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Aos 61 anos, porteiro realiza sonho de cursar Direito e diz: ‘Nunca é tarde’

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Antenor José Vieira, de Barra Mansa, ganhou bolsa para cursar faculdade.
Como ele, Margareth de 50 anos, voltou a estudar e está no 1° período.

Cristiane Mendes, no G1

No intervalo dos empregos, porteiro tira tempo para estudar (Foto: Cristiane Mendes/G1)

No intervalo dos empregos, porteiro tira tempo para
estudar (Foto: Cristiane Mendes/G1)

A rotina do porteiro Antenor José Vieira, de Barra Mansa (RJ), começa cedo, às 4h30 da manhã. Tudo para realizar seu maior sonho: voltar a estudar.

Aos 61 anos, o idoso voltou a ter contato com lápis, caderno e livros e está cursando o 6º período do curso de Direito no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM). A vontade de voltar para sala de aula era um desejo antigo. Apaixonado por direito, a escolha do curso veio com a oportunidade de uma bolsa de estudos.

“Trabalho como porteiro da faculdade desde 2013. Prestei o vestibular e na época a universidade me ofereceu a bolsa integral. Foi uma alegria imensa, porque Direito sempre foi meu sonho. Cheguei até me matricular no curso em 2003, mas por conta da despesa, eu não consegui concluir”, contou.

Além do trabalho na faculdade, Antenor conta que ainda se divide em outro emprego. “Minha rotina é bem puxada. Trabalho como porteiro em dois empregos e ainda faço faculdade à noite, só chego em casa por volta de meia-noite. Fiquei 30 anos sem estudar, tinha só o ensino fundamental, mas sempre quis ser alguém na vida, por isso fiz supletivo para concluir o ensino médio e agora estou realizando o meu maior sonho que é concluir o ensino superior”, disse.

Apesar de ser uma das pessoas mais velhas da turma, ele garante que não é tratado com diferença. “Não sou diferente dos outros porque sou um dos mais velhos. Pelo contrário, acho que eles enxergam em mim até um exemplo de determinação”, afirmou.

Os planos de Antenor são concluir a faculdade e trabalhar como advogado. Para isso, entre o intervalo de um serviço e outro ele está sempre com algum livro nas mãos.

“A profissão requer muita dedicação e principalmente muito estudo, por isso, eu estou sempre estudando. Os livros são meus companheiros. Eles ficam aqui, junto comigo no trabalho. Em uma folguinha eu pego para ler e estudar. Tenho certeza que ainda vou ser um advogado. Apesar da minha idade, nunca é tarde para realizar um sonho”, garantiu.

Aos 50 anos, universitária cursa 1° período de Direito (Foto: Cristiane Mendes/G1)

Aos 50 anos, universitária cursa 1° período de
Direito (Foto: Cristiane Mendes/G1)

“A mente não envelhece, a idade é só um mero fator”
Direito também foi a escolha da dona de casa Margareth de Souza Santos, que também mora em Barra Mansa. “Resolvi retomar os estudos depois que passei por um processo jurídico. Me interessei muito pela área porque percebi que às vezes nós não sabemos muito dos nossos direitos. Então, incentivada pelos meus advogados eu me matriculei no curso e estou muito feliz com a minha escolha”, disse.

Mãe de dois filhos adultos e avó de quatro netos, ela conta que eles foram grandes incentivadores. “Meus filhos e minha família me apoiaram muito. Sou muito comunicativa, adoro lidar com jovens e adoro ganhar mais conhecimento. Então, acho que não vou encontrar dificuldade por ser mais velha que a maioria dos alunos. A questão é dedicação”, explicou.

A nova universitária dá a dica para quem quer voltar a estudar e tem algum receio por causa da idade. “A mente não envelhece, a idade é só um mero fator. Por isso, corra atrás do seu sonho, se dedique que você será bom em tudo que for fazer. Eu tenho um sonho, ser uma advogada criminalista e eu tenho certeza que ainda vou chegar lá”, disse, otimista.

No Brasil
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o número de idosos que entrou em uma faculdade aumentou 40% nos últimos dois anos. Só em 2014, por exemplo, mais de 15 mil pessoas com mais de 50 anos se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

9 livros importantes que todo estudante de Direito deve ler (nem todos da área jurídica)

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amo-direito-noticias-Livros

Publicado no Amo Direito

Quem é do Direito costuma buscar na internet informações sobre livros importantes que deve ler para tornar-se bom aluno na faculdade, aproveitar melhor o curso e planejar a sonhada futura carreira.

