euforia sentida por Evair Canella, de 25 anos, ao entrar em Medicina na Universidade de São Paulo (USP) se transformou em angústia e tristeza. Ao encarar a pressão por boas notas, a extenuante carga horária de aulas, as dificuldades financeiras para se manter no curso e os comentários preconceituosos por ser gay, ele foi definhando. “Tinha muitas responsabilidades, com muitas horas de estudo.” Em maio, no 4.º ano do curso, foi internado no Instituto de Psiquiatria da USP, com depressão grave. Ficou lá durante um mês e segue com antidepressivos e acompanhamento psicológico.

Situação parecida viveu a estudante de Engenharia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bárbara (nome fictício), de 21 anos, que trancou a matrícula após desenvolver um quadro de ansiedade e depressão que a levou à automutilação e a uma tentativa de suicídio no fim de 2016. Ela passou por tratamento, mudou de cidade e de faculdade, e retomou em agosto os estudos.

Relatos como esses se tornaram cada vez mais frequentes e mobilizam universidades e movimentos estudantis a estruturar grupos de prevenção e combate aos transtornos mentais. As ações, para oferecer ajuda ou prevenir problemas como depressão e suicídio, incluem a criação de núcleos de atendimento mental, palestras e até o acompanhamento de páginas dos alunos nas redes sociais.

Dados obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação dão uma ideia da gravidade do problema. Apenas na UFSCar, foram 22 tentativas de suicídio nos últimos cinco anos. Nas universidades federais de São Paulo (Unifesp) e do ABC (UFABC), cinco estudantes concretizaram o ato no mesmo período. Mapeamento feito pela UFABC mostrou que 11% de seus alunos que trancaram a matrícula em 2016 o fizeram por problemas psicológicos.

A falta de compreensão de parte dos docentes é uma das principais queixas. “Alguns parecem ter orgulho em pressionar, reprovar”, conta Bárbara.

O psicólogo André Luís Masieiro, do Departamento de Atenção à Saúde da UFSCar, diz que a busca por auxílio psicológico está frequentemente ligada à exigência constante que se faz dos jovens. “Sem dúvidas há um aumento do fenômeno da depressão em universitários. A ameaça do desemprego e do fracasso profissional são fatores desencadeantes de depressão.”

A UFSCar informou ainda que, entre outras iniciativas, distribuiu cartilha de práticas de acolhimento em saúde mental para docentes e funcionários que recebem alunos em situação de sofrimento psicológico.
Aproximação

Para combater o problema, instituições tentam, aos poucos, se aproximar dos alunos. Na Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, são estratégias a indicação de professor mentor para quem teve mudança repentina no rendimento acadêmico e a participação de grupos estudantis nas redes sociais.

Na Federal de Minas Gerais (UFMG), foram criados neste ano dois núcleos de saúde mental, após dois suicídios entre alunos. Até então, só a Medicina tinha atendimento do tipo. “Se um fato já aconteceu, é sinal de que falhamos no processo”, diz a vice-reitora Sandra Almeida.

Já a Federal da Bahia (UFBA) criou, também em 2017, programa para prevenir e ajudar alunos, principalmente os de baixa renda. “Os cotistas sofreram rejeição, até mesmo de alguns professores”, diz o psicanalista e assessor da UFBA Marcelo Veras.
Mobilização

Alunos também têm criado grupos para auxiliar colegas e sensibilizar as instituições. A principal iniciativa do tipo foi a Frente Universitária de Saúde Mental, criada em abril por alunos de instituições públicas e privadas de São Paulo.

O movimento surgiu após tentativas de suicídio na Medicina da USP. “Eram muitos alunos com esgotamento, sem acompanhamento adequado, e percebemos que isso não era particularidade da Medicina”, conta a aluna do curso Karen Maria Terra, de 23 anos, integrante da Frente. Eles organizaram, em junho, uma semana de palestras para abordar questões sobre a saúde mental. A página do grupo no Facebook tem 27 mil seguidores.

“Eu vejo meus colegas surtando, e a gente fala pouco sobre isso. A criação da Frente nos mostra que não estamos sozinhos”, comenta Anna Campos Teotonio, aluna de Medicina da Santa Casa.

Alunos da Veterinária da USP também criaram uma página no Facebook para desabafar. “Com o tempo, começaram a aparecer relatos de problemas de saúde e, este ano, o que mais tem é depressão e ansiedade”, diz Bianca Cestaro, de 30 anos. (Colaborou Isabela Palhares)

Autora de Harry Potter faz post motivador e fala o que acha dos brasileiros

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j k rowling

J.K. Rowling é ou não é uma diva?

