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Versivox e o Livrinho Sonoro

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Guilherme Mendicelli, no Livros e Afins

O  (Página do Versivox no Facebook), um trio litero-musical de Belém-PA, levou, no dia 25 de maio, ao Sesc Boulevard, a apresentação do projeto infantil “Livrinho Sonoro”.

O “Livrinho Sonoro” é um sarau musical criado para o público infantil. Nele se une poesia,  e contação de histórias. A intenção do grupo é transformar a poesia em uma grande brincadeira e fazer com que as crianças adquiram desde cedo a paixão pela literatura.

O enredo é lírico. O principal objeto é um grande livro dentro do qual existem diversos outros. Desses, apenas um é o famoso: “livrinho sonoro”.

Nessa grande brincadeira, o trio usa de todos os artifícios para tratar de temas de importância para as crianças no mundo atual, como amizade, amor à arte e combate ao preconceito.

O Versivox é um trio composto e desenvolvido pelo poeta Carlos Correia Santos e pelos músicos Júnior Cabrali e Alberson Alves. O principal objetivo do grupo é celebrar e espalhar a poesia de uma maneira diferente, com bases sonoras de composição própria do grupo, tanto no universo infantil quanto no universo adulto.

“Queremos, muito abusadamente, fazer o grande público se reaproximar da recitação poética. Nosso compromisso é mostrar que os saraus de poemas podem ser plugados, cênicos. Nosso desejo é ter nas plateias gente de toda idade. Especialmente os jovens, que andam tão distantes da arte das letras”. Explica Carlos Correia Santos.

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As maiores declarações de amor da literatura universal

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O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli

O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli

Car­los Wil­li­an Lei­te, no Revista Bula

Dando sequencia a série de melhores trechos de livros, pedi aos leitores, seguidores do Twitter e Facebook — escritores, jornalistas, professores —, que apontassem, entre passagens literárias memoráveis, quais eram as maiores declarações de amor da história da literatura.

Na lista, aparecem personagens dos mais díspares perfis, em comum entre eles, apenas a paixão flamejante. De Humbert Humbert, personagem de Vladimir Nabokov, descrevendo Dolores Haze, em “Lolita”— o mais citado —,  até a metáfora da pedra de Bolonha, do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, que imortaliza não apenas o amor de Werther por Carlota, mas todos os grandes amores da literatura universal.

Abaixo, a lista baseada no número de citações e uma pequena amostra do amor incendiário dos personagens selecionados.

Carta a D.
André Gorz
(De André Gorz para Dorine Keir)

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher. Eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado. Por que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é o que existe de mais importante na minha vida?

Primo Basílio
Eça de Queiroz
(De Basílio para Luísa)

Que outros desejem a fortuna, a glória, as honras, eu desejo-te a ti! Só a ti, minha pomba, porque tu és o único laço que me prende à vida, e se amanhã perdesse o teu amor, juro-te que punha um termo, com uma boa bala, a esta existência inútil. E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante.

Dom Quixote
Miguel de Cervantes
(De Dom Quixote para Dulcinéia)

Ó Dulcinéia del Toboso, dia da minha noite, glória da minha pena, norte dos meus caminhos, estrela da minha ventura (assim o céu te depare favorável em tudo que lhe pedires!), considera, te peço, o lugar e o estado a que a tua ausência me conduziu, e correspondas propícia ao que deves à minha fé! Ó solitárias árvores, que de hoje em diante ficareis acompanhando a minha solidão, dai mostras com o movimento das vossas ramarias de que vos não anoja a minha presença! Ó tu, escudeiro meu, agradável companheiro em meus sucessos prósperos e adversos, toma bem na memória o que vou fazer à tua vista, para que pontualmente o repitas à causadora única de tudo isto!

Romeu e Julieta
William Shakespeare
(De Julieta para Romeu)

Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.

Lolita
Vladimir Nabokov
(Humbert sobre Dolores Haze)

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.  Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.

