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Padres querem banir “O Diário de Anne Frank” de escolas de Michigan por ter trechos “pornográficos”

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Gustavo Magnani, no Literatortura

Depois de Justin Bieber ter dito acreditar que Anne Frank seria sua fã se fosse adolescente nos dias de hoje, agora é a vez do livro de estampar os noticiários. Isso porque padres de Michigan querem banir a obra das escolas do respectivo estado, isso porque, supostamente, ela contém trechos inadequados para as crianças de 13 anos. Pior: eles alegam que o conteúdo é pornográfico.

No livro, Anne conta sobre a descoberta de sua própria sexualidade e esses trechos, segundo os padres, são ruins para as crianças. Afinal, com 13 anos ninguém sabe nada sobre sexo. Ainda acreditam que os filhos são entregues por cegonhas e mamãe e papai vivem brincando de apertar um ao outro. Aliás, outro ponto curioso é aquela velha máxima das “tisoradas” escolares: os padres poderiam ter dormido sem essa. A Igreja Católica questionar algo tão pequeno acerca da sexualidade, dá margem para seus críticos relembrarem os casos de pedofilia e até fazer uma comparação: quem será que foi mais prejudicial para a formação sexual das crianças?

Veja bem, eu detesto jogar com essas cartas, mas é um paralelo impossível de não vir à mente.

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Outro lamento é o fato da obra ser icônica e representar um momento histórico e trágico da humanidade. Anne Frank tornou-se um dos principais rosto do holocausto, que assassinou cerca de 6 milhões de judeus. Ou seja, não é uma questão apenas sexual ou de “gostar da obra”, mas também um marco histórico.

O pai de Anne, Otto Frank, que reuniu as memórias da filha, havia deixado as partes sexuais de fora do lançamento original em 1947. Os trechos foram adicionados ao livro há mais ou menos 10 anos e reacenderam a leitura da obra. Além do que já escrevi, fica a eterna decepção por ver pessoas que geralmente não entendem nada – ou muito pouco – sobre educação escolar, querendo meter o bedelho onde não deveriam.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Intelectuais brasileiros explicam por que ainda é importante ler Marx

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Publicado na Folha de S.Paulo

Questionados pela Folha, quatro intelectuais brasileiros explicam as razões pelas quais os escritos do filósofo alemão Karl Marx são importantes até os dias de hoje e, por isso, ainda merecem leitura.

Confira:

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ROBERTO SCHWARZ, crítico literário

“Como percepção da sociedade moderna, não há nada que se compare a ‘O Capital’, ao ‘Manifesto Comunista’ e aos escritos sobre a luta de classes na França. A potência da formulação e da análise até hoje deixa boquiaberto. Dito isso, os prognósticos de Marx sobre a revolução operária não se realizaram, o que obriga a uma leitura distanciada. Outros aspectos da teoria, entretanto, ficaram de pé, mais atuais do que nunca, tais como a mercantilização da existência, a crise geral sempre pendente e a exploração do trabalho. Nossa vida intelectual seria bem mais relevante se não fechássemos os olhos para esse lado das coisas.”

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JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI, filósofo:

“Os textos de Marx, notadamente ‘O Capital’, fazem parte do patrimônio da humanidade. Como todos os textos, estão sujeitos às modas, que, hoje em dia, se sucedem numa velocidade assombrosa. Depois da queda do Muro de Berlim, o marxismo saiu de moda, pois ficava provada de vez a inviabilidade de uma economia exclusivamente regida por um comitê central ‘obedecendo a regras racionais’, sem as informações advindas do mercado. Mas a crise por que estamos passando recoloca a questão da especificidade do modo de produção capitalista, em particular a maneira pela qual esse sistema integra o trabalho na economia. O desemprego é uma questão crucial. As novas tecnologias tendem a suprir empregos. Na outra ponta, o dinheiro como capital, isto é, riqueza que parece produzir lucros por si mesma, chega à aberração quando o capital financeiro se desloca do funcionamento da economia e opera como se a comandasse. A crise atual nos obriga a reler os pensadores da crise. Como cumprir essa tarefa? Alguns simplesmente voltam a Marx como se nesses 150 anos nada de novo tivesse acontecido. Outros alinhavam as modas em curso com os textos de Marx, apimentados com conceitos do idealismo alemão, da psicanálise, da fenomenologia heideggeriana. Creio que a melhor coisa a fazer é reler os textos com cuidado, procurando seus pressupostos e sempre lembrando que a obra de Marx ficou inacabada e sua concepção de história, adulterada, por ter sido colada, sem os cuidados necessários, a um darwinismo respingado de religiosidade.”

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DELFIM NETTO, economista

“Porque Marx não é moda. É eterno!”

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LEANDRO KONDER, filósofo:

“Os grandes pensadores são grandes porque abordam problemas vastíssimos e o fazem com muita originalidade. A perspectiva burguesa, conservadora, evita discuti-los. E é isso o que caracteriza seu conservadorismo. Marx é o autor mais incômodo que surgiu até hoje na filosofia. Conceitos como materialismo histórico, ideologia, alienação, comunismo e outros são imprescindíveis ao avanço do conhecimento crítico. Por isso, mais do que nunca é preciso frequentá-los.”

caricatura: Baptistão

Maiores gafes de professores nas redes sociais

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Flora Rabelo, no TechTudo

O magistério, em teoria, é uma tarefa gratificante. Ensinar valores importantes às crianças e saber que o que é dito em sala de aula pode influenciar e até mesmo mudar de maneira positiva a vida de muitas pessoas prova que essa é, também, uma profissão de grande responsabilidade. Na prática, no entanto, nem sempre é assim. Por isso, confira as maiores gafes de professores nas redes sociais que acabam tomando proporções fora do normal.

