Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged diferença

Autores contam o segredo para ter mais tempo livre – sem desperdícios

0

Jake Knapp e John Zeratsky ensinam como ter mais tempo para você em novo livro. (Ilustração: Davi Augusto //VOCÊ S/A)

Para os autores Jake Knapp e John Zeratsky, deveríamos nos preocupar menos em ser produtivos e mais em reservar tempo para o que é realmente importante

Barbara Nór, na Exame

Ter mais tempo, sim, mas não necessariamente executar mais tarefas. É isso o que defendem Jake Knapp e John Zeratsky no livro Faça Tempo (Intrínseca, 44,90 reais). Os autores, que por anos trabalharam em empresas de tecnologia, ganharam fama com sua primeira obra, Sprint, que revelava o método desenvolvido por eles para testar e criar inovações em pouco tempo no Google.

De lá para cá, eles vêm trabalhando para encontrar novas formas de gerir o tempo — e descobriram que nem sempre é melhor fazer mais coisas mais rápido.

O importante, eles defendem, é que nossa rotina não seja apenas reação automática às demandas dos outros e de distrações como o celular. Só assim é possível, de fato, usar nosso tempo para as coisas que importam, tanto na carreira quanto em nossa vida pessoal.

No livro eles reúnem as táticas que encontraram para retomar o controle e ter mais energia, como cortar redes sociais, dizer “não” mais vezes e otimizar os momentos em que tomavam café ou faziam exercícios — além de escolher ao menos uma tarefa por dia para se concentrar por pelo menos 1 hora. Para os autores, o ideal é que cada um teste as dicas e encontre o que funciona melhor para si mesmo.

Vocês defendem que há uma diferença entre ter tempo e ser mais produtivo. Por que nem sempre fazer muita coisa é melhor?

Jake Knapp: Acho que a palavra “produtivo” é uma falha da língua. Nós a usamos o tempo todo para descrever a ação de completar tarefas e progredir, mas na verdade o que isso realmente significa é que você está produzindo o máximo possível, o mais rápido possível. Esse é um ótimo objetivo para uma fábrica, mas não acho que é assim que deveríamos medir a nós mesmos e a nossos dias.

No lugar disso, preferimos a ideia de ser “proposital” com seu tempo. Isso significa saber o que é importante para você — não apenas o que é importante para seus colegas ou amigos — e fazer com que você tenha tempo para atuar nessa prioridade.

No livro, há a sugestão de que a cada dia reservemos ao menos 1 hora para um projeto ou tarefa que podemos escolher livremente, chamado de “Destaque”. Por que essa rotina é importante?

John Zeratsky: Muitos de nós sentimos que passamos tempo demais em nosso celular, respondendo a e-mails, assistindo à televisão, sentados em reuniões etc. Aí pensamos: “Eu deveria passar menos tempo no Instagram, deveria comer de forma mais saudável, deveria me exercitar”.

Mas os seres humanos são muito ruins em fazer coisas só porque devem fazê-las. O “Destaque” é uma forma prática de identificar para o que você está guardando tempo. Isso faz muita diferença na capacidade de reduzir distrações e a se sentir mais satisfeito em como gasta seu tempo. Quando você encontra tempo para o seu “Destaque”, sente que o dia foi um sucesso.

Uma das críticas que vocês fazem é sobre a lista de tarefas. Qual o problema desse método?

John: Elas são enganosas e sedutoras. Quando pensamos em algo que temos de fazer, colocamos na lista. Quando temos tempo para trabalhar, riscamos um item da lista. Bum! É perfeito.

Mas as listas são um campo minado de maus comportamentos. Colocamos itens sem realmente pensar a respeito e escolhemos as coisas mais rápidas ou fáceis de fazer, não as mais importantes.

Os grandes projetos parecem intimidadores ali parados, então deixamos para depois, e aí nos sentimos mal por nunca ter tempo para eles. Enquanto isso, há muita coisa importante — como passar tempo com a família, fazer o jantar ou se exercitar — que nunca aparece na lista.

