Contando e Cantando (Volume 2)

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Novo livro de J. K. Rowling mescla boas passagens com momentos ingênuos

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“A imaginação não é apenas a capacidade exclusivamente humana de idealizar o que não existe e, portanto, a fonte de toda invenção; em sua capacidade seguramente mais transformadora e reveladora, é o poder que nos permite sentir empatia pelas pessoas cujas experiências nunca partilhamos”.

Os momentos nos quais J. K. Rowling fala sobre a imaginação e, pela sua abordagem, consequentemente de empatia, são os mais interessantes do livro “Vidas Muito Boas”, que a Rocco acaba de lançar no país. A obra, ilustrada por Joel Holland, traz o discurso que a autora de “Harry Potter” fez em quando foi paraninfa de um grupo de formandos em Harvard, em 2008.

“Muitos preferem não utilizar de forma alguma sua imaginação. Preferem se manter confortavelmente dentro dos limites da própria experiência, sem jamais se dar ao trabalho de imaginar como seria ter nascido outra pessoa. Eles podem se recusar a ouvir gritos ou espiar dentro das celas; podem fechar a mente e o coração a qualquer sofrimento que não os afete pessoalmente; eles podem se recusar a tomar conhecimento”, registra a autora no texto que proferiu aos formandos.

Ainda que não seja obrigatório, é previsível que em um discurso do tipo o autor concentra a fala em sua biografia, e é isso que Rowling. Da trajetória pessoal enfocada, dois momentos merecem destaque. O primeiro é quando ela recorda o que aprendeu enquanto trabalhou no departamento de pesquisa africana da sede da Anistia Internacional em Londres: “Ali, em minha salinha, eu lia cartas escritas às pressas, e enviadas clandestinamente de regimes totalitários, por homens e mulheres que se arriscavam à prisão para informar ao mundo o que acontecia com eles. Vi fotografias daqueles que tinham desaparecido sem deixar rastros, enviadas à Anistia por familiares e amigos desesperados. Li o testemunho de vítimas de tortura e vi imagens de seus ferimentos. Abri relatos de testemunhas oculares, escritos de próprio punho, sobre julgamentos e execuções sumárias, raptos e estupros”.

O outro é quando conta sobre sua decisão de estudar academicamente mitologia e as obras clássicas – ela é formada em Línguas Clássicas e Literatura Francesa -, algo que contrariava a vontade de seus pais, mas acabou sendo fundamental para que tivesse base para escrever sua famosa saga (e para que pudesse pontuar sua fala com citações de gente como Plutarco e Sêneca, que surgem como luxuosos acessórios no discurso).

“Eu estava convencida de que a única coisa que queria fazer, na vida, era escrever romances. Meus pais, porém, que tiveram origem pobre e não se formaram na universidade, consideraram minha imaginação fértil uma idiossincrasia divertida que jamais pagaria uma hipoteca ou garantiria uma aposentadoria […]. De todas as matérias deste planeta, creio que para eles seria difícil citar uma menos útil do que mitologia grega quando a questão é garantir a chave de um banheiro executivo”.

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Fracasso

A imaginação não é o único eixo no qual Rowling apoia seu discurso. Nele, também fala bastante sobre o fracasso, algo que, como ela mesmo diz, provavelmente seja pouco familiar para quem está se formando em Harvard (ou no mínimo baseado em padrões muito mais elevados do que o fracasso de um cidadão médio). Para tal, a escritora lembra do seu próprio fundo do poço: sete anos depois que se formou, o casamento implodiu, ficou desempregada, tornou-se mãe solteira e era tão pobre “quanto é possível ser na Inglaterra moderna, sem ser uma sem-teto”. O que tirou daquele momento? As forças para escrever “Harry Potter”, claro.

“Fracassar significa se despojar do que não é essencial. Parei de fingir para mim mesma que eu era qualquer outra coisa além do que realmente era e comecei a direcionar toda a minha energia para a conclusão do único trabalho que me importava. Se de fato tivesse obtido sucesso em outra coisa qualquer, talvez jamais encontrasse a determinação para vencer na única arena a que eu acreditava verdadeiramente pertencer”, diz Rowling.

