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Posts tagged diversidade

Dez livros que celebram a diversidade

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Top Ten Tuesday: Dez livros que celebram a diversidade

Karen, no Por essas páginas

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Escolhi o Top Ten Tuesday de hoje pra mim porque adorei o tema e acredito que já li muitos livros que se enquadram aqui. Teve até uma Sexta do Sebo que pedi pra vocês falarem sobre isso, diversidade, seja ela de gênero, raça, credo, orientação sexual. E é disso que venho falar aqui hoje: estendam suas bandeiras coloridas, vamos falar de diversidade na literatura! <3

Lembrando que o Top Ten Tuesday é uma iniciativa do blog The Broke and the Bookish!

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Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, Benjamin Alire Sáenz
Começando por um livro que eu simplesmente AMO! Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo fala de homossexualidade de maneira gradual e sensível, tanto que você só se dá conta disso depois de várias páginas lidas. O livro fala, antes de tudo, da amizade emocionante entre esses dois garotos, que além de amigos, também descobrem se amar de outra maneira. É um livro belíssimo e se você não leu, precisa! Leia a resenha.

Apagão Extra – Ligação Direta (quadrinho), Raphael Fernandes e Camaleão
Li essa HQ há alguns dias e ela foi sensacional (preciso trazer a resenha aqui pra vocês). A história se passa em uma São Paulo pós-apocalíptica, e qual foi o apocalipse? Falta de luz. Um apagão misterioso. O protagonista é um jovem negro que arrisca a vida para encontrar um motor de automóvel para tentar salvar a vida de seu mentor. Incrível. Saiba mais.

Uma História de Amor e TOC, Corey Ann Haydu
Esse foi um romance que me surpreendeu de maneira muito positiva. Uma História de Amor e TOC tem como protagonistas dois adolescentes que se conhecem e se apaixonam, exatamente, por possuírem TOC e estarem se tratando. E a gente sabe que há muito preconceito com esse transtorno. Não apenas o romance, mas todo o desenvolvimento desse livro é emocionante. Resenha aqui.

Will & Will – Um Nome, Um Destino, John Green e David Levithan
Em um post de diversidade não poderia faltar David Levithan, certo? O autor sempre toca nesse tema, e sempre de maneira sublime e delicada. Esse foi o primeiro livro que li dele, em parceria com o John Green, e adorei. O livro vai além e discute a homossexualidade na família, na escola e até entre com os amigos. Um livro sensível e imperdível. Leia a resenha.

Brilho/Centelha (série Em Busca de um Novo Mundo), Amy Kathleen Ryan
No espaço, em uma ficção científica, um Young Adult distópico, há lugar para discutir religião? Sim, há, e esse é só um dos motivos pelos quais essa série é brilhante. Sem doutrinações, há uma bela discussão, do ponto de vista moral e científico, a respeito de religião e ateísmo aqui. E seja você religioso ou ateu, tenho certeza que vai pender entre os dois lados nesse livro, afinal, nada é preto no branco. Leia as resenhas: Brilho/Centelha.

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Proibido, Tabitha Suzuma
Apesar de não ter gostado desse livro por vários motivos, foi exatamente a diversidade do seu tema que me fez lê-lo – e o que eu gostei nele. Proibido se trata do amor entre dois irmãos que, como já diz o título, é proibido. É uma pena que o livro tenha sido mal conduzido, porque o tema é delicado e original; mas como eu fui uma das poucas pessoas a terem essa opinião, tirem suas próprias conclusões! Resenha.

Todo Dia, David Levithan
Como não poderia deixar de ser… mais David Levithan nesse post! Todo Dia fala de A, @ [email protected] que todo dia acorda em um corpo diferente, mas sempre acompanhando a sua idade: garoto, garota, não importa. A se apaixona por uma garota, mas a gente nunca sabe se A é um menino ou uma menina. E isso importa? Aqui, o autor aborda metaforicamente a diversidade de várias maneiras: na assexualidade, na transexualidade, na homossexualidade e muito mais. Leia a resenha.

