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Desafio literário | 12 clássicos para ler em 2018

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Rachel Guarino, no Cabana do Leitor

Começamos 2018 com o pensamento de ano novo, vida nova, com novas metas e desejos a serem cumpridos. Então que tal incluir nas metas de leitura, alguns clássicos da literatura, afinal, cada livro tem sua história e sua importância para a sociedade, e que até hoje, fazem muito sucesso. Pensando nisso, separamos 12 clássicos para você ler nesse novo ano que se segue. Encontre o que mais combina com você e boa leitura.

1.Uma Dobra no Tempo, Madeleine L’Engle (1963)

Esse clássico de fantasia e de ficção científica, escrita pela autora norte-americana Madeleine L’Engle, publicado em 1963, conta a história da família Murry, que embarca em uma aventura que pode ameaçar todo o nosso universo. Por que ler esse livro? Porque ele ganhará adaptação cinematográfica pelos estúdios Disney, em março desse ano.

2.O Cortiço, Aluísio Azevedo (1890)

Romance escrito por Aluísio Azevedo em 1890 e até hoje faz sucesso entre os amantes da literatura nacional. O livro se baseia no cortiço São Romão, uma habitação coletiva do Rio de Janeiro no final do século XIX. A obra chama atenção por denunciar a exploração e as péssimas condições de vida dos que viviam no cortiço. Se ainda não leu, vale a pena incluir na sua leitura.

3.Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis (1880)

Esse clássico da literatura brasileira narra a história de Brás Cubas depois de morto. De forma irônica, Machado de Assis expõe os privilégios da elite da época. Se ainda não leu, vale a pena conferir.

4.It: A Coisa, Stephen King (1986)

Um dos filmes de terror mais comentados de 2017 foi a adaptação de It, baseado no clássico terror de Stephen King. A continuação será apenas em 2019, mas enquanto isso, você pode se aventurar na obra que conta a história de sete pessoas que, quando crianças, enfrentaram uma criatura centenária que se alimentava do medo e mudava de forma.

5.Uma breve história do Tempo, Stephen Hawking (1988)

Desde sua publicação em 1988, o livro já vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo e ficou 237 semanas na lista dos mais vendidos do Sunday Times. A obra de Stephen Hawking guia o leitor pelos segredos mais profundos da criação, respondendo os conceitos mais complexos da humanidade através de uma maneira criativa e fácil de entender.

6.1984, George Orwell (1949)

Se até hoje você não leu, coloque na sua lista de livros para 2018, pois os anos podem ter se passado, mas a obra de George Orwell continua sendo uma poderosa reflexão ficcional de qualquer forma de poder dominante. O protagonista Winston vive preso dentro de uma sociedade totalitária dominada pelo Estado, no qual tudo é feito de forma coletiva, mas cada um vive sozinho.

7.O Alquimista, Paulo Coelho (1988)

Por mais polêmico que Paulo Coelho seja, O Alquimista o colocou em evidência no cenário literário, tanto nacional quanto internacional, pois o livro já foi traduzido para dezenas de idiomas. A obra gira em torno de um jovem pastor chamado Santiago, que depois de ter por diversas noites o mesmo sonho, decide embargar em uma jornada de esclarecimentos sobre os grandes mistérios que acompanham a humanidade desde o início dos tempos.

8.Lucíola, José de Alencar (1862)

Lucíola é um tradicional romance de José de Alencar que mesmo depois de anos da sua primeira publicação, ainda faz sucesso entre os amantes dos clássicos. A obra narra a história de Lúcia e Paulo, de classes sociais totalmente diferentes. Um romance que sacudiu a sociedade da época.

9.Cristianismo puro e simples, C. S. Lewis (1952)

Durante a Segunda Guerra Mundial, o autor de “As Crônicas de Nárnia” foi convidado pela BBC para realizar uma série de palestras sobre a fé cristã pelo rádio. C. S. Lewis então reunião suas ideias e transformou no livro “O Cristianismo puro e simples”. No ano passado, a editora Thomas Nelson Brasil lançou novamente esse livro em edição especial. Vale a pena conferir.

