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Plágio também vale? Decorar frases prontas vira estratégia para redação do Enem

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Marlene Bergamo/Folhapress

Marlene Bergamo/Folhapress

Ana Carla Bermúdez, no UOL

O formato previsível e a importância que a redação tem para a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) estão fazendo candidatos recorrerem a fórmulas prontas e até decorarem trechos de textos de professores para usar em suas redações. Mas essa prática abre um debate: existe limite entre inspiração e plágio?

O modelo de redação cobrado pelo Enem ao longo dos anos costuma ser sempre o mesmo: um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, com introdução, desenvolvimento e conclusão, que deve propor uma solução ao problema apresentado.

Saber lidar bem com esse formato e garantir uma boa nota na redação pode ser algo decisivo para o aluno na hora de obter uma boa colocação no Enem — o exame que avalia os estudantes que estão concluindo o ensino médio e pode garantir vagas nas principais universidades do país.

Uma das redações que tirou nota mil (a nota máxima) na última edição do Enem, por exemplo, tinha partes praticamente idênticas a outros dois textos: uma redação nota mil do Enem 2015 e um texto feito para o Enem de 2014 pelo professor Rafael Cunha, do curso de educação à distância Descomplica.

“É absolutamente normal que alguém se inspire em algo que já deu certo”, diz Cunha. O professor afirma, no entanto, que existe um limite para isso: “ele me parece ser ultrapassado quando são utilizadas exatamente as mesmas palavras que o autor original. Mas, ao mesmo tempo, as regras permitem que isso aconteça, então não vejo maiores problemas”, diz.

“É claro que, em um mundo utópico, o ideal seria o aluno fazer um texto autoral, tendo plena autonomia para exercitar aquilo ali que é pedido. Mas, na realidade, não é o que acontece”, afirma Gabriela Carvalho, coordenadora de redação do curso Poliedro.

“Quando vou tentar convencer meus alunos a não copiarem, eu pergunto: como vocês vão decorar e lembrar dessa frase? E como vão ter certeza de que ela vai caber no tema que cair?”, afirma Gabriela.

Ela conta que a cópia é uma tática recorrente entre os alunos, que têm o hábito de fazer redações ao estilo “Frankenstein”: ou seja, pegando trechos de um ou mais textos diferentes. “Eles estudam a redação acima da média como fórmula e realmente decoram as frases”, afirma.

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Modelo “mecânico”

Para o professor Cunha, é preciso questionar o modelo de redação proposto no Enem, que é “quase uma receita de bolo a ser seguida”. Segundo ele, isso faz com que os alunos acabem refletindo menos, o que levaria a um preparo mais “mecânico”.

Eduardo Calbucci, professor do curso Anglo, afirma que “o texto não pode ser uma colagem de partes feitas por outras pessoas”, mas defende: “o aluno inevitavelmente vai (fazer o exame) com uma estrutura mais ou menos pensada, porque senão seria impossível fazer a redação em quarenta minutos, uma hora. Não é receita de bolo, é apenas um ponto de partida”.

Para Gabriela, o problema vem de uma estrutura ainda maior. “Você tem corretores que estão fazendo uma correção mecânica porque precisam de dinheiro e, ao mesmo tempo, um aluno que está em uma sociedade com poucas vagas universitárias e quer se livrar dessa desgraça que é prestar vestibular”, afirma.

A professora diz que o aluno acaba repetindo a maneira com que estuda as outras matérias, como química ou matemática, por exemplo, nas quais a forma mais comum de se ensinar seria copiando e resolvendo exercícios. “Ele (aluno) está muito habituado à ideia de fórmula pronta e cópia. Então, ele acaba não percebendo nenhum problema moral ou educacional”, afirma.

Cópia da cópia da cópia

O plágio, segundo os professores ouvidos pelo UOL, acontece há muito tempo e em muitos vestibulares. “Eu aposto que existem centenas, talvez milhares de redações feitas no Brasil feitas por professores que vão conter trechos que vão ser copiados por alunos”, afirma Cunha.

Mas, para Gabriela, a origem do problema é social. “As pessoas ficam chocadas, mas elas não percebem que nos próprios comentários que fazem no dia a dia elas são incapazes de produzir pensamentos e argumentos próprios”, afirma.

