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Aluno tem nota por ‘curtidas’, e autora do ‘Diário de Classe’ critica método

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Isadora Faber discorda de avaliação adotada por professor em SC.
Quem não alcançar meta em rede social, não recebe 3 pontos no semestre.

Publicado no G1

Isadora postou trabalho também no 'Diário de Classe' para ajudar o grupo (Foto: Facebook/Reprodução)

Isadora postou trabalho também no
‘Diário de Classe’ para ajudar o grupo
(Foto: Facebook/Reprodução)

Isadora Faber, criadora da página “Diário de Classe”, questionou em uma rede social a metodologia utilizada por um de seus professores do segundo ano do ensino médio de uma escola particular de Florianópolis, para dar nota a um trabalho em grupo. Ele deu uma semana para que os alunos postassem um vídeo em uma rede social abordando a prevenção de doenças. Os estudantes irão receber três pontos no trimestre se conseguirem 250 curtidas.

“Avaliar os alunos pelo número de curtidas é um absurdo. Acho injusto com quem não utiliza redes sociais ou não tem muitos amigos. É difícil conseguir 250 curtidas em uma semana”, avalia a adolescente de 16 anos.

De acordo com o professor de biologia, Marcelo Soccio, a ideia surgiu para estimular os estudantes a abordarem assuntos conhecidos de forma que seja atraente. Ele dividiu a turma em grupos de três a oito alunos e cada um abordou a forma de prevenção de doenças como HPV, aids, sífilis, gonorreia, tuberculose, toxoplasmose, meningite, gripe aviária, leptospirose e peste bubônica.

Três pontos do trimestre são pelas curtidas, quatro pela produção do trabalho, três pelas demais atividades e um pelo comportamento e educação em sala de aula.

“É o que eles mais gostam de fazer: curtir. Se eu pedir para fazer um cartaz com papel pardo e colar na parede vão rir da minha cara. O quadro negro e o giz já foram uma tecnologia. Hoje é a internet. É uma forma de incentivá-los a fazer um bom trabalho e a trabalhar em equipe. As pessoas vão curtir se gostarem. O título era uma propaganda preventiva, tinham que abordar temas conhecidos de forma criativa, atraente, que agradassem os amigos”, detalha o professor.

Outra aluna da turma, de 16 anos, também não gostou da avaliação, mas acredita que seja uma maneira de compartilhar o conhecimento com os amigos.
Avaliar os alunos pelo número de curtidas é um absurdo. Acho injusto com quem não utiliza redes sociais ou não tem muitos amigos”

Isadora lançou um site para denunciar problemas em escolas do país (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Isadora lançou um site para denunciar problemas
em escolas do país
(Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

“Meu grupo conseguiu até agora 160 curtidas. Estou mandado mensagens para os amigos e pedindo para curtirem, pois vale nota. A gente achou estranho ganhar nota em cima das curtidas, mas o fato de compartilhar o que aprendeu é legal”, afirma a garota, que está fazendo trabalho sobre leptospirose.

Até a publicação desta reportagem, Isadora Faber tinha alcançado mais de 900 curtidas no trabalho sobre a prevenção de HPV compartilhado por ela na página do “Diário de Classe” nesta terça (7).

Propaganda preventiva
A metodologia de avaliação foi aplicada em quatro turmas de duas escolas particulares da Grande Florianópolis, em junho. A última turma, onde estuda Isadora Faber, foi autorizada pelo professor a postar o material na rede na última sexta-feira (3) e tem até a próxima sexta (10) para que cada trabalho alcance 250 curtidas.

“Na hora em que propus, não teve um aluno que não reclamou. Mas, depois, quando viram que as pessoas estavam curtindo, gostaram da ideia. Eles tinham medo de que as pessoas não gostassem”, detalha o professor.

Marcelo Soccio conta que teve apoio da direção de ambas escolas para aplicar a metodologia. O resultado deve ser utilizado na especialização que está fazendo em Ensino da Ciências. Ele disse que um dos critérios é que, ao menos um participante do grupo, tenha cadastro na rede social.

Em seu perfil, a jovem criticou a avaliação do professor (Foto: Facebook/Reprodução)

Em seu perfil, a jovem criticou a avaliação do
professor (Foto: Facebook/Reprodução)

No entanto, conforme a criadora do “Diário de Classe”, o professor não explicou a ideia em sala. “Ele só disse que a nota era pelas curtidas e quem não alcançasse teria uma nota menor. Não teve justificativa. Muitos colegas estão correndo para conseguir essas curtidas”, diz a jovem.
Vi as críticas, mas tem que ter respeito. […] Quem trabalha com educação elogiou. Fiz [a avaliação] com base em leituras e no que estou estudando”

Marcelo Soccio contesta as críticas. “Vi as críticas, mas tem que ter respeito. Alguns me chamaram de burro. Li e pensei. Quem é essa pessoa para me criticar? Ela estudou para isso? Quem trabalha com educação elogiou. Fiz com base em leituras e no que estou estudando”, comenta.

