Contando e Cantando (Volume 2)

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‘O Mundo Perdido’, de Conan Doyle, é ótimo para pegar gosto pela leitura

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Adultos não sisudos também vão gostar de obra situada na Amazônia

Ivan Finotti, na Folha de S.Paulo

Na história que inspirou ‘Jurassic Park 2’, aventureiros vêm descobrir dinossauros esquecidos num platô

A despeito do sucesso alcançado quando foi publicado, “O Mundo Perdido” realmente se perdeu na bibliografia de sir Arthur Conan Doyle (1859-1930).

Pelo menos no Brasil, onde nada se lê, grande parte da população conhece Sherlock Holmes, mas quase ninguém ouviu falar desse livro que se passa aqui mesmo.

A história se desenrola na Amazônia, há cerca de cem anos, quando um grupo de aventureiros londrinos vem descobrir dinossauros esquecidos num platô.

A viagem é boa parte da obra e os conflitos entre os personagens, alguns cômicos, dão o ritmo. Um jornalista na expedição narra a odisseia ao editor por cartas, enviadas à civilização por índios. Ao final, todos participam de um genocídio entre índios e homens.

Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, em 1923   – Associated Press

Nos EUA, “O Mundo Perdido” foi inspiração para a segunda parte de “Jurassic Park”, livro de Michael Crichton (1995) e filme de Steven Spielberg (1993), nos quais os americanos chegam a uma ilha em que dinossauros clonados vivem livremente.

O livro de 1912 não se passa numa ilha, e sim na nossa floresta tropical, inacessível no século 21, imagine há cem anos. Começa assim: “Relato das maravilhosas aventuras recentes do professor George E. Challenger, lorde John Roxton, professor Summerlee e do sr. E.D. Malone da Daily Gazette”.

Só por esse subtítulo dá para sacar duas coisas. Pelo estilo da escrita, parece que estamos diante de um livro juvenil. E estamos mesmo. Assim como a vasta bibliografia de Sherlock, “O Mundo Perdido” é um livro ótimo para a garotada que está aprendendo a curtir literatura. Ou para adultos não sisudos, é claro, o que não há muito por aí.

Com a palavra, sir Arthur: “Minha ambição é a de fazer pelos livros para garotos o que Sherlock Holmes fez para as histórias de detetives”. É o que conta o tradutor Samir Machado de Machado no posfácio da edição da Todavia. Doyle teria dito isso ao seu editor, mas chegou tarde.

Júlio Verne já tinha se refestelado com esse público 50 anos antes —e manteve a coroa. “Viagem ao Centro da Terra” (1864), do francês, já era estrelado por animais pré-históricos. Por outro lado, Doyle parece ter originado uma onda. Edgar Rice Burroughs, criador de Tarzan, escreveria livros com dinossauros após ler “O Mundo Perdido”.

Outra coisa que o subtítulo faz gritar é como o romance é eurocentrista. Natural. Doyle era escocês e jamais veio ao Brasil. Certamente leu a capa do New York Herald de 1911: “Monstros pré-históricos na selva amazônica”, na qual um alemão dizia ter encontrado um bicho à prova de balas. Só com essa manchete já dava para desenvolver seu argumento.

Pediu ajuda a amigos que viajaram ao nosso país. Entrevistou o coronel Fawcett, que buscava a tal cidade de Z na Amazônia. E enviou o quarteto ficcional a Belém do Pará, após algumas aventuras e diatribes em Londres.

“Doyle era homem de seu tempo e, ainda que fosse abolicionista e tenha promovido campanhas contra a exploração do trabalho escravo no Congo Belga, sua linguagem é fruto de sua época —bem como são os estereótipos e noções raciais que por vezes surgem no texto”, escreve o tradutor. É algo justo de se explicar, para se prevenir daqueles que querem mudar o passado.

Eis algumas partes “daqueles”: “Mas já contratamos empregados. O primeiro é um preto gigantesco chamado Zambo, um Hércules negro solícito e inteligente como um cavalo.”

“Conversei com nosso mestiço bilíngue, Gomez —um sujeito trabalhador e dedicado, mas acometido, suponho, pelo vício da curiosidade, comum nesse tipo de homem. Na noite passada, ele parecia ter se escondido perto da barraca onde discutíamos nossos planos e, tendo sido avistado pelo imenso negro Zambo, que nos é fiel como um cão e tem o ódio que toda sua raça nutre pelos mestiços, foi arrastado e carregado até nossa presença.”