Menino de Ouro, Abigail Tarttelin
Esse livro brilhante fala sobre um tema muito pouco conhecido e menos ainda abordado: a intersexualidade. O protagonista aqui é um garoto, uma garota, os dois e nenhum deles. Complicado, não? Mas a autora consegue abordar um tema extremamente delicado com sensibilidade e ternura, além de total domínio tanto do tema quanto de seus personagens. Uma das coisas mais interessantes é que o livro não se atém apenas ao protagonista, mas sim a toda sua família e círculo de convivência. Todo mundo deveria ler. Resenha.

Passarinha, Kathryn Erskine
Esse livro é uma obra-prima. Passarinha fala sobre a Síndrome de Asperger sob a ótica da própria Caitlin, portadora dela. É um dos livros mais originais e bem escritos que já li. E é de chorar, muito. Instrutivo sem ser pretensioso, emocionante sem ser piegas, é uma obra inesquecível. Leia a resenha.

Boy’s Love – Sem preconceitos, sem limites (coletânea de contos), org. Tanko Chan
Nada melhor pra finalizar que uma coletânea que aborda, desde sua chamada até o lançamento, a diversidade. Nessa antologia, organizada por Tanko Chan, o tema é Boy’s Love com um toque mais picante, ou seja, o tal lemon. As histórias vão além do romance entre garotos, abordando tramas de fantasia, aventura, ficção científica e drama, todos com algum (ou muito) sexo. Orgulhosamente estou nessa obra com o conto “O Sentimento“, ao lado de grandes autores. Foi o primeiro conto homossexual que escrevi e adorei, apesar de ter ficado com o coração pesado, já que minha história abordou a homofobia. Além disso, Bruno, o protagonista, é negro, e também sofre com o racismo. Saiba mais.

‘A revolução na educação passa pelo conhecimento do próprio ser humano’, diz Edgar Morin

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Filósofo francês defendeu a integração disciplinar em uma das mais esperadas palestras do seminário Educação 360

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Por Leonardo Vieira, O Globo

RIO – “As escolas de hoje não ensinam sobre a diversidade do ser humano”. Com essas palavras, o filósofo e antropólogo francês Edgar Morin abriu neste sábado uma das mais concorridas palestras do encontro internacional Educação 360, evento promovido pelos jornais O GLOBO e “Extra”, em parceria com Sesc, Prefeitura do Rio, Fundação Getúlio Vargas e apoio do Canal Futura.

As cerca de 600 pessoas que lotaram o auditório na Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, ouviram as críticas de Morin ao atual modelo de ensino no mundo, que segundo ele, se especializou em fornecer conhecimentos fragmentados. De acordo com o pensador, a escola não atende mais às necessidades vitais do cidadão, que passariam por um aprendizado integrado e observando todos os aspectos da realidade humana:

– Aprendemos na escola muitos conceitos, muitos conhecimentos, mas todos dispersos. Precisamos desenvolver um modelo educacional que ligue esses conhecimentos, que lhes coloque em perspectiva. As escolas acumularam saberes, mas não são capazes de organizá-los.

Morin era um dos palestrantes mais aguardados do seminário Educação 360, que começou na sexta e termina neste sábado, com a palestra do presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Francisco Soares.O filósofo francês conquistou a plateia logo de início, quando arriscou poucas palavras em português dizendo que não ousaria falar durante toda a conferência na língua de Camões, já que isso só seria possível se ele tomasse “algumas caipirinhas”.

Já em excelente francês, Morin pregou que a verdadeira reforma educacional no mundo só será possível assim que os currículos das diversas disciplinas se preocupassem em pensar conjuntamente o ser humano. – Há uma realidade mutilada de nós mesmos, fatiada. Nas aulas de Biologia, eu conheço nosso organismo. Na de economia, somos traduzidos apenas em números frios. Em ciências humanas, fico sabendo como como agimos em sociedade. Mas há conhecimentos separados de tudo isso, e precisamos integrá-los. O aluno precisa entender que a diversidade é o tesouro da humanidade.