É nesse momento que seu discurso soa bastante ingênuo, com um tom próximo da autoajuda. Ora, ela soube lidar com o fracasso e conseguiu criar algo que lhe trouxe um enorme sucesso alguns anos depois – a saga do bruxo está traduzida para 79 línguas e já vendeu mais de 450 milhões de exemplares -, mas isso está longe de ser uma regra, não é mesmo? Ela poderia ter direcionado toda a energia e determinação para a única arena na qual acreditava verdadeiramente pertencer e ainda assim colher apenas um novo fracasso, como acontece com a maioria por aí. Apenas concentrar forças não costuma ser suficiente para que as pessoas consigam algo. Também é preciso uma conjunção de outros fatores que vão desde uma base sólida para que o trabalho seja realizado – a formação e a imaginação de Rowling, no caso – até fatores que fogem do controle da própria pessoa, como achar algum editor que aposte naquilo e leitores receptivos à história.

Outro momento de certa ingenuidade é o final do discurso da escritora: “Se vocês escolherem usar seu status e sua influência para elevar a voz por aqueles que não têm voz; se escolherem se identificar não apenas com os poderosos, mas também com aqueles que não têm poder; se vocês conservarem a capacidade de se imaginar na vida dos que não possuem as mesmas vantagens que vocês, então não serão apenas suas famílias orgulhosas que irão comemorar sua existência, e sim milhares e milhões de pessoas cuja realidade vocês ajudaram a mudar para melhor. Não precisamos de magia para mudar o mundo; todos já temos dentro de nós o poder de que precisamos: o poder de imaginar melhor”.

Sei que são palavras reconfortantes, mas é difícil acreditar que haja tantas pessoas assim que não imaginem um mundo melhor. No entanto, como aponta, isso precisa ser levado à prática; boas ideias que não saem da cabeça infelizmente não mudam a realidade de ninguém. Além disso, para que uma mudança profunda aconteça, na maior parte das vezes é preciso romper ou conflitar com os poderosos, não apenas olhar também para os que não têm poder; é preciso tirar ou diminuir o poder de um e transferi-lo para o outro. Apesar de certas virtudes de Rowling, quando o assunto é discurso de paraninfo, é melhor ficarmos com o “Isto é Água”, do David Foster Wallace.

 

‘Sou sobrevivente pela educação’, diz professora negra que comoveu a Flip ao falar de racismo

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Diva Guimarães tem 77 anos, nasceu no interior do Paraná, e vive em Curitiba. Discurso dela na Flip viralizou na internet.

Adriana Justi e Wilson Kirsche, no G1

u sou uma sobrevivente pela educação. Com todo o preconceito e com todas as coisas, eu venci”, afirmou a paranaense Diva Guimarães, que emocionou milhares de brasileiros ao discursar sobre preconceito durante a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no dia 29 de julho. “Um negro pra estudar e pobre passa por muitas humilhações”, disse a professora, que é formada em Educação Física.

No discurso, a aposentada, que tem 77 anos, levou o ator Lázaro Ramos, um dos palestrantes do evento, às lágrimas. O vídeo viralizou na internet e teve milhões de visualizações (veja abaixo).

13 milhões de pessoas já foram impactadas com as palavras de Diva Guimarães. E você, já viu?

Nascida no distrito de Serra Morena, em Uraí, no norte do Paraná, e neta de escravos, Diva tomou coragem ao pegar o microfone e relatou uma vida de dificuldades impostas pelo racismo e pela intolerância.

“Se o branco é 100%, o negro tem que ser 1.000%. Tem que estar muito acima para se igualar. A saída é essa: ler, estudar muito para conseguir driblar a situação”, comentou a professora.

Ela declarou ainda que, quando era mais nova, sofreu preconceito de forma explícita e que, atualmente, continua sofrendo o mesmo absurdo, mas de forma velada.

“Você entra em uma loja e escuta ‘posso lhe servir?’ mas isso não é para servir você, é para ficar andando atrás de você para ver se vai roubar”, afirmou.