O plágio nos vestibulares, segundo ela, tende a não ser notado, pois é bastante difícil que o corretor consiga conferir se há cópia em um texto desse tipo.

Mas Calbucci afirma: “se isso escapa às vezes no Enem, é sinal de que os corretores são muito pressionados a corrigir muitas redações em pouco tempo”.

“Isso vai dar problemas mais para a frente, quando a pessoa já estiver na faculdade, por exemplo. Ela vai ter que escrever muito e aí vai perceber a importância desse processo de fazer um texto”, afirma Gabriela.

Ela ressalta: “se a gente tem a possibilidade de ajudar o aluno, só sendo muito honesto com ele. É dizer: você faz parte do problema, mas também da solução”.

Como o Descomplica está reinventando o negócio dos cursinhos pré-vestibulares

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Gisela Blanco, no Projeto Draft

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Marco (fundador do Descomplica) e Oda (um dos professores) descontraem no estúdio

O engenheiro carioca Marco Fisbhen tem o típico perfil do empreendedor de sucesso: seguro e apaixonado por seu projeto, defende ideias com vigor e não economiza esforços para fazer sua startup crescer. O Descomplica, seu site de vídeo-aulas, já está na terceira rodada de investimentos mas Marco não perde de vista seus dois principais objetivos: conteúdo e distribuição. “Nosso foco é ter conteúdo explicado de maneira simples e alcançar o maior número possível de estudantes, seja pelo computador ou no celular, da forma como for necessário”, diz ele.

Há quatro anos Marco criou o portal que hoje ajuda mais de 6 milhões de alunos a estudar para o Enem e vestibulares. Com assinaturas mensais que vão de 9,99 a 19,99 reais, os estudantes assistem a todo o conteúdo de vídeos, podem tirar dúvidas com professores online e até ter suas redações corrigidas.

As aulas têm o jeitão descontraído típico dos professores dos melhores cursinhos pré-vestibulares. Mas o negócio é muito sério. O Descomplica já é o maior site de aulas online para estudantes de ensino médio no Brasil. Conta com 140 colaboradores em sua equipe e tem mais de 7 000 aulas online.
Na última rodada de investimentos levantados por Marco Fisbhen, foram negociados 5 milhões de dólares, a maior parte vinda do fundo Social+Capital Partnership, do Vale do Silício. Também participaram do pool outros fundos como Valar Ventures, Valor Capital Groups e 500 Startups, além de anjos (investidores que são pessoas físicas) que fazem parte da Angel List.

Marco não revela o faturamento da empresa. Mas o crescimento do número de assinantes – dobrou de 2013 para este ano – e o potencial do mercado de educação no Brasil indicam que o Descomplica vai bem. Para o próximo ano, a meta é novamente dobrar o número de assinantes.

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Motivação e bom humor: marcas registradas de Marco e do seu negócio

Uma previsão é certeira: o impacto desse crescimento não vai ser sentido só no sucesso da startup ou no bolso de seus investidores. Segundo Marco, 55% dos alunos que assinam o conteúdo do Descomplica vêm de escolas públicas. “São alunos que provavelmente não têm renda para pagar um professor particular ou um bom cursinho, que custa em média 1.000 reais por mês. Isso mostra que a gente de fato consegue atingir quem mais precisa”, afirma. Quem não paga nem a assinatura mínima, de 9,99 reais, pode ainda assim assistir a 1 000 vídeos grátis e ler o conteúdo de textos que a equipe publica no site.

UMA CÂMERA NA MÃO E UMA AULA NA CABEÇA
A trajetória empreendedora de Marco começa em 2009, com uma ideia muito simples: o então professor de física em cursinhos do Rio de Janeiro resolveu comprar uma câmera e filmar suas aulas para que mais alunos pudessem assistir. Para divulgar seus vídeos, criou um blog chamado Desconversa (que existe até hoje dentro do site do Descomplica) e um canal no YouTube.

