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Fonte especial facilita a leitura de disléxicos

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Letras afinadas e outras diferenças marcam proposta de um designer alemão

FONTE PARA PESSOAS QUE TÊM PROBLEMAS COM DISLEXIA (FOTO: REPRODUÇÃO)

FONTE PARA PESSOAS QUE TÊM PROBLEMAS COM DISLEXIA (FOTO: REPRODUÇÃO)

Rennan A. Julio, na Revista Galileu

Um designer alemão decidiu criar uma fonte específica para facilitar a vida das pessoas com dislexia. Ajustando-se às dificuldades de leitura – proporcionadas por uma formação diferenciada do encéfalo –, as letras foram desenhadas para não se “moverem” com tanta frequência. “Pessoas com dislexia inconscientemente trocam, rodam e espelham letras em suas mentes”, disse Christian Boer.

“Letras tradicionais tornam esse problema ainda pior, pois são baseadas em outros designs mais antigos. Isso cria ‘letras-gêmeas’ para pessoas com dislexia”, conta o designer. Chamada de “Dislexie”, a fonte de Boer prima por diferenciar letras parecidas como “b” e “d” – ambas possuem formatos desiguais e são inclinadas para o lado.

Além disso, todas as letras são afinadas em cima. Para Boer, essa é uma técnica “capaz de fazer a pessoa disléxica não rodar as letras”. A fonte criada por Boer pode ser instalada por este link aqui.

LETRAS GÊMEAS COM CARACTERÍSTICAS DIFERENTES NA DISLEXIE (FOTO: REPRODUÇÃO)

LETRAS GÊMEAS COM CARACTERÍSTICAS DIFERENTES NA DISLEXIE (FOTO: REPRODUÇÃO)

Caneta, papel e WhatsApp

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Durante cinco dias, troquei o teclado pelo bloquinho para descobrir o que estamos perdendo com o fim da escrita à mão

OLHA O TORPEDO: DURANTE ESSA EXPERIÊNCIA, MANDEI MENOS DE UM TERÇO DO NÚMERO DE MENSAGENS QUE MANDARIA NORMALMENTE (FOTO: JULIA RODRIGUES/EDITORA GLOBO)

OLHA O TORPEDO: DURANTE ESSA EXPERIÊNCIA, MANDEI MENOS DE UM TERÇO DO NÚMERO DE MENSAGENS QUE MANDARIA NORMALMENTE (FOTO: JULIA RODRIGUES/EDITORA GLOBO)

Thiago Tanji, na Revista Galileu

Era sexta-feira, 4 de julho, dia de Brasil x Colômbia na Copa do Mundo, e o grupo criado pelos meus amigos de infância no WhatsApp estava movimentado. Eu também queria dar meus pitacos sobre o jogo, mas tive que me conter. É que, em vez de simplesmente digitar meia dúzia de palavras ou mandar um emoji mal-educado sempre que o Fred (não) encostava na bola, precisei recorrer a outro método para me comunicar: pegava uma caneta, anotava a mensagem em um bloquinho, tirava uma foto e, enfim, enviava a imagem para o pessoal. Foi assim durante longos cinco dias. O objetivo era entender na prática o que estamos perdendo ao deixar de escrever à mão.

Uma série de estudos recentes mostrou que diferentes regiões do cérebro são ativadas com muito mais intensidade quando você escreve um texto à mão do que quando ele é digitado no teclado. Mas uma pesquisa encomendada pelo site britânico Docmail constatou que, em média, os adultos passam até 41 dias seguidos sem rabiscar nada. Ao receber as primeiras mensagens manuscritas no WhatsApp, algumas pessoas continuaram o chat normalmente, provavelmente pensando se tratar de um hábito excêntrico ou um problema com meu smartphone. Os mais chegados, no entanto, xingaram minha letra e ainda tiraram onda, dizendo que era tudo uma pegadinha armada pelos editores de GALILEU (nota do editor: imagina!).

