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De porta em porta pelo Brasil

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Projeto Poesia Viva – A Poesia Bate a Sua Porta completa cinco anos e comemora 31 mil livros distribuídos pelo país

Abrangência. A criadora do projeto, Andreia Donadon Leal, durante entrega de exemplares em Serra do Carmo, um distrito de Mariana

Abrangência. A criadora do projeto, Andreia Donadon Leal, durante entrega de exemplares em Serra do Carmo, um distrito de Mariana

Vinícius Lacerda em O Tempo

A inquietude causada pelo excesso de livros guardados em casa e a vontade de estimular a leitura na cidade de Mariana encorajaram a escritora e artista plástica Andreia Leal a começar, ainda em 2009, o projeto Poesia Viva – A Poesia Bate à Sua Porta, que leva obras literárias a variadas residências familiares da cidade.

“Depois que me casei com J.B. Donadon-Leal (escritor e professor da Universidade Federal de Ouro Preto), vi que ele tinha muitos livros parados em casa. Eu achava aquilo um absurdo: todas aquelas obras envelhecendo, sendo que outras pessoas poderiam estar lendo. Daí resolvi distribuir”, conta Andreia.

Não por acaso, a primeira beneficiada foi a vizinha de Andreia. Em seguida, ela passou a caminhar até outros bairros da cidade histórica para levar os livros, e mais tarde a outras cidades, como Santa Bárbara, Ouro Preto e Viçosa.

Não tardou para que o projeto tomasse forma e ficasse nacionalmente conhecido. No mesmo ano de sua criação, recebeu o Prêmio VivaLeitura, concedido pelo Ministério da Cultura. “Na época, quando o ministro Juca Ferreira estava fazendo o discurso para anunciar o vencedor, ele disse que o ministério atuava em duas linhas para estimular a leitura: bibliotecas e escolas. Em seguida ele completou, afirmando que faltava uma terceira: a família. Quando ele disse isso, tive certeza que tínhamos vencido”, recorda-se.

O motivo da convicção ao ouvir o anúncio vem de um dos alicerces do projeto. Ao distribuir os livros, que reúnem doações variadas e obras de sua autoria, Andreia não apenas os entrega, mas faz questão de conversar com todos os moradores da casa. “Com o tempo, percebemos que, ao abordar uma família, conseguimos atingir outras duas ou três, pois elas passam os livros adiante”, relata.

Com relação ao estímulo, Andreia garante que o projeto atinge pessoas de todas as idades e atribui esse alcance às conversas estabelecidas com cada participante do projeto. “Eu sempre falo que não precisa ler um livro todo de imediato. Leia um conto todo dia ou de três em três dias, do jeito que achar melhor. O importante é inserir isso na rotina, assim como tratamos o trabalho e a resolução de problemas. Mas é preciso que o livro esteja lá, e, por isso o projeto é importante”, sublinha. “E não importa se a pessoa é alfabetizada ou não, o contato com o livro vai além disso”.

Ainda sobre o fomento à leitura, Andreia enxerga que o ineditismo do projeto está no fato de reverter uma ordem há muito estabelecida. “Temos como objetivo desmitificar a figura do escritor e fazemos isso, acredito, ao percorrer um caminho contrário: em vez de o leitor ir em busca do livro, o escritor leva o livro até o leitor. Quanto o próprio autor bate na porta e conversa com você, o incentivo é bem maior”, afirma.

Obstinação. Desde o seu surgimento, o Poesia Viva cresceu. Atualmente, a artista computa 31 mil livros distribuídos por 17 cidades do interior de Minas Gerais, incluindo comunidades quilombolas, e por outros 13 Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Distrito Federal. Também começaram a entregar em empresas. “Tudo começou com uma mineradora cujos funcionários estavam muito estressados. Nós levamos os livros até lá e, agora, na hora do almoço, eles leem”, relata.

Desde a origem da iniciativa, Andreia faz esse trabalho apenas com o suporte da Prefeitura Municipal de Mariana. Para a distribuição local, ela sempre conta com a ajuda de voluntários.

“Nunca tivemos nenhum patrocínio. O dinheiro que ganhamos em 2009 (R$ 30 mil) serviu para imprimir livros de escritores locais, que foram distribuídos gratuitamente. Acho que não temos sorte, mesmo com muita visibilidade. Nem espero mais por um patrocínio, já estou acostumada”, afirma, lamentando o fato de ter enviado projetos para diversos editais e leis de incentivo, mas sempre sem sucesso.

Para continuar essa empreitada, ela pondera, o combustível mais eficaz é o retorno que tem dos beneficiados. “Teve esse garoto que perdeu o pai, e a mãe começou a entrar em depressão. Depois que passamos na casa dele, eles começaram a ler juntos, a mãe melhorou, e hoje o menino até escreve poesias. Esse resultado é fantástico, e isso me faz seguir em frente”.

