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MEC ressalta que incentiva formação, mas interesse de jovens pelo magistério cai

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Plano de carreira e valorização da profissão poderiam melhorar cenário, dizem especilistas

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Publicado em O Globo

Os baixos salários, a falta de reconhecimento social da profissão, as péssimas condições de trabalho e o cansaço são os fatores que mais contribuem para o desinteresse dos jovens pelo magistério, segundo especialistas. Os mesmos aspectos desestimulam os professores de longa data a permanecerem nas salas. Como reportagem do GLOBO mostrou ontem, ao longo dos próximos seis anos, cerca de 40% dos professores do ensino médio terão condições de se aposentar, de acordo com um relatório do Ministério da Educação (MEC). O quadro fica preocupante quando constata-se que o número de formandos em cursos de licenciatura de disciplinas da educação básica vem caindo — 16% entre 2010 e 2012.

— Este já é um problema sistêmico. A rede estadual de São Paulo perde, por semana, oito professores. A prefeitura perde três. O jovem que entra no magistério tem um duro choque de realidade. Isso gera um desestímulo que, quando não o faz desistir, vai se arrastando até a aposentadoria — diz Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que defende uma melhor remuneração inicial e plano de carreira.

Pesquisadora da faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Paula Louzano sinaliza que, de acordo com os dados do Censo da Educação Superior de 2013, o maior problema é atrair profissionais formados em licenciatura para a carreira no magistério.

— Ser professor requer um saber específico, assim como para ser médico ou engenheiro. Mudar a percepção social de que qualquer um pode ser professor é essencial, além de uma valorização salarial e uma perspectiva de crescimento na carreira — comenta Paula.

O Ministério da Educação (MEC) ressalta que coordena estratégias voltadas à formação de professores, como o Parfor, que oferece cursos emergenciais presenciais de licenciatura; a Universidade Aberta do Brasil (UAB), com cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada; e o Pibid, que visa a melhorar a educação básica fazendo uma ponte entre estudantes universitários e as salas de aula, mas cujos participantes chegaram a relatar atrasos no pagamento das bolsas este ano.

No estado do Rio, o subsecretário de Gestão de Pessoas da Secretaria de Educação, Antoine Lousao, garante que a pasta vem se resguardando para evitar gargalos com aposentadorias de professores. Segundo ele, a rede já chegou a ter carência de 12 mil profissionais em 2010. Hoje, são 500. A redução foi possível através de políticas de valorização salarial e aumento no número de concursos.

— Fazemos uma projeção de todas as possíveis aposentadorias no ano e, com base nisso, convocamos os aprovados em concursos. A falta que ainda temos se refere às áreas em que há carência de profissionais ou dificuldades geográficas — diz.

Desinteresse cresce e faltam 170 mil professores na educação básica do país

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A professora Lídia Soares: esforço ainda pouco reconhecido

A professora Lídia Soares: esforço ainda pouco reconhecido

Baixo prestígio profissional, salários pouco atrativos e problemas sociais nas salas estão entre os fatores que tornam a docência menos atraente. Especialista estima que a reversão do quadro leve 20 anos

Marcia Maria Cruz, em O Estado de Minas

Baixos salários, falta de progressão na carreira e reflexos de problemas sociais dentro da escola tornam pouco atrativa uma profissão essencial para o desenvolvimento do país: a de professor. A última estimativa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) dá conta de que faltem 170 mil docentes nos níveis fundamental e médio no país. Porém, mesmo quando estão nas salas de aula, muitos deles não têm a qualificação necessária para a formação dos estudantes. Em Minas, cerca de 29 mil professores não têm licenciatura, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Educação. Nas universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Ouro Preto (Ufop), parte das vagas ociosas decorre do baixo interesse pelos cursos de licenciatura, que formam docentes, principalmente na área de exatas, para disciplinas como matemática, física e química. E recuperar esse tempo perdido pode levar décadas.

Especialistas alertam que não só os baixos salários tornam a docência menos atraente. Além da remuneração, faltam planos de carreira e ainda é preciso lidar com questões como desagregação familiar e agressões em sala de aula, que extrapolam o âmbito da educação. “Vemos um crescente desinteresse pelas áreas de licenciatura e pedagogia. Paga-se mal e as condições são péssimas. Por isso, as pessoas vão para outras carreiras”, diz Fernando Kutova, professor e diretor da Conexa Eventos, empresa especializada na formação de professores da educação básica.

O especialista alerta para a gravidade do problema. “Não teríamos médicos, advogados, sem professor da educação básica. Mas esse profissional vem perdendo o status que tinha”, afirma. Segundo ele, o governo federal deveria fomentar um plano de carreira que pudesse atrair profissionais. Mas não é uma solução de curto prazo. O processo para reverter o quadro levará pelo menos 20 anos, pelos cálculos do especialista. “No Brasil, educação é um problema social. Como se vai conseguir que o professor se interesse, diante dos baixos salários? Soma-se a isso o fato de que os alunos enfrentam diversos problemas sociais. Não adianta apenas falar que o salário vai dobrar”, diz.

