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Pôquer é disciplina optativa mais procurada da Unicamp em Limeira

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Aula de pôquer na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em Limeira (foto: Rafaela Pille/Divulgação)

Aula de pôquer na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em Limeira (foto: Rafaela Pille/Divulgação)

Eduardo Schiavoni, no UOL

A aula de Fundamentos do Pôquer, que começou a ser oferecida aos estudantes do campus de Limeira da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em agosto, já é a disciplina optativa mais procurada pelos estudantes da Faculdade de Ciências Aplicadas da instituição. Já são 130 alunos matriculados e, devido à procura, a Unicamp deve expandir novamente o número de vagas.

Quando foi incluída no calendário, a matéria tinha 60 vagas. Com a procura, o total aumentou para 90 e, hoje, chegou a 130 – quantidade máxima de alunos suportada pelas instalações. No semestre que vem, segundo a instituição, uma nova turma poderá ser formada, já que pelo menos 200 pessoas se inscreveram, fazendo com que um excedente de 70 interessados não pudessem cursar a disciplina. Na média, as demais disciplinas ofertadas não passam de 60 alunos.

O professor Cristiano Torezzan, 36, é responsável pela disciplina de Fundamentos do Pôquer na Unicamp

O professor Cristiano Torezzan, 36, é responsável pela disciplina de Fundamentos do Pôquer na Unicamp

“Formamos pessoas que irão liderar equipes, liderar projetos e invariavelmente terão que tomar decisões. O pôquer é um bom laboratório para exercitar este tipo de habilidade”, avalia o matemático Cristiano Torezzan, 36, professor responsável pela matéria.

Para ele, entender as variáveis ao se tomar uma decisão é essencial para o ambiente corporativo, e a disciplina atua nesse segmento. “O poker é um jogo de estratégias, que exige concentração, paciência e coragem para tomar decisões inteligentes num cenário de informações incompletas. Cada decisão tomada em um jogo de pôquer envolve um conjunto de fatores como matemática, estratégia e análise de conjuntura, dentre outros, que devem culminar com a identificação de padrões comportamentais dos outros jogadores frente a situações de risco. É isso que queremos desenvolver com a disciplina”, disse.

O professor ressalta que cartas de baralho não são utilizadas em aula: “As aulas serão teóricas. Não haverá prática do jogo durante as aulas regulares em sala de aula, mas teremos diversos exercícios envolvendo situações de jogo online. Para isso, vamos filtrar situações onde os jogadores de pôquer precisem tomar decisões difíceis no jogo e analisar qual a melhor saída em cada caso”.

Público

Vinculada ao curso de ciências do esporte, a disciplina Fundamentos do Pôquer é frequentada também por alunos das engenharias de produção e de manufatura, administração e administração pública, nutrição e tecnologia.

Além das aulas, Torezzan informa que os alunos praticam pôquer em casa, em servidores de pôquer online, para que possam entender o jogo e criar as analogias com outras situações cotidianas. “Parte da avaliação da disciplina será baseada no desempenho dos alunos em torneios gratuitos online entre a própria turma”, esclareceu.

Muita teoria e pouca prática formam os professores

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Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

1“Não dá para formar um professor só lendo Piaget.”

A frase é do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em alusão à carga teórica dos cursos que formam docentes para a escola básica, como a literatura de Jean Piaget, pensador do século 20.

Foi dita recentemente em encontro com mil secretários municipais da área de ensino. Arrancou aplausos.

A declaração sintetiza a avaliação dos gestores de que a formação universitária dos futuros professores da educação básica é um dos entraves para a melhoria da qualidade do ensino no país.

A reclamação é que os futuros docentes têm muito contato com teóricos da educação, mas terminam o curso despreparados para enfrentar salas de aulas.

CARGA HORÁRIA

Um dos mais amplos estudos no país sobre currículos das licenciaturas foi feito recentemente pelas fundações Victor Civita e Carlos Chagas.

O trabalho apontou que nos cursos de licenciatura do país que formam professores de português e de ciências, a carga horária voltada à docência fica em 10%.

Já o tempo destinado aos conhecimentos específicos das áreas passa dos 50%.

