Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged diversidade

“A maior parte das escolas formam robôs incompetentes”, afirma Shinyashiki

0

Com mais de 8 milhões de livros vendidos, Roberto é um dos palestrantes mais requisitados do país

Isabela Borrelli, no Startse

Roberto Shinyashiki é empresário, palestrante, médico psiquiatra e terapeuta, com MBA e doutorado em Administração de Empresas pela FEA/USP. Ele esteve recentemente, junto com a StartSe, nos maiores centros de inovação do mundo atrás de conhecimentos transformadores que podem ser aplicados na Educação.

Com mais de 8 milhões de livros vendidos, Roberto é um dos palestrantes mais requisitados do país. Sua visão sobre a importância das pessoas no processo de transformação de empresas e mercados é única.

Em sua palestra no Edtech Conference, Shinyashiki foi direto ao ponto sobre o que ele acha de educação hoje: “Aquela criança que tem aula [no formato atual] pensa que é um robô e pensa como um robô. Mas ele não tem inteligência artificial no robô! É preciso ler Paulo Freire e Rubens Alves. A maior parte das escolas são formadoras de robôs incompetentes”.

O formato de ensino hoje é muito criticado exatamente por não ter mudado em aproximadamente um ano. E não só por isso, mas também por não respeitar a diversidade, outro ponto levantado pelo palestrante.

“O mundo é diversidade, é alimentar essa diversidade. As pessoas querem determinar o certo, querem criar uma verdade. Parece que não dá para 10, 2, 20 pessoas estarem certas ao mesmo tempo sobre um tema. Não tem uma única forma. Lidamos com grupos de seres humanos”, afirmou o empresário.

Editora e escolas apontam a necessidade de trabalhar com livros que representem diversidade do Brasil

0
Obras da casa. Cristina Warth (à esquerda) e Mariana Warth manuseiam livros de Sonia Rosa e Anna McQuinnda, da editora Pallas - Brenno Carvalho / Brenno Carvalho

Obras da casa. Cristina Warth (à esquerda) e Mariana Warth manuseiam livros de Sonia Rosa e Anna McQuinnda, da editora Pallas – Brenno Carvalho / Brenno Carvalho

Lei que garante a situação é regente no Brasil desde 2003

Daniela Kalicheski, em O Globo

RIO – Desde 2003, a lei 10.639/03 torna obrigatória em todos os currículos escolares do território nacional de ensino fundamental e médio a educação de história e cultura afro-brasileiras — ampliadas, em 2008, para o ensino sobre povos indígenas. Mesmo com quase 15 anos de vigência da lei, ainda há resistência em cumpri-la; e quando isso, muitas vezes são usadas informações superficiais que não refletem a sociedade brasileira de fato ou sequer trabalham a questão da diversidade. A pedagoga Sonia Rosa, que também é escritora e professora, aponta a urgência do uso, em sala de aula, de livros que reflitam essa multiplicidade.

— É preciso trabalhar nas escolas para dar luz a conflitos raciais, com uma perspectiva de que a cor da pele e os traços de cada indivíduo são resultados da história, sempre rica, de seus antepassados, o que é motivo de orgulho e não de inferiorização. Essa diversidade pode ser discutida por meio da literatura e é necessário trazê-la para perto dos estudantes. Eu já estive em escolas onde a presença de pessoas negras existia apenas em questão dos funcionários e não na convivência, assim como fui a escolas onde a presença negra dos alunos era maioria, mas eles não se viam representados nos livros que liam. — contextualiza a autora.

Em uma de suas publicações, ela apresenta a narrativa real de Esperança Garcia, mulher que veio ao Brasil em condição de escrava e escreveu uma carta ao governador do Piauí solicitando que voltasse a viver com sua família. A carta, que por muito tempo ficou esquecida, foi, este ano, interpretada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como uma das primeiras petições feitas no país, e Esperança recebeu o título póstumo de advogada.

Histórias reais como a narrada por Sonia ou contos que brincam com a imaginação tendo como protagonistas e heróis negros e indígenas estão distribuídos num catálogo de 70 obras infantojuvenis da editora Pallas, com sede em Higienópolis (SP).