Durante a sua fala no evento, a aposentada também citou problemas na educação pública brasileira e deu uma lição de vida ao lembrar dos ensinamentos da falecida mãe.

Aliás, a coragem para botar para fora todo aquele desabafo, segundo Diva, em público, foi graças à ajuda espiritual da mãe. “Eu acho que ela estava do meu lado e meu levantou. Porque ela sempre nos levantou”.

“A gente era pobre e a minha mãe, pra que eu pudesse estudar, me mandou para um colégio, que tinha uma tradição no Paraná, à época, das missões, onde as freiras passavam e recolhiam as crianças e as pessoas com mais idade em troca de estudo”, lembrou Diva.

Diva Guimarães emocionou o público presente na Flip (Foto: Wilson Kirsche)

Diva Guimarães emocionou o público presente na Flip (Foto: Wilson Kirsche)

Emocionada, ela contou que foi alfabetizada nesse colégio, mas que pagou um preço muito alto.

“Muita surra, apanhei demais e sofri muita humilhação por ser negra”, disse.

Ela lembrou ainda que havia outros negros na instituição, mas que ela apanhava mais porque era rebelde.

“Eu fui me tornando terrível e, às vezes, apanhava até sem saber. Isso marcou a minha vida profundamente”, desabafou a aposentada.

Durante o discurso na Flip, ela disse que essa lembrança veio à tona, mas que ela não imaginava o tamanho da repercussão, muito menos que o ator Lázaro Ramos fosse ficar tão emocionado. “Eu compreendo muito bem a lágrima do Lázaro porque ele estava na minha pele. Nós estávamos, os negros, todos na mesma pele ali naquele momento. Então, ele sentiu tudo aquilo que eu senti, e a lágrima dele foi muito verdadeira”, argumentou a professora.

Opção de vida

Filha de parteira e de empregado de estrada de ferro, dona Diva optou por não casar e nem ter filhos. Uma opção para um mundo que ela considera muito intolerante. “Eu fui percebendo as coisas, amadureci muito cedo. Eu não teria filhos para passar pelas mesmas coisas que eu passei. Nós, adultos, já temos determinados vícios, determinados ranços. É muito difícil você modificar um adulto”. Para ela, a chance de mudança está na juventude.

“Sempre haverá exceção, mas haverá a maioria que vai vencer essa maldição, que é o que foi para nós”

Emoção

Ao final do evento na Festa Literária Internacional de Paraty, a professora ganhou de presente o livro de Lázaro Ramos autografado. Os dois se abraçaram e, mais uma vez, vieram às lágrimas de tanta emoção. “Eu quase desmaiei”, brincou Diva.

Marilynne Robinson, a escritora que Obama cita em seus discursos

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Com quatro romances e quatro ensaios, é vista nos EUA como uma das grandes autoras contemporâneas

Marc Bassets, no El País

“Seus textos me mudaram profundamente. E acredito que para melhor, Marilynne”, disse-lhe Barack Obama em 2013, quando entregou a ela a Medalha de Honra das Humanidades da Casa Branca. E, em setembro passado, o presidente dos Estados Unidos a entrevistou para a revista The New York Review of Books. A obra de Marilynne Robinson (Sandpoint, Idaho, 1943) é mínima. Quatro romances — Vida doméstica, Gilead, Em Casa e Lila: os três últimos ambientados em um povoado do Iowa e protagonizadas por pastores protestantes e suas famílias — e quatro livros de ensaios. Robinson é uma mulher risonha e serena, sem uma gota de cinismo. Parece maravilhar-se a cada minuto diante do mundo. Ela nos recebe em um luminoso escritório do Iowa Writers’s Workshop, em Iowa City, a lendária oficina de escritores na qual dá aulas desde o fim dos anos oitenta. Aqui lecionaram e estudaram clássicos das letras norte-americanas, de Flannery O’Connor a John Cheever, passando por Raymond Carver e John Irving.

P. Como aprendeu a ser escritora?

R. Redigia minhas coisas quando era pequena e lia muito. Na Universidade, tive aulas de escrita criativa, quatro semestres que foram de muita ajuda para mim.