Os Sofrimentos do Jovem Werther 
Johann Wolfgang von Goethe
(Werther sobre Carlota)

Hoje não pude ir ver Carlota, uma visita inesperada me segurou em casa. Que havia a fazer? Mandei o meu criado ao encontro dela, só para ter junto de mim alguém que tivesse estado em sua presença. Com que impaciência o esperei, com que alegria tornei a vê-lo! Não tivesse vergonha e teria me atirado ao seu pescoço e coberto seu rosto de beijos. Falam que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, absorve seus raios e reluz por algum tempo durante a noite. Dava-se o mesmo comigo e aquele rapaz. A lembrança de que os olhos de Carlota haviam pousado em seu rosto, em suas faces, nos botões de sua casaca e na gola de seu sobretudo, tornava-o tão querido, tão sagrado para mim!

A Trégua
Mario Benedetti
(Martín Santomé sobre Avella­neda)

Ah, os velhos tempos em que Avellaneda era só um sobrenome, o sobrenome da nova auxiliar (faz apenas cinco meses que anotei: A mocinha não parece ter muita vontade de trabalhar, mas pelo menos compreende o que a gente explica), a etiqueta para identificar aquela pessoinha de testa ampla e boca grande que me olhava com enorme respeito. Ali estava ela agora, diante de mim, envolta em sua manta. Não me lembro de como era ela quando me parecia insignificante, inibida, nada além de simpática. Só me lembro de como é agora: uma deliciosa mulherzinha que me atrai, que me alegra absurdamente o coração, que me conquista.

dica do Walter Mendes

Em busca dos melhores alunos, universidades investem em bolsas

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Publicado por Terra

O esforço ao longo de 2012 rendeu à estudante Luiza Leite Vanzin a aprovação no vestibular para Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o primeiro lugar do mesmo curso no turno da tarde da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Com o bom desempenho, a jovem ainda ganhou uma bolsa de estudos para cursar a graduação na universidade privada.

Na PUC-RS, atualmente 129 alunos têm isenção total na mensalidade. Segundo a pró-reitoria acadêmica da universidade, o objetivo é captar e manter nas turmas alunos com alto desempenho, o que ajuda a qualificar a formação geral. O projeto existe desde 2007 e, no último vestibular, disponibilizou 53 novas bolsas para os melhores colocados.

Na corrida pelo vestibular – em que as instituições públicas são o desejo de grande parte dos candidatos -, conquistar a isenção ou um bom desconto em uma universidade privada é um alívio no bolso. No curso de Direito da PUC-RS, significa economia de cerca de R$ 81 mil, divididos em dez semestres, ou cinco anos.

Para estudar medicina, a bolsa se torna ainda mais atrativa, já que o valor total passa de R$ 151 mil. Luiza conta que muitos colegas de pré-vestibular estudavam para provas de medicina de olho em bolsas mérito. “Como é bem difícil passar na federal, a bolsa integral na universidade privada acaba sendo mais uma opção, e muita gente estuda com o objetivo de tirar o primeiro lugar”, conta.

A estudante gaúcha acabou optando pela UFRGS, e sua bolsa vai para o segundo colocado na prova. “Meu objetivo sempre foi passar na federal. Ainda assim, eu queria ir bem na PUC porque sabia que, se ganhasse a bolsa, poderia ir mais tranquila para a prova da UFRGS. Se eu não conseguisse, ao menos uma vaga estaria garantida”, diz.

Entre os motivos pelos quais a jovem 16 anos optou pela federal está a boa colocação que o curso de Direito obteve na taxa de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em que alcançou o quinto lugar. “A conquista da UFRGS foi o que eu realmente queria e o que me fez feliz”, comemora.

Em Pernambuco, bolsa prêmio cede espaço a outras iniciativas

Além das bolsas integrais, há possibilidade de conquistar vagas com desconto. Na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), alunos aprovados em primeiro lugar têm isenção total no valor da primeira parcela do semestre. A faculdade arca com 25% das despesas de mensalidade nos meses seguintes. No curso de engenharia química, cujo valor do crédito, de R$ 979,57 (referente a 2012), é o mais alto da graduação, uma bolsa significaria economia de R$ 244 todos os meses, depois da primeira parcela.

A universidade costumava ceder bolsa integral ao primeiro lugar, seguida de descontos menores para os segundos e terceiros colocados, mas decidiu restringir a política de bolsa prêmio para dar espaço a outras iniciativas de assistência. Segundo a pró-reitora de ensino acadêmico, Aline Grego, a decisão permitiu aumentar o número de bolsistas de outros programas na universidade – atualmente, cerca de 50% dos alunos recebem algum tipo de benefício. Apenas os alunos de licenciaturas não recebem isenção por bom desempenho, já que o valor dos créditos do curso já tem abatimento.

