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Roteiros literários: projeto une literatura e viagem

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Reprodução/Roteiros literários

Reprodução/Roteiros literários

Jessica Soares, no Brasil Post

Encontros do acaso em labirintos parisienses, poesias derramadas entre as ruas e praças de Valparaíso, odisseias cotidianas vividas em Dublin. Entre esquinas de grandes metrópoles ou lugarejos remotos, a literatura encontra morada. Para mostrar onde se escondem esses pedacinhos de história imortalizados nas páginas, surgiu o projeto Roteiros Literários. Criado em maio de 2014 pelas jornalistas Andréia Martins e Carolina Cunha, o site busca lembrar e catalogar os locais (e eventuais cenários) de grandes obras literárias.

A ideia para o projeto surgiu em 2010, em uma viagem para Buenos Aires. “Quando buscamos conhecer alguns lugares ligados a escritores descobrimos que essa não era uma informação tão fácil de encontrar. Embora a cidade tenha abrigado diversos escritores e apareça em diferentes livros, os city tours e outras informações turísticas não incluíam essas dicas. Aí pensamos em como seria legal criar um site que mapeasse lugares e contasse sua importância na vida de um escritor”, explica Andréia, uma das idealizadoras do projeto. Com proposta de unir literatura e viagem, a ideia é ajudar os viajantes a se situarem melhor nas entrelinhas desse mapa e colocar novos lugares na rota de quem gosta de descobrir o que há por trás dos locais onde as histórias e suas personagens são criadas.

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Encontros do acaso em labirintos parisienses, poesias derramadas entre as ruas e praças de Valparaíso, odisseias cotidianas vividas em Dublin. Entre esquinas de grandes metrópoles ou lugarejos remotos, a literatura encontra morada. Para mostrar onde se escondem esses pedacinhos de história imortalizados nas páginas, surgiu o projeto Roteiros Literários. Criado em maio de 2014 pelas jornalistas Andréia Martins e Carolina Cunha, o site busca lembrar e catalogar os locais (e eventuais cenários) de grandes obras literárias.

A ideia para o projeto surgiu em 2010, em uma viagem para Buenos Aires. “Quando buscamos conhecer alguns lugares ligados a escritores descobrimos que essa não era uma informação tão fácil de encontrar. Embora a cidade tenha abrigado diversos escritores e apareça em diferentes livros, os city tours e outras informações turísticas não incluíam essas dicas. Aí pensamos em como seria legal criar um site que mapeasse lugares e contasse sua importância na vida de um escritor”, explica Andréia, uma das idealizadoras do projeto. Com proposta de unir literatura e viagem, a ideia é ajudar os viajantes a se situarem melhor nas entrelinhas desse mapa e colocar novos lugares na rota de quem gosta de descobrir o que há por trás dos locais onde as histórias e suas personagens são criadas.

“Percebemos que havia material para unir os lugares que fizeram parte da vida dos escritores – casas, museus, cenários e outros. E o Roteiros Literários é um site voltado ao turista cultural, ou seja, aquele turista que quer não apenas viajar, mas ganhar conhecimento. E entender como alguns lugares influenciaram a obra e carreira de alguns escritores faz todo o sentido para o leitor que admira um autor ou obra”, afirma.

A equipe busca oferecer informações atualizadas e de visitas aos lugares e, quando isso não é possível, valorizar a memória e experiência daquele lugar através da sua história. Além dos destinos inspirados por datas comemorativas, alguns roteiros são frutos das viagens pessoais (em que aproveitam para visitar os lugares) ou de pesquisas aprofundadas sobre os autores. “Queremos mesmo é intensificar o resgate desse turismo literário aqui no Brasil. Com esse projeto descobrimos muitos lugares que não são bem divulgados ou tem canais de comunicação ruins, às vezes nem site ou uma fanpage. Queremos valorizar as memórias dos nossos autores, sem deixar os escritores internacionais de fora, claro”, Andréia contou à SUPER.