Morin se aprofundou no debate filosófico para defender sua tese. Para ele, é preciso que as questões do “eu” e do “nós” sejam trabalhadas conjuntamente, de forma que a pessoa não seja sufocada pela sociedade. Dissertando sobre a alteridade, o francês afirmou que não só o aluno, mas os cidadãos em geral precisam conhecer e compreender o “outro”. O esforço de a realidade no outro lado deve começar, principalmente, pela batalha do autoconhecimento:

Não ensinamos nem a nos conhecer. As escolas deveriam estimular que alunos escrevessem diários, e depois os lessem com o passar do tempo. E essa prática poderia perpassar ao longo de toda a educação básica. Só conhecendo nossas fraquezas é que conhecemos também as fraquezas dos outros, e assim, as compreenderemos.Em cerca de uma hora de discurso, houve espaço também para a introdução de conceitos já defendidos por Morin em seus trabalhos, como por exemplo a “ecologia da ação”. Nela, o aluno precisa estar consciente de que toda decisão é uma aposta, e que somente desenvolvendo estratégias de ação é que seria possível o professor lidar com as incertezas dos estudantes quanto ao futuro. Segundo o pensador, esse seria um dos maiores anseios da sociedade moderna:

– E escola e o conhecimento que ela produz não nos prepara para lidarmos com as incertezas que nos cercam. Professores têm que incutir nos alunos a consciência da tomada de ação.A plateia também participou do debate. No momento em que a palestra foi aberta para perguntas, Morin se deparou com questões como o possível conteudismo nos currículos da educação básica, a formação defasada do professor e o dilema entre integrar o conhecimento no ensino fundamental e médio, e lidar no final do ciclo com a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que também pecaria pelo excesso no foco em conteúdo.

– Também acho que todos esses problemas estejam acontecendo. Concordo com tudo isso. Mas esse fenômeno acontece também porque os professores se retraíram em suas próprias disciplinas, sem dialogar com docentes de outras áreas. O individualismo está exacerbado, e precisamos estimular a solidariedade.

Como lidar com os novos modelos familiares?

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Maria Helena Vilela, Revista Escola

Neste fim de semana surgiu, numa conversa com amigos, o tema das configurações familiares. A filha de uma amiga, de cinco anos, contou que um de seus coleguinhas tinha dois pais. Imediatamente, um dos presentes fez o seguinte comentário:

– Deve ser muito ruim ser filho de um casal gay! Comigo, que sou filho de pais heterossexuais, mas que não se casaram e nem moraram juntos, já foi complicado de lidar com o preconceito e a ignorância das pessoas.

Esse é o ponto: o preconceito. Ainda há pessoas com grande dificuldade em aceitar as novas configurações familiares, como se com isso pudessem eliminar da sociedade o que é diferente do socialmente aceito por eles. Mas o caminho não é esse.

Segundo dados do último censo do IBGE, de 2010, já são mais de 60 mil os casais gays que moram juntos. Porém, as relações homo-afetivas são apenas mais um exemplo dos novos arranjos familiares no Brasil. O modelo de casal heterossexual com seus próprios filhos deixou de ser dominante no país. Pela primeira vez, o levantamento demográfico identificou 19 tipos de laços de parentesco, indicando que os outros tipos de arranjos familiares estão em 50,1% dos lares, entre eles: casais sem filhos, pessoas morando sozinhas, três gerações sob o mesmo teto, casais gays, mães ou pais sozinhos com filhos, amigos morando juntos, netos com avós, irmãos e irmãs, e ainda a nova e famosa família “mosaico”, compostas por pais divorciados que voltam a se casar e vivem com os filhos do antigo casamento na mesma casa. Dados como esse mostram como o conceito de família hoje é muito abrangente. Ficar discutindo com base em conceitos antigos não é apenas improdutivo, é um retrocesso.

Qual é o papel da escola nessa discussão?

A escola pode ajudar muito os alunos e pais a lidar com a diversidade das relações familiares e, principalmente, dar apoio para famílias com uma conformação diferente. Para isso, é fundamental que professores e funcionários estejam convencidos de que todas as relações amorosas são válidas e que qualquer criança quando é amada e cuidada pode ser feliz e saudável, independentemente do tipo de arranjo familiar que ela tenha.

