Contando e Cantando (Volume 2)

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15 artistas e obras que foram censuradas na ditadura militar

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Susana Reis, no Literatortura

Em 21 anos de ditadura militar, a censura teve muito trabalho aqui no Brasil. Segundo o jornalista e escritor Zuenir Ventura, durante os dez anos de vigência do AI-5 (1968-1978), cerca de 500 filmes, 450 peças, 200 livros e mais de 500 letras de música foram proibidas, sem contar as novelas e a censura ao jornalismo. Obras que feriam a “moral e o bom costume”, que criticavam o governo, os problemas sociais brasileiros e que eram considerados comunistas, só poderiam ser liberadas se fossem refeitas, ou eram descartadas na hora. Hoje temos muito contato com essa arte que um dia foi censurada. Conheça então quinze artistas e obras, nacionais e internacionais, que foram censuradas durante a ditadura no Brasil:

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1- Roda – Viva

“Roda-Viva” é um marco na ditadura. Em 1968 a peça de Chico Buarque, que estava sendo encenada no Teatro Galpão, foi invadida por cerca de 100 integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que agrediram os artistas e depredaram o cenário da peça. O espetáculo é um musical, que conta a história de um cantor que decide mudar de nome para agradar o público. Mas nas entrelinhas, a peça criticava o governo do país. Roda – Viva foi censurada por ser desagradável, não seguir a moral e os bons costumes e utilizar palavras de baixo calão. Chico Buarque até foi chamado de débio mental no documento que o censura.

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2- O berço do herói – Dias Gomes

Escrito em 1962 por Dias Gomes, a primeira encenação de “O berço do herói” seria em 1965. Mas isso não aconteceu. A peça tem como plano de fundo a participação brasileira na campanha da Itália e acaba desmitificando a construção dos heróis. Ela foi censurada por desconstruir o mito do herói, em um momento do país onde havia a tentativa de se criar os heróis militares.

3- Roque Santeiro

Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, foi uma adaptação da Rede Globo de “O Berço do Herói” para a televisão e foi censurada com dez capítulos já editados e quase 30 gravados. A justificativa oficial foi a de sempre: ofensa a moral, a ordem pública, aos bons costumes e a igreja. Os militares grampearam uma ligação entre Dias Gomes e Nelson Werneck Sodré, onde Gomes contava ao amigo sobre como a novela era uma forma de enganar os censores e conseguir passar a histórias de “O berço do herói” para os brasileiros. “Roque Santeiro” acabou sendo exibida em 1985, em outra versão.

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4- Laranja Mecânica

É claro que o filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, não foi liberado de primeira nas terras tupiniquins. Barrado pelo governo Médici em 1971, o filme só conseguiu ser exibido no Brasil em 1978. Mas bolinhas pretas cobriam os seios e a genitália dos atores nas cenas de nudez do filme.

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5- Encenação de Romeu e Julieta

Uma encenação de Romeu e Julieta, realizada pelo Ballet Bolshoi, seria transmitida pela TV em 1976, mas acabou sendo vetada pelo ministro da Justiça da época, Armando Falcão. O motivo envolve o comunismo. Como Bolshoi é uma companhia Russa e o país fazia parte da União Soviética comunista, a peça poderia ser comunista também, então não poderia ser exibida no Brasil.

6- Pra Não Dizer que Não Falei das Flores

Em 1968, “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção. Mas isso não foi suficiente para parar a censura. O hino, que claramente incitava as pessoas a buscarem a liberdade, foi vetada ainda em 1968, e só foi cantada de novo em 1979, por Simone.

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7- Cassandra Rios

Cassandra Rios foi a autora mais censurada do Brasil. Seus livros eram eróticos e pornográficos e lidos escondidos por adolescentes e adultos. Em 1976, ela teve 33 de seus 36 livros proibidos pela ditadura. Alguns dos livros censurados foram: A borboleta branca; Breve história de Fábia; Copacabana Posto Seis; Georgette; Maçaria; Marcella; Uma mulher diferente; Nicoleta Ninfeta; A sarjeta; As serpentes e a flor;Tara; Tessa, a gata; As traças; Veneno; Volúpia do pecado; A paranoia; O prazer de pecar e Tentação sexual.