“Trinta ou quarenta morreram ali mesmo. Os outros, gritando e se debatendo, foram atirados ao precipício, em direção aos afiados bambus quase duzentos metros abaixo, como seus prisioneiros haviam sido. O reino do homem estava para sempre garantido. Os homens-macacos machos foram exterminados. A Cidade dos Macacos foi destruída, as fêmeas e os jovens, levados para viver como escravos e a longa rivalidade de séculos incontáveis chegara ao seu final.” Boa leitura.

Inspiração para ‘Jurassic Park’, livro de Arthur Conan Doyle se passa no Brasil

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Monte Roraima, platô que inspirou Sir Arthir Conan Doyle a fazer a terra de Maple White em ‘O Mundo Perdido’ Foto: Paulo Liebert/Estadão

‘O Mundo Perdido’, recentemente lançado pela Todavia, imagina dinossauros na Amazônia

André Cáceres, no Estadão

Basta uma pesquisa rápida para um internauta desvelar todo o planeta diante de seus olhos. Com exceção de algumas bases militares, toda a Terra repousa a poucos cliques de distância com ferramentas como o Google Earth. Mas nem sempre foi assim. Desde as grandes navegações, no século 15, às aventuras do capitão James Cook (1728-1779), o mundo estava repleto de lugares desconhecidos. A expressão em latim “terra incognita” era usada pelos cartógrafos antigos para descrever locais ainda por explorar. No fim do século 19, tudo estava praticamente mapeado, mas a busca por novas regiões deu origem a todo um filão literário que vem sendo resgatado para os leitores brasileiros.

Em um dos principais livros dessa leva, O Mundo Perdido, de Sir Arthur Conan Doyle, publicado pela Todavia, o jornalista Edward Malone, do Daily Gazette, acompanha uma jornada ao coração da Amazônia em busca de um platô que abrigaria dinossauros vivos, segundo o zoólogo desacreditado George Challenger. O Zeitgeist da época é expresso por McArdle, editor de Malone que o envia na aventura: “Os grandes espaços em branco do mapa estão todos sendo preenchidos, e não há mais lugar para o romance em parte alguma.” Ou, como Alberto Manguel e Gianni Guadalupi constatam no prefácio à edição lusa do Dicionário de Lugares Imaginários: “Tornamos impossível zarpar rumo ao desconhecido, a não ser sob vigilância humana (…) Mas ainda havia a cartografia da imaginação. A nossa geografia imaginária é infinitamente mais vasta do que a do mundo material.”

No livro de Conan Doyle, Challenger alega ter visto esses dinossauros brasileiros, mas não conseguiu trazer provas de sua existência. A elevação, batizada Terra de Maple White e inspirada no Monte Roraima, teria ficado isolada por milhões de anos, mantendo o equilíbrio ecológico dos períodos jurássico e mesozoico, e evitando a extinção dos dinossauros. No entanto, seus pares cientistas consideram as alegações absurdas “como um shakespeariano confrontado por um baconiano, ou um astrônomo atacado pelos fanáticos da terra plana”.

As imprecisões sobre o Brasil, sua geografia e idioma não mancham a obra, mas algumas idiossincrasias saltam aos olhos do leitor contemporâneo, embora Conan Doyle pudesse ser considerado esclarecido para a época. Como de praxe nas histórias desse tipo, os exploradores são todos homens brancos que usam criados negros e/ou indígenas (no caso, ambos), e as raras personagens femininas existem apenas como interesses amorosos – Malone pede ao seu editor que o envie em uma aventura porque quer conquistar a bela Gladys, cujo nome ele dá à lagoa central de Maple White.

Conan Doyle baseou seus relatos fantásticos em acontecimentos pretensamente reais. No dia 11 de janeiro de 1911, o New York Herald publicou uma matéria sobre feras pré-históricas que supostamente habitariam a floresta amazônica. Durante a chamada Guerra dos Ossos (1872-1892), movida pela rivalidade entre os paleontologistas Othniel Charles Marsh e Edward Drinker Cope, o interesse do público por dinossauros cresceu e as descobertas de fósseis se tornaram mais frequentes. Não é estranho, portanto, que Doyle, já consagrado pelos romances policiais de Sherlock Holmes, quisesse explorar esses mistérios em O Mundo Perdido, publicado originalmente em 1912.

