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Uma mulher vai ocupar o lugar de Thor nos novos quadrinhos da Marvel

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Mulher assumirá o lugar do filho de Odin

Mulher assumirá o lugar do filho de Odin

A mudança começa a partir das revistas lançadas em outubro

Publicado no Divirta-se

Quadrinhos em polvorosa: a Marvel divulgou nos seus perfis no Facebook e no Twitter que Thor agora não é mais o gigante de força descomunal a quem todos conhecemos. O Deus do Trovão agora é uma Deusa. Exatamente: a partir das revistas lançadas em outubro, Thor será uma mulher. A loira misteriosa ainda não foi apresentada, mas sabe-se que ela não é uma substituta temporária.

O pronunciamento da Marvel é claro – e dá show de politicamente correto ao afirmar – que o filho de Odin não ficou mais fraco, perdeu poder ou algo do gênero, ele simplesmente perdeu o merecimento de empunhar o martelo Mjölnir – que passa para as mãos da nova Thor. “Não se trata de Senhora Thor, Thorita ou She-Thor. Ela é Thor. Ela é merecedora”, prossegue a nota.

O editor da Marvel, Will Moss, citou a inscrição no próprio martelo, antecipando a reação dos fãs. “Quem quer que segure esse martelo, ELE será merecedor dos poderes de Thor. Bom, já é tempo de atualizarmos esses dizeres”, opinou. “A nova Thor continua a tradição da qual a Marvel tem orgulho de personagens femininas fortes como Capitã Marvel, Tempestade, Viúva Negra e mais”, completou. A nova era de Thor será escrita por Jason Aaron com a arte de Russell Dauterman.
Marvel apresentou a capa da revista com a Deusa do Trovão, por Russell Dauterman. Bem como a imagem de Thor sem martelo, por Esad Ribic.

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Na semana passada, a Marvel anunciou que o Capitão América vai perder o soro de supesoldado e aparentar a idade que tem, 92 anos, sendo substituído por outro personagem. Esse novo “Capitão América” ainda permanece em segredo. Segundo Filipe Lira, especialista local em quadrinhos e sócio da empresa Fênix, “essas mudanças devem ser consequência da grande saga lançada neste ano, a Original Sin. Pelo menos as mudanças no Capitão América são”, opina.

As reações ao post Marvel no Facebook, que com uma hora já apresentava cerca de quatro mil curtidas, são equilibradas. Há fãs que brincam dizendo que perderam o memorando no qual estava escrito que Thor era um título, outros provocam: preparem-se para os fanáticos puristas de mente fechada.

Livro de Neil Gaiman, “O Oceano no Fim do Caminho” celebra as mulheres

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Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

Neil Gaiman, o criador da aclamada série de quadrinhos “Sandman”, está de volta à seara dos romances para adultos com uma trama que reúne alguns dos elementos centrais de suas obras anteriores: um garoto normal que é arrastado para um mundo mágico e perigoso e um trio de mulheres misteriosas que guiam o menino nesse universo sobrenatural.

As três personagens –uma menina, sua mãe e sua avó– moram numa fazenda de Sussex, na Inglaterra, cenário inspirado na infância de Gaiman, e cozinham todo tipo de guloseima para o jovem protagonista, mas estão longe de ser pessoas normais.

A garota diz que é dona de um oceano (embora ele pareça só um laguinho de chácara) –daí o nome do novo livro, “O Oceano no Fim do Caminho”. Já a avó diz se lembrar de como era o Cosmos antes do Big Bang, e nenhuma delas parece envelhecer.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Elas são, no fundo, encarnações da chamada Deusa Tripla –figura identificada por estudiosos em várias mitologias europeias, que representaria o poder da mulher nas principais fases de seu ciclo de vida (virgindade, maternidade e velhice).

O escritor diz que esse é seu livro mais pessoal –“o narrador de sete anos de idade é mais ou menos eu”, afirma–, mas recusa o rótulo de autobiografia, a começar pelas cenas violentas envolvendo o protagonista e seu pai. Leia trechos de sua entrevista.

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Folha – Até que ponto o sr. diria que seu novo livro é autobiográfico?
Neil Gaiman – Ele é, de longe, o livro mais pessoal que eu já escrevi, mas não significa que os fatos ali sejam verdadeiros, mesmo no caso dos fatos que eu roubei da vida real.

Perdi as contas de quantas vezes figuras parecidas com a chamada Deusa Tripla já figuraram na sua obra. E elas são muito importantes nesse novo livro. O sr. consegue explicar o porquê disso?
Não, na verdade não consigo. É algo que parecia totalmente a coisa certa a fazer quando comecei a escrever “Sandman”, quando me deram carta branca para usar uma série de personagens antigos da DC [a editora de HQs que publica “Batman” e “Superman”, por exemplo].

Eu achei uma delícia transformar as três bruxas que apareciam nos quadrinhos de terror da DC na Deusa Tripla, a donzela, a mãe e a velha. Depois de fazer isso, acabei me dando conta de que esse era um jeito muito interessante de falar com o leitor e de criar personagens, e elas continuaram a morar dentro da minha cabeça.

O sr. acha que isso é um tema comum na sua obra, essa visão quase reverencial das mulheres como seres poderosos e sábios?
É engraçado, nesta manhã mesmo eu estava conversando com minha mulher [a cantora americana Amanda Palmer], e ela disse: “Sabe, querido, a grande mensagem que fica de todos os seus livros é que você venera as mulheres” (risos). E acho que isso é verdade. As mulheres são incríveis, maravilhosas, dão-nos a vida, afinal de contas.

Levando em conta esses personagens recorrentes, o sr. já sentiu a tentação de amarrar todas as suas histórias num único universo, criando a sua “Terra-média” ou a sua “Nárnia”, digamos?
Muitas delas são amarradas pela parte dos fundos, digamos, mas nunca senti esse impulso de juntar todas as coisas, acho que há o perigo de tudo ficar menos interessante.

A literatura de fantasia ainda sofre preconceito. Do ponto de vista literário, o que a fantasia é capaz de realizar e que outros gêneros não?
Fantasia é um termo tão amplo… Para mim, cobre tudo, inclusive a ficção realista. O que estamos tentando fazer é sempre a mesma coisa: falar de coisas grandes e verdadeiras contando mentiras.

E, se você conseguir fazer com que aquilo pareça mítico, com o sabor de uma história verdadeira que você sente que sempre soube, mas tinha esquecido, então terá sucesso.

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