Como saber se as listas estão nos ajudando ou atrapalhando?

John: Se você nunca completa os itens de uma lista, pode ser que ela esteja o distraindo do que você realmente quer fazer, em vez de ajudar a ganhar tempo. Isso é o que funciona para mim: se quero fazer algo, coloco isso em minha agenda. Se penso em algo que talvez eu faça, tenho uma lista específica para isso.

No livro vocês falam sobre as Piscinas Infinitas — TV, redes sociais e internet — que nos distraem. A sensação é que não sabemos mais lidar com o tempo livre nem com o tédio.

John: Não sei se já soubemos o que fazer com tempo livre e tédio. Mas, no passado, se ficávamos entediados porque não tínhamos estímulos ou distrações, isso não era uma escolha, era apenas algo que acontecia. Por milhares de anos, humanos evoluíram para prosperar com o tédio e com o silêncio. É por isso que temos ideias no chuveiro, por exemplo, quando nosso cérebro tem uma pausa de todos os ruídos e demandas do mundo.

Quais são as consequências de fugirmos do ócio?

John: Perdemos inspiração, reflexões e descanso se não temos tempo livre. Estamos tão obcecados com produtividade que, quando temos 1 minuto de calma, pensamos “o que posso fazer para usar bem esse tempo?”.

Mas, às vezes, a gente deve desperdiçar tempo. Precisamos sair para uma caminhada ou só olhar pela janela. Felizmente, podemos usar nossas ferramentas tecnológicas, nossas agendas e nossas rotinas diárias para introduzir de volta esse tempo livre em nossa vida.

“Me sinto desvalorizado pelo Brasil”, diz professor premiado

0
Wemerson está entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize

Wemerson está entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize

 

Eleito educador do ano em 2016, capixaba de 26 anos concorre agora a prêmio considerado “Nobel da Educação”. Em entrevista à DW, ele critica falta de investimentos nos professores e nas escolas públicas.

Publicado no DW

O professor de ciências Wemerson da Silva Nogueira conhece bem os desafios enfrentados nas escolas públicas e os impactos que projetos polêmicos discutidos ao longo de 2016 em Brasília, como a PEC do teto dos gastos e a reforma do ensino médio, podem trazer para dentro da sala de aula.

Formado em uma faculdade à distancia, Nogueira pagava a mensalidade de 190 reais (valor da época) com o dinheiro que ganhava vendendo picolés e colhendo café na roça da família, em Nova Venécia, no norte do Espírito Santo. Hoje, aos 26 anos, e com apenas cinco anos de formado, ele já ganhou dez prêmios nacionais — incluindo o de “Educador do ano 2016”.

As premiações mais recentes foram em reconhecimento ao projeto “Filtrando as lágrimas do Rio Doce”, desenvolvido em fevereiro de 2016 com 50 alunos do 8º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Antonio dos Santos Neves, em Boa Esperança, também no norte do Espírito Santo.

Nogueira transformou as águas do Rio Doce, afetadas pelo rompimento das barragens de Mariana, em Minas Gerais, em um verdadeiro laboratório de química. No início, a ideia era apenas identificar os poluentes presentes na água. Mas os alunos perceberam que a necessidade de ajudar a comunidade ribeirinha era muito maior que apenas aprender a tabela periódica. “As famílias não têm saneamento básico, e o rio era a única fonte de água daquela população”, diz Nogueira.

Após aprenderem a analisar os poluentes, os estudantes desenvolveram filtros de retenção de areia capazes de limpar a água poluída pelo maior desastre ambiental ocorrido no Brasil. Mais de 500 filtros já foram distribuídos de graça à população ribeirinha de Regência (ES). “O projeto continua até que todas as famílias afetadas ganhem um filtro.”

Nogueira ganhou visibilidade internacional. Ao lado do professor amazonense Valter Menezes, ele está entre os 50 finalistas do prêmio Global Teacher Prize, atualmente considerado o “Nobel da Educação” – uma das premiações mais importantes da área. Os dois brasileiros foram selecionados entre mais de 20 mil candidatos de 179 países.

