Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Deu

Ana Maria Machado diz que prêmio é ‘reparação de injustiça’

0

Escritora venceu o Passo Fundo Zaffari & Bourbon com ‘Infâmia’

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Ana Maria Machado já ganhou muitos prêmios, como o Hans Christian Andersen, o mais importante do mundo para a literatura infantil, e o Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Mas nada repercutiu tanto quanto a derrota que sofreu no Jabuti, no ano passado. Ela era a favorita de dois dos três jurados, mas sua obra perdeu por causa desse terceiro, o famoso jurado C, que deu zero para seu livro.

Claudio Tavares/Divulgação A escritora Ana Maria Machado

Claudio Tavares/Divulgação
A escritora Ana Maria Machado

O título em questão era Infâmia (Alfaguara), e a hora dele finalmente chegou. Terça, na abertura da 15.ª Jornada de Literatura de Passo Fundo (RS), ele foi anunciado como o romance vencedor do 8.º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, no valor de R$ 150 mil – um dos mais altos do País. Concorreram obras escritas em português e publicadas no Brasil nos últimos anos. Ao lado dela, na lista de finalistas, nomes como João Gilberto Noll e Luiz Ruffato.

“Quando soube do prêmio, a sensação de reparação de uma injustiça entrou forte na alegria”, comentou ontem, em Passo Fundo. “Na vida, as coisas tendem a seguir um equilíbrio. Talvez a linguagem popular dissesse ‘O que é do homem o bicho não come’. Talvez o Zagalo dissesse ‘Tiveram que me engolir’”, brincou a imortal e presidente da Academia Brasileira de Letras.

Baseado em fatos reais, Infâmia fala do limite entre o verdadeiro e o falso. São dois os personagens principais: um embaixador que recebe um envelope com documentos sobre sua filha morta e um funcionário público falsamente acusado de corrupto.

Ana Maria terminou há pouco um infantil, que está descansando “na nuvem”. Entre outubro e novembro lança, pela Objetiva, a novela juvenil Enquanto o Dia Não Chega – uma história que se passa no século 17 e se alterna entre uma aldeia africana e outra portuguesa e um colégio de jesuítas.

Seus leitores adultos, porém, devem esperar um pouco mais por outro romance. “Estava com uma história na cabeça, mas aí alguém publicou um livro sobre o assunto. Desisti do projeto. Mas, com o prêmio, vou poder parar um tempo e financiar um silêncio para mim e ver como dar rumo, ou não, a esse tema que me assombra”, conta.

Ela não revela o assunto por medo de perdê-lo. “O momento de escrever é muito próximo do inconsciente. Pôr em palavras, é dar uma forma verbal a certas sensações que são ainda muito difusas e a certas percepções inconscientes. Na hora de botar no papel, ela perde a espontaneidade”, conclui.

Startup brasileira “inventa” escrita colaborativa e ganha apelido de “YouTube dos livros”

0

Widbook funciona como rede social: internauta curte textos e segue autores

Felippe Constâncio, no R7

wib

Da esquerda para a direita os fundadores da startup, André Campelo, Joseph Bregeiro e Flávio Aguiar / Divulgação

A história da startup brasileira Widbook faz jus ao dito popular: “a necessidade é a mãe da criatividade”. Isso porque o professor de química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) precisava ouvir questões e observações de alunos que lessem seus textos, mas com apontamentos no próprio projeto.

Os programadores Flávio Aguiar, André Campelo e Joseph Bregeiro então criaram e aperfeiçoaram ferramentas colaborativas – o que deu origem a uma rede de escrita inédita – a Widbook, fundada em junho de 2012, com o aporte financeiro do fundo W7 Brazil Capital.

Batizada pelo site de Mashable de “YouTube dos livros”, a startup funciona como uma rede social em que os amantes de livros têm que ser convidados a participar. Como em outras redes, eles criam uma conta e em seguida já podem socializar.

— O usuário cria uma estante com seu perfil literário, mas o Widbook não é só para escritores. A pessoa pode publicar seu projeto. Outra veem e faz uma observação. O autor inicial pode concordar ou não. Se ele aceitar, o nome do segundo usuário já entra como coautor. A obra final pode ser criação de bastante gente.