8- Apesar de você – Chico Buarque

Chico Buarque, um dos músicos mais censurados durante a ditadura militar, entra mais uma vez na nossa lista com “Apesar de você”. Chico tinha acabado de voltar do auto exílio na Itália quando lançou a música. O fato curioso, é que a letra da música é claramente uma crítica a ditadura, quase uma ameaça: “Apesar de você amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?[…] Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro!”. Só que parece que os censores não entenderam e aceitaram a desculpa do autor de que a letra era apenas sobre uma briga entre namorados. Só depois de lançado, os militares perceberam o erro e o LP foi recolhido das lojas e as faixas inutilizadas nas rádios.

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9- Feliz Ano novo – Rubens Fonseca

Foi em 1975 que “Feliz ano novo”, de Rubens Fonseca, foi lançado. Eram cinco contos, com personagens urbanos que se envolviam em situações de extrema violência. Um ano depois, depois de 30 mil exemplares vendidos, o ministro da Justiça Armando Falcão proibiu a venda dos livros. Motivo? Feria a moral e aos bons costumes… Um senador da Arena chegou a dizer que se tratava de “pornografia pura” e incitou a prisão do autor. Rubens Fonseca processou a União por perdas materiais e danos morais. No primeiro julgamento, em 1980, o juiz manteve a proibição e disse que o livro não “feria a moral e aos bons costumes”, mas incitava a violência. O livro conseguiu voltar apenas em 1985.

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10- O Justiceiro – Nelson Pereira dos Santos

O filme “O Justiceiro” foi lançado em Brasília em 1967. O filme era sobre um adolescente rebelde, filho de general rico e aposentado. A menção aos exercito não agradou muito os militares, que retiraram o longa do cinema. Não foram só apreendidas as cópias do filme, como era de costume, mas o rolo original também, que está perdido até hoje. O documento de censura comenta que o filme é uma “propaganda aos transviados” e “mostra bem os cabeludos, com suas ideias erradas”.

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11- Terra em Transe – Glauber Rocha

Em 1967, o filme “Terra em Transe”, do diretor Glauber Rocha, é censurado, com a ordem de recolhimento das nove cópias existentes. O filme narra às contradições do nascimento e da colonização do país imaginário Eldorado, mas faz alusões ao momento político da época. No documento, o censor Manoel Francisco de Souza Leão descreve o motivo da cesura: “Captamos em seu contexto frases, cenas e situações com propaganda subliminar. Mensagens negativas e contrárias aos interesses da segurança nacional. Aspectos de miséria e de luta entre classes, além de uma bacanal e de cenas carnavalescas e de amor são outros pontos inseridos no roteiro – com a finalidade única de enriquecê-lo e torná-lo suscetível ao grande público ávido de novidades na tela. Alguns diálogos chegam a serem agressivos, com insinuações contra a verdadeira e autêntica democracia.”

12- O Bem Amado

A novela “O Bem Amado”, escrita por Dias Gomes, não sofreu veto completamente, mas houve restrições no vocabulário. A censura proibiu que os personagens fossem chamados de “coronel”, porque atingia a patente dos militares. O tema de abertura também foi trocado, saiu a música do Toquinho com o Vinícius de Moraes ‘Paiol de Pólvora’ e entrou uma genérica.

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13- Ney Mato Grosso

Em 1973, quando a banda Secos e Molhados fazia sucesso no Brasil, os três integrantes eram Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo. Mas foi Ney Matogrosso a vítima da censura. Ney possui a voz fina, que se parece muito com a feminina, um aspecto andrógeno e apresentava-se entre plumas, sem camisa. Por esse motivo, a censura proibiu que as redes de televisão filmassem o cantor de perto, podendo apenas dar close em seu rosto.

14- “Tiro ao Álvaro” – Adoniram Barbosa

Em 1973, Adoniram Barbosa resolveu lançar um CD com suas principais canções da década de 50. Porém, parece que a censora tinha problemas com a língua coloquial das letras das música que estavavam no álbum, entre elas, “Tiro ao Álvaro”. A censora fez círculos nas palavras “tauba”, “revorve” e “artormove” e concluiu que a falta de gosto impedia a liberação da letra. Além disso, exigiu-se que o título passasse a ser “Tiro ao Alvo”. As críticas abrangeram outras músicas do cd, e Adoniram resolveu deixar para gravar o álbum mais tarde.