A iniciativa de premiar os melhores colocados das outras faculdades, no entanto, não deve perder força. “A bolsa prêmio é uma recompensa a alguém que se esforçou para mostrar competência. É um projeto que deve continuar”, diz.

Agonias ilustradas

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Jeferson Bandeira, no Portal Cronópios

Cavalo de Troia

Da dor fez palavras. Congelada chaga em fingidas páginas. O infeliz, ao abrir o livro, sedento por antídoto, não mais escapa ao inexorável abismo.

Felicidade clandestina

Primeiro encontro, inesquecível. Opondo-se às amigas, passa escondida e afobada às estantes. Acuada, cola-o ao peito. De sôfrega a corada, exala o aroma da eterna descoberta.

Hipocondríaco

Só havia um remédio: suicidou-se.

Fé no amor

Num passe, baixou-lhe um espírito sinistro: o amante da mulher. Fez revelações assombrosas e únicas. Cético, largou a mediunidade.

Dia da caça

– Parado, ou eu atiro.
Pobre Cupido, não imaginava ser Hermes aquele homem transvestido.

Passagem

Dois olhos se apagam na terra. Brilha nova estrela no céu.

Grande cartada

Amapola descobriu os dentes de ouro da avó. Numa jogada de mestre, cobriu sua dívida de pó. Mês que vem estuda abrir o túmulo do avô.

ABC

Desejo de infância. No órfão vagar pelas agruras do destino, tropeça num surrado dicionário, obsoleto e desprovido do V. Atroz sina, nunca conceber o sentido da palavra vida.

Quase quixotesco

À noite, picava lençóis. Vencia, a bengaladas, o ventilador. Franzino, guardado pela sobrinha, Alonso amava novelas de cavalaria. Só não amaria uma Dulcineia. Odiava analogias.

Luar sem pouso

Nas temerosas noites de inverno, se envolvia em papelões e desprezados jornais. Tão branca, deitada naquela atmosfera negra e fria da calçada, fazia de ninho o colo do menino.

Multifuncional

Na identidade, masculino. No jeito de ser, feminino. No trabalho, o que o cliente pedisse.

*Micronarrativas do livro Agonias ilustradas

*Micronarrativas do livro Agonias ilustradas

O livro é um objeto sensual

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Imagem: Google

Publicado no blog do Sostenes Lima

O desejo de ver está presente na leitura. A capa, a encadernação de um livro são sua roupa. Indicam um nome, um título, um pertencer (a casa editora) que se propõem ao olhar e o atraem.

Quando o livro está na estante de uma biblioteca, seu acesso é fácil para o olhar em busca de prazer; quando está posto na vitrine de uma livraria, esta barreira transparente aumenta nossa curiosidade. Entramos na livraria pra ‘dar uma olhada’. Exceto no caso em que já sabemos o que queremos e pedimos ao livreiro, não gostamos de ser perturbados em nossa inspeção. Fuçamos até que, atraídos por um vago indício, seguramos um livro. Aí começa o prazer, quando o abrimos, tocamos, folheamos, sondamos aqui e ali. Se o livro não está com as páginas cortadas, às vezes somos obrigados a fazer uma pequena acrobacia ocular para ler uma página pregada por cima ou pelo lado, pois é justamente aquela passagem que nos interessa.

Enfim, é preciso escolher. Se a promessa de prazer nos parece que vai poder ser mantida, pagamos o preço do livro e partimos abraçados com ele. Dependendo de se não nos desagrada mostrá-lo em nossa posse ou se algum pudor nos leva a esconder a sua identidade, o mostraremos nu ou embrulhado. Para ler, precisamos nos isolar com o livro – em público ou em particular – e às vezes em lugares bem estranho e a priori pouco propícios a este tipo de exercício.

O que nos leva a ler? A busca de um prazer pela introjeção visual que satisfaz uma curiosidade.

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Texto extraído de: André Green. Literatura e psicanálise: a desligação. In: Luiz Costa Lima (Org.). Teoria da literatura em suas fontes. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 233-234.
(O título “O livro é um objeto sensual” não consta no original).

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