10.Morte no Nilo, Agatha Christie (1937)

Se você é fã dos livros de Agatha Christie e assistiu a adaptação, “Assassinato no Expresso do Oriente”, você precisa ler “Morte no Nilo”. A sequência foi publicada em 1937 e mostra o detetive Hercule Poirot desvendando um assassinato em pleno Egito.

11.O pequeno Principe, Antoine de Saint-Exupéry (1943)

Esse clássico definitivamente marcou a vida de gerações de leitores em todo o mundo, sendo a terceira obra mais traduzida no mundo. O enredo gira em torno de um piloto que cai com seu avião no deserto do Saara e lá encontro um pequeno príncipe, o levando em uma jornada filosófica e poética. Se ainda não leu, coloque-o na sua lista, e se já leu, sempre bom ler novamente.

12.Dom Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes (1605)

O livro é considerado pela crítica atual como o melhor livro de todos os tempos, sendo também um dos mais importantes romances que ajudaram a firmar o gênero na literatura. A obra gira em torno de um fidalgo que perdeu o juízo depois de ler muitos romances de cavalaria, se permitindo imitar seus heróis.

Jornalista roda 17 mil km atrás da educação e transforma experiência em negócio

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 Caio Dib (último, à direita) durante participação em debate no Festival Path Foto: Divulgação

Caio Dib (último, à direita) durante participação em debate no Festival Path Foto: Divulgação

Visita a 58 cidades durante cinco meses à procura de inovações na área vira matéria-prima para produção de conteúdo educacional e consultoria

Filipe Albuquerque, na Gazeta do Povo

Aos 22 anos, um estudante recém-formado em jornalismo deixou um emprego em São Paulo, juntou as economias obtidas em estágios e se atirou em uma viagem de 17 mil quilômetros de ônibus, por 58 cidades do nordeste e centro-oeste do Brasil, atrás de práticas inovadoras de educação. Hoje, aos 27, Caio Dib faz da experiência, que chamou Caindo no Brasil, seu trabalho. Ele montou uma agência de conteúdo especializada em educação a partir da realidade brasileira e atua como consultor na área. A aventura gerou ainda dois livros. “É o que paga as minhas contas”, diz.

“O carro-chefe é mapear e contar histórias de boas práticas de educação”, explica Dib. São essas histórias mapeadas e conhecidas pelo jornalista que o inspiram para a criação das “micro jornadas” de aprendizagem, conteúdos ofertados via WhatsApp dirigido a professores. Os cursos abordam metodologias alternativas, competências socioemocionais e tecnologia, criatividade e ferramentas.

No momento, o jornalista presta serviço de consultor à Secretaria de Educação de Mato Grosso do Sul, na elaboração do planejamento estratégico do ensino médio do estado. Uma das metas, conta, é entregar um processo educacional que esteja mais conectado à realidade dos estudantes para reduzir a evasão escolar e da repetência.

Segundo a Secretaria de Educação do Mato Grosso do Sul, os índices de abandono e reprovação na rede estadual de ensino chegam a 22%. Em todo o país, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelam que, entre os anos de 2014 e 2015, 12,9% e 12,7% dos alunos matriculados na 1ª e 2ª série do Ensino Médio, respectivamente, abandonaram as salas de aula.

Para manter a agência sustentável financeiramente, Dib optou por manter uma estrutura enxuta: ele e sua assistente trabalham em home office, conectados o tempo todo, o que lhe permite viajar sempre que é chamado sem se preocupar com uma rotina de escritório. Para discutir o andamento dos trabalhos, os dois se encontram uma vez por semana nas dependências de uma das empresas parceiras.

“Hoje estou muito concentrado em ajudar projetos a serem mais potentes em educação e, principalmente, trazer a educação mais para perto das pessoas, do brasileiro comum, contando histórias e trazendo experiências para mais pessoas”, afirma Caio.