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15- Liberdade, Liberdade

“Liberdade, Liberdade” é uma peça teatral, de autoria de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, que seleciona textos de vários autores sobre o tema que dá a título a peça, entre 30 números musicais. Quatro atores interpretam 57 personagens e se revezam na interpretação de textos de Sócrates, Marco Antônio, Platão, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Geraldo Vandré, Jesus Cristo e outros. Em junho de 1965, o presidente Castelo branco em nota, escreveu a seu sucessor Arthur da Costa e Silva, afirmando que as ameaças da peça eram de aterrorizar a liberdade de opinião. Em 1966, a Censura Federal proíbiu a apresentação de “Liberdade, liberdade” em todo o território nacional. A peça voltou apenas em 2005, quase 40 anos depois da proibição.

País tem quase mil escolas com nomes de presidentes da ditadura

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Das 3.135 unidades escolares públicas que homenageiam ex-dirigentes da República, 976 pertencem aos cinco generais que comandaram o regime militar

Busto do ex-presidente Costa e Silva divide espaço com desenhos infantis em pátio da escola municipal que leva seu nome, em Botafogo Agência O Globo / Leonardo Vieira

Busto do ex-presidente Costa e Silva divide espaço com desenhos infantis em pátio da escola municipal que leva seu nome, em Botafogo Agência O Globo / Leonardo Vieira

Gustavo Uribe e Leonardo Vieira em O Globo

RIO E SÃO PAULO – Na Escola Municipal Presidente Médici, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, boa parte dos alunos tem pouco a dizer sobre o general que governou o país de 1969 a 1974. “Minha vó falou que ele era um sanguinário”, conta uma aluna do 8º ano. “O professor de Geografia disse que ele não era uma boa pessoa”, afirma uma colega de sala, de 14 anos, quando perguntada sobre o gaúcho ditador, responsável pelo período de maior recrudescimento à liberdade de expressão na ditadura militar brasileira. Dentro da unidade, porém, há um mural com fotos do homenageado e, segundo professores, o nome do colégio é usado para abordar o assunto em sala.

— Durante a aula, temos que explicar o período Médici deixando que eles tenham o seu próprio olhar sobre o ex-presidente, com senso crítico. Nossa função é fazer o aluno se colocar nesse debate. Explicar a razão da homenagem e contextualizá-la com a época — argumenta Gabriella Fernandes Castellano, professora de História.

Inaugurada em 1975, com a presença do próprio Médici, a unidade em Bangu é uma das 160 escolas públicas de ensino básico e pré-escolar no país batizadas com o nome do ditador. Um levantamento feito pelo GLOBO mostra que há no Brasil 976 colégios municipais, estaduais e federais com os nomes dos cinco presidentes do Regime Militar, de 1964 a 1985 (ficaram fora da conta os ministros da junta que chefiou o país de agosto a outubro de 1969). Só o marechal Humberto Castello Branco, que governou de 1964 a 1967, é homenageado em 464 unidades. Ao todo, o país tem 3.135 escolas com nomes de ex-presidentes.

Tributo ao ‘carrasco de Vargas’

Além dos chefes de Estado, pessoas importantes durante o período também batizam instituições de ensino. Chefe da polícia política durante a ditadura de Getulio Vargas, Filinto Müller foi senador e presidente da Arena, o partido que deu sustentação política ao Regime Miltar. Ele dá nome a dez colégios brasileiros, como a Escola Estadual Senador Filinto Müller, uma das mais tradicionais de Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo.

Assim como na unidade municipal em Bangu, onde quase um terço do corpo docente pediu a mudança do nome há cerca de dois anos, parte da comunidade escolar do colégio em Diadema também tentou rebatizar o prédio.

— A comunidade cogitou trocar o nome porque ele teve relação com a ditadura, mas se entendeu que, apesar disso, há uma identidade muito forte em torno do nome e, assim, decidiu-se preservá-lo — explica o professor de História e Geografia Bruno do Nascimento Santos, que lecionou na unidade durante sete anos.