Publicado no Adoro Cinema

Os livros de Harry Potter chegaram ao fim e Animais Fantásticos e Onde Habitam (trilogia baseada no livro didático usado em Hogwarts) ainda nem estreou, mas J.K. Rowling não para de surpreender seus fãs.

Recentemente, a autora de Harry Potter voltou a responder seus leitores no Twitter e mostrou, mais uma vez, que é humilde e uma pessoa digna de ser admirada.

Todo mundo que já passou por uma situação complicada, sabe como é difícil seguir em frente. Na última segunda-feira, um fã angustiado escreveu para J.K. Rowling, esperando, provavelmente, ser ignorado.

“Pode ser que isso se perca no limbo… mas o que você diria a alguém que não conseguiu encontrar significado e quer finalmente desistir?”. Ao contrário do que muitos podem ter pensado, Rowling tirou um tempo para dar atenção a uma pessoa necessitada e ofereceu conforto, enviando algumas imagens inspiradoras:

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“Eu diria: olhe para isso, e isso, e até mesmo para isso”, escreveu a escritora, e continuou:

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“E eu diria, o mundo é cheio de coisas maravilhosas que você ainda não viu. Não desista da chance de vê-los”.

Ela é ou não é uma diva? Rowling já havia falado abertamente sobre sua própria batalha com a depressão, que foi particularmente ruim quando tinha vinte anos, era uma mãe solteira vivendo na pobreza e tentando fazer com que Harry Potter fosse publicado.

Além de oferecer consolo para este e para muitos outros fãs na mesma situação, a criadora de Harry ainda respondeu a mais uma mensagem:

“Eu sei que você recebe toneladas de tweets, mas uma pergunta rápida: por que você tem tantos brasileiros gritando coisas aleatórias para você?”.

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Ao que Rowling, respondeu: “Porque brasileiros são maravilhosos”.

Quem aí ficou emocionado? Depois dessa, só falta a autora aparecer por aqui na nossa terrinha, né? Vem, J.K., estamos te esperando!

 

Depressão tira 1.210 professores de sala da rede estadual do Rio

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O professor Claudio Menezes Maia, que leciona a disciplina de Lingua Portuguesa, passou por um longo período de depressão em 2014 - Ana Branco / Agência O Globo

O professor Claudio Menezes Maia, que leciona a disciplina de Lingua Portuguesa, passou por um longo período de depressão em 2014 – Ana Branco / Agência O Globo

Afastamento por motivos psiquiátricos foi a segunda maior causa

Lauro Neto, em O Globo

RIO – Só quem já passou por um processo depressivo entende o que se sente. E se é difícil compreender, mais complicado ainda é ensinar. Mais de 1.200 professores da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro ficaram licenciados por depressão ou transtornos mentais em 2014. O número corresponde a 12,5% dos 9.680 mil docentes que tiraram licença médica no ano passado. O afastamento por motivos psiquiátricos é a segunda maior causa, perdendo apenas para os 33% por problemas ósseos e fraturas. Recentemente, a revista norte-americana “Child Development” publicou um estudo feito pelas universidades da Flórida e do Arizona que mostra como o processo depressivo dos professores também atrapalha o aprendizado dos alunos. Os pesquisadores analisaram 27 professores e seus 523 alunos da 3ª série do ensino fundamental, usando gravações de vídeo em sala e observadores treinados para avaliar a qualidade do ambiente da aula.

Os alunos mais vulneráveis aos efeitos negativos da depressão de seus professores eram aqueles que já estavam com dificuldades em matemática, o que sugere que as crianças com necessidade de melhorar tinham menos probabilidade de fazê-lo quando estavam em salas de aula com docentes deprimidos. Estudantes com desempenho ruim na mesma disciplina tinha maior evolução quando ensinados por educadores sem transtornos psiquiátricos.

A professora de língua portuguesa Elizabeth da Silveira sofreu com isso em 2012, quando tirou cinco meses de licença por depressão. Ela dava aulas no ensino fundamental de uma escola estadual em Nova Iguaçu. Segundo Elizabeth, o colégio não tinha inspetores nem funcionários suficientes para conter a indisciplina dos alunos.

— Era uma escola muito complicada: turmas muito cheias, faltava água sempre, e eu não podia liberar alunos mais cedo. Trabalhávamos em condições precárias. Comecei a me deprimir e não queria mais trabalhar. Era impossível dar aula. Já estava afetando bastante o conteúdo. Tinha medo de chegar ao portão da escola. Faltei uma semana direto. Vendo que estava em depressão, procurei um psiquiatra própria e entrei de licença. O governo não me ajudou em nada — diz ela.