Com a agência Caindo no Brasil, título de seu projeto pessoal, vende o livro com o mesmo nome, cursos rápidos para professores com conteúdo transmitido via WhatsApp, e realiza curadorias para eventos que tenham algum braço em educação. Há três anos o Caindo no Brasil responde pela curadoria da área de educação do Festival Path, um dos principais do país em inovação e criatividade. E, durante as Olimpíadas de 2016, a agência cuidou do trabalho educacional dos jogos, patrocinado por uma multinacional do setor químico, levando às escolas públicas de cidade de São Paulo histórias sobre os jogos olímpicos e paralímpicos.

Desde setembro de 2013, o jornalista contabiliza mais de 180 palestras realizadas. E a partir do ano seguinte, quando iniciou o trabalho da agência e, em paralelo, o de consultor, informa ter se envolvido de mais de 30 trabalhos, entre projetos e consultoria. No primeiro livro, Dib relata as experiências vividas, ao longo dos cinco meses, no contato com práticas de educação que saem do comum, como a da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, a 560 quilômetros de Fortaleza (Ceará), cujo trabalho de educação não formal, que envolve a recuperação da memória dos índios kariris, capacita crianças e jovens para atuar na área da educação. O próximo livro deve ser publicado no ano que vem, quando ele pretende lançar ainda um portal sobre educação.

Desafio e aprendizado

Caio Dib acredita na metodologia de aprendizagem baseada na investigação, que leva os alunos a trabalharem no desenvolvimento de projetos ou produtos. Uma questão que desafie os estudantes é o ponto de partida para a realização do trabalho que vai permitir aprenderem e aplicarem conceitos e conteúdos que, no modelo tradicional, são oferecidos de modo expositivo em sala de aula.

Como consultor, Dib trabalhou na elaboração do currículo escolar de um colégio particular em Santo André, no ABC Paulista. O currículo, explica, foi pautado pelo conceito de aprendizado por projetos. “O aluno vai aprender unidade de medida medindo a quadra da escola, para ajudar a resolver um problema. O professor de matemática estará com ele na quadra, e vai dar o suporte necessário em sala de aula”.

“Como é uma escola nova, um dos projetos é que os alunos conheçam o espaço da escola, a história das pessoas, a comunidade. Vão construir relação com a escola no momento de exploração dela”, afirma. Para isso, os estudantes terão mapas digitais e físicos para conhecer as dependências da instituição. As aulas de Geografia serão utilizadas nesse processo para tratar de mapeamento, paisagem e outros fenômenos. “A gente quer construir de um jeito que seja interdisciplinar e que o aluno consiga enxergar utilidade no conhecimento”.

Em seu trabalho como educador em um curso extracurricular em uma escola na região central da cidade de São Paulo, Dib foi surpreendido com o resultado do envolvimento dos alunos. Mais precisamente, de um estudante de 12 anos. O estudante contou a Dib que tinha uma ideia para resolver o problema de trânsito em uma via do bairro onde morava: um aplicativo para celular. “Respondi para ele: ‘Genial, só que vamos ter que chamar alguém para fazer um aplicativo, porque eu não sei fazer’”. Foi então que, conta Dib, o menino tirou o celular do bolso e respondeu: ‘Não precisa, já fiz’.

A turma do 9º ano dessa mesma escola utilizou conhecimentos de trigonometria para medir o comprimento necessário de uma corda para um balanço a ser instalado em uma praça no bairro, reformada a partir de um mutirão organizado pelos próprios estudantes dentro do curso extracurricular ministrado por Dib. Para o trabalho, Dib levou os alunos a uma reunião com o subprefeito da região.

“Hoje estou muito concentrado em ajudar projetos a serem mais potentes em educação e principalmente trazer a educação mais para perto do brasileiro comum”, enfatiza.

