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Posts tagged dia dos professores

Quanto ganha um professor?

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Remuneração dos docentes tem crescido acima da inflação, mas ritmo ainda é insuficiente para cumprir meta do PNE

professor

Publicado em O Globo

Os números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE na sexta-feira passada, confirmam uma boa notícia para os professores da educação básica: em 2014, seus salários continuaram crescendo, em média, acima da inflação, e num ritmo superior ao verificado entre os demais trabalhadores com diploma universitário. Isso significa que a distância entre os profissionais que dão aulas em escolas continuou diminuindo em relação a outras carreiras com formação universitária. Mas nem tudo é motivo de comemoração. O ritmo de melhoria dos salários ainda está insuficiente para cumprir a meta do PNE (Plano Nacional de Educação). Além disso, é preciso considerar que, dentro da carreira docente, dar aulas no ensino médio ou na educação infantil faz muita diferença em termos salariais.

Para chegar a essas conclusões, a coluna tabulou dados da Pnad ajustando os salários médios para uma carga horária semanal de 40 horas de trabalho. Entre 2004 e 2014, na média, professores com formação superior que dão aulas na educação infantil ou nos ensinos fundamental e médio registraram aumento de 28%, já descontando a inflação do período. Entre os demais profissionais com diploma universitário, o ganho real no mesmo período foi de apenas 5%. Se, há dez anos, um professor da educação básica ganhava, em média, 49% do que recebiam os demais profissionais com nível superior, em 2014, essa proporção aumentou para 60%. Esse avanço, porém, ainda é insuficiente para equiparar salários dos professores da educação básica aos dos demais profissionais com ensino superior completo até 2020, conforme previsto no PNE.

Nesses dados sobre salários de professores, é preciso considerar que há diferenças significativas dentro da carreira. Segundo o IBGE, a renda média dos professores que dão aulas no ensino médio foi de R$ 3.096 em 2014. Esse valor representa 72% do verificado para a média dos profissionais de outras ocupações com ensino superior completo, cujo rendimento no mesmo ano foi de R$ 4.319. Já para professores da educação infantil, mesmo considerando apenas aqueles com diploma universitário, os rendimentos médios são de apenas R$ 2.141, ou metade do que é verificado para os demais trabalhadores que concluíram o ensino superior. Para docentes que dão aulas no ensino fundamental, o salário médio, de acordo com a Pnad, foi de R$ 2.494 no primeiro ciclo e de R$ 2.563 no segundo. Das ocupações que são possíveis de serem investigadas pela pesquisa, a dos médicos é a que apresenta a melhor remuneração média: R$ 9.226.

Num contexto de crise econômica e considerando o prazo exíguo (até 2020) para ser cumprida, pagar melhores salários aos professores da educação básica é uma das metas que mais corre risco no PNE. Ela custa caro, e seu impacto imediato no aprendizado dos alunos tende a ser pequeno. Pensando no longo prazo, porém, não podemos esquecer que uma característica em comum nos países com melhor desempenho educacional é o alto grau de exigência acadêmica para quem pretende ingressar na profissão. Sem oferecer salários atrativos em comparação com outras carreiras, continuaremos a ter dificuldade para fazer com que os jovens de melhor desempenho no ensino médio se interessem pelo magistério.

Brasil pede desculpas oficiais para professores perseguidos na ditadura

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Pedido do governo brasileiro foi oficializado durante sessão da Comissão de Anistia, em homenagem ao Dia do Professor

adrianodiogocomissaoestadual

Publicado em Painel Acadêmico

Ana Maria Pinho Leite Gordon, Mariluce Moura e Adriano Diogo, professores que sofreram com a repressão dos militares, presentes na cerimônia, foram anistiados pela Comissão.

“É uma história de violência. Uma atrás da outra. Esse clima de temor e insegurança perdurou até a redemocratização. A luta pelo reconhecimento do que ocorreu e de quanto o Estado foi violento, torturou, matou e negou todos os direitos não terminou até hoje”, disse Mariluce.

Presa na cidade de Salvador em 1973, enquanto estava grávida, Mariluce Moura foi “violentamente torturada” pelos agentes da repressão. Posteriormente, a professora foi absolvida pela própria Justiça Militar, mas nem assim conseguiu recuperar seu emprego no Departamento de Comunicação da UFBA (Universidade Federal da Bahia), de onde foi demitida. Hoje, ela foi reintegrada ao quadro de docentes da Universidade.

‘O Estado destruiu a minha família’

“Essas sessões da Comissão da Anistia são atestados da luta para reconhecer historicamente o que foi um período dramaticamente violento da história do país e para criar as bases para que a gente evite isso. Essa luta prossegue”, disse Mariluce.

A Comissão de Anistia foi instalada pelo Ministério da Justiça em 2001 e trabalha pela reparação dos perseguidos políticos durante o regime militar no Brasil. Até janeiro de 2015, a comissão havia recebido mais de 74 mil pedidos de anistia, declarando mais de 43 mil pessoas anistiadas políticas, com ou sem reparação econômica.

Reparação Econômica

Geólogo, Adriano Diogo era professor de Ciências na rede pública estadual de ensino de São Paulo quando foi preso e torturado em 1973. Ele receberá uma reparação econômica por conta dos fatos, mas defendeu que o mais importante neste momento seria uma revisão da Lei de Anistia, para que os agentes da ditadura possam ser responsabilizados por seus crimes na Justiça comum.

“Por que o corporativismo de querer preservar as coisas? O problema é que os crimes do passado acobertam os do presente. A impunidade do passado perpetua o modus operandi do presente. Não se trata de dizer que houve uma geração de ouro, de super resistência, porque cada geração vai reagindo conforme o contexto histórico. O problema é que os 21 anos de exceção [do regime militar] não foram revistos, julgados, sequer analisados. Não tem justificativa um país tão jovem como o nosso estar nessa situação até hoje”, acrescentou Diogo.

A sessão de julgamento dos professores antecedeu a 22ª Anistia Cultural com a exibição do filme Orestes, do diretor Rodrigo Siqueira. Com a promoção cultural, a Comissão de Anistia busca dialogar com a sociedade sobre a importância do debate acerca de temas como anistia política, violação de direitos humanos, justiça de transição e democracia.

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