Não são todos livros da área jurídica, mas são livros que posso afirmar serem fundamentais para um bom desempenho durante a faculdade e depois dela. Alguns desses livros eu gostaria de ter conhecido enquanto eu estava na faculdade, e tenho certeza de que você poderá aproveitá-los muito bem.

Incluí junto às sugestões, links para comprar os livros no site da Livraria Cultura, facilitando o seu acesso aos títulos. Os links são do tipo “afiliados”, mas cabe a você escolher comprar onde eu recomendei ou em outro lugar de sua preferência.

1 – “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” (Dale Carnegie)
Este é apenas um dos livros de Dale Carnegie que recomendo. Se você ainda não percebeu, deve começar a perceber que o curso de direito leva você a um mundo onde se exige um bom relacionamento com as pessoas. Normalmente, a faculdade não vai ensinar isso a você. Mas, a vida mostrará o quanto é necessário saber lidar com as pessoas, estabelecer e manter contatos e aprender a trazer as pessoas para o seu modo de pensar. “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” é um grande clássico, e você deve levá-lo muito a sério. Coloquei o livro na primeira posição de propósito, pois a leitura é incrivelmente leve e agradável, de modo que, assim que você tiver o livro em mãos, já poderá começar a dar mais passos adiante, numa nova postura diante das relações humanas.

Um trecho do livro: “Assim, como eu já disse, Lincoln atirou a carta para o lado, porque aprendera, numa dura experiência, que as críticas violentas e as repreensões redundam sempre em futilidade.”

2 – “A Arte de Fazer Acontecer” (David Allen)
Você já sabe que cursar a faculdade de direito não é simplesmente ir lá. É uma coisa que realmente mexe com a sua vida, em todos os níveis imagináveis. Será que você está preparado para lidar com uma infinidade de livros, materiais, datas e tarefas, além de anotações, provas, objetivos pessoais e a organização dos seus sonhos? David Allen o ajuda a lidar com questões de organização pessoal ou, mais precisamente, como cuidar para que tudo o que você precisa fazer seja, realmente, feito.

Um trecho do livro: “Pelo menos uma porção da sua mente é realmente meio estúpida, de uma forma interessante. Sim, porque se tivesse qualquer inteligência inata, ela só o lembraria das coisas que você precisa fazer na hora que você pudesse agir em relação a elas.”

3 – “A Arte da Guerra” (Sun Tzu)
Em primeiro lugar, sejamos a favor da PAZ! Vamos dizer não à guerra, pois o que precisamos é de uma vida mais digna, sem violência, sem destruição. Agora, em termos de conhecimento estratégico, preparo e postura diante de situações difíceis, você não vai querer se colocar como vítima ou uma mera peça a ser descartada pela força implacável de conjunturas turbulentas. Por isso, compre um exemplar de “A Arte da Guerra” e estude-o. Há muitas lições e uma profunda filosofia nas palavras do livro.

4 – “Teoria Geral do Processo” (Cintra, Grinover e Dinamarco)
Um livrinho que vai te ajudar muito, especialmente no início da faculdade. Foi um dos meus livros preferidos na faculdade, e possibilitou que eu tivesse uma noção muito mais precisa de todo o funcionamento da Justiça, e não apenas do processo judicial. Fala, entre outras coisas interessantes, sobre a organização judiciária, incluindo, claro, as funções do STJ e do STF, e ainda sobre serviços auxiliares da Justiça, Ministério Público, advogados públicos e particulares e muito mais. Recomendo que você faça uma primeira leitura corrente e integral, sem muita preocupação em memorizar, mas sim em tomar conhecimento do conteúdo do livro. Tenho certeza de que, depois disso, você terá uma sensação de up na sua “auto-estima jurídica”.

Um trecho do livro: “No atual estágio dos conhecimentos científicos sobre o direito, é predominante o entendimento de que não há (mais…)

Mães recorrem à polícia para garantir matrícula de filhos com deficiência

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Família teve vaga negada mesmo depois de liminar expedida pela Justiça.
Escolas exigem que pais paguem custos com profissionais especializados.

