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Posts tagged Direitos Autorais

“Diário de Anne Frank” poderá servir para fins científicos

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Anne Frank, na escola que frequentava em Amsterdã, em 1940. Wikimedia

Anne Frank, na escola que frequentava em Amsterdã, em 1940.
Wikimedia

 

A justiça holandesa determinou nesta quarta-feira (30) que os textos originais do “Diário de Anne Frank” podem ser copiados para a pesquisa científica, descartando uma parte da disputa legal que gira em torno dos direitos autorais da obra. A Fundação Anne Frank decidiu prolongar o controle do copyright do livro, alegando que ele é uma versão revisada por Otto Frank, pai da garota.

Publicado na RFI

A Fundação Anne Frank, cuja sede fica em Basileia, na Suíça, é proprietária da obra da jovem judia. A instituição apelou ao tribunal que impedisse outra organização de mesmo nome, que gerencia a museu que era a casa da família em Amsterdã, de reproduzir os textos da garota com objetivos científicos. Mas o tribunal de Amsterdã decidiu que a obra original pode ser utilizada pela Fundação e Academia Holandesa de Ciências sem que pague pelos direitos autorais.

Duração do copyright permanece intacto

A sentença, no entanto, não altera a duração do copyright, já que as duas instituições chegaram a um acordo sobre o direito aplicado na Holanda. Alguns trechos da obra, publicada pela primeira vez em 1986, passarão a domínio público apenas em 2050.

Legalmente, uma obra passa a domínio público no primeiro dia do ano, depois de 70 anos da morte de seu autor. Com essa lei, “Diário de Anne Frank”, estaria livre de direitos autorais a partir de 1° de janeiro de 2016. Anne Frank morreu em 1945, aos 15 anos, no campo de concentração alemão de Bergen-Belsen.

Mas, a fundação suíça alega que o texto, tal qual como é hoje, foi editado pelo pai da garota. Desta forma, o livro passaria a domínio público apenas em 2050, 70 anos após a morte de Otto Frank. Até lá, a instituição suíça permanecerá como proprietária dos royalties da obra.

Traduzido para mais de 70 idiomas

O “Diário de Anne Frank”, um dos livros mais célebres do século 20, foi escrito pela adolescente judia entre junho de 1942 e agosto de 1944, quando se escondia dos nazistas junto com a família em Amsterdã. Os relatos da menina foram publicados pela primeira vez em holandês por seu pai, em 1947, e depois traduzido para mais de 70 idiomas.

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros

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Carlos Willian Leite, na Revista Bula

Pedimos aos leitores e colaboradores — escritores, jornalistas, professores — que apontassem os poemas mais significativos de Manoel de Barros, um dos mais aclamados poetas contemporâneos brasileiros. Nascido em Cuiabá em 1916, Manoel de Barros estreou em 1937 com o livro “Poemas Concebidos sem Pecado”. Sua obra mais conhecida é o “Livro sobre Nada”, publicado em 1996.

Cronologicamente vinculado à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, Manoel de Barros criou um universo próprio — subvertendo a sintaxe e criando construções que não respeitam as normas da língua padrão —, marcado, sobretudo, por neologismos e sinestesias, sendo, inclusive, comparado a Guimarães Rosa.

Em 1986, o poeta Carlos Drummond de Andrade declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo. Antonio Houaiss, um dos mais importantes filólogos e críticos brasileiros escreveu: “A poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor”. Os poemas publicados nesta seleção fazem parte do livro “Manoel de Barros — Poesia Completa Bandeira”, editora Leya. Por motivo de direitos autorais, apenas trechos dos poemas foram publicados.

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.

Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas —
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anônimas —
Passaram essa tarefa para os poetas.

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

Aprendimentos

O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada.

Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.

E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.

Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —
esse pessoal.

Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam
que o fascínio poético vem das raízes da fala.

Sócrates falava que as expressões mais eróticas
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Uma didática da invenção

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

II

Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.

III

Repetir repetir — até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.

IV

No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:

Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa.
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras.