“Os professores chegam às escolas com bom conhecimento da sua disciplina, mas não sabem como ensinar”, disse à Folha o secretário estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald.

Na opinião do secretário, cuja rede tem 200 mil professores, um docente de matemática, por exemplo, é muito mais um matemático do que um professor.

Para Voorwald, as licenciaturas deveriam ter menos conteúdos específicos das matérias e mais técnicas sobre como dar aulas.

Presidente da comissão de graduação da Faculdade de Educação da USP, Manoel Oriosvaldo discorda que a formatação dos cursos de pedagogia e de licenciatura seja responsável pela má qualidade do ensino básico.

“Com o salário que se paga ao professor, é difícil convencer um jovem a assumir uma sala de aula”, afirma. “Se as condições de trabalho melhoram, sobe o nível de quem seguirá na carreira.”

Especificamente sobre os currículos, ele diz que diminuir a teoria dos cursos “simplifica o papel do professor”.

Para Oriosvaldo, a teoria permite que o professor consiga refletir sobre sua atividade constantemente. E corrigi-la quando necessário.

Além disso, o docente deve ter condição de ensinar aos alunos o histórico que levou à resolução de uma equação, por exemplo. Assim, o jovem conseguirá também produzir conhecimento.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

SEM MUDANÇAS

A maioria dos alunos e dos coordenadores dos cursos de formação de professores tem avaliação semelhante à do professor da USP, mostra estudo feito pela Fundação Lemann, a pedido da Folha.

O trabalho aponta que há menos coordenadores de cursos de pedagogia ávidos por mudanças em seus currículos (38% das respostas) do que em engenharia civil (50%), por exemplo.

A pedagogia forma professores para atuar com os alunos de seis a dez anos. A partir daí, os demais professores vêm das licenciaturas.

A opinião sobre os cursos foi tabulada a partir das respostas dadas nos questionários do Enade 2011, exame federal de ensino superior.

As respostas mostram também que os formandos em pedagogia se sentem mais bem preparados para a profissão (68%) do que os de engenharia de produção (57%).

Contraditoriamente, o Enade revela que os concluintes dos cursos de formação de professores estão entre os que possuem notas mais baixas em conhecimentos gerais. Pedagogia está na 46ª pior posição, entre 59 cursos.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Professor interpreta ‘Show das poderosas’ em sala de aula

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Raul Azevedo faz coreografia do clipe de Anitta para os alunos e vira hit no YouTube
Vídeo já tem mais de 80 mil visualizações

Eduardo Vanini e Leonardo Vieira, em O Globo

RIO – Desde que estourou, a música “Show das poderosas”, da cantora Anitta, pode ser escutada em qualquer canto do Brasil. Na internet, entre tutoriais e versões que pipocam no YouTube, a performance do professor de química Raul Azevedo é um dos mais recentes desdobramentos desse sucesso. Com mais de 80 mil visualizações, o vídeo mostra ele fazendo a coreografia completa da canção em plena sala de aula, enquanto arranca gritinhos e gargalhadas dos estudantes.

— Costumo sempre levar uma novidade para os alunos. Como trabalho com adolescentes e leciono uma matéria um pouco complicada, eles já chegam em sala com aquela tensão, temendo dificuldades. Então, sempre tento fazer algo para que tenham prazer em estar ali — conta o professor.

Seguindo essa lógica, Raul usa com frequência recursos como bordões, canções e, quando possível, versões musicais em que incorpora o conteúdo da disciplina. Os alunos, segundo ele, adoram e acabam ficando mais próximos do professor.

A sua performance do “Show das poderosas” foi preparada, inicialmente, para uma gincana cultural e esportiva de um dos colégios onde ele trabalha. Na ocasião, ele apresentou a versão junto com outros professores. Para aprender a coreografia, ele contou com a ajuda da irmã, com quem ensaiou por duas semanas, durante as horas vagas.

— Desde a apresentação, a coordenadora do colégio passou a falar com os alunos para que me pedissem para mostrar a dança. Aí todo mundo começou a pedir — diverte-se.