Em entrevista à DW Brasil, Nogueira critica a falta de investimentos do governo nas escolas públicas e o baixo reconhecimento dos professores. “Me sinto desvalorizado pelo meu país”, diz. “Venho conquistando todos esses prêmios porque acredito na educação. E não porque meu país acredita nela.”

Wemerson Nogueira é professor de ciências na Escola Estadual Antonio dos Santos Neves, no Espírito Santo

Wemerson Nogueira é professor de ciências na Escola Estadual Antonio dos Santos Neves, no Espírito Santo

DW Brasil: Você é um professor muito jovem e já bastante premiado. Qual é o segredo para fazer a diferença?

Wemerson Nogueira: Eu busco ser um aprendiz dentro da sala de aula. Tento falar a mesma linguagem dos meus alunos e proponho projetos práticos para ensinar conteúdos científicos, que muitas vezes são tidos como chatos e difíceis de aprender. Eu só ensino assim. Primeiro, exponho minhas ideias de projetos aos alunos, para cativá-los, para despertar o interesse deles no tema. Só depois vem a teoria. Os projetos envolvem de paródias de músicas sobre elementos da tabela periódica a atividades fora da escola.

Como é ser professor de escola pública no Brasil?

É algo muito desafiador. A maioria das escolas sofre com tanta falta de recursos e infraestrutura que o professor vai ficando desestimulado em dar aula. O aluno percebe e fica desanimado. Apesar de todas as dificuldades, nós, professores, tentamos encontrar formas de motivar os nossos alunos a quererem aprender mais, a fazer coisas novas. Mas isso tem ficado cada vez mais difícil diante da crise que estamos enfrentando no país, com o governo querendo congelar os investimentos em educação. Essa conjuntura gera um desinteresse geral na rede pública.

Como você avalia os impactos da PEC 55 na educação?

Não há dúvida de que é necessário reajustar as contas do nosso país, mas não concordo em mexer na educação. O governo deveria olhar para educação como a principal prioridade. É na educação que o país vai formar cidadãos capazes de contribuir com outras áreas importantes, como saúde e segurança. Daqui a 20 anos, teremos uma nova geração de alunos, e a demanda por uma educação mais moderna. Congelando investimentos na área, como vamos alcançar o desenvolvimento de duas décadas?

Alunos da escola onde Wemerson leciona analisam os poluentes presentes nas águas do Rio Doce

Alunos da escola onde Wemerson leciona analisam os poluentes presentes nas águas do Rio Doce

 

O Brasil teve desempenho fraco no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2015 e dificuldades de alcançar as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A falta de investimentos é suficiente para explicar os resultados ruins?

É difícil generalizar. Tem um ou outro estado que está se destacando, como o Espírito Santo [que teve o melhor desempenho no Pisa], mas sei que a realidade da minha escola é muito diferente das do interior do sertão, que muitas vezes não oferecem nem uma folha de papel para os alunos escreverem a prova. Os baixos resultados do Brasil nos rankings são consequência direta da falta de investimentos na área. Até tem investimentos sendo feitos, mas a sensação é que eles são precários e não chegam a todas as escolas do país. E para funcionar direito, a escola precisa de 100% de investimentos. Menos que isso não dá conta.

Eu, por exemplo, recebi muito apoio da minha prefeitura e da secretaria de educação do ES para implementar meu projeto. Mas será que um professor lá no interior do sertão teria o apoio que eu tive? Eu me sinto valorizado pelo meu estado, pelo meu município e pela minha escola. Mas me sinto desvalorizado pelo meu país. Venho conquistando todos esses prêmios porque acredito na educação. E não porque meu país acredita nela. O Brasil tem hoje dois finalistas no maior prêmio de educação do mundo. Os dois de escola pública. Os governantes deveriam olhar para nós como exemplos, e investir mais, para que mais professores possam promover projetos diferenciados. Está acontecendo o inverso e isso me entristece.

