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8 livros destruidores de ficção científica que você precisa conhecer

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Capa de "Um Estranho Numa Terra Estranha", de Robert A. Heinlein, Ed. Aleph (Foto: Reprodução )

Capa de “Um Estranho Numa Terra Estranha”, de Robert A. Heinlein, Ed. Aleph (Foto: Reprodução )

 

Nathan Fernandes, na Galileu

Não é de hoje que a literatura de ficção científica surpreende, com escritores como Arhur C. Clarke e Isaac Asimov. Mas muitos autores clássicos têm obras que, apesar de obscuras, continuam atuais.

Além disso, o gênero se renova a cada ano, com lançamentos que trazem discussões importantes para a sociedade. Separamos alguns livros que vão fazer bonito na sua estante e na sua mente:

Quem Teme a Morte, Nnedi Okorafor (Geração Editorial, R$ 44,90, 412 páginas)
A escritora Nnedi Okorafor escolheu representar a África, seu continente natal, no livro Quem Teme a Morte. De origem nigeriana, Okorafor narra a história de um mulher incomum que é tida como a escolhida para salvar a humanidade, numa terra devastada por uma hecatombe nuclear. Poderia ser apenas mais uma narrativa da já batida jornada do herói, de Joseph Campbell, mas a autora — que venceu os prêmios Hugo e Nebula, em 2016, pela novela Binti — dá um olhar único à história.

Estação Perdido, China Mieville (Boitempo, R$ 89, 608 páginas)
Formado em antropologia social e doutor em filosofia do direito internacional, o inglês narra os conflitos do relacionamento interespécie entre a artista Lin e o excêntrico cientista Isaac Dan, que se dedica a uma pesquisa sobre “energia de crise”. A trama, que venceu o prêmio Arthur C. Clarke em 2001, se passa num universo distópico habitado por seres fantásticos, mas sujeitos às menores trivialidades de nossa realidade. Leia nossa entrevista com o Mieville.

Todos os Pássaros do Céu, Charlie Jane Anders (Morro Branco, R$ 49,50, 480 páginas)
A autora Charlie Jane Anders não poderia escapar do tema da exclusão social em sua obra. Vencedora dos prêmios Nebula e Locus, em 2016, a trama mostra dois personagens desajustados que lutam em lados opostos de facções que querem salvar o planeta. Inspirada pelo realismo fantástico de Gabriel Garcia Márquez e Isabel Allende, Jane usa um contexto de ficção científica para refletir sobre temas como sua própria transsexualidade.

O Conto da Aia, Margareth Atwood (Rocco, R$ 44,90, 368 páginas)
Em um futuro próximo, no qual os Estados Unidos foram substituidos por uma república totalitária, as mulheres são colocadas em categorias. Com a função de procriadora, a protagonista Offred precisa lidar com um passado no qual era casada e tinha uma filha. A obra inspirou a série The Handmaid’s Tale, uma das melhores estreias do ano.

O Perfuraneve, Jacques Lob, Benjamin Legrand, Jean-Marc Rochette (Aleph, R$ 64,90, 280 páginas)
A clássica graphic novel francesa mostra como vivem os últimos sobreviventes de um acidente climático que fez a Terra atingir os 90 graus negativos. Presos no comboio sem destino, os ricos têm o conforto dos vagões dourados a sua disposição, enquanto os pobres se espremem nos últimos carros, dando origem a uma luta de classes insana. A HQ também inspirou uma adaptação para o cinema: O Expresso do Amanhã, com direito a Tilda Swinton no elenco e direção do sul-coreano Joon-ho Bong, de Okja.

Os Despossuídos, Ursula K. Le Guin (Aleph, R$ 49,90, 384 páginas)
Influenciada pelos movimentos culturais da década de 1960, neste obra, Le Guin narra uma história fortemente marcada pelo embate entre o capitalismo e o comunismo, numa alusão à Guerra Fria marcada pelos conflitos entre dois planetas com sistemas políticos opostos. A trama se passa no mesmo universo do clássico A Mão Esquerda da Escuridão, e arrematou o combo de prêmios Nebula, Hugo e Locus, na década de 1970.

Um Estranho Numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein (Aleph, R$ 69,90, 576 páginas)
O autor que venceu o prêmio Hugo, em 1962, traz a história de um humano que foi criado em Marte e, ao retornar à Terra, precisa se esforçar para entender os estranhos costumes e regras de uma sociedade que ele não entende. Marco dos anos 1960, a obra se tornou um manifesto do movimento hippie graças a sua mensagem de amor e liberdade.

Ubik, Philip K. Dick (Aleph, R$42, 240 páginas)
Além de mestre em nos fazer duvidar da realidade, Dick também é mestre em inspirar obras para o cinema, como Blade Runner, Minority Report e O Vingador do Futuro — sem considerar a fantástica série O Homem do Castelo Alto. Com tantas ficções de peso, Ubik passa quase desapercebida. Mas não se engane. A trama que conta a história de uma sociedade que mantém os mortos em stand by para que os vivos possam entrar em contato é uma das melhores histórias do escritor. Tanto que foi considerado um dos 100 melhores romances em língua inglesa pela revista Time.