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Publicado no G1

Matricular filhos com deficiência em escolas particulares de Paulínia(SP) tem se transformado num drama para muitas famílias. Na cidade, há casos de mães que foram obrigadas não apenas a recorrer à Justiça para conseguir a vaga, como tiveram de buscar a Polícia Civil para garantir o cumprimento da decisão judicial.

Este é o caso da gerente administrativa Cleide Doutor da Silva, que já há quase um ano briga com a Escola Adventista de Paulínia para garantir atendimento ao filho – acometido por uma ataxia congênita, patologia que provoca tremores constantes – em especial na cabeça e mãos – e dificuldades severas de coordenação motora.

De acordo com a mulher, a escola – que no início de julho foi acusada de cobrar taxa extra para matricular uma aluna com síndrome de Down – cria seguidos empecilhos para evitar a matrícula do menino. Ela diz ter tentado sensibilizar a diretoria da escola e chegou depois a recorrer à Delegacia de Ensino. Mas não teve sucesso. Foi então ao Ministério Público, mas nem isso resolveu.

Caso de polícia

“Eles (a escola) não queriam acatar a decisão da Justiça e, sem outra opção, tive de ir à polícia e registrei um boletim de ocorrência”, explicou ela.

“Eu cheguei a ser barrada na escola”, denuncia. Ela conta que no início deste ano, quando da renovação da matrícula, a direção da escola propôs um aditivo no contrato, pelo qual a família deveria se responsabilizar pela contratação de um professor-auxiliar e um tutor. “Como eu não aceitei fazer isso por entender que isso é obrigação da escola, eles disseram que não poderiam aceitar a matrícula”, relata a mãe.

“Fui então à Justiça, mas como levou um certo tempo para consegui a liminar, eles alegaram que já havia se encerrado o prazo para matrícula”, contou. “Cheguei a fazer o pagamento da matrícula pelo boleto, mas a diretoria queria me devolver o dinheiro. Queriam me devolver até as moedas”, relatou. Foi então, à Policia Civil. “Na verdade, eles tratam a gente como se a gente fosse nada”, reclama.

Outro B.O.

A pedagoga Nayanne de Oliveira Fahl conta que teve problema semelhante com a Escola Cosmos, também de Paulínia, quando tentou matricular a filha de 8 anos, que tem síndrome de Down.

A professora conta que na primeira entrevista para a matrícula, não informou a escola sobre a síndrome. “Eu acredito que inclusão deve ser plena e que isso, não poderia ser um impeditivo para a matrícula”, argumentou.

“Quando eles viram a minha filha, disseram que não trabalhavam com esse tipo com esse tipo de criança. Me falaram exatamente assim”, disse ela.

“Fui à Justiça e registrei boletim de ocorrência contra a escola, mas não matriculei minha filha, porque eu a quero num lugar em que seja aceita”, acrescentou.

Só que não foi fácil. Nayanne conta que no período de setembro a janeiro esteve em cinco escolas em Paulínia e mais três em Campinas até conseguir uma que tivesse uma estrutura consolidada para receber alunos com deficiência. “Passar por isso, é coisa que não desejo pra ninguém”, diz ela.

A direção da escola foi procurada pela reportagem, mas por meio de funcionários administrativos informou que desconhecia o assunto, apesar do Boletim de Ocorrência registrado na policia.

Paralisia Cerebral
A dona de casa Eliane Gomes Mendes conta que teve problema idêntico na Adventista de Paulínia. O filho, acometido por uma paralisia cerebral, também foi recusado. “Como ele é cadeirante, usava fraldas e registrava episódios de convulsões, eles queriam que a gente pagasse dois especialistas, e eu não tinha a menor condição”, disse.

Eliane levou o menino para a Apae onde permaneceu até os 7 anos, mas teve de tirá-lo de lá por causa da idade. Foi levado, então, para uma outra escola particular em Paulínia.

Situação semelhante viveu o professor José Paulo de Araújo, que tem uma filha de 10 anos e que apresenta atraso neuro-psico motor em consequência da chamada Síndrome de Williams. Na renovação da matrícula no final do ano passado, a Escola Adventista de Paulinia exigiu o pagamento de profissionais especializados para acompanhamento da menina.