A Widbook permite também que o usuário siga seus inspiradores ou autores favoritos, “curta” obras e convide membros para escrever em parceria. Qualquer membro pode compartilhar conteúdos, criticar, revisar ou editar – tudo depende da aprovação ou não da intervenção no texto, como conta o cofundador Joseph Bregeiro.

— Além de unir quem é bom em iniciar um projeto e depois não consegue tocar com um que sabe continuar, a plataforma é ótima para quem quiser ter uma publicação em outro idioma. Por ser global, a Widbook permite que o falante de outro idioma observa algum deslize em sua língua na obra traduzida.

Um exemplo recente de título escrito de forma colaborativa é o Lollapoloza. O livro tem quatro autores que fizeram a cobertura do evento e está disponível em português, inglês e espanhol.

Hoje, a Widbook tem mais de 30 mil membros, com maior concentração nos Estados Unidos, no Brasil e na Índia. Em pouco mais de um ano, a rede acumulou mais de 1.100 livros virtuais já publicados e outros seis mil em confecção.

Ex-aluno invade alojamento da USP, agride estudante e faz vários disparos

0

Vítima levou coronhada; moradores não foram atingidos em São Carlos, SP.
Suspeito, que denunciou ter sido vítima de abuso sexual em trote, fugiu.

1

Aluno invadiu alojamento e fez disparos no campus da USP de São Carlos (Foto: Maurício Duch)

Publicado por G1

Um ex-aluno da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP) invadiu o alojamento do campus com uma arma, agrediu um estudante com coronhadas e fez vários disparos na noite desta quarta-feira (28). Ninguém foi atingido pelos tiros. O suspeito é o rapaz de 23 anos que denunciou ter sido vítima de abuso sexual durante um trote com veteranos, em março. Ele fugiu do local. A USP ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus
da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

De acordo com a Polícia Militar, o rapaz invadiu o alojamento armado e deu uma coronhada na cabeça de um estudante que mora no local. A vítima, que teria tentado conter o suspeito, foi socorrida e levada para a Santa Casa. O estado de saúde dele não foi divulgado.

Segundo testemunhas, o ex-aluno ainda fez vários disparos que acertaram as paredes e as janelas do alojamento, mas não atingiram ninguém. Alguns alunos disseram que ele dizia que queria vingança.

Em seguida, o rapaz fugiu e está sendo procurado pela Polícia Militar. Com medo, os moradores do alojamento saíram do local para dormir na casa de amigos. A Perícia Técnica foi ao local. A USP ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

O caso
Em entrevista ao G1 no dia 25 de abril, o rapaz, que cursava o 1º ano de ciências exatas, tinha decidido que desistiria do curso por estar sofrendo ameaças e discriminação. “Vou fazer o meu desligamento. Após esse constrangimento todo, não existe mais ambiente para estudar na USP. Vou ficar marcado e desmoralizado”, afirmou na ocasião.

O suposto abuso aconteceu no início da madrugada do dia 4 de março. Depois de uma reunião sobre as normas de funcionamento do alojamento onde conseguiu uma vaga, o rapaz entrou em uma área que dá acesso aos apartamentos, onde acontecia uma festa.

Segundo o estudante, um grupo foi até ele e começou a gritar. “Eles falavam repetidamente ‘chupa bixo’ e me cercaram, fizeram uma espécie de uma roda e não tive como sair dali. Eles aparentavam estar muito embriagados e se faziam de homossexuais, gritavam ‘bixo homofóbico’. Eu falava para não encostarem, mas três deles começaram a se esfregar em mim e chegaram a abaixar as calças. Um deles também abaixou a cueca. Eles pareciam ter prazer”, disse.

Os envolvidos dizem que tudo não passou de uma brincadeira durante um trote. O caso, que chegou a ser registrado pela Polícia Civil como estupro e foi alterado para injúria, teve a primeira audiência no dia 24 de abril no Fórum Criminal da cidade, mas não houve acordo ente os estudantes envolvidos.

Uma sindicância foi aberta pela USP, mas o resultado ainda não foi divulgado. Em maio, a Justiça pediu que a Polícia Civil levantasse mais testemunhas sobre caso, que ainda continua indefinido.