Precisei explicar a eles que a experiência tinha fins nobres e foi inspirada no relato da designer americana Cristina Vanko, que, interessada em exercitar sua caligrafia, propôs a ela mesma o desafio de não enviar mensagens utilizando o teclado do celular durante uma semana.

Durante a experiência, Cristina enviou cem mensagens, número bem inferior à média de 500 textos trocados a cada semana por jovens americanos de 18 a 24 anos. “Esse projeto me ajudou a perceber como somos dependentes desse tipo fácil e rápido de comunicação”, ela conta. Minha média de mensagens também recuou bastante durante os cinco dias de abstinência: foram só 32, contra mais de cem que enviaria normalmente. E foi fácil perceber a diferença entre digitar um texto e escrevê-lo de próprio punho: a impossibilidade de corrigir as falhas instantaneamente nos obriga a pensar nas palavras com mais cuidado e acabamos nos expressando melhor.

GARRANCHOS: RECEBI RECLAMAÇÕES DOS AMIGOS E ATÉ DO DIRETOR DE REDAÇÃO DE GALILEU (A PARTE DO ALMOÇO ÀS 11H30 É BRINCADEIRA) (FOTO: REVISTA GALILEU)

GARRANCHOS: RECEBI RECLAMAÇÕES DOS AMIGOS E ATÉ DO DIRETOR DE REDAÇÃO DE GALILEU (A PARTE DO ALMOÇO ÀS 11H30 É BRINCADEIRA) (FOTO: REVISTA GALILEU)

ESCREVA PARA TIRAR DEZ
Em um estudo feito em Princeton e na Universidade da Califórnia, o psicólogo Daniel Oppenheimer, professor da UCLA, comparou o desempenho de alunos que usaram um notebook para registrar o conteúdo de uma aula com aqueles que escreveram as notas de próprio punho. Depois da exposição teórica, os alunos foram submetidos a um teste. E quem escreveu as notas à mão se saiu melhor. “Quando têm um computador, os alunos podem escrever cada palavra que o professor diz. Já quem está escrevendo à mão precisa ouvir a explicação com maior cuidado e anotar com suas próprias palavras”, ele esclarece. Isso motiva um processo mais profundo de aprendizado, que permite recordar os conceitos de maneira efetiva.

Preocupada com a tendência das escolas de abandonar a escrita à mão, a psicóloga Karin James, da Universidade de Indiana, coordenou uma outra pesquisa. Ela exibiu diferentes letras em fichas para crianças não-alfabetizadas e pediu que elas reproduzissem o que tinham visto de três maneiras diferentes: digitando a letra correspondente no teclado, desenhando seu traçado em uma linha pontilhada e escrevendo de maneira livre. Um aparelho de ressonância magnética constatou que, quando as crianças digitaram ou desenharam sobre a linha pontilhada, o estímulo cerebral foi significativamente mais fraco (veja o box).

Para colaborar com a preservação da escrita à mão, o programador alemão Falk Wolsky criou a VibeWrite, uma caneta que detecta o traçado das palavras por meio de um sensor e emite uma vibração quando constata um erro. O usuário pode escrever em qualquer superfície e um dispositivo sem fio reproduz a mensagem no celular. Jessica White, porta-voz da VibeWrite, já escolheu seu público-alvo: “Queremos que a caneta seja usada pelos médicos. Eles podem escrever as receitas e já transferi-las para o computador”. Parece que a classe dos farmacêuticos já planeja fazer lobby para trazer a caneta ao Brasil.

UMA MÃO PARA O CÉREBRO
Escrever de próprio punho produz estímulos cerebrais mais intensos

Na pesquisa conduzida pela psicóloga Karin James, as crianças que desenharam de modo livre exibiram um aumento de atividade cerebral em três áreas intimamente relacionadas ao processo de cognição de escrita e leitura.

