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Laurentino Gomes conclui a trilogia de livros de história do Brasil de maior sucesso no país

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Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

Como boa parte das fábulas, esta envolve reis e rainhas, príncipes garbosos a cavalo e belas donzelas.

Mas, como nenhuma destas histórias encantadas, esta tem como protagonista um experiente jornalista de Maringá (PR), que se vê tocado pelo condão mágico num estande de um entupido pavilhão do Riocentro, no Rio.

Foi nesse cenário que Laurentino Gomes, 57, viveu seu conto de fada. “Entrei numa livraria na Bienal do Rio e o meu editor disse espantado: o ‘1808’ está vendendo que nem pãozinho quente de manhã na padaria. Observe só.”

Gomes plantou os olhos numa pilha enorme de seus livros, no centro da loja. “Uma atrás da outra as pessoas pegavam um exemplar e iam para o caixa.”

O escritor Laurentino Gomes, autor de '1808' e '1822', sorri para a chegada de '1889' / Eduardo Anizelli/Folhapress

O escritor Laurentino Gomes, autor de ‘1808’ e ‘1822’, sorri para a chegada de ‘1889’ / Eduardo Anizelli/Folhapress

De pé, naquela livraria Saraiva da Bienal, ele decidiu que largaria seu emprego e se dedicaria a este filão.

A história aconteceu há seis anos –e desde então muitos Maracanãs passaram pelos caixas de todo o país. Os dois primeiros livros de Gomes, “1808” e “1822” (lançado em 2010), superaram recentemente os 1,5 milhão de exemplares vendidos.

Nesta segunda-feira, o jornalista paranaense conclui sua trilogia, que já se configura como o maior fenômeno editorial de livros de história do Brasil. Neste dia ele faz, em São Paulo, o primeiro dos 33 lançamentos do seu novo livro já marcados até o Natal deste ano.

“1889”, lançamento da Globo Livros, trata de temas pouco afeitos ao “hit parade” das livrarias: fim da monarquia, abolição da escravatura e começo da República.

Mas a tiragem inicial não faz feio nem para obras de vampiros, romances soft-porns ou histórias de bruxos. Serão 200 mil exemplares, o dobro da primeira fornada de “Harry Potter 3” e mais de seis vezes o número de largada de outra obra bem-sucedida recente sobre a história do Brasil, a biografia “Getúlio”, de Lira Neto.

Mais do que o tema perfeito, Laurentino Gomes parece ter encontrado o tom adequado para abordá-lo.

“Obras como ‘1808’ não trazem nada de novo. Mas Laurentino achou uma maneira muito atraente de apresentar esses episódios da história para o grande público”, opina um dos principais historiadores do país, José Murilo de Carvalho.

“Consolido a bibliografia sobre estes episódios históricos numa visão jornalística, para o leitor não especializado no tema”, corrobora Laurentino Gomes.

No terceiro livro, ele lança mão mais uma vez (e garante que será a última) de uma de suas armas secretas: a fórmula de usar como título um ano emblemático da história do país, que aparece em letras enormes na capa, e um subtítulo longo e bem-humorado que resume os principais fatos a serem descritos.

O subtítulo de “1889” é: “Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.

Os personagens (por ordem de aparição) são d. Pedro 2º, marechal Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Tal como nos best-sellers anteriores, Gomes colore a trajetória deles com um farto repertório de histórias pitorescas (veja abaixo).

Algumas são puros gracejos, mas outras revelam características centrais da história política nacional.

Numa carta a um sobrinho, escrita um ano antes que ele liderasse a derrubada do império, o grande herói republicano, o alagoano Deodoro da Fonseca, dizia o seguinte: “República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia”.

MUSA DA REPÚBLICA

Gomes diz que mesmo quando liderou o grupo de militares que depuseram o governo de d. Pedro 2º, no 15 de novembro de 1889, Deodoro, primeiro presidente do país, ainda não tinha clareza se era a favor da República.

“Como outros episódios decisivos de nossa história, este envolveu uma mulher”, brinca o autor.

Anos antes, Deodoro havia se encantado pela donzela gaúcha Maria Adelaide Andrade Neves, a baronesa do Triunfo. Mas ela preferiu os atributos de Gaspar Silveira Martins, político que virou inimigo do militar.