Reações de rejeição e preconceito em virtude de um arranjo familiar pouco convencional pode causar isolamento social, revolta, agressividade e desatenção no aluno. Esses comportamentos dificultam a concentração e a aprendizagem e podem ser considerados um aviso para o professor intervir junto à turma, ou mesmo orientar os pais a buscar apoio especializado.

Para lidar com esse tema com os pais e alunos é preciso que professores e funcionários saibam como tratar a questão. É possível lançar um desafio pedagógico em que os diferentes tipos de família conhecidos pelos professores e funcionários sejam listados e solicitar que eles expliquem, em termos de configuração e modo de agir, o que há de diferente no comportamento dessa família. Essa é uma boa forma de desmistificar os tabus e mostrar que, se bem estruturado, qualquer um dos arranjos familiares apresentados pode contribuir para o desenvolvimento da criança ou jovem. Essa atividade também pode ser proposta para os alunos adolescentes, focando na apresentação das pesquisas realizadas e na valorização do que identificam como importante na convivência em casa, deixando claro que o apoio da família pode existir independentemente da forma como elas se configuram.

Para o trabalho com os familiares, sugiro que, após esse desafio com os professores, a escola faça uma palestra para falar sobre os novos arranjos familiares e fazer uma roda de conversa sobre o assunto, aproveitando, se o clima da conversa for de respeito à diversidade, para mostrar os tipos de família que existem na escola.

Já com os alunos pequenos, a melhor maneira é apresentar o assunto de forma natural e sem muitos detalhes. A criança consegue compreender que ele tem um pai e uma mãe, seu amigo tem dois pais, sua amiga duas mães, o outro coleguinha é criado pela vó, compreendendo que existem outras formas de família além da que ela participa.

Muitas escolas já incluem o tema “família” dentro de suas grades curriculares. Nesse caso, é só buscar uma forma dinâmica de conversar com os alunos: colagem de fotografias ou desenhos dos familiares para montar a árvore da família, além de outras formas de expressão em que as famílias sejam apresentadas e os alunos possam mostrar o que mais gostam na convivência familiar.

Gostei muito de um caso que encontrei na internet, em que a escola sugeriu a um aluno filho de pais gays que ele convidasse amiguinhos para frequentarem sua casa com o intuito de notarem que não existia diferença, a não ser o fato de que ele tinha dois pais. Para isso, a escola teve o cuidado de indicar uma família mais flexível e que lidava de forma aberta com o assunto. A conclusão da coordenadora pedagógica que trouxe a proposta foi de que, apesar de não ser uma questão fácil de ser trabalhada, é possível a escola ajudar a desenvolvê-la.

A equação da Livraria Cultura

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O CEO Sergio Herz: o desafio é expandir a rede física e se defender da concorrência digital ( foto: Kelsen Fernandes)

O CEO Sergio Herz: o desafio é expandir a rede física e se defender da concorrência digital ( foto: Kelsen Fernandes)

A rede controlada pela família Herz, que espera faturar mais de R$ 500 milhões, nunca vendeu tantos livros como agora. O segredo do negócio está na diversificação

Fabrício Bernardes, na Isto É Dinheiro
O movimento logo na entrada da matriz da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional – localizada na Paulista, a avenida mais importante de São Paulo –, não justifica o olhar sério, sem um vestígio de sorriso nos lábios, do empresário paulistano Sergio Herz, 43 anos. Herdeiro de uma das maiores redes de livrarias do Brasil, fundada por sua avó paterna, Eva Herz, no imediato pós-guerra na segunda metade dos anos 1940, ele está, na verdade, comemorando o final de um semestre em que a Livraria Cultura nunca faturou tanto em sua história.

“Até o fim do ano, 20 milhões de pessoas terão passado em nossas 19 lojas espalhadas pelo Brasil e 60 milhões de internautas terão visitado nosso site”, diz Herz. “Espero fechar o ano faturando R$ 520 milhões”, afirma o executivo. Se a estimativa estiver correta, as receitas de 2014 devem ser 15% maiores do que as do ano passado. Por trás desses números está uma estratégia de diversificação na qual Herz tem investido pesado, desde 2012, quando assumiu o comando, no lugar do pai, Pedro Herz, responsável pela cultura da rede, hoje no conselho de administração.