Muitos alunos de Diadema também ignoram o passado do homenageado. Na saída da escola, nenhum estudante abordado pela equipe de reportagem conhecia a história de Filinto, muitas vezes chamado de “carrasco de Vargas”, acusado de fazer prisões arbitrárias e ordenar sessões de tortura. Em 1936, ele foi o responsável pela prisão de Olga Benário Prestes, militante comunista e mulher de Luiz Carlos Prestes, e por sua deportação para um campo de concentração na Alemanha nazista.

— A escola nunca abriu um debate para falar quem foi ele. Não sei, acho que foi um senador — arrisca uma estudante de 17 anos.

A direção da unidade reconheceu, por meio de um comunicado, que não existe na escola um projeto pedagógico específico para tratar sobre a história de seu homenageado.

Por ironia do destino, uma página do Facebook com o nome do colégio, atualizada por professores e alunos, faz uma defesa ideológica ao comunismo tão combatido por Filinto. “Acho que o socialismo talvez possa trazer este acesso à cultura de massa. Fazer como o Mao Tse-Tung fez com a China”, diz a descrição da página na rede social.

Os pais de alguns dos alunos reconhecem que o passado do patrono não é boa influência, mas não veem razão para mudar o nome da escola.

— Os estudantes não sabem disso, já que passou tanto tempo. Acho que um nome não interfere na educação deles — pondera o motorista Samuel de Oliveira, de 45 anos, pai de uma aluna.

O presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, deputado estadual Adriano Diogo (PT), planeja apresentar um projeto de lei para modificar o nome da escola pública em Diadema.

— Isso é a eternização da ditadura militar no Brasil. Enquanto não for revisto, a ditadura não acabou — critica ele.

De acordo com a advogada Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade, o tema das escolas com nomes de pessoas ligadas à ditadura militar ainda não foi amplamente discutido. Mas ela garante que a questão fará parte das recomendações ao final dos trabalhos do grupo. A advogada, porém, alerta para os perigos que podem surgir nesse debate.

— Não podemos ter visão totalitária às avessas e mudar nomes só porque são de direita. Mas se houver provas de que são nomes de criminosos, devem ser mudados. E devem ser mudados por movimento da sociedade civil.

A coordenadora pedagógica da Escola Presidente Costa e Silva, em Botafogo, Fabíola Fernandes Martins, é contra a mudança. Inaugurada em 1970, um ano após a morte do marechal gaúcho, a instituição tem, no pátio do recreio, perto de murais com desenhos infantis e uma mesa de totó, um busto do ex-presidente, responsável pelo Ato Institucional número 5 (AI-5), que deu poderes absolutos ao Regime Militar e possibilitou o fechamento do Congresso Nacional. Hoje, 45 anos depois do decreto, Costa e Silva é homenageado em 295 escolas.

Quando a equipe do jornal foi à escola na Zona Sul do Rio, a unidade não estava funcionando, devido à greve de professores, e, portanto, não havia alunos para entrevistar. Mas Fabíola garante que orienta os estudantes a traçar um quadro comparativo do Brasil com regimes de outros países, para que tirem suas conclusões.

— Temos que ter cuidado para não haver uma generalização negativa contra a carreira militar. Procuramos apresentar os fatos históricos, sem contudo, despertar o ódio às Forças Armadas.

Presidente da Associação Nacional dos Professores de História (Anpuh), Rodrigo Pato de Sá Motta enxerga na situação uma excelente oportunidade pedagógica:

— É bom para mostrar que escola também é espaço de disputa política e aproveitar para politizar um pouco mais as aulas. A decisão de mudar o nome passa pela comunidade escolar. Mas não adianta nada mudar o nome e todos continuarem sem saber quem foi a pessoa. O mais importante é fazer a discussão — argumenta o professor de História da UFMG.

dica do Ailsom Heringer

Editora da Universidade Estadual de Londrina lança livros digitais gratuitos

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Ao todo, estão disponíveis 22 publicações que estavam esgotadas. Interessados podem acessar os livros através do site da Eduel.