P. O que aprendeu?

R. Aprendi, em primeiro lugar, com John Hawkes, um escritor que faleceu há 10 ou 15 anos, e foi muito proeminente em sua geração. Ele me ensinou a ter consciência de quando escrevia bem e quando não. Me tornou sensível a meu próprio estilo. Era bastante severo: odiava que se escrevesse mal. Eu não uso elogios nem críticas tão extremos quanto ele, mas foi muito útil para mim.

P. A sra. usa o método dele com seus alunos?

R. Às vezes pergunto ao aluno qual é a melhor parte de sua história, o melhor parágrafo, o melhor diálogo. É para que o escritor perceba o que sabe fazer bem: isto é o mais importante que um escritor pode fazer. Você deve aprender a se sintonizar com sua frequência. Não pode ser um imitador. O que as pessoas escolhem como o melhor de suas histórias é o mais individual. Um bom escritor não se confunde com outro.

Marilynne Robinson e Obama em Des Moines, Iowa, em setembro de 2015. Pete Souza White House

Marilynne Robinson e Obama em Des Moines, Iowa, em setembro de 2015. Pete Souza White House

P. A sra. dá um curso agora sobre o Antigo Testamento. O que os alunos aprendem nele?

R. Primeiro, descobrem o que é. Os que têm uma educação religiosa conhecem os 10 mandamentos e essas coisas, mas em termos de como funciona o relato bíblico como texto literário para eles é uma revelação.

P. Do ponto de vista do estilo?

R. Sim, e da forma. A Bíblia é muito autorreferencial. Com frequência pega emprestada a linguagem de escritos anteriores. É muito interessante para os escritores. Ou as comparações entre o Antigo Testamento e a escrita contemporânea do Oriente Médio, da Babilônia, por exemplo. Trata-se de ler textos com atenção.

P. Por que a sra. escolheu o Antigo Testamento para o seu curso?

R. Ontem falei do livro de Jó, que é uma grande influência de Moby Dick. Quando você lê o livro de Jó e vê a poesia no contexto ao qual Melville se refere, entende com uma profundidade que de outra maneira não conseguiria entender.

P. Que outros cursos prevê dar?

R. O fato é que me aposento depois do próximo trimestre. Minha vida se tornou tão complicada que não consigo ensinar e fazer as demais coisas com as quais me comprometi. Depois de todos esses anos, 26 ou 27, preciso deixar este edifício.

P. Por que sua vida se complicou?

R. Comprometi-me a ministrar oito disciplinas em Cambridge nos próximos dois anos: serão outro livro. Além disso, estranhamente, me envolvi com política. Nunca pensei que faria isso. Mas surgem coisas que você não consegue ignorar. E também quero escrever outro romance.

P. A sra. disse que se envolveu com política. Em que sentido?

R. Em parte é consequência de meus últimos ensaios terem chamado a atenção do presidente Obama. Grande parte de minha escrita de não ficção é bem política. Me pedem para escrever sobre questões contemporâneas, até sobre o jornal de ontem, e às vezes imagino que devo fazer isso.

P. A sra. vê uma conexão entre seus romances espirituais, suas aulas sobre o Antigo Testamento e a política atual?

R. Qualquer pessoa com sensibilidade religiosa, com inclinações humanistas, deve levar em conta que a política tem um impacto profundo em nossas vidas.

P. Como é ser entrevistada pelo presidente dos Estados Unidos?

R. Ele não poderia ser mais cordial, muito amável. Nunca me senti tão (mais…)

Professores alemães querem ensinar ‘Minha luta’, de Hitler, nas escolas

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Discurso do líder nazista será editado pela 1ª vez desde a Segunda Guerra.
Autoridades alemãs, porém, planejam processar editora que imprimir obra.

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Publicado em G1

A associação alemã de professores defendeu nesta sexta-feira que a edição crítica de “Minha luta” (no original “Mein Kampf”), de Hitler, seja ensinada nas escolas para “vacinar” os adolescentes contra o extremismo político.

O virulento discurso antissemita do líder nazista não era editado na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas uma edição crítica revisada será publicada no ano que vem.

Os direitos autorais estiveram durante 70 anos nas mãos do estado da Baviera, que se recusou a autorizar a reimpressão do livro. Em 2015, os direitos autorais foram liberados.