O desafio de formar leitores

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Tânia Rêgo/ Agência Brasil

 

A leitura, assim como a culinária, a dança, a costura e a natação, é uma habilidade. Como tal, precisa ser adquirida, treinada, aperfeiçoada e refletida para que seja praticada com autonomia e desenvoltura

Denise Guilherme Viotto, no Carta Educação

Na semana passada saiu o resultado da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro. Os dados divulgados abrem espaço para muitas reflexões – seja porque nos reconhecemos nas respostas e comportamentos ali expostos, seja porque somos cúmplices de alguns cenários ali apresentados. Cenários já muito familiares a todos aqueles comprometidos com o desafio de formar leitores em nosso país.

Segundo os critérios da pesquisa, 44% da população brasileira não é leitora. E dentre as principais razões apresentadas para a ausência da prática da leitura de livros estão a falta de tempo e paciência, o cansaço, a dificuldade e o não gostar de ler.

Todos sabemos que a leitura, assim como a culinária, a dança, a costura e a natação, por exemplo, é uma habilidade. Como tal, precisa ser adquirida, treinada, aperfeiçoada e refletida para que seja praticada com autonomia e desenvoltura. É possível que, para esse número considerável de brasileiros, a falta de interesse por essa habilidade possa ser explicada pela dificuldade que possuem em praticá-la de modo satisfatório.

Bons leitores, assim como bons cozinheiros, dançarinos, costureiros e nadadores, sentem prazer em realizar suas atividades porque possuem competência para fazê-las.

Geralmente, quando perguntamos a alguém se gosta de cozinhar, dançar, costurar, ou nadar, a resposta é sempre positiva quando o sujeito sabe-se competente para praticar essas habilidades. O gosto costuma derivar do reconhecimento da própria capacidade de realizar algo de modo satisfatório.

E como é possível torna-se capaz de fazer algo que não se conhece?

Primeiro, é preciso que o indivíduo adquira algumas competências básicas que, no caso da leitura, passam necessariamente pelo processo de conquista de uma alfabetização plena – tarefa que deveria ser cumprida pelas instituições educativas, garantindo a todos o direito à educação.

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Um indivíduo plenamente alfabetizado é também um leitor competente que compreende e interpreta textos em diferentes situações, estabelecendo relações entre suas partes, comparando e analisando informações, distinguindo fato de opinião, sendo capaz de fazer inferências e sínteses. Só é possível adquirir todas essas competências tendo acesso à palavra escrita e a experiências diversificadas, nas quais as práticas sociais da língua estejam em jogo. Ou seja, pertencendo a um ambiente letrado. E a construção desse ambiente pode ter o seu início muito antes do ingresso à escola.

Segundo a pesquisa mencionada no início desse texto, mães, pais e parentes foram citados como responsáveis por incentivar o gosto pela leitura por cerca de 27% dos entrevistados. São eles, também, um dos principais influenciadores para escolha e compra de livros. Isso demonstra a importância e a responsabilidade da família para despertar o interesse e a valorização do objeto livro, incluindo momentos para a leitura na rotina, dedicando tempo para visitar bibliotecas e livrarias, investindo parte do orçamento na construção de um acervo próprio, comentando e compartilhando as obras lidas, enfim, construindo – dentro de casa – uma comunidade de leitores.

Mas, todos sabemos que, em um país onde mais de 80 milhões de pessoas se declaram não leitoras, apostar todas as fichas para a mudança desse quadro apenas na família pode resultar em poucos e lentos avanços. Pais, mães e demais parentes podem e devem aproximar as crianças da leitura desde cedo, mas para isso é preciso que o livro esteja acessível. Daí a importância dos diferentes equipamentos culturais, especialmente das bibliotecas públicas e privadas, das boas livrarias com acervos diversificados e atualizados e, principalmente, de medidas que garantam o direito à leitura como política pública de Estado e não de governos.

Saber ler e fazer parte de uma comunidade onde a leitura está presente nos mais diferentes suportes é fundamental, mas essas duas condições só se efetivam na prática quando há acesso a livros e outros bens culturais de qualidade. E acesso, aqui, precisa ser entendido como muito mais do que proximidade com os objetos, mas como a criação de condições para que se possa extrair o máximo desse contato. Daí a importância da mediação feita por leitores mais experientes, que sejam capazes de despertar o desejo pela leitura, construindo oportunidades para que se possa praticar essa habilidade nos diferentes espaços – públicos e privados – com competência, segurança e autonomia.