“Me recusei a fazer isso, mas me desencantei com a escola. Não quis ingressar com ações judiciais por entender que ela não poderia mais continuar lá”, argumentou.

Hoje a menina está matriculada na rede pública de Paulínia. “Não é o ideal, mas ela conta com auxílio de professores especializados e seu desenvolvimento tem apresentado melhora sensível”, disse ele.

Nota oficial
A Escola Adventista de Paulínia se pronunciou por meio de nota. A direção afirmou ao G1 que no seu entendimento “não há no ordenamento jurídico qualquer obrigação legal de uma instituição particular de ensino regular em oferecer, custear ou promover adaptações em sua estrutura, como a contratação de um tutor/mediador pedagógico, para suprir necessidades exclusivas de alunos com necessidades especiais”, destaca o documento.

A escola afirma ainda que “em nenhum momento”, cobrou dos pais um valor adicional ao da mensalidade regular e nem ofereceu o serviço de tutor/mediador pedagógico. A instituição informa também que a liminar em favor de Cleide Doutor foi suspensa.

Síndrome de Down

Na semana passada, o G1 mostrou que a Escola Adventista havia sido acusada de promover cobrança extra para garantir uma vaga a uma aluna de 7 anos, que tem síndrome de Down. De acordo com a mãe da menina, Rosângela Galina, o colégio alegou que, para manter a menina numa classe regular, precisaria contratar um tutor – que seria uma espécie de professor auxiliar, além de um cuidador. E condicionou a matrícula, ao pagamento dessas novas despesas.

Segundo a escola, o tutor faria a orientação em sala de aula e o auxiliar ficaria responsável por ajudar a menina em tarefas de higienização, na administração de medicamentos e outros cuidados de ordem pessoal. A mãe reagiu e recorreu ao Ministério Público hoje iniciou uma campanha na internet chamada #diganãoadownfobia.

De empregada doméstica a juíza: conheça a história da magistrada que chegou a dormir na rua

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marina faleiros

Publicado no Amo Direito

Com 12 anos, a menina Antônia Marina Faleiros, trabalhava em um canavial no interior de Minas Gerais e nem sonhava quem um dia fosse se tornar juíza de Direito. Aos 21, a jovem Antônia, filha de um trabalhador rural e uma dona de casa, foi correr atrás de uma vida melhor em Belo Horizonte. Na cidade grande, a moça da roça chegou a dormir oito meses em um ponto de ônibus porque não tinha onde passar a noite, enfrentando o frio e o perigo da capital mineira.

Para conseguir aprovação em seu primeiro concurso, de oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Minas, ela catava, no lixo, folhas borradas de um mimeógrafo onde eram feitas apostilas de um cursinho preparatório. “Gosto de contar essa história para reafirmar: a filha de uma dona de casa simples e de um trabalhador rural pode sim alcançar o que quer. Todos nós podemos”, se orgulha ela.

Hoje, aos 52 anos, casada, a juíza procura fazer a diferença por onde passa. Ela ajuda projetos sociais com crianças em Lauro de Freitas, Bahia, onde exerce o cargo de juíza da 1ª Vara Criminal da cidade. Dra Antônia também desenvolveu um projeto voltado para o resgate da cidadania dos carvoeiros e de seus familiares da cidade de Mucuri, na Bahia, ganhando prêmio no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “A minha história de superação serve para eu ter a certeza de que, com a minha profissão, eu tenho que dar espaço para quem não tem espaço”, pontua.

Filha mais velha de outros cinco irmãos, a mulher vencedora guarda uma triste lembrança no Estado do Espírito Santo. Um dos seus irmãos, Edésio, morreu em um trágico acidente em Água Doce do Norte, no ano de 1997: ele estava na carroceria de uma caminhonete quando o veículo capotou.
Leia a entrevista do portal Gazeta Online com a juíza:

Como foi a sua infância?

Sou a primeira filha de uma sequência de 5 irmãos que sobreviveram, já que alguns faleceram no parto. Vim do interior de Minas Gerais, há 52 anos. O que eu me lembro e gosto de repetir é que olhando os fatos para trás, no filtro do passado e da saudade, a história parece até bem bonita, mas na época, para ser sincera, não tinha graça nenhuma. Tivemos todos que trabalhar cedo, como uma imposição da necessidade, não por exploração dos pais. Eles não tinham como proporcionar boas condições e tínhamos que trabalhar, era uma realidade dos jovens da roça.