Quando percebeu o tamanho da demanda dos alunos por conteúdo online, resolveu formatar a empresa e ir atrás de sócios e investidores. Seu primeiro passo foi inscrever a ideia em uma competição de planos de negócios, o Desafio Brasil. “Não ganhamos, mas participar daquele ambiente me abriu várias portas”, diz. Foi lá que Marco estabeleceu uma conexão com Bedy Yang, que estava montando um time de empreendedores brasileiros para conhecer o Vale do Silício. Marco embarcou nesse grupo e começou a entender mais sobre o modelo da capital do empreendedorismo digital. De lá, ele também tirou inspiração para montar o sistema de bonificações do Descomplica, que segue o formato de stock options, um modelo comum no Vale do Silício, em que os funcionários podem se tornar sócios minoritários da empresa.

De volta ao Brasil, quem primeiro apostou na ideia, ainda em estágio bem inicial, foi o grupo Gávea Angels, do Rio de Janeiro. Com o primeiro investimento semente que Marco recebeu, pôde montar uma estrutura de empresa e gravar mais aulas. A captação foi feita em 2010, e em 2011 foi lançado oficialmente o Descomplica.

Era hora de arregaçar as mangas e fazer acontecer. Marco encarou o desafio de passar 2 anos sem salário e mergulhado de cabeça no universo das startups.

“No Descomplica e na vida em geral sempre valorizei muito a capacidade das pessoas de aprender. Tenho um background de engenharia, o que já ajuda, mas sempre entendi que para entrar nesse mundo de empreendedorismo eu teria que aprender, ler muito”

Ele fez a lição de casa. Logo aprendeu que para empreender teria que contornar vários gargalos. “Sabíamos que em 2011 a infra-estrutura de tecnologia não era tão boa no Brasil para assistir vídeos online e muita gente ainda tinha resistência a fazer compras pela internet”, conta. Mas ao invés de reclamar desses problemas, que já eram conhecidos – uma atitude que Marco desaprova e chama de “o desafio da vítima” –, ele sabia que precisava bolar formas criativas de contorná-los. Foi assim que criou formas alternativas de distribuir seu conteúdo. Vendeu DVDs em bancas de jornal, fechou parcerias com operadoras de telefonia como Oi, Tim e Vivo, para mandar SMS com dicas para os estudantes. “Ganhávamos muito pouca grana com isso, mas pelo menos nosso nome estava lá. Assim fomos construindo nossa marca e o público”, diz.

Marco destaca que, desde os primórdios do Descomplica, o foco em distribuição é uma prioridade. “As vias pouco importam. Pode ser offline, impresso, em DVD, no computador, no celular, como for. O importante é chegar ao maior número possível de alunos.”

HORA DE CRESCER
Hoje, a melhora da estrutura de telecomunicações no Brasil deixa de ser um gargalo ao crescimento da Descomplica, que pode se concentrar na distribuição online. Mas o que Marco mais comemora é o crescimento da classe média no país, que ele percebe trazer também uma valorização do valor da educação. As apostas do Descomplica agora são no aumento do número e da qualidade de conteúdo do site. Se antes o estúdio de filmagens era apenas uma sala emprestada que eles conseguiram em parceria com uma escola, agora eles terão três, e com uma produção de maior qualidade. E também com mais cinegrafistas e mais professores.

A grande aposta é na elaboração do conteúdo. “Vamos levar 2 ou 3 professores para filmar em locações como a Amazônia ou Pantanal. Enquanto o de biologia explica um assunto, o de geografia aproveita e fala sobre outro, de forma contextualizada e muito mais interessante”, conta. Pilotos dessas aulas, com três professores ensinando e “vivendo altas confusões” nos dois ambientes, e também no Cerrado e na Restinga, já pode ser pode ser assistidas no YouTube.

Além disso, o Descomplica também aumentou a equipe para lançar dois aplicativos mobile. Um é uma agenda para ajudar os alunos a organizarem a rotina de estudos, outro é um app para que os assinantes tenham acesso ao conteúdo de aulas 24 horas por dia. Ambos são gratuitos. E, assim, o maior site de ensino online para o Enem vai crescendo, mantendo sempre o foco em aumentar e melhorar o conteúdo e a distribuição. Coisa muito simples mesmo. Mas quem é que precisa complicar?