“Não vendemos somente livros”, afirma. “Proporcionamos experiências.” Quem visita a loja do Conjunto Nacional pode assistir a uma peça de teatro, ir ao cinema, comprar tablets, câmeras fotográficas estilo Polaroid, discos de vinil, capinhas para celular, tomar um café espresso, ver bonecos de super-heróis em miniatura e até dar de cara com o ator Dan Stulbach antes ou depois das gravações – no teatro dentro da loja – do seu programa de rádio semanal. A lista é extensa. “Nossas lojas físicas têm uma estratégia parecida com a do Starbucks”, diz Herz, referindo-se a uma tática de posicionamento que os americanos chamam de “third place” (terceiro lugar, em português).

“A ideia é de que o cliente considere a Livraria Cultura como um terceiro lugar para frequentar, além de sua casa e de seu trabalho.” Não é preciso estudar muito o modelo de negócio da Livraria Cultura para perceber que quem frequenta o local não está lá apenas para comprar livros. Tem gente passeando, comendo, escutando CDs, papeando, azarando e até sentada no chão. Em lojas como a do Shopping Iguatemi, em São Paulo, o cliente também pode fazer cursos de gastronomia, de design de jogos, de autopublicação em quadrinhos, de teatro e de canto.

“Queremos agrupar o máximo de atividades culturais em nossas lojas físicas”, diz Herz. “Houve um casal que se conheceu na unidade da Paulista e depois pediu para se casar lá. Eu deixei.” As inovações não param. Até o final do ano, a loja do Iguatemi receberá mais um reforço – o restaurante Maní, da gaúcha Helena Rizzo, considerada pela revista britânica Restaurant a melhor chef do mundo. “Gastronomia também é cultura”, diz Herz. Loja eletrônica, a livraria também tem. Mas a estratégia online é completamente diferente.

“Lá temos de competir com gigantes, como a Amazon e o Ebay”, diz Herz, que investiu R$ 8 milhões numa plataforma própria de e-commerce criada pela Oracle. “O caminho é a customização, ou seja, um site para cada cliente”, diz Herz. “Por isso, a plataforma vai trabalhar com big data para ofertar o produto certo.” À primeira vista, a empolgação de Herz poderia parecer exagerada diante da situação do mercado varejista de livros nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a maior rede de livros do país, a Barnes and Noble, fechou 63 unidades nos últimos seis anos.

Sua maior concorrente, a Borders, encerrou suas operações em 2011. “É sinal de que o digital veio para ficar”, diz Herz. “É provável que a Livraria Cultura não se sustente só vendendo livros.” A diversificação, que não foi seguida por muitas das redes debilitadas, revelou-se crucial para as lojas físicas. “São nove milhões de produtos que a rede oferece”, diz Herz. “Dá para ganhar dinheiro com essas mercadorias no físico e no virtual.” Por enquanto, as lojas físicas têm dado muito mais frutos. Elas representaram 75% dos R$ 450 milhões faturados pela Cultura no ano passado.

O desafio, segundo Herz, é dimensionar o número de livrarias que a rede pode manter sem operar com prejuízo, em razão da concorrência digital. “É uma conta que o mercado ainda não sabe fazer”, diz Herz. Essa é a principal razão que levou a Livraria Cultura a suspender a inauguração de novas lojas neste ano. “Para o futuro, a meta é aprimorar nossa plataforma digital e monetizar ao máximo a diversificação das nossas lojas, e mais nada.” Por enquanto, a rede fica na matemática do primeiro grau. Resolve sua equação com uma fórmula antiga do varejo: a diversificação. Para Herz, porém, há uma incógnita, nesse exercício: a sucessão na Livraria. “Não faço nem ideia de quem vou escolher para me substituir.”

Especialistas comprovam que pessoas mais educadas discriminam menos

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Alfredo Dillon

A educação nos torna mais tolerantes e diminui a discriminação. A conclusão surge de um relatório recente da Unesco, cujas conclusões mostram que na Argentina e na América Latina, as pessoas com o colegial completo têm menos probabilidade de expressar intolerância em relação a homossexuais, pessoas com HIV ou imigrantes, do que quem só terminou o primário.