As autoridades alemães planejam processar os editores que publicarem o livro sem aparato crítico, acusando-os de “incitação ao ódio racial”.

O Instituto de História Contemporânea de Munique pretende publicar em janeiro uma “edição crítica” de “Minha luta” que agrega contexto com comentários históricos em cerca de 3.500 notas de rodapé.

A associação de professores propõe que trechos selecionados sejam ensinados a estudantes com mais de 16 anos, segundo a edição on-line do jornal econômico “Handelsblatt”.

O odioso panfleto pode ser incluído nos programas de aula e apresentado por experientes professores de História e de Política, o que poderia, de acordo com a associação, contribuir para “vacinar os adolescentes contra o extremismo político”.

A prominente líder da comunidade judaica alemã Charlotte Knobloch se opõe à ideia e declarou ao “Handelsblatt” que usar a “profunda diatribe antissemita” como material escolar pode ser irresponsável.

Em tempos de aumento do populismo de extrema direita, ensinar valores humanistas e princípios democráticos é indispensável, argumentou.

“Uma análise crítica de ‘Minha luta’, essa antítese da humanidade, da liberdade e da abertura ao mundo pode aumentar a resistência frente a essas tentações e a esses perigos”, acrescentou Ernst Dieter Rossmann, um socialdemocrata de centro-esquerda, em entrevista ao mesmo jornal.

‘Feminismo é uma outra palavra para igualdade’, diz Malala a Emma Watson

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Paquistanesa luta pelo direito de meninas frequentarem a escola.
Discurso de Watson na ONU encorajou a menina a se dizer feminista.

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Publicado em G1

A atriz Emma Watson se encontrou, em Londres, com a paquistanesa Malala Yousafza, no lançamento do documentário “He named me Malala” (“Malala, no Brasil). Ao conversarem, Malala afirmou que se sentiu encorajada a dizer que é feminista depois de ouvir um discurso proferido pela inglesa no ano passado.

A atriz britânica ficou conhecida pelo papel de Hermione na franquia “Harry Potter”. Ela foi nomeada, em junho de 2014, como embaixadora da boa vontade da agência ONU Mulheres. Três meses depois, fez um discurso sobre feminismo em uma conferência na ONU – seu objetivo era engajar os homens na luta pela desigualdade que atinge as mulheres.

Malala, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2014, se identificou com os argumentos da atriz na ocasião – a paquistanesa é conhecida por batalhar pelo direito das meninas à educação em seu país, dominado pelos talibãs. Ela levou um tiro na cabeça, aos 15 anos, quando saía da escola. Era uma reação do movimento islâmico que não aceita a educação feminina.

“Após ouvir um discurso seu, eu decidi que não há nada de errado em se considerar feminista. Então, eu sou uma feminista e todos nós deveríamos ser feministas, porque feminismo é uma outra palavra para igualdade”, disse Malala, durante a conversa com Watson.

A paquistanesa também afirmou que seu pai, Ziauddin, dono da escola onde ela estudava, é um exemplo a todos os homens e se intitula feminista. “Quando eu ouvi essa palavra pela primeira vez, escutei algumas reações positivas e outras negativas. Eu hesitei em dizer: sou feminista ou não?”, conta.

No Facebook, Emma Watson compartilhou o vídeo que registra a conversa das duas e escreveu um texto em agradecimento a Malala. “Ela tem a força de suas convicções junto com um tipo de determinação que eu raramente encontro”, diz, em referência à menina.

Emma pede apoio, junto com Malala, pela igualdade de gêneros. “Não vamos tornar assustador vocês dizerem que são feministas. Eu quero fazer isso da forma mais cordial e inclusiva possível. Vamos dar as nossas mãos e caminhar para produzir alguma mudança real”, escreveu.

Atualmente, Malala vive na cidade inglesa de Birmingham com sua família – eles se mudaram após a tentativa de assassinato. Ela estuda história, matemática, religião e planeja entrar na Universidade de Oxford, na Inglaterra, ou de Stanford, na Califórnia, Estados Unidos.

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