V

Formigas carregadeiras entram em casa de bunda.

VI

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

VIII

Um girassol se apropriou de Deus: foi em
Van Gogh.

IX

Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz .
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

X

Não tem altura o silêncio das pedras.

Tribunal dos EUA mantém aventuras de Sherlock Holmes em domínio público

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Decisão encerra, dez vez, briga pelos direitos autorais sobre as histórias do personagem

Jonny Lee Miller, Benedict Cumberbatch e Robert Downey Jr como Sherlock Holmes - Reprodução

Jonny Lee Miller, Benedict Cumberbatch e Robert Downey Jr como Sherlock Holmes – Reprodução

Publicado por Reuters [via O Globo]

O caso da briga pelos direitos autorais das histórias de Sherlock Holmes está encerrado, agora que a Suprema Corte dos Estados Unidos manteve intacto um veredicto que determina que 50 obras com o famoso detetive ficcional são de domínio público.

Os juízes da alta instância, que assim como o excêntrico investigador escolhem que casos aceitam, recusaram-se a ouvir o apelo apresentado pelo espólio do autor Arthur Conan Doyle, morto em 1930.

O espólio pedia que o escritor Leslie Klinger pagasse uma licença de US$ 5 mil antes que um volume de novas histórias baseadas no personagem, conhecido por sua genialidade, pudesse ser publicado.

A medida do tribunal significa que o veredicto de junho da Sétima Corte de Apelações dos EUA a favor de Klinger é a palavra final sobre o assunto. A corte argumenta que as 50 obras de Sherlock Holmes publicadas antes de 1923 são de domínio público, já que as proteções dos direitos autorais expiraram.

O tribunal de apelações afirmou que só as dez últimas obras protagonizadas pelo detetive, que foram publicadas entre 1923 e 1927 e cujos direitos autorais só vencem depois de 95 anos, exigem proteção.

Klinger é o editor de “The New Annotated Sherlock Holmes” e outros livros com o personagem. Ele havia pago uma licença ao espólio por um trabalho anterior, mas o processou depois de se recusar a pagar outra taxa por um compêndio de novas histórias de Holmes que ele e a co-editora Laurie King estavam editando, “In the Company of Sherlock Holmes”.

Sua editora, a Pegasus Books, recusou-se a publicar a obra depois que o espólio de Conan Doyle ameaçou suspender as vendas no site Amazon.com e na livraria Barnes & Noble a menos que recebesse mais uma taxa.

Conheça e leia os 10 melhores poemas dos últimos 200 anos

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Se você gosta de poesia, não perca o ranking com dos 10 melhores poemas dos últimos 200 anos

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Publicado por Universia

Escolher os poemas favoritos é uma tarefa árdua para quem gosta de poesia. São tantos autores, movimentos literários e estilos de escrita que criar um ranking por conta própria pode ser bastante difícil.

A Revista Bula elegeu os 10 melhores poemas dos últimos 200 anos. O resultado é o que você vê a seguir, em ordem de classificação de acordo com os nomes mais citados. Para ler o poema, basta clicar abaixo sobre o nome dele. Vale dizer que em alguns casos foram disponibilizados apenas trechos dos poemas devido aos direitos autorais de cada um:

deste especial:

Melhores poemas: A Terra Desolada, de T. S. Eliot

Melhores poemas: Tabacaria, de Fernando Pessoa

Melhores poemas: A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade

Melhores poemas: Os Homens Ocos, de T. S. Eliot

Melhores poemas: Velejando para Bizâncio, de William Buttler Yeats

Melhores poemas: À Espera dos Bárbaros, de Konstantinos Kaváfis

Melhores poemas: O Cemitério Marinho, de Paul Valéry

Melhores poemas: Hugh Selwyn Mauberly, de Ezra Pound

Melhores poemas: Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa

Melhores poemas: Poema Sujo, de Ferreira Gullar

Sem acordo, editoras lançam duas traduções de ‘Paradiso’, de Lezama Lima

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Martins e Estação Liberdade alegam que adquiriam os direitos da obra do romancista e poeta cubano e querem honrar o contrato

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Na melhor das hipóteses, o leitor brasileiro poderá, a partir da próxima semana, escolher entre duas traduções do romance Paradiso, do cubano José Lezama Lima (1910-1976): a de Josely Vianna Baptista, feita para a Estação Liberdade, ou a de Olga Savary, encomendada pela Martins. Mas a obra do poeta e romancista não está em domínio público para que novas traduções saiam assim à vontade.