A versão que está no YouTube foi gravada por um aluno, sem que Raul percebesse, na última quarta-feira (19), após uma aula de cinética química, numa turma de terceiro ano do ensino médio do Colégio Futuro Vip. Agora, com o sucesso, estudantes dos sete colégios onde ele trabalha não se cansam de pedir para que repita a performance. De quebra, Raul recebeu uma enxurrada de mensagens pelo Facebook, onde também ganhou mais de 500 seguidores.

Feliz com o resultado, o professor conta que todos os colégios apoiam sua postura em sala de aula. Afinal, na opinião dele, trabalhar assim também mostra como está satisfeito com sua profissão.

— Todo mundo conhece a seriedade do meu trabalho. Também tive professores que ensinavam de um jeito mais descontraído e sempre gostei muito deles. Acho que a aula não precisa ser engessada para ser boa — diz.

Lygia de todas as letras

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Às vésperas de completar 90 anos, a escritora faz das memórias uma contínua celebração da vida e lembra sua trajetória sempre marcada por ‘vocação e paixão’

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Mariana Timóteo da Costa, em O Globo

Lygia Fagundes Telles mora quase na esquina da rua Oscar Freire, em São Paulo. Sai pouco de casa mas, quando sai, gosta de conversar com leitores, a quem chama de cúmplices, adora quando eles vêm lhe tomar satisfação sobre um personagem. De quando em vez, janta fora com amigos. Vai quase toda semana ao chá da Academia Paulista de Letras. À Academia Brasileira, no Rio, vai pouco agora, porque anda de birra com aviões e aeroportos, “muitos cheios e apertados”. É avó duas vezes, de Lúcia e Margarida; bisavó de Marina e ainda fuma cigarro “quando dá aquela saudade”. Lygia é, sobretudo, escritora (acima, ela lê trecho do conto “A disciplina do amor”). Considerada uma das melhores ficcionistas brasileiras, autora de romances como “As meninas” e “Ciranda de pedra”, entre outros clássicos, gosta de “lutar com as palavras”, como dizia o amigo Carlos Drummond de Andrade. E comemora 90 anos no próximo dia 19 sem nunca ter parado de escrever, desde menina. Inéditos? Sim, ela tem. Festa? Não, ela não quer chá especial na Academia, nem vai ao Rio para as homenagens que acontecerão dia 18 no Instituto Moreira Salles (IMS), para onde doou seu acervo em 2004. Lygia, no entanto, agradece o carinho.

— Tenho birra de aniversário desde os 10 anos, quando já escrevia e minha mãe me preparou uma festa linda. Minhas amigas não apareceram. Eu era “alucinadote”, esqueci de dar os convites e só descobri quando a festa já tinha começado. Aniversário é uma data boa quando se é jovem. Depois da velhice brutal, chega, não quero mais.

O encontro acontece em seu apartamento. Quem lê assim esta frase, logo no início da conversa, pode achar que Lygia entristeceu. Bobagem. A “velhice brutal” é dita repleta de doçura, com um sorriso largo no rosto (“A Clarice Lispector, que quase nunca sorria, dizia para eu rir menos se quisesse ser levada a sério, mas não adianta, sou risonha mesmo”).

As frases vêm acompanhadas de presentinhos. Lygia oferece fotos, de 1941, com as amigas de da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (“éramos poucas e todas virgens, acabei me casando com um professor”, conta, lembrando sua união com Goffredo da Silva Telles Júnior, da qual nasceu seu único filho, Goffredo Neto, morto em 2006). Distribui, com dedicatória, seu livro preferido, “A disciplina do amor” (Companhia das Letras), reeditado com carinho por ela mesma em 2010 — além de vários recortes com textos seus e do segundo marido, o cineasta Paulo Emílio Sales Gomes. Lamenta não ter para dar a cópia de uma em que aparece, com Paulo Emílio, no túmulo de Karl Marx no Cemitério de Highgate, em Londres. A imagem foi capturada pelo jornalista Vladimir Herzog, em 1970, cinco anos antes de ele ser morto pela ditadura.

— O Paulo (fundador da Cinemateca Brasileira e morto em 1977) era comunista, amava o Marx, odiava o Getúlio Vargas. Quem me deu esta foto foi o filho do Herzog (Ivo) há pouco tempo. Guardarei para sempre.