Publicado no G1

A Editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel) está disponibilizando 22 livros digitais com acesso gratuito para a população. O projeto resgata livros já publicados pela editora que estavam esgotados. As publicações podem ser acessadas no site da Eduel.

O trabalho começou em 2012 e contou com o apoio dos autores, que autorizaram o acesso gratuito as publicações no formato eletrônico. Por causa das mudanças nos programas de editoração, foi possível realizar a adaptação.

Entre os livros disponibilizados estão títulos relacionados ao período da Ditadura Militar, sobre a Geografia na Idade Média e também conteúdos relacionados as áreas de Arquitetura e Ciências Agrárias.

A intenção da direção da Eduel é ampliar o número de livros disponibilizados. O objetivo é fazer com que um número maior de leitores sejam beneficiados.

15 livros “perigosos” para manter longe das manifestações

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Divulgação/L&PM

Divulgação/L&PM

Publicado por UOL

Após os protestos explodirem no Brasil inteiro, a polícia do Rio de Janeiro se envolveu em uma polêmica ao fazer a busca e apreensão na casa de um jovem de 21 anos, suspeito de ter praticado vandalismo durante uma manifestação. A polícia saiu da casa do rapaz com facas, martelos e o livro “Mate-me Por Favor”, clássico sobre a história punk escrito por Legs McNeil e Gillian McCain. De acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, o delegado que cuidava do caso afirmou: “[O livro foi apreendido] para demonstrar a ideologia dele frente a nação brasileira, de defesa da anarquia”. Em um post aberto, o dono da editora L&PM, Ivan Pinheiro Machado, que publicou a obra, afirmou: “Um delegado que não serve a uma ditadura e apreende um livro é porque tem a vocação do autoritarismo. E nenhum respeito por um livro”. O UOL listou 15 livros e HQs que podem ser considerados “perigosos” por sua ironia, conteúdo ou título – afinal, todo cuidado é pouco para quem os carrega na mochila nesses dias intensos.

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“V de Vingança”, de Alan Moore. Série em HQ criada por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd. A história se passa no Reino Unido, quando um misterioso revolucionário tenta destruir o governo através de ações diretas. Virou filme em 2006 com Natalie Portaman. Mas a essa altura até sua avó reconheceria a máscara do Guy Fawkes que estampa a capa.

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“Manual do Guerrilheiro Urbano”, de Carlos Marighella. Escrito em 1969 pelo guerrilheiro e um dos principais organizadores da resistência contra a ditadura militar no Brasil, circulou, principalmente na época do regime, em versões mimeografadas, por vezes até com uma capa. Na obra, Carlos defendeu métodos a serem empregados pelos revolucionários brasileiros. A obra pode ser encontrada facilmente na internet. Mesmo se for um xerox para a aula de história do Brasil, é bom esconder.

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“Como Montar uma Mulher Bomba”, de Luciana Pessanha. Um livro sobre embates amorosos, o que fica evidente na mensagem estampada na capa: “Manual Prático para Terroristas Emocionais”. Mas vai que alguém te reviste, ache o livro e não termine a frase…

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“O Capital”, de Karl Marx. Um marco do pensamento socialista marxista, “O Capital” é um conjunto de livros que critica o capitalismo. E sempre está na bibliografia em cursos como sociologia, filosofia e teoria política. Em uma manifestação, deixe-o em casa. Até porque, pelo tamanho, pode funcionar mesmo como arma.

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“Clube da Luta”, de Chuck Palahniuk. A história de um “homem comum” que reage com agressividade autodestrutiva rendeu filme cult, dirigido por David Fincher em 1999. E nem precisa ler o livro até o final para saber que se trata de uma história anarquista até o talo. (mais…)

Manifestações já ganham espaço nas salas de aula dos colégios paulistanos

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Estudantes trocam experiências sobre política, movimentos sociais, mobilização digital, partidos políticos, representatividade, ditadura, mídia e até literatura e cinema

Paulo Saldaña, no Estadão

A onda de manifestações que tomou o Brasil chegou aos colégios. Além de dominarem a conversa dos jovens, os protestos motivaram uma programação oficial das escolas, que têm promovido atividades para discutir mobilidade, política, movimentos sociais, mobilização digital, partidos políticos, representatividade, ditadura, mídia e até literatura e cinema. Tudo tem sido tema de debates nas salas de aula.