Cooperifa realiza a 3ª edição do ‘Natal com Livros’

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Evento acontece no próximo dia 14 no Largo do Piraporinha; serão distribuídos 7.000 livros na quebrada

Integrantes da Cooperifa vão utilizar uma tradicional barraca de feira para expor e distribuir os livros / crédito book_swaping_flickr

Integrantes da Cooperifa vão utilizar uma tradicional barraca de feira para expor e distribuir os livros / crédito book_swaping_flickr

Publicado por Catraca Livre

A 3ª edição da ação cultural “Natal com Livros” vai distribuir 7.000 (adultos e infantis) nas quebradas da zona sul da capital, no próximo domingo, dia 14, a partir das 11h. O evento acontece no Largo de Piraporinha, na altura do nº 1.000 da Estrada do M’Boi Mirim. A iniciativa, realizada pela Cooperifa, é Catraca Livre.

“Resolvemos imitar o tráfico de drogas e vamos dar a primeira dose grátis. Mas a nossa dose é de literatura”, diz o poeta Sérgio Vaz, idealizador da Cooperifa. O objetivo fazer com que os livros cheguem às pessoas para incentivá-las a criar gosto pela leitura. “Resolvemos imitar o tráfico de drogas e vamos dar a primeira dose grátis. Mas a nossa dose é de literatura”, diz Vaz.

Além disso, ao longo da iniciativa os integrantes da Cooperifa vão utilizar uma tradicional barraca de feira para expor e distribuir os livros no Largo de Piraporinha, local de grande movimentação de moradores dos diversos bairros que formam o Jardim Ângela.

SERVIÇO

O QUE
3ª edição do Natal com Livros
QUANTO
Catraca Livre
ONDE
Largo de Piraporinha
Avenida Guarapiranga, altura do nº 1000
Parque Alves de Lima
São Paulo
Dom 14/12 às 11:00

Pesquisa detalha distribuição das livrarias no país

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Regiões Sudeste e Sul concentram 74% dos espaços comerciais dedicados a livros

ZS Rio de Janeiro (RJ) 16/07/2014 - Especial Leblon. Burburinho literario e intelectual do Leblon: o movimento das livrarias mais queridas do bairro. Livraria da Travessa, no Shopping Leblon. Foto: Leo Martins / Agencia O Globo - Leo Martins / Leo Martins

ZS Rio de Janeiro (RJ) 16/07/2014 – Especial Leblon. Burburinho literario e intelectual do Leblon: o movimento das livrarias mais queridas do bairro. Livraria da Travessa, no Shopping Leblon. Foto: Leo Martins / Agencia O Globo – Leo Martins / Leo Martins

Publicado em O Globo

RIO – O Brasil possui 3.095 livrarias, o que representa, em média, uma para cada 64.954 habitantes, de acordo com a Associação Nacional de Livrarias (ANL). Do total , 55% estão na região Sudeste, 19% no Sul, 16% no Nordeste, 6% no Centro-Oeste (incluindo o Distrito Federal) e 4% no Norte, conforme pesquisa da instituição sobre a localização desses espaços comerciais no país.

Entre as dez cidades com mais livrarias por habitantes estão duas capitais: Belo Horizonte, em primeiro lugar, com uma loja para cada 13.848 habitantes; e Porto Alegre, em quarto lugar, com uma para cada 14.913.

O Rio tem 252 livrarias, o que significa uma a cada 24.865 moradores. São Paulo tem 335, representando uma loja a cada 35.664 pessoas. A Camaçari (BA) coube o pior índice: uma a cada 255.238 habitantes. Foram analisados municípios com população acima de 50 mil habitantes.

A média brasileira é inferior à recomendada pela Unesco, que é de 1/10 mil, segundo Ednilson Xavier, presidente da ANL. Para ele, a concentração nas regiões Sudeste e Sul, que chega a 74%, reflete a má distribuição de cultura no país.

— O Norte e o Nordeste sofrem com falta de acesso. Políticas públicas são necessárias para evitar essa concentração. As livrarias costumam ter acervo mais rico e atualizado do que as bibliotecas. Para termos um país com mais leitores, precisamos olhar para as livrarias não só como espaço comercial, mas também social — defende Xavier.

No mundo, observa-se que a venda de livros migra para a internet e, no Brasil, a situação não é diferente. Para Carlo Carrenho, consultor editorial e fundador do site “Publishnews”, o crescimento da venda on-line atende em parte a demanda de locais onde não há livrarias.

— A ANL entende que a loja física é importante porque estimula o consumo — explica Carrenho, avaliando ser necessário o investimento em comércio eletrônico por parte de espaços comerciais médios.

VEREJO ON-LINE

Grandes varejistas, Saraiva e Livraria Cultura informam que 30% e 23% de seus faturamentos, respectivamente, vêm de vendas pelos sites. A Livraria da Travessa vende pela internet o mesmo que numa de sua lojas físicas. E 70% de seus clientes virtuais vivem fora do eixo Rio-São Paulo.

— A internet é hoje a maior loja da companhia e a tendência é de crescimento, especialmente no Norte e no Nordeste, onde há mais espaço para conquistar novos consumidores — afirma o diretor de negócios digitais da Livraria Cultura, Jonas Ferreira, sem desconsiderar a importância da experiência cultural proporcionada pelas lojas físicas.

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