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Professores de cursinhos on-line alcançam o status de webcelebridades

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Com a expansão das videoaulas para o Enem, eles conquistaram espaço na rede e agora são até reconhecidos na rua

O professor Marquinho Laurindo, do QG do Enem (Foto: Gustavo Miranda)

O professor Marquinho Laurindo, do QG do Enem (Foto: Gustavo Miranda)

Josy Fischberg, em O Globo

Um sujeito vira celebridade na internet de várias maneiras. Ele pode ter um blog muito acessado, atuar em um canal de humor, aparecer em fotos polêmicas… Ou pode dar aulas preparatórias para Enem e vestibular. Soa estranho? Pois com a expansão dos cursinhos on-line, esses professores, que sempre foram idolatrados pelos estudantes em sala de aula, conquistaram seu espaço na rede. E agora são até reconhecidos na rua. O aluno encontra por acaso o mestre que tanto ama — aquele que só conhece via web — e o pedido de selfie é inevitável.

Alguns números desse mercado explicam o fenômeno. O Descomplica, um dos líderes entre os que oferecem aulas a distância para alunos de Ensino Médio, hoje tem mais de um milhão de seguidores no Facebook e 300 mil inscritos em seu canal no YouTube. O acesso ao pacote de videoaulas e outras funcionalidades custa entre R$ 10 e R$ 25 mensais, dependendo do plano. Em um bom cursinho tradicional, um pacote de aulas pode custar R$ 1.500 por mês. Só neste ano, 5 milhões de pessoas assistiram a alguma aula do Descomplica, incluindo aí aqueles que acessaram vídeos gratuitos e pagos, ou seja, não só os que adquiriram pacotes, explica Marco Fisbhen, um dos fundadores do cursinho.

O número alto de “fãs” parece ser impulsionado por fatores que vão além do aspecto financeiro e da facilidade de acesso. Quem vê os professores do Descomplica cantando “Eeeeeei, concorrente… Hoje eu vou passar!”, em ritmo de Gangnam Style, pega amizade (virtual) na hora com todos.

— Ainda não estamos famosos em uma escala “Porta dos Fundos” — brinca o professor de biologia Rubens Oda, um dos mais atuantes no vídeo hilário, que tem um jeitão parecido mesmo com o do coreano Psy. — Mas eu já tive aluno que nem conhecia me esperando no aeroporto. Vários professores do cursinho iam para o Ceará, os estudantes ouviram a notícia e foram até lá nos esperar. Eles nos encaram como seus professores de verdade e alguns, quando nos encontram, dizem: “Você não me conhece, mas é meu professor. Sei de todos os seus trejeitos, aprendi isso ou aquilo com você”. É emocionante, de verdade.

Microfone, ponto, duas câmeras, relógio para contar o tempo, editor em tempo real: cercado por tudo isso, enquanto dá aula, um professor de cursinho on-line se transforma praticamente em um apresentador de TV. O salário é mais elevado que o de um docente de sala de aula. Em média, segundo aqueles que trabalham no setor, a hora/aula dos grandes cursinhos tradicionais vale R$ 80. Quem está na frente das câmeras pode ganhar, a cada hora, R$ 150. Faz sentido, pois a aula que é dada presencialmente se esgota no local e atinge cem alunos, em média. As lições que são gravadas e publicadas na internet alcançam milhares — e podem ficar disponíveis por anos.

Há várias maneiras de encontrar professores nesse novo ramo. Um dos métodos utilizados por Fisbhen, logo no início do Descomplica, além de chamar os colegas de cursos tradicionais, era buscar comunidades no Orkut cujos nomes eram “Eu amo o professor X”.

— Se a comunidade que dizia amar o professor X tivesse mais de 10 mil pessoas, esse cara já me interessava — ri.

Mas um professor que faz sucesso presencialmente não é necessariamente aquele que vai dar certo na frente das câmeras. É preciso muito jogo de cintura. Em alguns casos, por exemplo, no lugar do quadro negro existe uma lousa interativa, onde o docente pode apresentar slides, escrever, mostrar vídeos e fotos. É assim que acontece no QG do Enem. Um editor, no momento em que a aula é gravada, faz a sobreposição de imagens: ora os alunos veem o próprio professor, ora veem a tela da lousa. Alguns dos mestres brincam com aquele bordão usado normalmente por apresentadores de programas “policialescos”. “Volta para mim” ou “joga para mim”, eles dizem, quando querem que o editor deixe de mostrar a lousa e volte a colocá-los em cena.