Werther Santana/Estadão Máscara do filme ‘V de Vingança’ virou sinônimo de ativismo e tem sido usada com frequência

Werther Santana/Estadão
Máscara do filme ‘V de Vingança’ virou sinônimo de ativismo e tem sido usada com frequência

Tentar entender os atos e a importância dos atores envolvidos é a tônica das atividades dentro dos colégios, com a participação de alunos do ensino fundamental e, sobretudo, do médio. Assim como nas ruas, os jovens é que têm tido o papel mais ativo nos debates. Até porque muitos deles participaram de alguns dos atos, que começaram com a reivindicação contra o aumento da tarifa de ônibus e depois tiveram uma proliferação de pautas, indignações e causas de protesto.

“Tudo isso rapidamente virou tema na sala, o que fizemos foi organizar esse debate e puxar os links necessários para uma boa reflexão”, diz o professor de História Luis Fernando Massa, do tradicional Colégio Ofélia Fonseca, de Higienópolis, zona oeste de São Paulo. “Cidadania é um grande tema transversal, mas há também conteúdos específicos, que vão de movimentos sociais do século 19 na Europa a revoltas pelo Brasil.” Ditadura militar e também manifestações no Oriente Médio, no que ficou chamado de Primavera Árabe, também tem espaço nas conversas.

O estudante Luis Gerodetti, de 16 anos, acompanhou uma das manifestações – além de participar das discussões nas redes sociais e nas aulas no Ofélia. “Nos encontros, a gente entendeu que a queda no preço da passagem foi um passo. Mas não adianta querer tudo ao mesmo tempo”, disse ele, aos colegas Guilherme, Amanda e Caio, todos de 17 anos. Para eles, que estão no 3.º ano, a internet é a fonte mais confiável para se informar sobre os protestos. “As TVs só mudaram o enfoque, apoiando os atos por causa da audiência”, diz Amanda.

A máscara do filme V de Vingança, que apareceu em diversas cenas nos últimos dias, também tem sido vista nos corredores da escola. “É meio que um símbolo de ativismo, nem todos que estão com a máscara vão para vandalizar”, explica o estudante Luca Scuracchio, de 15 anos, dono do adereço.

Mídia. Em um movimento que ganhou proporções nas redes sociais, a análise da mídia ganhou destaque entre os alunos. A comparação de notícias foi uma das principais atividades do Colégio São Judas Tadeu, na Mooca, zona leste. “Estamos pegando os editoriais, textos de colunistas, e fazendo comparações para entender como os meios de comunicação estão abordando as manifestações, tentando ver o que está por trás do que vira notícia”, diz a professora de História Mônica Broti.

Ela explica que, do ponto de vista pedagógico, a abordagem tenta abarcar toda a problemática com um foco histórico, tendo em vista as manifestações que o Brasil já teve. “Fizemos também comparações com fotos da Praça da Sé no movimento das Diretas Já e das passeatas no impeachment do Collor, ampliando o debate.”

Para a estudante do 9° ano Victória Donato Ribeiro, de 13 anos, esse tem sido um momento histórico para a juventude, uma oportunidade de, assim como jovens de outras épocas, deixar sua marca. “Temos conversado muito sobre isso, que os jovens fazem a diferença. Porque a gente acreditou”, diz ela. “Eu tenho gostado bastante. O governo não tem de mudar tudo, o povo tem de decidir. Os políticos não são mais povo, só ligam pra eles mesmos.”

O Colégio Equipe, também em Higienópolis, tem incentivado o protagonismo e a reflexão dos estudantes. A escola montou um painel com várias reportagens com leituras diferentes sobre a manifestação, de modo a incentivar a troca de ideias sobre o que está acontecendo. “A intenção é que todos os alunos, ao longo da semana, alimentem o painel e realizem um debate com convidados”, explica a diretora Luciana Fevorini. Na próxima quinta-feira, integrantes do Movimento Passe Livre vão participar dos debates. Pelo menos dois desses líderes estudaram no Equipe.

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