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Disco inaugural da Tropicália vira ‘leitura obrigatória’ em vestibular

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Álbum histórico, lançado em 1968, é marco da música brasileira

É a primeira vez que UFRGS cobra “leitura” de obra musical Reprodução

É a primeira vez que UFRGS cobra “leitura” de obra musical Reprodução

Publicado em O Globo

RIO – O álbum “Tropicália ou panis et circensis”, disco histórico liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, acompanhados por artistas como Os Mutantes, acaba de virar “leitura obrigatória” no vestibular na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), anunciou a instituição de ensino na tarde desta segunda-feira.

É a primeira vez que a UFRGS cobra a “leitura” de uma obra sonora dos candidatos a seus cursos de graduação. O disco é um dos marcos da vanguarda da música brasileira dos anos 1970 e é considerado o início do tropicalismo.

Os demais autores cobrados no edital do vestibular foram a escritora portuguesa Lídia Jorge (”A noite das mulheres cantoras”); Tabajara Ruas (“O amor de Pedro por João”); e Sergio Faraco (“Dançar tango em Porto Alegre”). Também é a primeira vez que esses títulos entram na lista. Entre as outras obras, há livros de Jorge Amado, Fernando Pessoa, Machado de Assis e Lya Luft, entre outros.

Adriana Calcanhotto reúne em livro poemas para crianças

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Ali estão 48 poemas organizados em ordem cronológica, cobrindo assim três séculos: desde “Canção do Exílio”, publicada por Gonçalves Dias em 1846, até “Receita para um Dálmata”, que Gregório Duvivier lançou em 2008.

Publicado no d24am

Foto: Divulgação

São Paulo – Em “A Educação do Ser Poético”, Carlos Drummond de Andrade pergunta ao leitor os motivos de a criança, que geralmente é um poeta, deixar de sê-lo quando cresce. A questão foi levada a sério pela cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que decidiu fazer uma seleção de poetas brasileiros de diferentes tempos, estilos e vozes que escreveram (mesmo sem intenção) para o público mais jovem. Assim nasceu “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira”, lançada agora pela Casa da Palavra.

Ali estão 48 poemas organizados em ordem cronológica, cobrindo assim três séculos: desde “Canção do Exílio”, publicada por Gonçalves Dias em 1846, até “Receita para um Dálmata”, que Gregório Duvivier lançou em 2008. Sim, Duvivier, famoso humorista do site Porta dos Fundos, inclui-se entre as diversas surpresas selecionadas por Adriana, que até encontrou um haicai escrito por Erico Verissimo (“Outono”).

“Eu sentia falta de um volume que apresentasse o trabalho dos poetas em ordem cronológica – a maioria dos livros é organizada por assunto”, conta Adriana. “A ordem cronológica permite descobrir os ecos de um poeta na poesia do outro, como influencia as quebras de estilo. Mas eu não queria uma antologia com poemas exclusivos para a criança, e sim algo que ela pudesse desfrutar.”

A relação de Adriana Calcanhotto com o universo infantil não é recente – em 2004, ela lançou o disco “Adriana Partimpim”, nome que usava na infância e que adotou para lançar dez canções destinadas ao público pré-adolescente. Não se tratava de um pseudônimo, mas de um heterônimo, seguindo a rica tradição de Fernando Pessoa.

O sucesso foi estrondoso, especialmente entre o público mais jovem, que abraçou o dom da cantora e compositora de navegar com originalidade na poesia. Ela queria, no entanto, chegar à poesia escrita, gênero habitualmente de difícil absorção pelos menores.

“Minha intuição infantil ajudou a identificar os poetas que se encaixavam bem na seleção”, observa Adriana. “Quando aprendemos poemas na escola, apesar de jovens, conseguimos manter a musicalidade daqueles versos na cabeça. O que me motivava também era descobrir quando começou a poesia infantil no Brasil – descobri que o início foi nas famílias mais abastadas, que escreviam poemas específicos para suas crianças. Isso logo se expandiu para poetas profissionais, como Olavo Bilac, que tinha compromisso com a função pedagógica, de educação.”

 

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