A necessidade de produzir esses livros surgiu quando Mariana Warth — diretora da editora ao lado de Cristina Warth — entendeu que o pouco conteúdo disponível não retratava a população do Brasil e pouco tinha a dizer sobre seus antepassados africanos.

— Não encontramos muitas produções consistentes que buscavam de fato discussões de identidade, algo que apresentasse o Brasil com a cara negra. Em relação à história, achamos muitos livros aleatórios que nada tinham a ver com a África que se relaciona com a gente. Acreditamos que deveríamos entrar nessa discussão. Estamos fazendo livros para todas as crianças. Quando uma não se vê nos livros, na educação, na TV… ela passa a naturalizar que não é normal. É natural ter uma boneca branca, o livro ter um herói branco, o protagonista da novela ser branco. Nossa preocupação é a de construção de uma imagem que dê conta da sociedade brasileira — reflete Mariana.

Duas das tramas apontadas como exemplo dos assuntos tratados pela editora são “O cabelo de Cora”, de Ana Zarco Câmara; e “O menino Nito”, de Sonia Rosa.

— Cora é uma menina que ouviu de sua amiga que seu cabelo era feio e, com o tempo, descobre que na verdade ele é forte e semelhante ao de sua família, e que ela não precisa ter outra aparência senão a dela, porque a dela é bonita. Já Nito é um menino negro em uma família que lhe oferece todos os símbolos do conforto. Não há dificuldade social, mas a trama fala de uma discussão de gênero, já que ele chora muito e seu pai diz que homem não chora. Há uma superação, mas não sobre sua cor. A obra podia ter qualquer menino como protagonista, mas as famílias que refletem a nossa realidade precisam estar refletidas nos livros. Devemos contar histórias universais com protagonistas negros — explica Mariana.

Na biblioteca do Colégio Pentágono, em Vila Valqueire, são encontrados diversos livros com a temática da diversidade. A coordenadora pedagógica do local, Aline Bezerra Dias, conta que a primeira barreira para lidar com a diversidade na escola é a falta de opções no mercado.

— Apenas de uns cinco anos para cá começamos a encontrar mais material. Isso inclui todo o tipo de elementos, até brinquedos. Lembro que para fazermos um fantoche negro tínhamos que produzi-lo, porque não encontrávamos. Nossas crianças precisam lembrar todos os dias que não se deve achar normal o preconceito. Claramente podemos ver o espanto e a admiração dos alunos quando eles se identificam com os personagens dos livros. O espanto é por que eles desconhecem essas histórias. Isso acontece com as crianças brancas também, que passam a admirar o colega negro quando veem um personagem como ele — frisa Aline.

A editora Pallas, que abriu suas portas na década de 1970, começou publicando livretos de simpatias e orações religiosas de origem africana. Com a chegada da historiadora Cristina, que até hoje comanda a editora ao lado da filha, mudou de foco e passou a ampliar a gama de publicações, levando ao mercado conteúdos com informação além da fé.

— Eu percebi que não sabia praticamente nada sobre essas religiões, e ao buscar conhecimento também não encontrei muita coisa. Ao entrar em contato com o candomblé, o catimbó e a umbanda, percebi que são recriações dentro das possibilidades oferecidas no universo da violência do tráfico de escravos. Era um ato de buscar a identidade que lhes foi tirada. Aos poucos, começamos a politizar a editora e buscar temas que destacassem o protagonismo negro no Brasil — explica Cristina.

Atualmente, entre 289 livros para o público adulto e infantojuvenil, sejam de contos, histórias, políticas afirmativas e estudos nas áreas de antropologia e filosofia, todos dialogam com a temáticas da cultura afrodescendente. Entre a lista de autores do catálogo infantil da Pallas está o também ator Lázaro Ramos, que chegou à editora por ser consumidor de seus livros, principalmente com os filhos. Ele conta que procurou a Pallas para publicar seu segundo livro infantil, “O caderno de memórias do João”, feito para seu filho quando ele tinha 4 anos.