Caso os investimentos em educação sejam, de fato, reduzidos pelos próximos anos, que iniciativas podem ser tomadas para melhorar a educação no país?

O governo poderia criar laboratórios de ciências e de informática nos estados e municípios que pudessem ser usados por várias escolas ao mesmo tempo, por agendamento de turmas. Acho que não sairia muito caro. Se eu vencer o prêmio mundial [o primeiro colocado receberá 1 milhão de dólares], vou construir na minha cidade um laboratório de informática e de ciências, para que os alunos carentes possam ter aula de experiências e fazer pesquisas na internet. Também pretendo abrir a minha própria fundação, com a oferta de bolsas de estudo para quem quiser seguir a carreira de professor e orientação de professores para trabalharem com projetos práticos. Se eu sozinho, com esse prêmio, poderia fazer isso, imagino que o governo tenha recursos para fazer muito mais.

Qual é a necessidade de aumentar a atratividade da profissão de professor entre os jovens?

Nós precisamos inovar em educação. Essa inovação não virá dos professores antigos, que estão perto de se aposentar. Com tudo o que tem sido discutido, muitos alunos perdem a vontade de seguir a carreira de professor. Na semana passada, dei uma palestra para 750 alunos do ensino médio. Perguntei quantos já tiveram vontade de ser professor. Quase metade do grupo levantou a mão. Quando perguntei quem toparia se tornar professor hoje, apenas cinco se manifestaram. Eles não estão errados. A realidade hoje no Brasil é muito difícil para professores e alunos da rede pública. No final da palestra, depois de falar da minha trajetória e conquistas, repeti a pergunta. E todos levantaram a mão. Foi emocionante. O Brasil precisa disso. Motivar os nossos alunos a serem professores.

Cresce o número de crianças de 4 a 5 anos matriculadas nas escolas brasileiras, diz estudo

0

thinkstockphotos-473466588

Publicado em Crescer

O número de crianças de 4 a 5 anos matriculadas na pré-escola aumentou de 72,5% para 89,5%, entre 2005 e 2014, segundo levantamento feito pelo Movimento Todos pela Educação. O estudo tem como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em números absolutos, isso significa dizer que, em 2005, havia 4,8 milhões de crianças de 4 a 5 anos na escola, número que passou para 4,9 milhões, em 2014. Considerando todos os grupos em idade escolar (4 a 5, 6 a 14, 15 a 17 anos), esta foi a faixa etária que registrou o maior aumento.

“Há evidência de que as crianças que frequentam uma educação infantil de qualidade têm um percurso escolar com mais aprendizagem e uma vida adulta com muito mais oportunidades. Investir nas crianças, portanto, é a melhor estratégia para superarmos a desigualdade, que é ainda muito alta e persistente no país”, diz Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.

Rondônia registra maior diferença

O estado que teve um aumento mais significativo foi Rondônia. Em 2005 47,2% de crianças desta faixa etária estavam na escola. Em 2014, a porcentagem quase dobrou e chegou a 83,8%.

O Rio Grande do Sul aparece em segundo lugar (com um aumento de 46,7% para 80,1%), seguido pelo Mato Grosso (59% para 84,1%), Mato Grosso do Sul (64,1% para 88,8%), Acre (50,3% para 73,4%) e Paraná (64,4% para 87,5%). Em São Paulo, no mesmo período, o percentual de crianças de 4 a 5 anos na pré-escola passou de 78,4% para 93,1%, enquanto no Rio de Janeiro foi de 80,6% para 90,4%.

O Movimento

Ainda de acordo com o levantamento, em 2005, 5 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estavam fora da escola. Em 2014, de um total de 44,3 milhões de pessoas nessa faixa etária, 2,8 milhões não estavam matriculados.

