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Colégios incentivam convívio virtual de alunos e professores

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Docentes e especialista apontam os benefícios e os riscos desta nova interação

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Publicado em O Globo

Bastaram cinco minutos na entrada da escola para o professor Renato Pellizzari ser cercado por alunos. Enquanto uns perguntavam sobre reuniões, outros queriam tirar dúvidas ou ouvir dicas de vestibular. Numa resposta, o docente pediu a uma representante de turma para enviar mensagem via rede social confirmando o horário de uma reunião entre eles e outro professor. Para o coordenador de vestibular do Colégio QI, o uso dessas mídias como extensão da sala de aula é natural e positiva. Torna a comunicação muito mais dinâmica.

— As redes ajudam em muitos aspectos. É evidente que o professor deve tomar cuidado com o que publica para os alunos nas redes. Da mesma forma que ele toma cuidado com o que fala em sala de aula. Cabe ao professor estabelecer um limite — afirma Pellizzari.

Esse limite profissional nem sempre é respeitado. No último dia 27 de setembro, investigações da Controladoria Geral de Minas Gerais terminaram com a exoneração de seis professores da rede estadual acusados de assediar alunas usando redes sociais como o aplicativo de mensagens WhatsApp e o Facebook. Em um caso na cidade de Barbacena, o docente começou a enviar mensagens via WhatsApp com o conteúdo que seria cobrado na prova e, depois, passou a mandar vídeos e fotos pornográficas. Em um episódio em São João Del Rei, o professor usou o Facebook para assediar algumas de suas estudantes.

ORIENTAR É PRECISO

Maus exemplos existem, mas a comunicação via mídias sociais chegou à comunidade escolar para ficar, e pode trazer uma série de vantagens. Dois recentes seminários internacionais de educação no Brasil trouxeram casos sobre o bom uso de redes como o Facebook na prática educacional. Mas especialistas dizem que as escolas precisam orientar essa interação. Alguns colégios assumiram o meio virtual de tal forma que adotaram plataformas como Moodle, Google Escolar e Kahoot, que possibilitam criar ambientes virtuais restritos a uma determinada instituição de ensino. Com elas, professores podem mandar exercício, responder questões e dar dicas. É uma forma de o colégio oficializar a interação virtual, com controle.

A Escola Parque, na Gávea, adotou a plataforma Moodle para que alunos e professores se comuniquem fora da sala. A instituição também utiliza outros aplicativos, como o Kahoot, dentro do colégio. Com o Moodle, um docente pode enviar exercícios para a turma e saber quem viu o trabalho e por quanto tempo o aluno visualizou a tarefa. Ele também responde a eventuais dúvidas on-line. Até mesmo em sala, professores como Igor França usam a ferramenta para criar questionários que são respondidos pelos alunos com seus celulares. As respostas são conferidas pelo docente em tempo real.

— As redes sociais estão aí, e temos que lidar com elas da melhor forma. Gosto de pensar sobre o viés pedagógico. O que elas podem agregar à minha aula? Tem muita coisa que pode ser feita — comenta o professor de Ciências da Escola Parque, que também tem um perfil no Facebook criado só para tirar dúvidas de estudantes.

Igor não apenas permite, ele incentiva o uso de celular dentro de sala. Para o professor, é uma forma de tornar o aprendizado mais interessante. Um dos objetivos aqui é justamente acabar com a ideia de que as novas ferramentas estão restritas ao lazer, à conversa com os amigos. Os resultados desse estímulo podem ser vistos na própria sala. A aluna Clara Sussekind, de 10 anos, mantém um blog sobre sustentabilidade com suas amigas. Sua última postagem foi sobre os perigos dos transgênicos.

— No blog, já teve até gente desconhecida acessando — orgulha-se Clara.

Redes sociais mais populares, como Twitter, Facebook e WhatsApp, também podem ter direcionamento pedagógico. O professor de História Paulo Alexandre Filho, de Recife, explicou a Segunda Guerra Mundial de forma inovadora utilizando a rede de Mark Zuckerberg. Ele criou perfis no site com os nomes dos diferentes personagens do conflito, como o alemão Adolf Hitler e o britânico Winston Churchill. Em seguida, publicou diálogos imaginários entre eles usando gírias contemporâneas. A iniciativa foi um sucesso entre seus estudantes, mas também viralizou por todo o país.