— O livro apresenta o tipo de leitura que gosto de fazer. Fala sobre representatividade e autoestima, mas sem se tornar o único assunto da obra, porque eu entendo que somos mais do que um tema. Este é um livro de rimas nas quais João explica o significado de palavras, além de ter a representatividade do herói com o seu ponto de vista ilustrado — relata o ator, que vê na forma de escrever a necessidade de abordar questões consideradas por ele importantes. — Eu costumo falar de um assunto e o “contamino” com outros, como negritude e valorização humana. Quero passar a ideia de que todos podem ser produtores do saber, busco usar isso para que o livro seja um bom entretenimento. Tento passar a história com humor e ludicidade. Essa é a maneira que conheço de acessar as pessoas.

Publicidade

Lázaro Ramos fala sobre a importância de se levar o conteúdo da diversidade às escolas e enxerga na iniciativa uma necessidade primordial para oferecer a possibilidade de identidade a todas as crianças:

— Acho extremamente importante. Digo isso como o adulto que já foi criança negra e sentia muita falta de se ver representado, de ver histórias que falassem sobre os meus dilemas, mesmo quando falassem sobre questões raciais, que me incluíssem, e nem sempre isso acontecia. Eu vivia caçando lugares para ver o que eu poderia ser, o que poderia me tornar. Como pai, eu prefiro oferecer essas oportunidades que não tive. Estou dando a eles unidade. Eles podem se sentir fortalecidos se vendo representados. Isso é fundamental na vida de uma pessoa e não só na vida da criança negra, mas na de todas, porque assim passamos a tratar a diversidade como algo normal e bonito — reflete.

Prefeito diz que vai recorrer de decisão que obriga entrega de livros com união gay para alunos

0
Prefeito diz que prefeitura de Ariquemes ainda não foi notificada (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)

Prefeito diz que prefeitura de Ariquemes ainda não foi notificada (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)

Para o prefeito Thiago Flores, que anunciou a supressão das páginas com diversidade familiar, a decisão é ‘uma pena’. Liminar foi divulgada pelo MPF nesta semana.

Diego Holanda, no G1

Após Justiça Federal determinar a entrega de livros didáticos com o tema diversidade familiar e união gay para alunos de Ariquemes (RO), a prefeito Thiago Flores (PMDB) diz que vai recorrer da decisão. A decisão determina que os livros sejam entregues imediatamente e sem alteração no conteúdo. Em caso de descumprimento, a prefeitura será multada em R$ 1 mil por dia.

O prefeito de Ariquemes, Thiago Flores diz que discutirá o mérito da ação no processo que contraria o que foi anunciado por ele, quando disse que iria suprimir as páginas com os temas “polêmicos”.

“Nós vamos recorrer da decisão. É uma pena o momento em que ela veio. O processo é o palco adequado para que a gente discuta sobre a matéria ainda”, disse o prefeito.

Ele disse que a entrega dos livros ainda não ocorreu porque não foi notificado da decisão.

Livro vetado mostra foto de 1° casal gay a adotar criança no Brasil (Foto: Ana Claudia Ferreira/ G1)

Livro vetado mostra foto de 1° casal gay a adotar criança no Brasil (Foto: Ana Claudia Ferreira/ G1)

“Quando formos notificados, nós impetraremos o recurso cabível, se com efeito suspensivo, não há que se falar em pratica abusiva por parte da gestão, se não couber recurso suspensivo, nós vamos ter que atender”.

A promotora de justiça Joice Gushi comemorou a decisão e explica que ela é essencial para impedir prejuízos na educação dos alunos.

“A decisão foi extremamente coerente e correta. O MP, para promover o imediato cumprimento da decisão, vai encaminhar a cópia da decisão, dando ciência às diretoras das escolas para que elas já tenham execução a essa ordem, independente da pessoa do prefeito”, explicou Joice.

Já o vereador Amalec da Costa, que foi um dos que pediram ao prefeito a censura dos livros, não gostou da liminar e disse que vai recorrer.

“Eu considero essa decisão absurda. Ela fere a autonomia do municipio. Nós nos posicionamos contrários e vamos acionar nossa defesa para que a gente possa derrubar essa liminar”, disse o parlamentar.

Caso

O prefeito de Ariquemes chegou a anunciar a supressão das páginas que continham o tema diversidade familiar, depois de solicitação de alguns vereadores do município, no início do ano.

Uma enquete chegou a ser realizada no site da prefeitura, mas para o Ministério Público (MP-RO) e o Ministério Público Federal (MPF), ela não esclarecia bem a questão, e era tendenciosa. Com o anúncio da censura das páginas, os órgãos processaram o prefeito por improbidade administrativa.