Já existiam criaturas pré-históricas em romances e contos de Jack London, Ambrose Bierce, Frank Mackenzie Savile e H.G. Wells, como Samir Machado de Machado nota no prefácio da obra. Mas as descrições vívidas que Doyle faz dos dinossauros inspiraram fortemente Edgar Rice Burroughs, em At the Earth’s Core (1914); Érico Verissimo, na sua Viagem à Aurora do Mundo (1939); e Michael Crichton, em Jurassic Park (1990, recentemente reeditado pela Aleph).

À época, Doyle teve contato com o Manuscrito 512. Esse documento de 1754 descrevia uma cidade perdida na Amazônia e atiçou a curiosidade de exploradores britânicos como Sir Richard Francis Burton (1821-1890) e Percy Fawcett (1867-1925), com quem o escritor se correspondeu e que morreu desaparecido tentando encontrar uma civilização misteriosa no Mato Grosso. Esse manuscrito brasileiro pode ter influenciado As Minas do Rei Salomão (1886), de Sir Henry Rider Haggard, publicado recentemente pela Via Leitura.

Tido como um dos fundadores dessa literatura de exploração, a obra relata uma jornada ao interior da África pelos olhos do caçador de elefantes Allan Quatermain, que auxilia um nobre a encontrar seu irmão perdido nas terras de Kukuanalândia, para além de um deserto quase intransponível, onde o lendário rei Salomão (1050-931 a.C) havia encontrado diamantes. Foi Haggard quem inspirou o tom impressionista, com relatos em primeira pessoa, descrições de paisagens exuberantes e forma epistolar dos livros desse gênero.

As “viagens extraordinárias” de Júlio Verne à Lua, ao fundo do mar, ou ao redor do planeta também seguem nessa tradição, e vêm sendo reeditadas com frequência no Brasil. Somente em 2018, a Nova Fronteira publicou um box com três aventuras condensadas do autor francês; a Via Leitura lançou recentemente Cinco Dias em um Balão, em que, a exemplo de Haggard, Verne narra uma viagem à África (mas, diferente do autor britânico, ele nunca pôs os pés no berço da humanidade); e a Zahar publicou sua Viagem ao Centro da Terra, obra de 1864 em que Verne imagina seres pré-históricos sendo descobertos por exploradores no núcleo oco do mundo, inspiração para Burroughs.

“É muito antiga a necessidade de inventar países e depois dizer como o autor os encontrou”, relembram Manguel e Guadalupi. “Escrita em meados do terceiro milênio a. C., a Epopeia de Gilgamesh (ou pelo menos a sua segunda metade) é a crônica da viagem de um rei ao Reino dos Mortos. A Odisseia, composta no século 8 a. C., é o relato de uma corrida de obstáculos que alcança, decorridos muitos anos, a meta ansiada.” Essas e outras terras fictícias que povoam o imaginário da literatura, afirmam eles, não são produto de mero escapismo. “Atlântida, a Ilha Misteriosa, a comunidade distante de Utopia e a Cidade das Esmeraldas de Oz são lugares que visitamos em pensamento mas não na realidade, embora sejam necessários para aquilo a que chamamos a condição humana.”

Hoje esse resgate dos clássicos da literatura de exploração demonstra que essas obras ganharam relevância com o tempo. Pode não haver mais uma “terra incognita” para se desbravar, mas, no século 21, com ilhas sendo devoradas pelo aumento do nível dos oceanos, geleiras desaparecendo, traçados litorâneos modificadas pelo avanço das águas e florestas inteiras sendo desmatadas, até os mapas mais perfeitos serão obsoletos sem um pouco de imaginação.

Jovem ganha dinheiro escrevendo livro de sexo com dinossauros

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"Taken by the Pterodactyl" (Levada pelo Pterodáctilo)

“Taken by the Pterodactyl” (Levada pelo Pterodáctilo)

Yannik D´Elboux, no UOL

Com mais de 40 livros eróticos sobre sexo entre mulheres e dinossauros, uma norte-americana, na faixa dos 20 anos, encontrou um caminho para fazer o que gosta e aumentar sua renda. Sob o pseudônimo de Alara Branwen, ela escreve em coautoria com a amiga Christie Sims, que também usa nome fictício, grande parte das histórias, à venda em formato digital na loja virtual Amazon.