Após a licença, ela mudou de escola. Segue com acompanhamento psiquiátrico e psicológico, mas diz que hoje se sente melhor:

— Tenho a mesma quantidade de alunos, mas consigo fazer um bom trabalho. Meus alunos hoje aprendem mais.

De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), desde 2011 existe a Assessoria Técnica de Saúde e Bem-Estar para desenvolver ações com foco na melhoria das condições de trabalho, em três eixos: saúde no trabalho, segurança no trabalho e qualidade de vida no ambiente de trabalho. A secretaria diz também manter uma equipe de Saúde e Bem-Estar com 30 representantes lotados na sede e nas diretorias regionais, sendo composta por docentes e servidores com formação, na sua maioria, em Serviço Social e Psicologia.

Coordenadora do Sindicato de Profissionais da Educação do do Rio (Sepe-RJ), Beatriz Lugão diz que o número e apoio são insuficientes.

— Não é uma equipe de 30 pessoas que vai resolver esse problema numa rede de 70 mil professores. Já entramos no ano ouvindo que não vai ter merenda, verba para material e xerox. Tudo isso vai limando o dia a dia do magistério. Vai ter muita licença médica por causa disso esse ano. Antes era mais por doenças de esforço repetitivo e nas cordas vocais. Agora, foi ultrapassado por problemas psiquiátricos. — relata Beatriz.

Antoine Lousao, subsecretário de Gestão de Pessoas da Seeduc, diz que o número de profissionais é o permitido pela legislação.

— O projeto de lei que criou esse programa previa pouco mais de 40 profissionais com esse tipo de especialização. Em cada regional, que concentra cerca de 80 escolas, há um psicólogo e um assistente social. Eles fazem projetos nas unidades escolares para dar maior capilaridade. Temos programas preventivos sobre saúde mental, com vídeos institucionais e orientações da rede com um manual de cidadania — explica Lousao.

Segundo os pesquisadores Leigh McLean e Carol Connor, responsáveis pelo estudo publicado na “Child Development, “ensinar é uma das profissões mais estressantes”.

— Uma das consequências preocupantes de estresse ocupacional é que ele pode contribuir para taxas elevadas de sintomas de depressão. Nosso estudo revela algumas das implicações negativas das taxas mais elevadas de sintomas depressivos que afetam também os alunos desses professores. O estudo destaca a necessidade de sistemas de apoio à saúde mental para os educadores, não só para benefício deles, mas também dos estudantes— observa McLean.

APOIO PROFISSIONAL E PLANO DE SAÚDE

Os autores da pesquisa sugerem que as escolas envolvam profissionais de saúde mental para ajudar os professores a lidar com a depressão. Eles também dizem que seriam benéficos programas de desenvolvimento profissional que ajudassem os docentes a aprender como lidar com situações adversas e estressantes na sala de aula, além de fornecer plano de saúde que cubra apoio à saúde mental.

O professor de língua portuguesa Cláudio Menezes Maia precisou tirar licença médica durante dois meses no ano passado. Ele entrou em depressão depois de uma série de episódios traumáticos. O primeiro foi quando sua mulher sofreu um aborto espontâneo. Depois, seu melhor amigo foi assassinado num ônibus quando voltava para casa da mesma escola em que dava aulas de educação física.

— Também tivemos um aluno que se suicidou porque era gay, a família era evangélica e não aceitava. Quando repensei a violência, comecei a cair mesmo. A fome, a precariedade de moradia, a falta de família violavam os direitos deles. E eu não tinha condições de fazer nada. Em determinados momentos, olhava que estávamos formando novos bandidos, como o que matou o meu amigo. Um dia, um aluno foi suspenso por dois dias, e o pai falou na frente de todo mundo da escola: “bem-feito, porque você vai ficar dois dias sem comer”. Saí de sala e chorei.

O professor diz que o apoio da equipe de Saúde e Bem-Estar foi fundamental para a sua recuperação. Eles sugeriram um tratamento psiquiátrico e uma licença de 30 dias. Este ano, ele voltou a dar aulas com todo gás. Sua mulher, Aline, professora da mesma escola, está grávida de oito meses de um menino que se chamará Marcos.