O editor que trocou a TV pelos livros

0
Sob o comando de Feith, a Objetiva se consolidou ao atrair nomes como Paulo Coelho e Luis Fernando Verissimo

Sob o comando de Feith, a Objetiva se consolidou ao atrair nomes como Paulo Coelho e Luis Fernando Verissimo

Tom Cardoso, no Valor Econômico

“Caro Roberto, temos aqui um livro juvenil, com ótimo potencial de venda, que você deveria comprar. Chama-se ‘Harry Potter’.”

“Obrigado pela indicação, Tessie, mas não tenho interesse.”

“Roberto, o livro vai estourar. É essa sua decisão? Você vai se arrepender.”

“Sim, é essa minha decisão, Tessie. Muito obrigado.”

Foi com alguns erros – e muitos acertos – que Roberto Feith fez da editora Objetiva uma das maiores do país. A troca de e-mails, descrita acima, ocorreu em meados dos anos 1990, entre Tessie Barham, hoje uma importante agente literária – na época uma das “avaliadoras de textos” da Objetiva -, e Feith, um jornalista bem-sucedido, dono de uma produtora de vídeo, recém-migrado para o incerto mercado editorial brasileiro.

Depois de rejeitar a saga escrita por J. K. Rowling, que vendeu 450 milhões de exemplares pelo mundo – 4 milhões deles no Brasil (pela editora Rocco) -, Feith conseguiu dar a volta por cima: trouxe o astro Paulo Coelho para a então média editora, fez de Luis Fernando Verissimo um dos autores mais populares do país e deu o salto financeiro no momento certo, em 2005 – quando o mercado editorial brasileiro se tornou altamente competitivo -, ao vender 75% da Objetiva ao grupo Prisa-Santillana, gigante do setor.

A transação permitiu que a editora realizasse um amplo plano de reestruturação, que tinha como objetivo torná-la mais dinâmica e diversa. Hoje, sob o comando de Roberto Feith, de 61 anos, o grupo se divide em cinco selos (Suma, Alfaguara, Fontana, Objetiva e Ponto de Leitura), cada um com equipes próprias e objetivos distintos, apoiados pela mesma estrutura operacional e empresarial – e não depende mais de um best-seller para sobreviver.

Se hoje os originais de um livro como “Harry Potter” caísse nas mãos de Feith, dificilmente ele tomaria sozinho a decisão de publicá-lo ou não. Quando há um lançamento de peso, como “O Herói Discreto”, o aguardado romance do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que será lançado no fim de setembro no Brasil (pelo selo Alfaguara), Feith faz questão de acompanhar cada passo – da leitura dos originais às estratégias de lançamento. Já um livro de dietas, há meses na lista dos mais vendidos do “New York Times”, muito distante do seu universo, nem passa pelo crivo do diretor-geral – é a editora do selo Fontanar, de sua total confiança, quem cuida de tudo. A segmentação da Objetiva permitiu a Feith errar menos.

“No começo eu cometi um erro primário, que nenhum bom editor deve cometer: publicar apenas o que gosta”, diz. Antes de ignorar Harry Potter, o editor apostou numa biografia de Boris Ieltsin (1931 – 2007), o ex-presidente russo. O livro mofou nas livrarias. Feith aprendeu a lição. Apaixonado por política internacional, ele lê atualmente, fascinado, a biografia de Thomas Jefferson (1743 – 1826), um dos mais importantes e controvertidos presidentes da história dos Estados Unidos, mas já decidiu, pelo pouco apelo comercial da obra, que não irá publicá-la pela Objetiva. Já o tal livro de dietas, que jamais lerá, está aprovadíssimo – sairá em breve.

Em 1991, quando Feith tomou a decisão de deixar de vez o jornalismo e se desligar aos poucos de sua produtora de vídeo para cuidar apenas da Objetiva – então uma editora de pequeno porte, que ele adquiriu com mais dois sócios -, a maioria dos amigos tentou desencorajá-lo. Além das conhecidas dificuldades do setor, Feith tinha poucos motivos para dar uma guinada radical na carreira.