Uma decisão da Justiça Federal de Rondônia chegou a arquivar o processo contra o prefeito e os vereadores, mas o MP-RO recorreu e o Tribunal Regional Federal (TRF1) determinou a retomada do processo.

O MPF alega que os livros são importantes na busca da construção de uma sociedade livre e solidária, voltada promoção do bem de todos, sem preconceitos.

Professor de português se veste de drag queen para dar aula no Paraná

0
Variedade de gêneros foi debatida com alunos de um curso pré-vestibular em Cascavel com a drag Sofia Ariel, personagem do professor Jonathan Chasko (Foto: Jonathan Chasko/Arquivo Pessoal)

Variedade de gêneros foi debatida com alunos de um curso pré-vestibular em Cascavel com a drag Sofia Ariel, personagem do professor Jonathan Chasko (Foto: Jonathan Chasko/Arquivo Pessoal)

 

Para falar sobre os artigos definidos e indefinidos, professor surpreendeu.
‘É preciso repensar a educação tradicional’, sugere Jonathan Chasko.

Fabiula Wurmeister, no G1

Alunos de um curso pré-vestibular oferecido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) em Cascavel tiveram uma surpresa em uma das aulas ministradas pelo professor de português Jonathan Chasko. Para falar sobre os artigos definidos e indefinidos – o, a, um, uma – e relacioná-los à discussão sobre gênero, sexo, identidade e diversidade, quem conduziu a aula foi a drag queen Sofia Ariel, personagem interpretada profissionalmente por Jonathan desde o ano passado.

“No começo, quando me viram entrar na sala como uma drag, os alunos se mostraram mais resistentes. Mas, com o passar do tempo eles foram se interessando, fazendo perguntas, tentando se inteirar e tentar entender o que estava sendo apresentado. Foi bastante interessante e gratificante”, lembra o professor, que é homossexual e escolheu o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia para abordar o assunto com os estudantes.

Segundo o professor, Sofia Ariel deve voltar às aulas em outras oportunidades (Foto: Jonathan Chasko/Arquivo Pessoal)

Segundo o professor, Sofia Ariel deve voltar às aulas em outras oportunidades (Foto: Jonathan Chasko/Arquivo Pessoal)

A ideia, lembra, era usar o tema da aula para falar da luta contra a homofobia e explicar que existem diferentes manifestações de sexualidade.

“Vi uma oportunidade de trazer para a sala uma manifestação artística cultural que está em outros espaços e que seria interessante os alunos conhecerem para saber como a homofobia se dá, quem é o público alvo, como os homossexuais se organizam e como a cultura drag representa esse movimento”, explicou Jonathan.

“Procuro fazer uma analogia com o navio Titanic e o iceberg que o levou a afundar. Tudo o que a gente vê e ouve falar sobre esses temas é só a superfície do iceberg. Embaixo, existe muito mais coisas, um contexto. E, curiosamente, foi a parte submersa que furou o casco do Titanic”, compara.

“Falo para os meus alunos não serem o Titanic, para não se deixarem levar só por aquilo que estão vendo e no final ‘afundar’, serem prejudicados ou vencidos por aquilo que eles não estão vendo”, completa.

Educação
Para Jonathan, é função primordial do professor preparar o aluno para pensar e formar opiniões diversas, sem preconceitos, enxergando e respeitando as minorias. A iniciativa de tratar as diferenças de gênero, pela primeira vez com a ajuda da personagem Sofia Ariel, promete se repetir. O objetivo ao discutir assuntos polêmicos e de uma forma diferente, diz, é uma alternativa de mostrar aos alunos que há muito mais maneiras de abordar e pensar em um assunto que apenas o tradicional.

E, isso pode ser atrelado ao conteúdo formal, mas com cuidado e ponderadamente, para que estas opções de ensino não sejam banalizadas. “O lúdico, no entanto, não pode ser usado como pretexto. Apesar de qualquer terma poder ser abordado assim, não significa que sempre deve ser assim, para que o aluno não se acostume a tudo ser tratado como um joguinho, uma brincadeira”, observa.