— Existe teste de vídeo, claro. Tem gente que trava na frente das câmeras. Fica mais difícil porque você não tem o olho no olho, não vê na cara dos alunos se está agradando ou se deve seguir por outro caminho… Por outro lado, cada professor traz na bagagem o que dá certo, ou não, com os jovens. Eu, por exemplo, sou bom de decorar poemas, e sei que os estudantes adoram isso. Uma vez, dando uma aula que durava o dia todo e que tinha participação on-line de cerca de 100 mil alunos, fizemos uma brincadeira. Sorteamos um estudante qualquer e ligamos para ele, com o áudio aberto para todo mundo que estava acompanhando. Era uma menina do Maranhão que podia, ao vivo, escolher qualquer poeta. Meu desafio seria declamar, na hora, uma poesia do autor, sem consultar nada. Ainda bem que ela pediu Drummond! — diverte-se o professor de literatura e diretor pedagógico do QG, Marquinho Laurindo.

Aulas interativas, aliás, são a grande estratégia dos cursinhos on-line para os próximos anos. O Descomplica, por exemplo, faz três delas por dia:

— Desde que criamos o site, em 2010, nosso objetivo era também ir aumentando as funcionalidades. Agora já são, além das 7 mil aulas pré-gravadas, três aulas diárias ao vivo; aulões de 12 horas; monitorias, em que o aluno pode usar microfone e webcam para dialogar com os professores; correção de uma redação por mês para cada inscrito… Fora os testes e gabaritos que temos disponíveis — explica Marco Fisbhen.

O QG do Enem vem investindo no projeto “Tá bombando”. Qualquer fato que tenha muita repercussão no Brasil ganha uma espécie de “cobertura” dos professores.

— É como um microprograma de TV, com cinco a dez minutos de duração. Fizemos um sobre Ditadura Militar e fomos à exposição no CCBB. Eu falei da parte cultural e outros dois professores história comentaram os acontecimentos da época. Tratamos de censura, perseguição política… É uma aula com uma proposta totalmente diferente — explica Marquinho Laurindo.

Tanto engajamento assim no mundo virtual, que se encaixa perfeitamente com a faixa etária do público atingido, estudantes do Ensino Médio, não parece ser um prenúncio do fim dos cursinhos presenciais. Diretor de ensino do pH, Rui Alves Gomes de Sá afirma que não há queda no número de pessoas que buscam os cursos em função dessa mudança no mercado:

— Uma das grandes vantagens do on-line é a otimização do tempo, mas, ao mesmo tempo, o aluno se desconcentra muito rápido, o que não acontece em sala de aula tradicional. Acredito que um ‘mix’ das duas modalidades seja a melhor solução sempre — avalia. — O aluno de hoje não é o mesmo de 20 anos atrás, temos também que entrar no mundo dele. Nós apostamos e fazemos uma extensão do nosso trabalho via internet, com aplicação de exercícios, espaço virtual para tirar dúvidas, oferecimento de material extra. O presencial e o virtual se complementam. Eu sempre digo aos meus alunos para mudarem suas senhas de e-mail, celular, computador e redes sociais para coisas como “euquerosermédico”. Eles vivem conectados e um lembrete desse tipo, feito várias vezes ao dia, é sempre bom.

CEO da Streamer, empresa que desenvolve cursos on-line, Fernando Giannini concorda com Rui. Ele é um dos responsáveis pelo “Mande bem no Enem”, que traz 42 videoaulas transdisciplinares, com exercícios, simulados, roteiros de leitura, games, podcasts, animações, além de um teste vocacional:

— O contato humano é fundamental quando falamos de educação. As possibilidades tecnológicas são fantásticas e temos que aproveitar o melhor dos dois mundos. Numa sala de aula tradicional, o aluno pode aprender muita coisa que não é relevante para ele, mas existe a afetividade, que é muito importante. Com a internet, ele consegue ir mais direto ao ponto, procurar o que quer aprender. Não dá para separar um do outro.

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