O movimento Todos pela Educação foi fundado em 2006, quando definiu 5 metas para serem alcançadas até 2022, ano em que o Brasil completa 200 anos de independência. O levantamento tem como objetivo acompanhar a evolução da primeira destas metas, que são as seguintes:

1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
3 – Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano
4 – Todo jovem de 19 anos com ensino médio concluído
5 – Investimento em educação ampliado e bem gerido

‘A educação deve ser pensada durante a vida inteira’, diz Zygmunt Bauman

0

Criador do conceito de ‘modernidade líquida’, filósofo vai palestrar no encontro Educação 360

bauman

Bruno Alfano, em O Globo

Criador do conceito de ‘modernidade líquida’, forjada pelas relações efêmeras do presente, o célebre filósofo fará uma conferência magna no encontro Educação 360. Nesta entrevista, ele reflete sobre o aprendizado e os desacertos da sociedade em relação ao ensino

Qual a diferença entre educar na era pré-moderna e na modernidade líquida dos dias atuais?

Muita coisa se transformou no trabalho dos professores. Como o educador E. O. Wilson observou, “estamos nos afogando em informação e, ao mesmo tempo, famintos por sabedoria”. A cada dia, o volume de novas informações excede milhões de vezes a capacidade do cérebro humano de retê-las. A mudança da sociedade moderna de sólida para um estágio líquido coincide, segundo a terminologia de Byung-Chul Han (teórico sul-coreano), com a passagem da “sociedade da disciplina” para a “sociedade de desempenho”. Esta última é, principalmente, a sociedade de desempenho individual e da “cultura de afundar ou nadar sozinho”. Mesmo indivíduos emancipados descobrem que eles mesmos não estão à altura das exigências da vida individualizada.

Então, é preciso mudar esse pensamento individualizado?

Nosso sistema educacional é um poderoso mecanismo de, cada vez mais, reproduzir os privilégios entre gerações. Nos Estados Unidos, 74% dos estudantes que frequentam as universidades mais competitivas vêm das famílias mais ricas, e 3%, das mais pobres. Além disso, muitas escolas e universidades induzem à fácil ideologia de que empregos bem remunerados são os únicos objetivos da universidade. Esses são apenas uns dos desafios, erros e negligências da educação contemporânea.

E como será no futuro?

Uma coisa certa é que, num cenário líquido, rápido e de mudanças imprevisíveis, a educação deve ser pensada durante a vida inteira. O resto vai depender de nossas escolhas dentro do que é possível para essa obrigação. E deixa eu enfatizar que esse “nós” que faz as escolhas não é limitado aos profissionais de educação. Para citar Will Stanton (professor australiano), que nos mantém alerta de que há muitos que pretendem ensinar nossos filhos apenas a obedecer: “Devemos aceitar autoridade como verdade em vez da verdade como autoridade”. Ele ainda diz: “O que é a mídia mainstream se não outra plataforma de ‘educação’ defendendo a autoridade como verdade? Nós sentamos em frente ao noticiário noturno e escutamos âncoras e repórteres nos dizendo o que pensar, a quem apontar nossos dedos, porque nosso país precisa ir para a guerra e com o que a gente deve se horrorizar”. Considere ainda o tremendo impacto da indústria da publicidade em nós mesmos ou no que as crianças aprendem ou no que elas foram levadas a esquecer. Por exemplo, crianças não nascem inseguras. A publicidade é que as deixa apavoradas com o que as outras pessoas pensam delas.

O sucesso mundial das redes sociais é um produto da modernidade líquida ou aspecto transformador dela?

As duas coisas. Nós estamos seduzidos pelos recursos das mídias digitais por causa do nosso medo de sermos abandonados. Mas uma vez imerso na rede de relações on-line, que tem uma falsa ideia de ser facilmente manuseada, nós perdemos ou não adquirimos habilidades sociais que poderiam (e deveriam) nos ajudar a extirpar as causas dos medos que vêm do mundo off-line. Assim, as redes sociais são, simultaneamente, produto da modernidade líquida e a sua válvula de escape.

O senhor afirma que o fato de a educação superior não garantir mais ascensão social é um problema para a educação tal qual conhecemos. Qual a solução para esse problema?

