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Companhia de Limpeza de Niterói monta biblioteca com livros doados para seus funcionários

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Prateleiras cheias na biblioteca montada na sede da Clin com livros descartados por moradores. - Divulgação / Alexandre Vieira

Prateleiras cheias na biblioteca montada na sede da Clin com livros descartados por moradores. – Divulgação / Alexandre Vieira

Espaço será inaugurado na sede da companhia em Niterói

Leonardo Sodré, em O Globo

NITERÓI — Aquele livro que não serve mais pode representar um universo fascinante de descobertas e emoções para quem não tem acesso às livrarias. Em tempos de arquivos digitais, vale considerar a equação entre quem não tem mais interesse por publicações impressas e a quantidade de gente que busca acesso a elas. Em Niterói, não é difícil fechar essa conta. A partir de segunda-feira, uma nova ação passará a auxiliar a erguer a ponte que facilita o acesso à leitura: na sede da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), no Centro, será inaugurada, para os funcionários, uma biblioteca montada com livros que moradores jogam fora diariamente e que são recolhidos por meio do programa de coleta seletiva.

O espaço será destinado a todos os profissionais da limpeza urbana da cidade e tem como objetivo promover a doação dos livros que são descartados no lixo domiciliar e entregues voluntariamente nos 14 Distritos de Limpeza Urbana (DLU) da cidade. De acordo com o coordenador de reciclagem da Clin, Luiz Abelha, a expectativa é que cerca de 400 títulos, dentre livros didáticos e de literatura, sejam disponibilizados diariamente na biblioteca. Ele diz que a ideia de criar o local surgiu depois de constatar a grande quantidade de livros que chega diariamente à triagem de materiais reciclados da companhia.

— Percebemos que chegam muitos livros no galpão onde fazemos a separação do material reciclado. Então pensei em dar um destino a eles sem que fosse a reciclagem como papel, apenas. Até porque gosto muito de ler e sei que eles têm um valor muito maior que está se perdendo. Paralelamente, comecei a perceber um interesse da equipe pelos livros que chegavam. Conseguimos um espaço adequado para montar a biblioteca e vamos começar a doá-los — conta.

Segundo a Clin, uma média de 200 livros são descartados semanalmente em Niterói nas lixeiras de casas e condomínios ou levados até às LDUs. Há títulos didáticos, romances, de filosofia, história e infantis. Luiz Carlos Fróes, presidente da Clin, explica que não haverá limitação de exemplares por funcionário, nem restrição em relação ao conteúdo.

— Eles poderão levar os livros para casa, para os seus filhos e familiares ou ainda trocar com amigos. O mais importante é disseminarmos o hábito da leitura e fazer o conhecimento circular entre todos democraticamente — acrescenta Fróes.

 

Cosac Naify vai picotar livros que não vender até dezembro

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Livros: “seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o estoque, mas não aconteceu", disse diretor da Cosac

Livros: “seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o estoque, mas não aconteceu”, disse diretor da Cosac

 

Luisa Melo, na Exame

São Paulo – Em 31 de dezembro, os livros que ainda restarem no estoque da Cosac Naify terão um destino dramático: eles serão picotados.

A editora, que decidiu encerrar as atividades no fim do ano passado depois de acumular prejuízos, alega que não pode mais arcar com o custo de manter guardados os exemplares que não são vendidos.

“Infelizmente, temos obras que ainda têm um volume muito grande em nossos estoques. (…) Não dá para ficar guardando esses livros que não têm giro. É muito caro”, afirmou o diretor financeiro da empresa, Dione Oliveira, em entrevista ao site Publishnews.

Depois que a Cosac fechou as portas, os direitos de publicação de alguns de seus títulos foram transferidos para outras editoras e a Amazon negociou exclusividade para comercializar o estoque.

Desde então, a varejista online organizou diversas promoções. Algumas obras, inclusive, chegaram a ser reimpressas.

Entretanto, a companhia parece não ter se interessado por todos os livros que a Cosac tinha à disposição.

“Seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o nosso estoque, como dizem por aí, mas isso não foi verdade, infelizmente”, disse Oliveira.

Ele não revelou quantos itens a editora ainda guarda.

O executivo descartou a possibilidade uma fazer uma liquidação dos exemplares porque alguns deles já tiveram os direitos cedidos a outras editoras e, inclusive, foram publicados com os novos selos.

“Se eu inundo o mercado com uma grande oferta desses livros, os novos detentores dos direitos terão dificuldade em vender seus livros. Nós temos ponderado isso”, disse.

Ele também afirmou que a Cosac não pensa em doar os exemplares a bibliotecas ou aos autores, porque a companhia não tem tempo, pessoal e nem dinheiro para arcar com isso.

“Tem um problema que muitas pessoas desconhecem. Doações geram um transtorno contábil na empresa. Se faço uma doação de um livro, tenho que reconhecer o custo disso. Se eu faço a doação de um volume considerável de livros, eu gero um resultado financeiro negativo absurdo, fora da curva”, afirmou.

Procurada por EXAME.com, a Amazon disse que continuará a vender os livros da Cosac Naify com exclusividade e que manterá as promoções. A empresa também afirmou que “não discute suas estratégias comerciais” da editora.

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