"Paradiso" chega às livrarias em duas novas traduções, mas não há consenso entre editores

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A história é complicada. Angel Bojadsen, diretor editorial da Estação Liberdade, comprou os direitos do título em 2006 diretamente da irmã do escritor, Eloísa Lezama Lima. Foi nessa época que Josely, que já tinha traduzido a obra para a Brasiliense em 1987, iniciou uma nova versão (os direitos daquela primeira edição também foram comprados de Eloísa). Antes disso, porém, em 1983, os direitos de Lezama Lima passaram para o Estado cubano, já que ele não deixou testamento. E desde 1997, a Agencia Literária Latinoamericana é responsável pelas negociações estrangeiras. Foi com essa agência que o editor Evandro Martins Fontes fez negócio em 2011. Ou seja, os dois têm contratos assinados e querem honrar seus compromissos.

A edição da Martins, feita em menos tempo, já começou a ser vendida. A da Estação Liberdade, que traz textos da irmã do autor, está em gráfica e deve ficar pronta na próxima semana.

Bojadsen chegou a sugerir uma coedição, mas, segundo Martins explicou, o contrato que fechou com a agência literária não permitia isso ou a cessão dos direitos. “Este tipo de solução seria complicado, pois teríamos que ter o aceite de todas as partes, inclusive do governo cubano e do sobrinho do Lezama Lima”, diz. O editor tentou, primeiro com Josely Vianna Baptista e depois com a própria editora, os direitos da tradução. “Como não consegui, contratei Olga Savary, que está com mais de 80 anos e vibrou com o trabalho.”

Verter Paradiso não é simples. No romance barroco – e quase autobiográfico –, o poeta experimenta com a linguagem para contar a história do também poeta José Cemí – da infância asmática à descoberta da vocação.

Hoje, Angel Bojadsen se arrepende de ter investido tanto tempo no processo de edição. Ele conta que quando a Martins anunciou a obra, sua versão não estava totalmente pronta. “Ainda estávamos debatendo detalhes com a Josely, que é extremamente meticulosa e reviu a tradução até os últimos detalhes. Combinamos de lançar apenas quando considerássemos a edição à altura da obra-prima de Lezama Lima”, explica. E completa: “Mas eu devia ter dado prioridade total e publicado a obra em 2007 ou 2008, neste caso não teria havido polêmica possível. Mas hoje a editora está em outro momento e decidimos abordar a literatura latino-americana de forma mais endêmica e continuada. Lançar Lezama Lima naquela época seria lançá-lo meio solitário em nosso catálogo”.

Cada uma das editoras mandou imprimir 2 mil exemplares da obra. “De minha parte, Paradiso é tão fundamental e fundador para a literatura latino-americana que comporta duas traduções em nosso mercado”, diz Bojadsen. Evandro Martins Fontes não concorda e disse que poderá tomar medidas legais. “Sou a favor do estado de direito. Não é legalmente possível que duas editoras tenham direitos exclusivos para uma mesma obra.”

Ontem à tarde, a Agencia Latinoamericana acompanhava a movimentação e confirmou, em e-mail enviado pela diretora Wanda Canals, que a instituição é mesmo a detentora dos direitos da obra do cubano. Canals se colocou à disposição da Martins para o que fosse necessário.

Paradiso
Autor: José Lezama Lima
Tradução: Olga Savary
Editora: Martins (624 págs., R$ 84,90)

Paradiso
Autor: José Lezama Lima
Tradução: Josely Vianna Baptista
Editora: Estação Liberdade (616 págs., R$ 74)

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