“Deodoro só optou pela República na madrugada do dia 16, quando ele soube que d. Pedro havia chamado Silveira Martins para substituir o ministro recém-deposto”, diz.

Como sublinha enfaticamente em seu livro, a República brasileira foi anunciada com status de um regime “provisório”.

E o primeiro governo, também provisório, foi decidido no Instituto dos Meninos Cegos, instituição no Rio que era presidida pelo professor Benjamin Constant.

“As manifestações recentes no país estão ligadas a isso. Quando foi criada a República não se discutiu as regras do jogo republicano. Isso só começou a ser feito há um par de décadas”, afirma Gomes.

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A TRILOGIA

‘1808 – Como uma Rainha Louca, um Príncipe Medroso e uma Corte Corrupta Enganaram Napoleão e Mudaram a História de Portugal e do Brasil’ (2007)
Editora Planeta
Prêmios Jabuti de Livro Reportagem e Jabuti de Livro do Ano 2008; Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras
Vendas mais de 1 milhão de exemplares

1822 – Como um Homem Sábio, uma Princesa Triste e um Escocês Louco por Dinheiro Ajudaram D. Pedro a Criar o Brasil – um País Que Tinha Tudo para Dar Errado’ (2010)
Editora Nova Fronteira
Prêmios Jabuti de Livro do Ano 2011
Vendas 527 mil exemplares

1889 – Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil’
Editora Globo Livros
Quanto R$ 44,90 (416 págs.) e R$ 26,91 (e-book)
Lançamento segunda, às 18h30, na Livraria Cultura (av. Paulista, 2073, tel. 0/xx/11/3170-4033)

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A HISTÓRIA DO BRASIL PELO MÉTODO CURIOSO
Alguns episódios pitorescos descritos em “1889”

CAVALO DADO
O primeiro beneficiário da República do Brasil foi um cavalo. Usado pelo marechal Deodoro da Fonseca na madrugada da proclamação da República, o animal foi depois “aposentado do serviço militar por serviços relevantes prestados ao novo regime”

ORA, POMBAS
Banido do país que governou por 49 anos, três meses e 22 dias, d. Pedro 2º estava em alto mar quando viu a última porção de terra nacional. Ele escreveu num papel “Saudades do Brasil”, atado às pernas de um pombo-correio. A ave voou alguns metros e caiu em seguida no mar

NASCE UMA ESTRELA
Quando o Império caiu, o neto de d. Pedro 2º, príncipe d. Augusto, estava em um navio, em uma viagem de volta ao mundo. O comandante recebeu ordens de que a bandeira deveria ser alterada. Como não havia ainda o novo desenho, o telegrama mandava que sobre a Coroa imperial fosse costurada uma estrela vermelha. E assim foi

No país, 18% dos alunos estudam em escolas situadas em áreas de risco

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Pesquisa do IBGE com estudantes do 9º ano do ensino fundamental revela que 12% deles deixaram de ir à aula por medo da violência
Em 2012, 1 em cada 5 adolescentes admitiu ter praticado bullying contra o colega
Dos entrevistados, 10,6% declararam ter sofrido agressão física por um adulto da família

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Publicado em O Globo

RIO – A violência está dentro de casa, no trajeto de ida e volta às aulas, no ambiente escolar. É o que relatam estudantes brasileiros do último ano do ensino fundamental que participaram de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2012 e divulgada nesta quarta-feira, 19. Eles são adolescentes, em sua maioria (86%) estão na faixa de 13 a 15 anos, mas muitos já vivenciaram os transtornos causados pela insegurança. Para fugir dela, por exemplo, ao longo do ano passado, 12,1% dos alunos deixaram de frequentar aula, receosos dos riscos existentes no caminho entre a casa e a escola e até mesmo dentro da própria instituição de ensino.

– A pesquisa é um retrato bastante fidedigno do nosso jovem de 13 a 15 anos. Traz fatores de risco de proteção desse adolescente. Se levarmos em conta que esses riscos são cumulativos ao longo da vida, como o tabagismo e o sedentarismo, isso traz um impacto muito grande para a saúde – observou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, na cerimônia de lançamento da publicação, nesta quarta-feira, 19.

