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Descontos de no mínimo 50% levam milhares à Festa do Livro na USP

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Compradores no estande da Editora 34 no segundo dia de Festa do Livro da USP, na quinta (11)

Compradores no estande da Editora 34 no segundo dia de Festa do Livro da USP, na quinta (11). Gustavo Epifanio/Folhapress

Angela Boldrini, na Folha de S.Paulo

“Tem que aproveitar,” diz o doutorando em história João Paulo Berto, 24, puxando uma mala lotada pelo prédio da engenharia mecânica da Escola Politécnica da USP.

Dentro dela estão “mais ou menos vinte livros”, que ele comprou na 16ª Festa do Livro da USP nesta quinta-feira (11).

O evento, que acontece uma vez por ano, atraiu cerca de 120 mil pessoas durante três dias em 2013 –cerca de 260 mil livros foram vendidos no total.

Até a conclusão desta edição, os números de 2014 não haviam sido divulgados, mas a organização estima aumento de 10 mil frequentadores em relação ao ano passado.

“O preço vale muito a pena, a gente acaba comprando muitos livros de apoio da nossa área”, afirma Berto, que veio da Unicamp com a também doutoranda em história Ana Carolina Souza, 26, para aproveitar os descontos de no mínimo 50% sobre o preço de capa das publicações.

Ela, mais comedida, comprou “apenas” cinco livros.

Já o estudante de letras Pedro Brener, 19, saiu do primeiro dia de feira, na quarta (10), com 25 livros nos braços.

“Guardei dinheiro o ano todo para isso”, diz ele, que gastou “uns R$500” em títulos como o clássico grego “Eneida”, lançado em versão bilíngue pela Editora 34.

É o segundo ano que o estudante vem à feira. Em 2013, levou cerca de vinte obras que, segundo ele, foram quase todos lidos. Valmir Rattes, 43, professor de filosofia, também diz que conseguirá ler os 12 livros que comprou na feira antes da edição 2015.

“Como professor, é até obrigação, né?”, explica ele, que havia trazido uma lista de dez títulos e acabou levando dois a mais. A feira trouxe ao menos 145 editoras –entre os estandes mais disputados, estavam a Editora 34, Companhia das Letras e Cosac Naify.

Nem só de livros vive a feira. O local estava repleto de “food trucks”, que vendiam de paletas mexicanas a lula com legumes.

No entanto, a comida não acompanhou os descontos dos livros –os preços eram bastante salgados.

No caminhão do restaurante Ruaa, um sanduíche de fraldinha no pão francês com alface saía por R$ 15.

Pelo mesmo preço, era possível comprar “Carta ao Pai”, de Franz Kafka. Já um pastel, que na ECA (Escola de Comunicação e Arte) custa por volta de R$5, saía por R$8. A feira terminou nesta sexta (12).

Artigo: A Amazon é aliada ou algoz dos editores?

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Comparei preços oferecidos por oito lojas virtuais. E não era a Amazon quem oferecia os maiores descontos

Imagem: Google

Imagem: Google

Carlo Carrenho em O Globo

Na última quinta-feira, a Amazon lançou sua loja virtual de livros físicos no Brasil. A partir de então, os profissionais do livro não têm outro assunto: a chegada da gigante e suas consequências para o mercado. Mas por que editores se preocupam tanto com isso? Afinal, a abertura de um novo canal de vendas deveria ser comemorada. E se esse canal é eficiente para oferecer bons descontos e atrair leitores, um tanto melhor, não?

A realidade é mais complicada. Muitos editores temem que descontos acirrados quebrem livrarias independentes e até tirem concorrentes de peso do mercado, dando à Amazon uma condição próxima do monopólio. Seria então questão de tempo para a empresa começar a exigir condições draconianas. Esse temor não é infundado, uma vez que a gigante norte-americana trava hoje batalhas de negociação com a Hachette nos EUA e com a Bonnier na Alemanha, fazendo uso de seu arsenal monopolista.

É importante, portanto, olhar a questão objetivamente. No último sábado, comparei os preços oferecidos por oito lojas virtuais para os 20 livros mais vendidos do país segundo a lista do boletim de notícias do mercado editorial PublishNews. E não era a Amazon quem oferecia os maiores descontos. Na realidade era o Extra quem praticava os melhores preços para 13 livros da lista, entre eles “A culpa é das estrelas” e “Getúlio — 1945-1954”. O desconto médio oferecido pelo Extra era de 46,19%, enquanto o Ponto Frio, do mesmo grupo, operava com 42,24%. A Amazon, com seu desconto médio de 41,55%, ocupava apenas a terceira posição. A Saraiva vinha logo a seguir, oferecendo 37,37% de desconto médio, seguida por Livraria da Folha, Fnac, Cultura e Submarino.

Como os descontos são maiores para best-sellers e menores para livros de catálogo, conclui-se que os descontos oferecidos pela Amazon não estão fora do padrão do que já era praticado pelo mercado brasileiro. É claro que sua chegada joga lenha na fogueira da guerra de preços, que ganhará ritmo acelerado e maior truculência, mas não se pode acusar a Amazon nem de ter começado a guerra, nem de oferecer os maiores descontos por enquanto.

Ainda assim, a defesa de uma lei do preço fixo para o livro ganha força entre editores e livreiros. O problema é que quem pagará a conta do preço fixo é o leitor, que não terá mais descontos. Vale lembrar que a Alemanha tem preço fixo, mas isso não impediu a Amazon de crescer e pressionar os editores.

O mercado de livros deve lembrar que hoje seu maior concorrente são as outras indústrias do entretenimento. Nos últimos dez anos, o PIB brasileiro cresceu 41,82%, e o faturamento das editoras apenas 7,34%, segundo números da Câmara Brasileira do Livro. A indústria do livro, portanto, está perdendo espaço, apesar do crescimento da classe C, do aumento de universidades e da queda do analfabetismo funcional. Nesse cenário, a Amazon está mais para uma aliada do editor do que para seu algoz. Mas tudo pode mudar no futuro, e não seria nem de longe a primeira traição da História por razões mercantilistas.

Livros físicos podem ter preços congelados no Brasil por causa da Amazon

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Imagem: Google

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Nilton Kleina, no Tecmundo

A venda de livros físicos pela Amazon no Brasil, iniciada na última quinta-feira (21), pode desencadear uma verdadeira guerra no comércio nacional de livros. Segundo o site PublishNews, grupos do setor editorial não descartam pedir o congelamento dos preços para evitar que a mais nova concorrente receba muito destaque por conta de descontos e promoções.

Uma reunião entre CBL (Câmara Brasileira do Livro), Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), Libre (Liga Brasileira de Editoras) e ANL (Associação Nacional de Livrarias) teria acontecido na semana passada, durante a Bienal do Livro de São Paulo, para analisar a situação e buscar um consenso.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, uma carta será produzida e entregue aos candidatos à Presidência do país contendo propostas de regulamentação do mercado. Elas incluiriam incentivo a pequenos e médios editores e publicadores, melhorias na distribuição de produtos e a tão polêmica medida para fixar preços — algo que ainda não é unânime nem mesmo entre os tais órgãos, mas é defendido por uma boa parcela.

Essa medida impediria descontos, especialmente em lançamentos, e fixaria um preço por tempo limitado para obras. Ainda assim, ela talvez não vire uma realidade, já que nem foi formalizada porque não são todas as entidades que concordam com a proposta.

A França já adota essa fórmula e outros países criticam duramente a Amazon por conta da prática “predatória” de descontos considerados abusivos ou muito abaixo da taxa de mercado e frete grátis, entre outros exemplos.

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