Por que você teve que trabalhar tão cedo?

Bem pequena,como filha mais velha, acabei assumindo a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos porque meus pais tinham outras obrigações. Com mais idade, vendo as dificuldades do meu pai de colocar comida em casa, já que ele era um trabalhador braçal e ganhava muito pouco, e da minha mãe, costureira, tomei a consciência do trabalho. Antes desse trabalho mais duro, do canavial, já trabalhava lavando roupas para os outros. Juntava dinheiro para comprar caderno para os irmãos e para mim mesma. Com 12 anos, recebi esse convite para trabalhar no canavial, através de “gatos”, que são recrutadores de mão de obra para fazer esse trabalho na divisa entre Minas e São Paulo.

Desde pequena você já era uma pessoa esforçada, que gostava de estudar?

Sempre gostei de estudar. Fui alfabetizada pela minha mãe com 4, 5 anos e sempre fui adepta da leitura. Devo isso aos meus pais, especialmente minha mãe, que era uma pessoa que não tinha uma formação acadêmica apurada, que estudou até a quarta série primária, mas tinha muita curiosidade e vontade de adquirir conhecimento, além de ler muito. Era uma mãe muito exigente com o desempenho dos filhos. Ela sempre dizia uma frase que eu repito para os meus sobrinhos: quem tem a cama feita pode se contentar com o razoável. Quem não tem a cama feita, deve ser muito bom no que faz.

Por que você teve que dormir por oito meses em um ponto de ônibus?

Eu fui para a cidade grande procurar um emprego com 22 anos e nos primeiros dias tive que ficar na casa de parentes, fingindo que estava de passeio. Fiquei um período, mas chegou um momento que ficou insustentável, não dava para ficar de favor. Tive que me arrumar. Arrumei um emprego de empregada doméstica, mas a patroa não gostava que a funcionária dormisse na casa dela, porque ela achava que tirava a liberdade dos donos da casa. Para não ser obrigada a retornar para o interior, para a roça, e ter que abrir mão do meu sonho de fazer um curso superior e trilhar um caminho diferente daqueles que moravam na minha terra, eu mentia para minha mãe que dormia na casa da patroa e fingia para a patroa que dormia na casa de parentes. Mas na verdade eu não dormia na casa de ninguém porque eu não tinha onde morar. Eu passava a noite sentada fingindo que estava esperando ônibus. Como era um ponto muito movimentado, dava para enganar.

Você não tinha medo de dormir no ponto?

Era um lugar movimentado e havia uma outra particularidade: lá no prédio perto de onde dormia, funcionava o posto central da telefonia e, naquele tempo em que não havia celular, as pessoas usavam o posto para fazer as ligações interurbanas. Para me ajudar ainda mais, o preço era mais barato entre 23 horas e 5 da manhã. Ou seja, tinha sempre movimento, havia gente entrando e saindo do posto toda agora. Acontecia de eu notar que tinha alguém me olhando muito e aí eu entrava no posto como se eu fosse fazer uma ligação para disfarçar.

Aquela menina lá do interior imaginava que um dia poderia ser juíza?

Não tinha nem noção do que era um tribunal e muito menos da função de um oficial. Aos domingos, a gente comprava o jornal para ver os anúncios de emprego e em um deles havia o anúncio do concurso, patrocinado por um curso preparatório, com os cargos e as exigências. O de oficial me atraiu porque as matérias eram apenas três: português, matemática e noções de direito.

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OAB lança biblioteca digital com mais de 70 livros para download gratuito

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Foto: Reprodução/OAB

Foto: Reprodução/OAB

Publicado no Bahia Notícias

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disponibilizou para download gratuito uma biblioteca digital que oferece mais de 70 livros para os internautas.As obras foram assinadas por nomes importantes da instituição. “Cidadania da Mulher: Uma Questão de Justiça”, “Defesa da Democracia e da Ordem Constitucional”, “Processo Judicial Eletrônico”, “Novo Código de Processo Civil: Comparativo das Redações do Senado Federal e da Câmara dos Deputados” são alguns dos títulos. Para conferir a biblioteca da OAB, clique aqui.

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