O professor diz ainda que, independente dos comentários negativos, pretende fazer outras avaliações semelhantes. “Vou fazer outros trabalhos que eles terão que postar na rede, mas as regras vão mudar: será por visualizações, compartilhamentos. Tem que mudar a regra, adolescente não gosta de mesmice”, afirma.

O G1 não conseguiu contato com a direção da escola e com o Conselho Estadual de Educação. Questionado sobre a questão, o Ministério da Educação não havia se posicionado sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

‘Diário de Classe’
Isadora Faber ficou conhecida após criar a página no Facebook “Diário de Classe”, em 2012. Ele ganhou repercussão nacional rapidamente ao denunciar problemas em uma escola pública onde a adolescente estudava.

Atualmente, 590 mil pessoas “curtem” a página na rede social. O exemplo de Isadora passou a ser referência para outros perfis semelhantes e, em fevereiro de 2013, a adolescente entrou para a lista do jornal inglês “Financial Times” entre os 25 brasileiros de destaque.

Em agosto de 2013, ela lançou uma organização não governamental (ONG) batizada com seu nome. Agora, Isadora está lançando um site para denúncias de problemas em escolas de todo país.

“Agora estudo em escola particular, mas meu objetivo com o ‘Diário de Classe’ continua sendo melhorar o ensino público. Este site agora é para todas as escolas, públicas e privadas”, explica.

dica do Rogério Moreira

Diário de Classe fazendo escola: Guri gringo cria vídeo denunciando merenda fajuta

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Publicado no Contraditorium

Ano passado tivemos um raro caso de uma celebridade de internet que ficou famosa sem mostrar a bunda, rebolar, falar sacanagem ou fazer merda. Não que o fato de ter 13 anos a impedisse de fazer essas coisas, o funk é bem inclusivo. Isadora Faber criou a página Diário de Classe, no Facebook, onde denunciava o estado lastimável de sua escola.

Isadora ganhou notoriedade nacional, sofreu retaliação por parte da direção da escola, foi ameaçada de morte e acabou virando objeto de ódio da Internet. Parte desse ódio veio de gente ligada ao PT, incapaz de perceber que há sim problemas na educação básica e mais acostumados com uma política stalinista de não-contestação, xingaram e ameaçaram a menina.

Outro grupo foi a invejosfera. Um monte de gente que nunca produziu nada na vida além de memes idiotas se indignou ao ver uma guria de 13 anos ganhando os holofotes que deveriam (em suas mentes distorcidas) ser deles.

Mesmo assim Isadora continua como um exemplo, e mesmo que seus vários imitadores queiram apenas a “fama” que ela conquistou, acabam sendo úteis, sem perceber.

O modelo de Isadora, claro, não é único, ele é fruto da sociedade de informação dos últimos anos, onde todo mundo é famoso por 15 minutos e gerador de conteúdo 24/7. Só somos testemunhas passivas (ui!) se quisermos, temos as armas para nos tornarmos agentes ativos (coça o saco e cospe no chão) de nossas vidas.

O Big Pequeno Brother

Como Zachary Maxwell, um guri de 11 anos de Nova York.

Em 2011 ele começou a encher o saco de seus pais moderninhos, dizendo que queria levar lanche pra escola, ao invés de comer a merenda oferecida pela rede pública. Os pais não concordaram, afinal a cidade havia reformulado os menus, cozinheiras famosas de TV haviam criado receitas gostosas e saudáveis para os pimpolhos.

cardápio parece delicioso, ainda mais para quem ainda não tomou café, como eu. Nas sextas por exemplo as High Schools de NY servem:

*Almôndegas Napolitanas
*Macarrão de grão integral
*Moro marinara com ervas
*Feijão verde com alho
*Sanduíche de pasta de amendoim e geléia
*Sanduíche de queijo

Dá pra ser feliz com um menu assim, não? Não se as tais almôndegas com macarrão de grão integral se pareçam com isto:

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Como os pais não tinham noção da comida de quartel servida no colégio, Zachary pegou uma câmera e começou a filmar discretamente as refeições. Acumulou seis meses de exemplos, até mostrar tudo aos pais, com a idéia de transformar aquilo em um filme.

Ao contrário de tantos outros casos, onde os pais mandam o moleque ir jogar bola como as crianças normais, ou não prestam atenção afinal ele é só uma criança, ou mandam parar de arrumar briga com a Diretora, os pais de Zac compraram a idéia, montaram uma estrutura de produção na sala e viabilizaram o projeto.

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O resultado foi Yuck – O Filme, um documentário de 20 minutos sobre o triste estado da merenda escolar no Estado de Nova York. Zac está sendo chamado de O Michael Moore da Escola Primária, e o filme já ganhou dois prêmios, além de ter sido selecionado pro Festival de (mais…)

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