Os títulos de seus livros são curiosos. Entre os mais populares estão: “Mating with the Raptor” (Acasalamento com o Raptor), “Taken by The T-Rex” (Levada pelo T-Rex) e “Ravished by Triceratops” (Violentada pelo Triceratops).

Na maioria das tramas, criaturas poderosas, sedutoras e dominadoras envolvem heroínas que não resistem aos encantos dos monstros, quase sempre sexualmente insaciáveis e dotados de membros enormes. Apesar das protagonistas serem mulheres, Alara afirma que os homens representam metade dos seus leitores.

Em entrevista ao UOL Comportamento por e-mail, a autora erótica, que evita aparecer na mídia, fala um pouco mais sobre como surgiu o interesse em criar histórias com seres fantásticos. Além disso, Alara Branwen revela que segue no gênero erótico e que os dragões são a bola da vez no trabalho da dupla.

UOL:  Você é uma escritora profissional? Tem outro trabalho?

Alara Branwen: Sou escritora profissional por enquanto, mas estou trabalhando em vários empreendimentos comerciais, entre eles, em uma editora.

UOL: Quando você começou a escrever erotismo com dinossauros? Você foi a criadora desse gênero?

Alara: Iniciei no meio de 2013. Não, não sou a criadora, de jeito nenhum! Muitas pessoas me mostraram vários exemplos desse gênero, que datam desde os anos 1960.

UOL: E como você teve essa ideia de escrever sobre sexo com dinossauros?

Alara: Eu estava dando uma caminhada um dia quando, de repente, por alguma razão, eu pensei no “Jurassic Park” [“Parque dos Dinossauros”, filme de Steven Spielberg]. Então minha mente voltou para o meu trabalho. Os dois se misturaram e “boom”: nasceu o erotismo com dinossauros.

UOL: Você sempre teve interesse em literatura erótica? Você acha que dinossauros são excitantes?

Alara: Eu, sinceramente, fiquei interessada nesse tipo de literatura por duas razões. A primeira é que eu sempre gostei de escrever livros eróticos. É divertido e sempre achei excitante criar mundos e personagens sensuais. A segunda razão, quando comecei, é porque eu estava em uma situação financeira difícil e precisava do dinheiro.

UOL: Como estão indo as vendas dos seus livros no site da Amazon? Em média, quantos você vende por mês?

Alara: Não gosto de falar de números específicos nem quanto dinheiro estou ganhando, mas posso revelar isso: minha renda é maior do que a de 70% dos lares nos Estados Unidos.

UOL: Como seus leitores reagem ao seu trabalho? Eles ficam curiosos ou excitados com seus livros?

Alara: Acredite ou não, muitos dos meus leitores realmente gostam do meu trabalho. Alguns acham apenas divertido, enquanto outros se excitam com meus livros. Entretanto, a maioria que se excita com os textos não verbaliza muito esse fato.

UOL: Além de dinossauros, você escreve histórias eróticas sobre outras criaturas?

Alara: Sim, escrevo sobre as mais variadas criaturas fantásticas. Dragões, grifos, hidras, ogros. Nomeie uma criatura e eu provavelmente já devo ter escrito uma história a respeito dela.

UOL: Os dinossauros sempre representam homens em seus livros? Conte-me um pouco sobre o teor das histórias.

Alara: Os dinossauros representam machos nos meus livros. Eles não são apenas homens, são dinossauros. Seus pensamentos são bem diferentes dos nossos. A maior parte das histórias é sobre mulheres que são pegas em situações estranhas, nas quais elas devem ou querem fazer sexo com a criatura a fim de ter prazer, sair de uma situação ruim ou, simplesmente, porque elas querem.

UOL: Você planeja traduzir seus livros?

Alara: Eu gostaria de traduzir meus livros para várias línguas. Tenho falado com uma pessoa nesse momento para traduzir para o português e o espanhol.

UOL: Quais são seus próximos projetos?

Alara: Atualmente, estou trabalhando em histórias eróticas de diferentes gêneros. Mas tenho escrito vários livros eróticos com dragões.

UOL: Você pode revelar seu nome verdadeiro? Se não, por que você prefere mantê-lo em segredo?

Alara: Eu prefiro manter minha identidade secreta. Eu valorizo minha solidão algumas vezes e não quero que as pessoas venham atrás de mim, constantemente, me identificando como a “dino porn lady” [senhora do pornô dinossauro].

 

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