No início da carreira de livreiro, Feith cometeu erros, como dispensar a série “Harry Potter” e publicar obras de seu gosto pessoal

Ex-correspondente internacional da Rede Globo, ex-editor-chefe do “Globo Repórter”, ele decidira abrir sua própria produtora, a Metavídeo, especializada em documentários, depois de uma rápida e bem-sucedida parceria com Walter Salles na produtora Intervídeo. Se ele deixasse a reportagem, argumentavam os amigos, que continuasse na televisão, um mercado mais promissor – e não com a ideia maluca de comprar uma pequena e inexpressiva editora num país de não leitores. Mas Feith ignorou a maioria dos conselhos e comprou 60% da Objetiva. “Na época, só a minha mulher ficou do meu lado. Ela sabia da minha paixão pelo universo literário. Sou daqueles que quando viaja passa o dia enfurnado nas livrarias.”

O exercício de livreiro tem sido prazeroso, apesar dos deslizes. A experiência como jornalista ajuda. “São profissões parecidas, convergentes. Não é coincidência termos aqui na nossa equipe muitos jornalistas”, diz Feith. “O jornalista tem que pensar naquilo que interessa ao leitor e qual é a melhor maneira de contar uma história, de conquistá-lo. O trabalho de editor não é muto diferente.”

O desafio era entender as inúmeras particularidades e contradições do mercado editorial. O caso Harry Potter foi emblemático. Antes de rejeitar o título, Feith havia apostado numa outra série juvenil, “Fronteiras do Universo”, de Philip Pullman. Comprou o título, investiu boa parte da receita da editora em marketing e, ao final, a saga vendeu pouquíssimo – fracasso que foi determinante para que ele, tempos depois, desdenhasse da sugestão dada por Tessie Barham. No fim, as duas séries eram promissoras – anos depois, outra editora brasileira comprou os livros de Pullman, que alcançaram rapidamente os 100 mil exemplares. “Aprendi que comer mosca às vezes, no mercado de livros, é do jogo. O importante é que o nosso trabalho de longo prazo foi benfeito e aos poucos conseguimos conquistar credibilidade junto aos agentes literários e atrair bons autores.”

O primeiro escritor de peso a assinar com a Objetiva foi ninguém menos do que Paulo Coelho, já considerado um dos mais populares do país. Em 1996, no auge, o autor de “O Diário de um Mago”, “O Alquimista” e “Brida” era disputado pelas grandes editoras brasileiras, mas foi a modesta Objetiva quem acabou levando o seu passe – por R$ 1 milhão e um audacioso plano de marketing. “Fomos muito ousados na época, se você considerar o tamanho da editora. Mas ela, a partir daí, mudou de patamar”, diz Feith. Coelho já não publica mais pela Objetiva, que não sente tanto sua falta – só Luis Fernando Verissimo, autor da casa, já vendeu mais de 1 milhão de livros e não há notícias de que pretende mudar de editora tão cedo. A aposta da vez é o novo romance de Vargas Llosa. “Se esse livro não vender pelo menos 100 mil exemplares, eu vou ficar frustrado”, diz Feith. “É difícil reunir numa mesma obra qualidade literária e apelo comercial até mesmo em alguns livros do próprio Vargas Llosa.”

Sócio minoritário da Objetiva, Feith tem total autonomia para tomar as decisões editoriais. A direção do grupo Santillana, afirma o editor, sabe que cada país tem suas particularidades e que é preciso dar carta-branca para quem conhece o mercado de perto. Um livro que vai bem na Espanha não necessariamente será bem-sucedido no Brasil. E vice-versa. É preciso enxergar um mercado, reconhecidamente difícil e complexo, livre de estereótipos.

O mesmo país, no caso do Brasil, que tem apostado no crescimento dos leitores da emergente classe C – e no aumento de obras mais palatáveis – é o mesmo capaz de ter 50 mil leitores adquirindo um título considerado mais “denso” como os dois volumes de “1Q84”, do escritor japonês Haruki Murakami, um dos mais elogiados autores da literatura contemporânea. Murakami não conseguiu vendas tão expressivas em mercados mais amadurecidos, como a Espanha, onde não chegou nem perto dos 50 mil exemplares vendidos por aqui. “Se você me perguntar qual é a razão do Murakami vender bem mais aqui do que na Espanha eu não sei explicar”, diz Feith. “Só sei que no Brasil há um segmento de leitores que busca outras formas de narrativa, mais renovadoras. E o Murakami é um autor moderno.”