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Uma escola sem paredes

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Publicado originalmente no Hypeness

Quem não gostaria de estudar na Vittra Telefonplan, na Suécia? O conceito deles aborda o fato de que o ambiente escolar é a maior ferramenta de aprendizagem. A escola tem cinco ambientes divididos em : A caverna (um espaço reservado para estudar), O laboratório (experiências e trabalho prático), Fogueira (Aulas em grupo), O furo (um lugar para desenvolver nossos impulsos), e o Teatro (Um lugar para se mostrar e descobrir coisas novas).

Criação do arquiteto Rosan Bosch.

Não basta ser livro, tem de ser artístico (ou excêntrico)

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Ederval Fernandes, no Obvious

Nem só da palavra impressa o livro é feito. A editora CosacNaify esforça-se para fazer o leitor compreender que, antes do livro como mito, há o objeto de papel, quadrado e achatado, que pode ser confeccionado das formas mais variadas possíveis – contendo uma fotografia de um metro de comprimento ou tendo que descosê-lo para lê-lo.

 

Imagina. Você compra um livro e ele chega costurado. Isso mesmo, costurado à linha. É preciso descosturar o livro para lê-lo. Você se pergunta: como vou fazer isso? Então lembra que um cortador de unhas ou uma faca pequena podem lhe auxiliar. Até aí tudo bem, você pensa, afinal é uma excentricidade: o livro parece um ficheiro, natural que esteja “lacrado”.

Depois de aberto você percebe que as páginas têm um cheiro artificial de bolor, de mofo, de coisa velha. Que coisa! – você exclama. Ainda tem mais: é preciso, para que você finalmente ache o texto, romper as folhas do livro, que estão coladas e exibem apenas uma entediante sucessão de tijolos nas faces externas – o texto está dentro, protegido.


Vou precisar da faca para cortar as folhas, você pensa, e então você percebe que dentro do livro veio uma lâmina de plástico que mais parece – e é – um marcador de página muito bonito. É com essa lâmina que você vai ter que cortar cerca de 40 páginas para começar a ler o livro.

 

O livro em questão é Bartleby, o escrivão – uma história de Wall Street, do escritor estadunidense Herman Melville. Por trás desta excêntrica edição, e de muitas outras – há uma edição onde as letras vão sumindo de acordo com o passar das páginas – está a editora paulista CosacNaify.

Desde de 1997, quando pôs nas livrarias o seu primeiro livro – Barroco de Lírios, do artista plástico Tunga, a editora vem colecionando prêmios e mais prêmios de design dentro e fora do Brasil. Barroco de Lírios causou enorme impressão no mercado editorial, e não julgo nenhum absurdo afirmar que criou novos paradigmas para este mercado. Continha mais de 10 tipos de papel diferentes e recursos como, por exemplo, uma fotografia de uma trança que, desdobrada, chegava a um metro de comprimento.

Quem acompanha mesmo timidamente o universo de publicações de livros aqui no Brasil, percebeu que gigantes como a Companhia das Letras começaram a apurar mais esteticamente suas edições. Exemplo disso são as novos volumes da obra de Jorge Amado, muito coloridos ao sabor estético do escritor baiano e recheados de fotografias raras e informações adicionais que criam uma ótima atmosfera para a leitura da obra.

 

De 97 até agora, segundo dados da própria editora, foram pouco mais de 750 títulos publicados entre literatura, artes, design, moda, música, e outros mais. Uma a uma, as edições vão impressionando pelo apuro estético ou pela maneira excêntrica como são concebidas. Alguns leitores acham certas edições excessivas, outros enaltecem a editora como uma dádiva de Deus e estão crentes de que qualquer literatura ordinária ganha contornos dignos se publicada pela CosacNaify.

Enfim, vai da ética de cada leitor, que nem sempre é a mais certa – e muito menos a mais errada. Quem há de condená-los?

 

 

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