O levantamento mostra que, pelo menos em relação à insegurança, a rotina pode ser bem pior para os alunos de escola pública. A proporção dos que deixaram de ir à aula no ano passado por temerem episódios violentos no percurso ou dentro da escola foi, respectivamente, de 9,5% e 9,1%, praticamente o dobro da registrada entres alunos de instituições particulares (5% e 4,4%).Realizada, pela primeira vez, em 2009, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2012, feita em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, traz dados de 109 mil estudantes de 2.842 escolas de todo o país relacionados a fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes brasileiros. Nesta segunda edição, o levantamento traz também informações para o conjunto do país e para as cinco grandes regiões – anteriormente, limitavam-se às capitais e ao Distrito Federal. A amostra incluiu escolas com mais de 15 alunos matriculados, em turmas regulares.Para identificar a situação dos escolares, o IBGE usou um método pouco usual: um questionário eletrônico respondido, em um smartphone, pelos próprios entrevistados, sem interferência dos pesquisadores do instituto.

– É uma pesquisa bastante inovadora no Brasil e no IBGE por conta deo seu método, pois é respondida diretamente pelo estudante. Isso dá mais privacidade para o estudante e maio qualidade para o dado – diz o gerente de Estatísticas de Saúde do IBGE, Marco Antônio de Andreazzi, explicando que a escolha dos alunos do 9º ano do ensino fundamental se deu por causa do preparo e da assiduidade dos estudantes. – Nesta faixa, eles já estão mais capacitados cognitivamente para entender as perguntas e tem uma frequência maior na escola do que a registrada no ensino médio.

Assim como os adolescentes, os diretores ou responsáveis pelas escolas foram ouvidos em relação ao mesmo problema. A PeNSE quis saber se a unidade de ensino avaliada estava ou não situada em área considerada de risco de violência, a maior parte do tempo ou todo o período, nos últimos 12 meses, e, diante das respostas, foi possível concluir que 17,9% dos alunos estudavam em instituições dentro deste perfil.

Mais uma vez, o quadro é bem pior para quem estuda na rede pública: 20,4% ante os 5,5% registrados na rede particular. O dado pode ser ainda maior quando a análise recai sobre as capitais. Em Belo Horizonte, praticamente metade dos adolescentes (46,2%) estudavam em unidades construídas em áreas de risco de violência. No Rio, a proporção foi de 11%.

A pesquisa mostra ainda um ligeiro aumento de quem se sentiu vítima de bullying no país, entre 2009 e 2012. A análise dos dados das capitais do país mostra que subiu de 5,4,% para 6,9% a proporção dos que afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações de colegas da escola, nos 30 dias anteriores à entrevista. No dado nacional, o número chega a 7,1%. Já o grupo que admitiu ter zombado ou humilhado algum de seus colegas da escola é bem maior: 20,8%. O dado do Rio superou o indicador nacional e chegou a 22,1%. Vitória, com 27,5%, apresentou situação mais complicada.

Preocupante também são os relatos de envolvimento com armas. Na pesquisa, 6,4% dos estudantes relataram participação em brigas na qual alguma pessoa usou arma de fogo. A proporção subiu para 7,3% quando o instrumento usado foi arma branca. Em ambas as situações, a proporção foi bem maior entre os meninos.

A PeNSE mostrou que, se fora de casa os riscos podem ser grandes, o ambiente familiar nem sempre é garantia de acolhida. Que o digam os 10,6% de estudantes que declararam ter sofrido agressão física por parte de um adulto da família, nos 30 dias que precederam a pesquisa. Considerando as regiões do país, a maior proporção foi registrada no Sudeste (12%) – no Rio, foi de 11%. No entanto, há capitais de outros regiões com indicadores mais elevados, como Boa Vista (13,9%), Salvador (13,5%) e Recife (13,3%). Há também diferenças por sexo: a proporção de meninas que relataram esste tipo de violência foi maior, 11,5%, do que a registrada entre os meninos (9,6%). A comparação das capitais entre 2009 e 2012 mostra que a proporção aumentou durante este intervalo de tempo: subiu de 9,5% para 11,6%.

A segunda edição da PeNSE, que reúne informações sobre contexto familiar, hábitos alimentares e prática de atividade física, entre outros, trouxe novos temas, como trabalho, saúde mental e prevalência de asma.

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