Pelo selo Alfaguara, sai em setembro o novo livro do Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, "O Herói Discreto"

Pelo selo Alfaguara, sai em setembro o novo livro do Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, “O Herói Discreto”

Se há mais leitores hoje no Brasil do que na época em que Feith decidiu se aventurar no mercado literário, por outro lado o país é ainda uma das poucas democracias onde só é permitida a publicação das biografias “chapa-branca”. Um projeto de lei que autoriza o lançamento de biografias não autorizadas chegou a ser aprovado na Câmara, mas antes de ir para o Senado um deputado da base evangélica, Marco Rogério (PDT-RO), entrou com recurso solicitando que a proposta voltasse a ser analisada pelos congressistas. Especialistas afirmam que pode levar anos até que a lei entre em debate novamente, mas, mesmo assim, Feith está otimista. “Qualquer editor é por natureza um otimista. Se não for, é melhor buscar outra profissão”, diz. “Tenho esperança numa mudança na lei porque é uma anomalia difícil de entender, ainda mais nos dias de hoje, em que você vê milhões de pessoas exigindo maior transparência no trato da coisa pública.”

O mercado editorial espera agora pela análise de um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), elaborado pela Procuradoria-Geral da República, que diz que o condicionamento da publicação da biografia à autorização dos biografados é inconstitucional – o parecer será analisado pela ministra Carmem Lúcia. “Estamos esperançosos. Uma lei como essa, retrógrada, autoritária, não faz o menor sentido – é uma situação, no mínimo, esdrúxula”, afirma Feith. O diretor-geral da Objetiva também milita em outra frente – ele é presidente do conselho da DLD (Distribuidora de Livros Digitais), a poderosa empresa que agrega e distribui de forma exclusiva os e-books das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM. Feith é um entusiasta do livro digital – e tem bons motivos para tanto. Nos últimos 12 meses, a venda de livros digitais da Objetiva cresceu 1.000%, impulsionada, sobretudo, pela chegada ao Brasil da Amazon, a gigante americana do setor.

Atualmente, o crescimento já não é tão grande, mas continua forte. Os livros digitais representam apenas 3% das vendas da Objetiva, mas Feith acredita que, em 12 meses, esse percentual dobre ou até mesmo triplique. “No Brasil, tem aumentado o número de leitores que estão migrando do livro físico para o digital, ao mesmo tempo em que há também um substancial crescimento de pessoas que passaram a consumir livros impressos”, diz.

“Um fenômeno não exclui o outro e espero que seja assim por muito tempo, pois tenho grande prazer de ir às livrarias e acho que elas oferecem algumas vantagens que a maioria das lojas virtuais não pode oferecer”, afirma. Feith não arrisca previsões sobre o fim do livro impresso e nem sobre o que ocorrerá no setor nos próximos dez anos. Ele cita o exemplo de países como a Inglaterra, onde o mercado de livros digitais já está consolidado há tempos, com uma enorme massa consumidora. “Até mesmo lá o crescimento dos digitais já não é tão vertiginoso como antes. É uma mostra de que há espaço para os dois formatos. O que ocorreu com o consumo de música não pode servir como exemplo para o mercado de livros – são universos muitos distintos.”

O “rato de livraria” tornou-se, por ofício, um consumidor voraz de livros digitais. É ouvindo o seu e-book, conectado ao som do carro, que Roberto Feith, no caminho de casa para o trabalho, coloca a leitura em dia e ao mesmo tempo tenta descobrir, em meio a 30 a 40 manuscritos que lê ou ouve por mês, o seu novo Harry Potter. Nem sempre é possível conciliar as duas atividades. Atualmente, ele ouve a biografia de Thomas Jefferson, que, apesar de não ter chance de ser publicada pela Objetiva. Isso não impede que o diretor-geral dedique parte do tempo para apreciar a obra. Não se sabe se o livro impresso será extinto um dia. Mas o Roberto Feith apaixonado por um bom livro jamais morrerá.

O maior dominó de livros do mundo

0

1

Publicado por Publiki

Como parte de uma campanha de incentivo à leitura, o pessoal da Biblioteca Pública de Seattle decidiu quebrar o recorde mundial de maior dominó de livros.

Os 27 voluntários tiveram horas de trabalho, eles organizaram os 2131 livros (que formam a palavra “read” em uma determinada parte do dominó) e o efeito só deu certo na quinta tentativa. Os livros utilizados foram doados ou eram livros desatualizados e que já estavam foram do acervo de circulação da Biblioteca.

Go to Top