O aluno, aponta, muitas vezes não entende para que serve aquilo que está aprendendo, mas é importante que entenda que aquilo fará parte da formação intelectual do aluno. “Antes de fazermos os alunos pensarem, temos que repensar a própria educação e em modos de fazer com que o que a gente ensina seja aplicável na vida real. Todo professor sabe disso, mas nem sempre tem condições de aplicar.”

O cursinho pré-vestibular da Unioeste é administrado pelos acadêmicos de vários cursos que se propõe a ministrar as aulas preparatórias, sempre com a aprovação do Núcleo de Estudos Interdisciplinares (NEI). Procurada pelo G1, a universidade não quis se manifestar sobre o assunto.

Escola do interior do Ceará adota respeito à diversidade como disciplina em sala de aula

0

A Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, foi credenciada pelo MEC como instituição que promoveu criatividade na grade curricular

Publicado na Tribuna do Ceará

Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria (FOTO: Divulgação)

Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria (FOTO: Divulgação)

 

De acordo com a Constituição Federal Brasileira, a educação é um direito de todos. É nessa perspectiva que há dois anos a Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, a 220 km de Fortaleza, inseriu em sua grade curricular o respeito à diversidade como disciplina fundamental para os alunos do ensino médio da instituição.

Ensinar adolescentes sobre diversidade sexual, cultural e religiosa pode ser sim uma alternativa para melhorar o convívio social. Mesmo que para alguns abordar o tema na escola ainda seja inadequado, a ideia vem dando certo e garantindo o bom relacionamento entre os alunos.

Segundo a diretora do colégio Edna Torres, a intenção é preparar o jovem para além do vestibular. “Desde 2014 estamos trabalhando esta questão de diversidade dentro e fora da sala de aula. Semanalmente nós realizamos projetos de inclusão como forma de preparar os jovens para as diversidades que eles vão encontrar na vida”, diz a diretora.

O projeto, intitulado como Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS), permite um melhor convívio entre os adolescentes. Nesse conceito, os alunos são incentivados a apresentar trabalhos sobre as diversas religiões e falar sobre o tema dentro de sala de aula. “Independente da escolha sexual ou religiosa todos nós temos que entender que são pessoas comuns. Então, debatemos críticas sociais de forma a educar pais, alunos, professores e moradores do município a terem um melhor convívio. Os alunos perderam a vergonha de mostrar realmente que são”, afirmou Edna Torres.

Para a aluna Ana Beatriz, do 3º ano do ensino médio, a ideia aproximou todos aqueles que frequentam a escola. “Começamos a nos conhecer melhor, a nos relacionar melhor e aprender mais um com o outro. E isso foi importante para o desenvolvimento de todos os alunos. Com esse projeto, não vemos mais casos de bullying ou falta de respeito entre os alunos. Sabemos que somos todos iguais”, ressalta a estudante, que pretende ser professora de português.

Além das aulas preparatórias para o vestibular, os alunos são condicionados a discutirem assuntos relacionados ao respeito fora de sala de aula. Pelo menos uma vez por semana, os jovens vão em comunidades próximas à escola para difundir um tema abordado pelos professores.

“Semanalmente um tema é escolhido para ser debatido fora da escola. Por exemplo, na última semana escolhemos amizade como tema. A partir disso, os alunos colhem leituras, vídeos, imagens e todo tipo de material que fale sobre isso e vão ensinar à comunidade próxima as maneiras que eles devem adotar para conseguir um bom relacionamento tomando como base a amizade”, conclui Edna.

Reconhecimento

Para ingressar o novo conteúdo, professores e coordenadores se reuniram durante todo o ano de 2013 para elaborar formas de explorar a disciplina. Mesmo com pouco tempo de funcionamento, a novidade já causou interesse. No ano passado, a escola foi selecionada pelo Ministério da Educação como uma das 178 instituições que promoveram a invenção e criatividade na grade curricular. Ao todo, 600 escolas de todos os municípios do Brasil concorrem a esse incentivo.

Para a Edna Torres, o projeto atingiu até os pais dos alunos. “O projeto foi bem aceito tanto pelos próprios alunos quanto pelos pais. Os pais dos jovens incentivam o resto da comunidade a respeitar mais, a ser mais sociável e adquirir um bom convívio entre todos. Então, foi um projeto pequeno que está ganhando um bom crescimento”.

Go to Top