12 adaptações literárias estreladas por Robin Williams

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Augusto Assis, no Cabine Literária

No último dia 11, o cinema perdeu um de seus maiores atros. Robin Williams tinha 63 anos e sofria de depressão, o que o levou a cometer suicídio. Em homenagem à sua brilhante carreira, separamos alguns de seus trabalhos que foram adaptações de obras literárias. Robin Williams incorporou muitos personagens da literatura, de comédias a livros cult.

Imagem: Reprodução / Patch Adams.

Imagem: Reprodução / Patch Adams.

1 – Popeye
A começar pelo filme do Popeye (1980) que era originalmente um personagem dos quadrinhos Thimble Theatre, apesar de ser mais conhecido pelo cartoon. Robin Willians interpretava o próprio marinheiro na comédia musical.

2 – Tempo de Despertar
O drama Tempos de Despertar (1990) trata sobre um hospital psiquiátrico onde todos os pacientes estão “adormecidos”. O doutor Malcolm Sayer, interpretado por Robin Williams, consegue o emprego para cuidar desses pacientes e acredita que pode reanimá-los. O filme é baseado na obra de mesmo nome do autor Oliver Sacks.

3 – Teatro dos Contos de Fada: Princesa e o Sapo
A série, exibida no Brasil pela TV Cultura, fez parte da infância da geração de 1990. Cada episódio era dedicado a um clássico da literatura infantil e, logo na primeira temporada, tivemos a história da princesa e seu príncipe sapo, cuja atuação do príncipe foi feita por Robin Williams

4 – Sociedade dos Poetas Mortos
Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.

5 – O Pescador de Ilusões
O filme de 1991 é uma comédia dramática sobre um radialista que desilude um ouvinte sobre uma mulher que ele conheceu em um bar. O ouvinte, por sua vez, vai até esse bar e mata seis pessoas. Após isso o radialista larga a carreira e se torna alcoólatra. Anos depois, ele conhece um mendigo que teve sua esposa assassinada no mesmo bar no mesmo dia e enlouqueceu após isso. Robin assume o papel do mendigo nesse longa baseado no livro de Anthony Powell.

6 – Hook – A Volta do Capitão Gancho
Aos quarenta anos Peter Banning (Robin Williams), que um dia já foi Peter Pan, é um homem tão envolvido com o trabalho que deixou de dar atenção à família e esqueceu a sua origem. Mas o Capitão Gancho (Dustin Hoffman) seqüestra seus filhos, obrigando-o a retornar a Terra do Nunca.

7 – Uma Babá Quase Perfeita
Daniel Hillard (Robin Williams), um homem separado, se disfarça de mulher e vai trabalhar como babá de seus filhos, se utilizando do nome de Sra. Euphegenia Doubtfire, com a intenção de participar mais intensamente na vida deles. Uma das comédias mais queridas do ator foi baseada num livro (sabia disso? pois é) com o mesmo nome pela autora Anne Fine.

8 – Jumanji
Jumanji é um filme americano de 1995 baseado no livro de mesmo nome, um livro infantil de 1982 escrito e ilustrado por Chris Van Allsburg. A história descreve um jogo de tabuleiro com temática da selva, onde animais reais e outros elementos aparecem magicamente assim que um jogador joga os dados. No filme, Robin faz o papel do personagem principal, Alan, que fica preso durante anos dentro do jogo.

9 – Hamlet
Robin Williams interpretou o nobre Orisco no filme de 1996 adaptado da obra de William Shakespeare.

10 – A Gaiola das Loucas
A Gaiola das Loucas é uma comédia estadunidense de 1996 dirigido por Mike Nichols e estrelado por Robin Williams com roteiro baseado em peça teatral de Jean Poiret.

11 – Patch Adams – O Amor é Contagioso
O filme estadunidense do gênero comédia dramática, dirigido por Tom Shadyac é baseado em livros e na vida de Patch Adams e Maureen Mylander. Após uma tentativa de suicídio e voluntariamente ser internado em um hospital psiquiátrico, Hunter “Patch” Adams descobre um belo dom de poder ajudar as pessoas usando o bom humor. O filme, de 1998, é estrelado por Robin Williams e Nathan Lane.

12 – O Homem Bicentenário
O roteiro do filme é baseado num conto de Isaac Asimov e Robert Silverberg, do livro “The Bicentennial Man and Other Stories”, que mostra a trajetória de um robô em busca da liberdade. O filme tem como protagonista o robô Andrew (Robin Williams) em busca de liberdade e de se tornar, na medida do possível, um ser humano.

Nossa lista fica por aqui. Fica a indicação dos filmes (e dos livros também) para matar a saudade do ator e conhecer mais sobre seu trabalho. A equipe Cabine Literária sente muito a perda desse grande ator.

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