Além da dupla responsável pela concepção do projeto, o Roteiros Literários conta também com textos assinados pelas jornalistas Maria Fernanda Moraes e Ana Campos. Novos textos são publicados semanalmente e você também pode acompanhar o projeto pela página no Facebook.

Confira abaixo alguns dos lugares pelos quais o projeto já “passou”. Clique nos títulos para ver os posts no site e explorar os mapas.

* A viagem do vaqueiro Rosa (Cordisburgo-MG): Em maio de 1952, Guimarães Rosa, o já famoso autor de Sagarana, voltou à sua terra natal, a pacata Cordisburgo (MG), a 114 km de Belo Horizonte, em busca de inspiração literária.

* A casa da colina de Guilherme de Almeida (São Paulo-SP): Transformada em museu, a casa onde vivia o escritor e jornalista mantém a decoração e o acervo de livros e obras de arte do poeta.

* O refúgio de Balzac (Paris, França): Localizada no distrito residencial de Passy, na França, a Maison de Balzac é a casa-museu onde o escritor produzia seus textos.

* Henfil e a turma do “bunker” (São Paulo-SP): Apê onde o cartunista mineiro morou em São Paulo, no final dos anos 1970, e abrigou Laerte, Angeli, Glauco e Nilson.

Literatura não é mero entretenimento

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Jhumpa, que virá à Flip: "A tecnologia leva os consumidores a se distrair com bobagens"

Jhumpa, que virá à Flip: “A tecnologia leva os consumidores a se distrair com bobagens”

Luís Antônio Giron, no Valor Econômico

É impressionante a quantidade de autores que mantêm o hábito de escrever à mão e ignoram a tecnologia mais recente. Alguns o fazem por hábito. Outros, como a ficcionista Jhumpa Lahiri, por convicção de que o progresso pode destruir a delicadeza da escrita literária. Jhumpa, de 46 anos, é de origem bengali. Nasceu em Londres, imigrou criança com a família para Rhode Island, Estados Unidos. Tecnicamente é americana, mas não se considera como tal. “Não sou americana, como não sou indiana nem londrina”, diz, em entrevista por telefone ao Valor, de Roma, onde mora com o marido jornalista e os filhos de 11 e 9 anos. “Sou apenas alguém.”

Alguém capaz de grandes façanhas armada apenas de uma caneta e um caderno. Jhumpa cria histórias sobre uma mesma matriz autobiográfica: personagens bengalis que imigram para o Ocidente e vivem a ruptura da identidade a partir do choque entre culturas e da luta pela sobrevivência em terra estranha. Jhumpa estreou em 2000 com “Intérpretes de Males” (contos), que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de melhor livro de ficção – o mais importante dos EUA.

Seu estilo mistura longas descrições psicológicas e peripécias intercontinentais. Ela é considerada por muitos críticos uma das melhores contistas atuais da língua inglesa. Outra reunião de contos, “Unnacostumed Heart” (2008) lida com casos de família em várias gerações. O romance “O Xará” (2003) narra a história de um indiano chamado Gógol, xará do escritor russo, que precisa conviver com as tensões de ser a um só tempo indiano e europeu. Seu quarto título, de 2013, é o romance “Aguapés”, agora lançado no Brasil pela editora Globo para marcar a vinda de Jhumpa à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

“Aguapés” é ambientado na Índia e nos EUA e trata de quatro gerações de uma família bengali separada pela imigração e pelos conflitos políticos. A trama é centrada nos irmãos Subhash e Udayan Mitra – aquele imigrante nos EUA, este militante de esquerda em Calcutá nos anos 1960. Nesta entrevista, Jhumpa fala sobre escrever e sobre sua preocupação com o futuro da literatura.

Valor: O que conhece sobre o Brasil?

Jhumpa Lahiri: Sei de muitas coisas e estou animada para visitar o país pela primeira vez. Vou viajar com meu marido e meus filhos. Ele morou no Brasil quando era estudante e me contou sobre a diversidade cultural e a maneira leve que os brasileiros têm de levar a vida, algo bem diferente do que experimentei nos EUA. Conheço o Brasil pela literatura e pela música, que são riquíssimas. Li as traduções dos livros de Clarice Lispector, uma voz única na literatura mundial. E a gente vive ouvindo bossa nova aqui em casa.