Uma relação entre alunos e professores ideal envolveria, no mínimo, respeito mútuo. Para alguns é possível, ainda, ir além: amizade e brincadeiras que poderiam gerar um ambiente mais saudável e menos maçante. O problema é quando a intimidade é mal vista por pais. Foi o que aconteceu com Artes Bill Doyle, professor de uma escola em San Diego, Estados Unidos. Ele e seus alunos tinham um relacionamento tão amigável que quando uma foto sua com uma de suas alunas simulando um “tapinha” um tanto sugestivo foi parar no Facebook, muitos pais ficaram surpresos e irritados.

Artes Bill Doyle com uma de suas alunas (Foto: Reprodução)
Artes Bill Doyle com uma de suas alunas (Foto: Reprodução)

Na maioria das vezes, contudo, os problemas não provêm da boa relação entre professores e alunos, mas sim de outras situações diversas. Uma professora de uma escola primária de Chicago, cidade americana, achou graça do cabelo de uma de suas alunas de 7 anos e resolveu publicar uma foto em sua página do Facebook a fim de mostrar para seus amigos. Todos riram muito e alguns comentários incluíram dizeres um tanto maldosos. A diversão acabou quando a mãe da menina descobriu e decidiu processar a educadora. A garotinha, por sua vez, declarou ter ficado muito chateada com toda a circunstância.

Outro evento bastante perturbador aconteceu em Nova York com um professor chamado Chadwin Reynolds. Ele parecia ter um grande interesse em seus alunos, especialmente se fossem do sexo feminino. O homem adicionava suas alunas na rede social Facebook e deixava comentários inapropriados, dizendo como elas estavam sensuais. E não parou por aí, o educador chegou a mandar mensagens de texto para uma delas e flores para outra. Ele foi, obviamente, demitido.

Alguns limites entre alunos e professores não devem nunca ser ultrapassados, principalmente da forma que Chadwin Reynolds o fez. Mas, quando se trata da relação entre educadores e escolas, muitas vezes surgem dúvidas no que diz respeito à privacidade do professor e em como a vida deles fora da sala de aula influencia a imagem da instituição em que trabalham. Em Milton Keynes, Inglaterra, seis professoras tiveram um problema sério ao publicarem fotos simulando uma dança conhecida como pole dancing, considerada bastante sensual. As configurações da rede social delas não estavam no modo privado, permitindo que muitos pais vissem as imagens e ficassem contrariados.

Professora se encrenca após noite de bebidas (Foto: Reprodução)
Professora tira foto do lado de uma stripper (Foto: Reprodução)

Outras duas situações semelhantes aconteceram nos Estados Unidos. Ginger D’Amico, uma professora de Illinois, foi suspensa de seu emprego após publicar uma foto sua com uma stripper na rede social Facebook. A imagem foi tirada em uma despedida de solteiro que ela ofereceu em sua casa para outra colega de profissão. A mulher foi a única suspensa, pois só era possível ver seu rosto na foto. As demais professoras, no entanto, foram repreendidas. D’Amico entrou na Justiça e ganhou o direito de receber o pagamento referente ao tempo de sua suspensão.

Na Geórgia, outro estado americano, Ashley Payne perdeu seu emprego após publicar uma foto em sua página do Facebook segurando bebidas alcoólicas. A imagem tratava-se apenas de um registro de suas férias na Europa e, com exceção das bebidas, que alguns pais não consideram apropriado, não exibia nenhum conteúdo impróprio. Apesar de a professora ter suas configurações privadas, alguma pessoa mal-intencionada que tinha acesso às informações contidas no perfil dela enviou as fotos através de um e-mail para o diretor da escola em que a moça trabalhava. Payne agora luta na Justiça para ter seu emprego de volta.

Ashley Payne foi demitida após publicar fotos de suas férias no Facebook (Foto: Reprodução)
Ashley Payne foi demitida após publicar foto segurando bebidas alcoólicas (Foto: Reprodução)

Outras situações constrangedoras podem surgir através do uso de redes sociais. Alguns professores, por exemplo, usam o Facebook como forma de desabafo e acabam se dando mal. Uma professora primária, do estado de Nova Jersey, foi suspensa após chamar seus alunos, de apenas 7 anos, de “futuros criminosos” em sua página pessoal. Ainda no mesmo estado, outra educadora, Christine Rubino, teve que lutar para manter seu emprego depois de fazer uma piada de mau gosto também na rede social de Mark Zuckerberg. Em um passeio à praia oferecido pela escola em que trabalhava, uma aluna de 12 anos morreu tragicamente depois de se afogar. A professora, então, publicou em sua página que odiava seus alunos e também que pensava em levá-los para o litoral. Rubino afirmou ainda que mesmo que tivesse tido a chance de jogar um colete salva-vidas para a garota que se afogou, não o faria nem por um milhão de dólares. Os pais da adolescente ficaram irritados com os comentários e a situação foi parar na Justiça.

Após todos esses relatos, é melhor pensar duas vezes antes de publicar qualquer coisa em alguma de suas redes sociais, principalmente se você for professor. O aviso também vale para desempregados, visto que alguns chefes avaliam os sites de relacionamento dos candidatos antes de entrevistas de emprego.

Via The Week

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