Ascensão social é uma sinfonia, não um canto gregoriano monofônico. A educação superior é apenas um dos muitos sons que se fundem na melodia, e um dos muito poucos instrumentos que contribuem para sua evolução. Nós configuramos o problema e torcemos por soluções, como o ensino superior, porque alguns desses “nós” que se preocupam, pensam e escrevem sobre o problema têm ensino superior e passaram anos sendo ensinadas que vivemos em uma “sociedade do conhecimento” que continua sendo transformada pelo tipo de conhecimento definido, armazenado e distribuído por universidades. Isso não é necessariamente correto — pelo menos até quando isso permanecer sem ressalvas. O que nós percebemos como ascensão social é um rio cuja trajetória resulta de vários afluentes. Mais e mais pessoas por trás das mudanças sociais que chamamos de “ascensão” desistiram da universidade ou nunca entraram nela.

Em seu novo livro, “A riqueza de poucos beneficia todos nós?”, o senhor reflete sobre as desigualdades sociais. Qual é o papel da educação nesse contexto?

O sistema universitário de hoje foi incorporado pela economia de mercado capitalista. Ele serve como um outro mecanismo na reprodução de privilégios e aprofundamento das desigualdades sociais. Como diz Fareed Zakaria (escritor americano), enquanto um rapaz de 18 anos da Califórnia recebia a melhor educação possível nos anos 60 “sem qualquer custo”, no ano passado os alunos precisavam pagar uma taxa de matrícula de US$ 12.972 se tivessem nascido no estado; se não, o valor sobe para US$ 22.878 (sem incluir custo de moradia e alimentação; o valor total do momento da matrícula até o diploma ficaria perto de US$ 50 mil por ano para não residentes). Poucos entre os milhões de pais amorosos e cuidadosos têm possibilidades de garantir um valor dessa magnitude. (*Do “Extra”)

Entenda as vantagens de ser um professor

0

Saiba quais são as principais lições que os educadores podem adquirir ao longo da carreira

vantagens-ser-professor-noticias

Publicado em Universia Brasil

Ser professor é um trabalho que envolve diversas habilidades, como boa comunicação, didática e capacidade para lidar com as diferenças. Em muitos momentos, o educador poderá se deparar com uma série de obstáculos ao longo da carreira, sendo muitas vezes necessário um grande esforço para conquistar a atenção e a interação com a turma.

Apesar das dificuldades, a carreira de educador pode trazer muitas recompensas. Permite aprender várias lições de vida a partir do convívio com os alunos dentro e fora da sala de aula.

Pensando nisso, a Universia Brasil separou 5 motivos para seguir a carreira de professor. Confira e inspire-se:

1 – Deixar um legado
Muitas pessoas afirmam que ser professor não é apenas uma profissão e sim uma missão. Afinal, a sua função não é somente transmitir os conteúdos aos alunos, mas ensiná-los a serem pessoas melhores, além de orientá-los, dando todo o apoio que eles precisarem.


2 – Desenvolver as habilidades comunicativas

Ao interagir cada vez mais com alunos e seus pais, você consequentemente desenvolverá as suas principais habilidades de comunicação.


3 – Tornar-se mais paciente

Ensinar também requer paciência, principalmente no caso das suas aulas serem voltadas ao público infantil. Ao trabalhar com diferentes perfis de estudantes, o professor deve procurar formas para adaptar o método de ensino conforme as dificuldades pessoais de cada aluno.


4 – Nunca parar de aprender

Ao mesmo tempo em que se ensina, há sempre algo novo a aprender, seja com algum colega de trabalho ou coma própria turma. O processo de aprendizagem de um educador é contínuo.


5 – Notar a sua própria influência

Certamente, um dos momentos mais gratificantes na sua carreira será ao notar a diferença do próprio ensino na vida dos alunos. Seja quando um estudante lhe agradecer por um conselho ou quando um antigo aluno lembrar-se de você como uma inspiração, por exemplo.

 

Go to Top