As mudanças necessárias na educação brasileira

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Repensando a educação brasileira: um dos principais especialistas brasileiros no assunto, professor defende mudança de rumo nas discussões sobre a educação no Brasil: menos debates ideológicos, mais ciência

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João Batista Araujo e Oliveira, no Pragmatismo Político

O título, que corresponde ao do livro que acabo de publicar, reflete bem a proposta: é preciso repensar a educação brasileira, a partir de novos critérios. O Brasil poderia avançar muito se, ao invés de perder-se em infindáveis discussões ideológicas, adotasse como critério para o debate as evidências científicas sobre o que funciona em educação e as melhores práticas adotadas pelos países de maior êxito. Foi assim que a maioria dos países desenvolvidos veio implementando suas reformas educativas nas últimas décadas.

Por que é preciso repensar a educação? A primeira resposta é objeto de consenso nacional: a escola pública brasileira não funciona e a escola particular não é lá essas coisas. As notas no PISA e nos testes nacionais não deixam dúvida quanto a isso.

Mas o livro aprofunda o diagnóstico: ele analisa as causas dos problemas. Essas se dividem em três grandes grandes grupos. A primeira causa dos problemas é a questão cultural. A escola sempre serviu para transmitir o patrimônio cultural acumulado pela humanidade. No mundo pós-moderno a ideia de cultura vem sendo colocada em xeque, e tornando-se mais objeto de consumo do que um patrimônio, algo valioso e feito para durar. A ideia da escola também foi colocada em xeque – de um lado trazendo para ela milhares de problemas que ela não consegue resolver, de outro retirando dela a sua função principal, que é transmitir os conhecimentos acumulados pelo patrimônio cultural da humanidade. Com isso a escola e os professores perdem sua autoridade. Sem um consenso mínimo a respeito do que seja a escola e o que se espera dela dificilmente poderemos avançar. Em todos os países em que a educação funciona, mesmo no mundo pós-moderno, a função primordial da escola é a de transmitir conhecimentos considerados fundamentais, estruturadas em disciplinas, e de uma forma que permita ao indivíduo avançar esse conhecimento por meio do exercício da razão. É daí que deriva o papel da escola e a autoridade do professor. Sem isso é difícil avançar.

A segunda causa refere-se à falta de pressão social: a população brasileira está satisfeita com a educação. A escola oferecida aos filhos da maioria da população é muito melhor da escola que eles tiveram, ou a que abandonaram. Mesmo que os resultados sejam pífios, esse fato é inegável. Já a classe média e as elites se contentam em alcançar um diferencial apenas um pouquinho melhor do que a massa – isso é o suficiente para garantir seus privilégios. Poranto, não há pressão social para melhorar. E sem isso é difícil que os governos se mobilizem.

O terceiro conjunto de causas relaciona-se com o jeito brasileiro de governar: o modelo de expansão sem qualidade, os desarranjos do federalismo, a ineficiência causada pelos mecanismos de financiamento, a força do corporativismo e do clientelismo e, sobretudo, a falta de um conjunto de instituições que constituem o cerne de qualquer projeto educativo.

Para além do diagnóstico, e com base nos critérios de evidências e melhores práticas, o livro propõe um conjunto de mecanismos ou instituições que deveriam se constituir como pilares de um projeto nacional de educação. Entre eles se inserem questões como a de uma política para atrair e formar docentes e gestores, currículos adequados, políticas integradas para a primeira infância, diversificação do ensino médio, avaliação, formas adequadas de financiamento e de articulação entre os níveis da federação. Não se trata de criar programas ou projetos efêmeros – trata-se de estimular o desenvolvimento de instituições, a partir de valores compartilhados e de mecanismos institucionais que assegurem a vitalidade permanente de políticas e práticas educativas. Nesse campo, o Brasil possui pouco consenso e pouquíssimas instituições. É território a ser desbravado.

O sucesso de qualquer reforma educativa se mede pela sua capacidade de alterar o que acontece dentro da sala de aula. E esta também é a grande dificuldade de qualquer reforma – chegar ao destino. Mesmo reconhecendo os desafios e entraves para o sucesso de qualquer reforma, o livro aponta alguns caminhos que – com base em instituições sólidas – poderiam contribuir para iniciar um processo de melhoria da qualidade da educação no Brasil. Entre esses incluem-se sugestões para repensar a questão do magistério, políticas adequadas para cada nível de ensino, formas inovadoras de financiamento e de estímulo à inovação e novos papéis para os diferentes níveis de governo.

Esta é a proposta deste livro. Sem qualquer ambição de oferecer “a solução”, propomos um debate a respeito das escolas que temos, dos fundamentos de um projeto educacional apoiado num conceito minimamente adequado de Escola e nas possibilidades e limites que temos para repensar essa instituição.

Nossas crianças e jovens não estão aprendendo como deveriam e poderiam, estão sendo privados de participar dos benefícios e oportunidades oferecidas aqui e fora de nosso país, mas, sobretudo, estão sendo privados de uma educação que lhes permita fazer melhor do que fez a nossa geração. É nossa responsabilidade ajudar a encontrar e corrigir os rumos. Por isso, este livro serve também de alerta, convite e convocação ao debate.

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