Por fim, é preciso entender que a não familiaridade com a leitura representa uma falta. Falta de oportunidade de contato com a linguagem escrita, com o diálogo com o diferente, com a fantasia, com o conhecimento, com outros mundos e possibilidades. E talvez esse seja o maior desafio que todos nós brasileiros precisamos enfrentar: o de despertar o desejo pela cultura, pela experiência estética, pela transcendência, pela imaginação como algo indispensável à uma vida plena e um direito pelo qual vale a pena lutar. Sempre.

Brasil tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola

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Marcelle Souza, em UOL

Em todo o país, 2,8 milhões de crianças e adolescentes, ou 6,2% dos brasileiros entre 4 e 17 anos, estão fora da escola. Isso é que mostra um levantamento divulgado nesta terça-feira (19) pelo Todos pela Educação, que levou em conta dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2014.

A partir deste ano, as redes de ensino estão obrigadas a incluir alunos de 4 e 5 anos, segundo a meta 1 do PNE (Plano Nacional de Educação) e uma alteração de 2013 na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). As normas regulamentaram a mudança feita na Constituição por meio da Emenda Constitucional nº 59, de 2009. Os números divulgados hoje mostram que a universalização, porém, não deve ser cumprida este ano.

“O Brasil tratou com descaso a educação durante séculos e está tentando recuperar essa dívida histórica nos últimos 25 anos, é um período muito curto”, afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.

Para Ângela Maria Costa, professora do curso de pedagogia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o número também reflete problemas de gestão. “Os municípios não se prepararam para o cumprimento da lei. Eles tinham desde 2009 para fazer isso, mas todo mundo ignorou”, afirma.

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, pais e governos podem ser responsabilizados por criança fora da escola.

Um problema apontado pela pesquisa é que a porcentagem dos alunos fora da escola é distribuída de forma desigual. O Norte, por exemplo, tem o menor índice de inclusão de crianças e adolescentes na escola: 91,9%. Na outra ponta está o Sudeste, que atende 94,9% de 4 a 17 anos.

“No Brasil, temos uma desigualdade que é profunda e persistente e as ascensões sociais são muito voláteis. Para criar uma sociedade com distribuição mais justa, é preciso garantir educação de qualidade principalmente para os mais pobres. Os Estados mais pobres têm mais problemas de acesso e qualidade na educação, então 100% das políticas educacionais precisam ter foco na desigualdade educacional”, diz a presidente do Todos.

Desafio na pré-escola

Cruz afirma que, somados aos problemas regionais, está a necessidade de diferentes estratégias para cada etapa de ensino. “Na faixa de 4 e 5 anos, é um desafio dos municípios, já que eles que são os responsáveis por essa etapa, de criar essas vagas, oferecer transporte, merenda, e está mais ligado a insumos, financiamento”.

O MEC (Ministério da Educação) disse que tem ajudado os municípios a colocar mais alunos na educação infantil. “A meta de universalização deve ser cumprida. Há uma parcela ainda de estudantes fora da pré-escola e há projetos para tornar mais acessível a ampliação de escolas e atingir a meta”, disse o secretário da Educação Básica do MEC, Manoel Palácios, em entrevista ao UOL no início deste mês.

Para a professora da UFMS, além da quantidade de alunos na escola, é preciso pensar também na qualidade da educação. “A pré-escola não pode ser escolarização precoce. A criança só pode aprender de verdade a ler e a escrever aos seis anos. Mas, sem qualificação dos professores, [os municípios] vão querer botar as crianças para escrever”, diz. “A pré-escola está preocupada com outras expressões, a artística, a corporal, a musical. Aprender a ler e escrever é consequência”.

