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“Mein Kampf”, manifesto cuja redação foi iniciada numa prisão alemã pelo “pai” do nazismo será reeditado, 70 anos após a sua proibição. Agora, anotado por acadêmicos, para ajudar a compreender a obra.

Alexandre Frade Batista, no Sapo

Setenta anos após ter sido proibido, o mais vil livro alguma vez escrito, na versão de uns, ou uma espécie de “bíblia”, para outros, tem de novo autorização para ser editado. A reedição de “Mein Kampf” acontecerá pela primeira vez desde o final da 2.ª Guerra Mundial, numa versão acompanhada com anotações de acadêmicos.

Em “Mein Kampf” (“A minha guerra”), Adolf Hitler discorreu sobre a ideologia anti-semita e racista que guiou o seu regime Nazi e culminou no conflito militar mundial que terminou com a vitória dos Aliados em 1945. Escrito antes de Hitler ascender ao poder em 1933, foi um ‘best-seller’ na era Nazi. A justiça alemã proibiu-o, sendo uma das razões precisamente o incitamento ao sentimento neo-nazi.

Agora, a nova versão deste que é um dos mais controversos livros alguma vez escritos, surge como resultado da decisão de responsáveis da justiça alemã, tomada no ano passado, de relançar o livro como prevenção do aparecimento outra versão “acrítica”. Isto, porque os direitos de autor (‘copyright’), doados pelos Aliados ao governo regional da Baviera, terminam em 2016.

Disponível a partir de Janeiro, esta versão do livro do ditador será editada pelo Instituto da História Contemporânea, de Munique, cujos responsáveis insistem, de acordo com o FT, que este é um “trabalho acadêmico”, distante das publicações “irresponsáveis” e acríticas disponíveis em alfarrabistas.

“Julgo que a nossa edição chegará para desafiar essas edições”, afirmou o diretor do instituto, Andreas Wirsching. A reedição do livro, com cerca de 2.000 páginas e mais de 3.500 anotações acadêmicas, terá até 4.000 exemplares.

Citado pelo jornal britânico, o presidente do Centro da Educação Política, entidade estatal, afirmou numa conferência de imprensa que é importante quebrar “o tabu do ‘Mein Kampf’”, defendendo que os objetos de difícil acesso geram “o desejo de possuir o que é aparentemente proibido”. Isto, porque o livro, ao contrário do símbolo nazi, a suástica, nunca foi totalmente banido.