Mesmo sem querer festa, Lygia usa a data para lembrar a vida. Tudo passa por “vocação e paixão”, expressão que repete sempre. São as memórias que a alegram, a fazem produzir e, especialmente, afastam qualquer medo da morte.

— Penso nos meus mortos, se vou estar com eles ou não.

Os mortos de Lygia já estão o tempo todo com ela, que não guarda datas porque, como já escreveu, “veio o vento e soprou o calendário”, mas conhece a riqueza dos detalhes. Ela quase não lê coisa nova, prefere reler Drummond, Manuel Bandeira, João Cabral e Melo Neto e Guimarães Rosa, que “me fazem companhia, gosto deles e não me esqueço”. As lembranças. Com Paulo Emílio, por exemplo, descobriu Pasárgada.

— Eu amava o poema do Manuel Bandeira, achava lindo e dizia para ele: que bom que você inventou essa Pasárgada! E ele me dizia: “Lygia, mas ela existe”. Eu não acreditava, até que eu e Paulo fomos ao Irã e a visitamos (a cidade da antiga pérsia). Voltei para o hotel e mandei logo um cartão para o Manuel: “Manuel, tinha Pasárgada mesmo!”. Sempre fui um horror em geografia.

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Com a amiga Clarice Lispector se divertiu num encontro literário em Bogotá. Imitando a língua presa de Clarice, Lygia conta que as duas fugiam para “beber e fumar” pelos bares colombianos.

— Clarice ficava louca com as esmeraldas colombianas, saíamos de braços dados pela Colômbia. Uns meninos ofereciam umas coisas para a gente na rua e a gente dizia: “Já somos loucas pela nossa natureza, não precisamos de nada mais”.

Clarice, aliás, é autora de um dos muitos eloquentes elogios feitos a Lygia ao longo de sua trajetória. “Com Lygia há o hábito de se escrever que ela é uma das melhores contistas do Brasil. Mas, do jeitinho como escrevem, parece que é só entre as mulheres escritoras que ela é boa. Erro: Lygia é também entre os homens escritores um dos escritores maiores”, escreveu Clarice certa vez. (mais…)

‘Professor MC’ ensina química ao ritmo de funk

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Vídeo tem mais de 200 mil compartilhamentos na internet
Silvio Predis afirma que música é sempre o ‘último recurso’
“Nada disso adianta se eu não ensinar a matéria antes”

Leonardo Vieira, em O Globo

Com desenvoltura e acompanhado por batidas de funk, o professor de química Silvio Predis, do Colégio e Curso Miguel Couto, ensina conceitos da disciplina como “corrosão” e “catodo”, em um vídeo que está “bombando” na internet. O vídeo tem pouco mais de 4min e já foi compartilhado por mais 200 mil usuários nas redes sociais.

Ao som de “vem, vem, vem, vem, na oxidação”, o “Rap da Pilha” do professor — ou MC Niterói — é acompanhado com entusiasmo pelo coro dos alunos que se divertem batucam e, ao mesmo tempo, assimilam o conteúdo espinhoso ou “pesadão” da matéria, como o próprio professor define no vídeo. No youtube, este vídeo do “funkão” da química já tem mais de 225 mil visualizações.

Silvio explicou que a música é sempre o último recurso no seu método. Segundo ele, antes de cantar com os alunos, é preciso passar todo o conteúdo e fazer exercícios. As canções, segundo ele, serviriam para fixar a ideia e descontrair o aluno, principalmente os que não teriam afinidade com a Química.

— Com a música eu consigo prender a atenção e interagir com eles. Mas nada disso adianta se eu não ensinar a matéria antes — explicou.

Apesar de já ter escrito oito letras de assuntos relacionados a Química e parodiado com ritmos que vão do funk ao sertanejo, Sílvio garante que nunca parou para “compor”. Segundo ele, as letras vêm surgindo no dia a dia. O professor-cantor conta que começou a cantar timidamente em salas de aulas há oito anos, mas logo após o sucesso do seu método, nunca mais parou.

— Confesso que fiquei inibido na primeira vez, mas os alunos gostaram. E logo um mês após a primeira música, veio a prova da UFRJ com extenso conteúdo que a música abordava. Todos gostaram — afirmou Silvio.

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