Um exemplo: na América Latina, a probabilidade de que pessoas com educação de ensino médio discriminem pessoas de outra raça é 47% menor que a daquelas que só completaram o nível primário. Para o caso argentino, a Unesco concluiu que a possibilidade de que pessoas com ensino médio completo discriminem homossexuais é 21% menor do que entre aqueles que têm só o primário completo.

Paradoxalmente, na Argentina a escola é um dos espaços onde mais se discrimina, só superado pelo lugar de trabalho. Em 2013, de acordo com os dados do Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo da Argentina (INADI), 11,5% das denúncias por discriminação se originaram em âmbitos educativos. Mas isso é apenas um reflexo do que acontece fora das salas de aulas: em uma pesquisa de abrangência nacional, o INADI verificou que 85% dos argentinos acreditam que na Argentina “se discrimina muito ou bastante”. O número é ainda mais alto entre os jovens: 90% consideram que a discriminação é um problema importante na Argentina.

A intolerância nas salas de aula pode se expressar em forma de bullying (assédio entre colegas), mas também como maltrato entre professores e alunos, ou de um professor a outro. Segundo os dados do INADI, os tipos de discriminação mais comuns no ambiente educativo são os relacionados à situação socioeconômica, ao aspecto físico e à cor da pele. Na Grande Buenos Aires, a nacionalidade também é um fator de peso.

Quando devem explicar as causas da discriminação 65% dos argentinos respondem que é um problema de “falta de educação”. Diante deste panorama, a pesquisa da Unesco marca que a escola tem um grande potencial para transformar esses estigmas que circulam na sociedade e ensinar os alunos a valorizar a diferença.

Os especialistas advertem que é fundamental começar esse trabalho no jardim da infância. Ali, o olhar do docente tem uma influência crucial: “É fundamental que as professoras prestem atenção nas brincadeiras das crianças e a redirecionem em casos de discriminação, exclusão ou maltrato. Deverão prestar atenção nos papeis que as crianças assumem e oferecer oportunidades de conhecer o outro, de ser empático, de escutar histórias, modelos familiares, origens e crenças diferentes”, afirma a psicopedagoga María Zysman, diretora de Livres de Bullying.

Na escola se aprende muito mais do que Matemática e Língua: as salas de aula também ensinam valores e atitudes que podem transformar as relações sociais. “A educação para a paz, a convivência democrática e os direitos humanos, contribuem para que as pessoas percebam a ampla diversidade do mundo e que, ao invés de se sentirem ameaçados por ela, abram suas mentes e espíritos para valorizar a contribuição que significa conhecer e conviver com diversas visões de mundo”, explicou Victoria Valenzuela, da Unesco, ao Clarín.

Se a premissa da discriminação é o medo do diferente, o conhecimento é a ferramenta mais contundente para desmontar esse temor, muitas vezes baseado na ignorância. A escola parece ser o melhor lugar para contrapor os preconceitos que as crianças podem trazer de suas casas. “É fundamental incorporar esses assuntos desde a primeira infância e trabalhar com as famílias, já que muitas vezes são os adultos do ambiente familiar de cada criança que vão inculcando o ódio e a estigmatização em relação àqueles que são percebidos como diferentes”, afirmou Valenzuela.

Os especialistas concordam que essa tarefa é central e deve fazer parte de todo o trabalho escolar. “A discriminação não se previne com aulas especiais referidas ao assunto, mas com um trabalho diário coordenado entre professores, autoridades e famílias”, diz Zysman.

“Ao fomentar a tolerância, a educação gera valores, atitudes e normas que melhoram a confiança interpessoal e o compromisso cívico, que são os pilares da democracia”, diz o relatório. O estudo afirma que cada ano de escolarização aumenta a probabilidade de os alunos confiarem nas pessoas. Uma sociedade mais educada terá melhores níveis de convivência e, assim, poderá construir uma democracia mais forte.

(Texto originalmente publicado no site do Clarín em português)

Fonte: Uol

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