Abandono no ensino médio

Apesar da meta garantir a inclusão dos alunos de 4 e 5, já que o ensino já era obrigatório de 6 a 17 anos até o ano passado, o grande problema são os adolescentes. De acordo com os dados, 17,4% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Nessa faixa etária, os grandes problemas são o abandono e a reprovação.

“No ensino médio o desafio é outro, porque temos um o grande problema de abandono escolar. Para esse jovem do século 21, a forma de fazer ensino médio no Brasil é anacrônica e expulsa de cara 10% dos alunos no primeiro ano”, afirma Cruz.

Os números também apontam, que apesar dos desafios, houve melhora no acesso à educação: há mais pobres, negros e pardos e moradores de zonas rurais na sala de aula. “É importante destacar e celebrar que o Brasil avançou justamente em relação às populações mais vulneráveis. A gente melhorou, está no caminho correto, agora precisa acelerar mais ainda”, afirma Cruz.

Cientistas fazem aposta para ver quem consegue inserir mais citações de Bob Dylan em artigos

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Disputa foi revelada pelos acadêmicos após 17 anos de pesquisas com letras do bardo americano

Álbum de Bob Dylan serviu de inspiração para nome de um dos artigos científicos publicados  (Foto: Agência O Globo)

Álbum de Bob Dylan serviu de inspiração para nome de um dos artigos científicos publicados (Foto: Agência O Globo)

Publicado em O Globo

Não há limites para o que um fã pode fazer para homenagear seu ídolo. Nem os muros das universidades são capazes de conter tal euforia. Cinco cientistas suecos relevaram, após 17 anos, terem incluído citações de letras do cantor Bob Dylan em seus artigos de pesquisa como parte de uma aposta. Se a competição era um tanto inusitada, o prêmio não seria ambicioso: quem conseguisse inserir mais mensagens subliminares até a data da aposentadoria ganhava um almoço grátis.

De acordo com os participantes, tudo teria começado em 1997, após uma publicação na revista Nature intitulada “Óxido nítrico e Inflamação: a resposta está soprando no vento” (em referência à música Blowing in The Wind). Os autores do estudo, Jon Lundberg e Eddie Weitzberg, confessaram ser fãs de Bod Dylan, mas até então a escolha para o título se devia mais à oportunidade do momento:

– Nós gostávamos muito do Dylan, e quando começamos a escrever um artigo sobre a medição do gás óxido nítrico nas vias respiratórias e no intestino, o título surgiu como um encaixe perfeito – disse Weitzberg recentemente.

Anos mais tarde, um bibliotecário percebeu que dois colegas da dupla fã de Dylan, Jonas Frisén e Konstantinos Meletis, também tinham citado letras do cantor em um artigo sobre a capacidade das células não-neuronais de gerar neurônios em 2003: “Blood on the tracks: a Simple Twist of Fate?”. Foi uma façanha e tanto, já que em apenas um título, Frisén e Meletis haviam conseguido reproduzir o nome de um álbum de Dylan e de outra famosa canção.

O que era apenas uma simples brincadeira então ganhou ares de competição. Lundberg, um dos primeiros a fazer citações, propôs que quem fizesse mais inserções nos artigos científicos ganhava um almoço grátis em um restaurante local.

A notícia se espalhou rapidamente através do Instituto Karolinska de Estocolmo, onde todos os quatro homens trabalham, e em pouco tempo havia um quinto concorrente: Kenneth Chien, professor de pesquisa cardiovascular, que também estava de olho na refeição gratuita. No momento em que ele conheceu os outros, ele já tinha um trabalho em homenagem a Dylan: “Tangled Up in Blue: cardiologia molecular na era pós-molecular”, publicado em 1998.

E com cinco competidores, as citações foram se acelerando. Mas os grandes vencedores até o momento são a dupla Lundberg e Weitzberg, que publicaram os artigos “O Papel Biológico do Nitrato e do Nitrito: The Times They Are A-Changin”, em 2009; Ef Receptores Tangled Up in Two, em 2010; Nitrato dietética – A Slow Train Coming, em 2011.

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