Fernando conta como Cingapura, na Ásia, conseguiu melhorar a educação a partir da valorização do docente da educação básica. Houve um aumento na procura pelos cursos de licenciatura depois que o país instituiu um programa de trainee. Os professores faziam uma prova para entrar no projeto e, depois de um ano, o desempenho era medido a partir do aprendizado dos alunos. “Se o educador passasse nessa prova, estaria habilitado a entrar em uma instituição pública. Se, em um ano, os alunos tivessem um nível de proficiência mais elevado, o educador então passaria a fazer parte da categoria e teria salários equiparados aos profissionais liberais”, diz.

Guilherme Alcântara e Helena Tonelli Reis integram grupo que desafia problemas e se inspira em exemplos para sonhar com o magistério

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DESPRESTÍGIO

Na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a ociosidade de vagas chega a 10%, tendo o desinteresse pelos cursos de licenciatura como uma das causas. “A universidade faz o seu papel, no sentido de mostrar e divulgar os cursos. Mas a carreira de professor ainda é pouco reconhecida. Não tem o destaque que deveria em termos salariais e de prestígio”, pontua o pró-reitor de Graduação, Marcílio Sousa da Rocha Freitas. A universidade oferece 14 cursos de licenciatura.

A falta de professores no ensino básico faz com que muitos profissionais tenham que se desdobrar em mais de duas escolas. É o caso da professora Lídia Gonçalves Soares, de 50 anos, que trabalha nas redes públicas de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana. Ela lembra que, devido à falta de educadores, até o ano passado não era possível manter o horário de planejamento de aulas. Agora, ela comemora o fato de ter tempo para preparar conteúdo e se capacitar. “Tivemos avanços. Hoje temos bons livros didáticos, a escola em que trabalho tem boa infraestrutura, mas nós, professores da educação básica, não somos reconhecidos. Ainda somos pouco valorizados”, diz. (mais…)

Em Frankfurt, Paulo Coelho critica desdém do governo por literatura

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Paulo Coelho é cercado por fãs e seguranças durante a Feira do Livro (Foto: Arne Dedert/Efe)

Paulo Coelho é cercado por fãs e seguranças durante a Feira do Livro (Foto: Arne Dedert/Efe)

Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

Um ano após cancelar participação na comitiva que representou o Brasil como país homenageado da Feira do Livro de Frankfurt, Paulo Coelho compareceu ao maior evento editorial do mundo como centro das atenções.

O autor falou na quarta (8) a um auditório de 200 lugares lotado, a convite da organização. O tema era o futuro da leitura, mas Coelho enveredou por vários temas e contou histórias à plateia.

Depois, em entrevista à Folha, criticou a falta de empenho do governo brasileiro em manter o interesse estrangeiro pela literatura do país –estimular a edição de obras nacionais no exterior era o maior objetivo da participação do Brasil na feira de 2013.

“A queda no número de traduções de obras brasileiras na Alemanha [de 70, entre 2012 e 2013, para quatro em 2014] diz tudo. Faltou continuidade”, afirmou.

Em 2013, Coelho estava na lista dos 70 autores escolhidos pelo Ministério da Cultura para da homenagem ao Brasil em Frankfurt, mas cancelou a participação por desavenças com a organização da comitiva nacional.

Neste ano, apenas cinco autores foram convidados pelo MinC para participar da Feira de Frankfurt, o que decepcionou a organização do evento. Segundo Marifé Boix Garcia, vice-presidente da feira para a América Latina, os países convidados costumam comparecer com mais peso ao evento no ano seguinte à homenagem para continuar a divulgar sua literatura.

PREÇO DOS E-BOOKS

O assunto central da mesa de Coelho em Frankfurt foi o preço dos livros eletrônicos, que o autor defende que sejam mais baixos do que hoje, como forma de conter a pirataria e aumentar as vendas.

“As pessoas não pirateiam porque são desonestas, mas porque não têm acesso a certos bens culturais”, disse.

Juergen Boos, presidente da feira, que fazia a mediação, questionou o que aconteceria com as pessoas que vivem do livro -tradutores, ilustradores, editores – se os preços fossem tão mais baixos como sugeria o autor.

“Muita gente vive dos meus livros”, disse Coelho “Fizemos a experiência de baixar o preço dos meus e-books nos EUA para US$ 0,99 e eles venderam várias vezes mais.”

A fala de Coelho ocorreu num momento em que o mercado alemão bate de frente com a Amazon por considerar predatórios os descontos promovidos pela varejista.

Questionado sobre a postura da loja, Coelho disse à Folha que não comentaria casos específicos. Os livros no site do autor são vendidos por meio de links para a Amazon.

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