Valor: Para que serve a literatura no mundo atual, saturado de diversão e tecnologia?

Jhumpa: Há uma pressão enorme sobre nós, escritores. Somos chamados à arena das discussões sobre o futuro da cultura e temos a obrigação de demonstrar publicamente que a literatura de ficção é relevante, pois constitui a personalidade e a formação intelectual do leitor. Não tem nada a ver com tecnologia ou com o sensacionalismo que as grandes editoras usam para vender livros ou modas literárias. O excesso de marketing reduz a experiência do leitor e obriga os autores a produzir como máquinas. A literatura corre o risco de virar mero entretenimento. Eu procuro fugir disso.

Valor: Você lê em aparelhos eletrônicos?

Jhumpa: Detesto todo esse mundo de aparelhos e redes sociais. Esses mecanismos servem para controlar e despersonalizar os seres humanos. Os tablets e e-readers não passam de armadilha para o leitor comprar mais livros. O efeito é imediato: ele tende a pular de um livro para outro sem aproveitar o que cada obra tem. Para mim, um livro é um objeto único, maravilhoso, feito para o prazer da leitura. A tecnologia leva os consumidores a se distrair com bobagens e a não prestar atenção no que é fundamental: desenvolver a sua maneira de ver e ler a realidade.

Valor: Seu trabalho é etiquetado pela crítica americana como “literatura de imigração”. Você se sente bem nesse rótulo?

Jhumpa: Não acho que minha obra possa ser considerada literatura de imigração. Eu abordo problemas universais. As circunstâncias de imigração por que passam meus personagens não podem caracterizar o que escrevo. Conto histórias sobre pessoas desenraizadas e deslocadas. No mundo de hoje, poucos são os que não se sentem assim, mesmo quem nasceu em um lugar e nunca saiu de lá. A expressão “literatura de imigração” é redutora e tenta simplificar as coisas.

Valor: De qualquer forma, suas histórias giram em torno de famílias bengalis que trocaram a Índia pelo Ocidente.

Jhumpa: Sim, porque é o que eu vivi. Observei meus pais e as famílias indianas ligadas à minha. Por isso, minhas histórias abordam a situação das gerações anteriores à minha, que foram mais marcadas pelo choque cultural.

Valor: Você cresceu, estudou e amadureceu nos EUA. Considera-se americana?

Jhumpa: Não. Não me sinto à vontade nos Estados Unidos nem acho que é o meu país. Não sou americana, como não sou londrina nem indiana. Sou alguém. Fui criada nos Estados Unidos, mas nunca fui acolhida como americana. Viam-me como a estrangeira filha de indianos. Nacionalidade é um conceito ultrapassado.

Valor: O desenraizamento se evidencia em suas histórias. Nelas, espaço, tempo e vida interagem. Os personagens são contraditórios e insatisfeitos. Você faz isso de propósito ou é um impulso inconsciente?

Jhumpa: Não tenho formação filosófica, apesar de alguns de meus personagens especularem até de forma profunda. Mas não sou eu que sou profunda, e sim eles, se é que podem ser considerados assim. É o caso de Gauri, a mãe de Bela, a protagonista “americana” de “Aguapés”. Ela reflete sobre a condição do tempo, e não pensei sobre isso, a voz de Gauri se impôs. Os personagens surgem à medida que escrevo. Não planejo essas coisas. Gero vozes sem pensar no que pensam.

Valor: É possível combinar com harmonia duas ou mais culturas aparentemente opostas, como a indiana e a europeia?

Jhumpa: Isso depende da situação. Mas em geral as culturas não se harmonizam. Claro que há um fundamento universal, e é ele que eu persigo nos meus enredos. A questão da cultura é circunstancial. O que o ser humano precisa buscar é a universalidade dos temas e sentimentos. Só assim haverá um equilíbrio.

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