Em redes sociais abertas, porém, alguns cuidados extras são necessários para se manter a comunicação entre alunos e professores dentro dos limites pedagógicos. Para Rosália Duarte, coordenadora de Educação e Mídia da PUC-Rio, o colégio precisa deixar claro se inclui as redes sociais em seu projeto pedagógico e, nesse caso, indicar como deve acontecer esse relação entre seus professores e os alunos.

— O aluno está nas redes sociais, o professor também. Há várias formas de se explorar bem isso. Mas alguns cuidados são necessários. O professor pode, por exemplo, ter dois perfis. Um para uso pessoal e outro para interagir com os seus alunos. Ter cuidado com o que publica também é importante — aconselha Rosália. — Além disso, se a escola adota as mídias sociais como ambiente de diálogo entre aluno e professor fora de sala, deve pagar horas extras, porque é um esforço elaborar questões, tirar dúvidas e dar dicas.

‘COERÊNCIA E BOM SENSO’

Criar perfil exclusivo para conversar com alunos é uma estratégia disseminada entre professores para que vida pessoal e profissional não se confundam diante dos estudantes. Um docente de escola particular de Minas Gerais que não quis se identificar conta que foi orientado pela direção de seu colégio a deletar sua conta no Facebook após um episódio no mínimo desagradável. Ele tinha apenas um perfil, e sua rede de amigos incluía alguns estudantes.

Certa vez, um aluno tirou uma nota baixa em uma prova minha, de Literatura, e os pais foram na escola reclamar. Eles mostraram uma foto publicada no meu perfil em que eu aparecia num bar com amigos, bebendo cerveja, e questionaram: “Que moral esse professor tem para dar nota baixa?”. Na imagem, não havia nem três garrafas na mesa, e eu sequer estava segurando um copo — conta o professor.

Para Renato Pellizzari, do QI, é importante ter coerência e alguns cuidados nesse novo ambiente de interação com os estudantes.

— Não existe mais aquele professor distante do aluno e que detém uma moral só por ser professor. Acho que a rede social humaniza e aproxima o professor dos seus estudantes. Mas é necessário que o profissional tenha coerência e bom senso. Exatamente como é esperado dele dentro da sala de aula — afirma o coordenador.

Vento a favor

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Diminuição da população em idade escolar pode aumentar em 37% os salários dos professores brasileiros até 2025.

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Publicado em O Globo

O Brasil se comprometeu, no Plano Nacional de Educação (PNE), a pagar melhores salários aos seus professores. A meta é que, até 2020, um profissional com nível superior que dê aulas numa das etapas da educação básica receba o mesmo, em média, que os demais profissionais do ensino superior. Trata-se de um dos objetivos do PNE que mais vai demandar recursos públicos. Em 2013, último ano com dados do IBGE disponíveis, ainda estávamos longe de alcançar a meta em todos os níveis da educação básica. Na educação infantil, setor em que os salários eram os mais baixos, a renda média de um professor com carga horária de 40 horas semanais e nível superior completo representava 46% (menos da metade) do verificado para os demais profissionais com diploma universitário. No ensino médio, o quadro era só um pouco melhor: os salários médios dos docentes representavam 68% do registrado nas demais carreiras de ensino superior.

O esforço para cumprir esta meta não será simples, mas, também neste caso, ao menos um fator jogará a favor: a população em idade escolar está em queda. No livro “Professores Excelentes”, cuja edição em português foi lançada recentemente no Brasil pelo Banco Mundial, os pesquisadores Barbara Bruns e Javier Luque calculam, para dez países da América Latina e Caribe, qual seria o possível impacto da redução do número de alunos nos salários docentes. O raciocínio é que, com menos crianças e jovens, haverá também menor necessidade de professores para atender a demanda. Com isso, será possível pagar melhor aqueles que estiverem na profissão em 2025.

Mesmo considerando que o Brasil ainda precisa elevar a taxa de matrícula na educação básica, seria possível, segundo a estimativa, aumentar em 37% o salário médio dos professores. Entre dez países para o qual o cálculo foi feito, apenas o Uruguai terá situação ainda mais favorável: lá, o aumento salarial pode chegar a 65%, pois a queda projetada da população jovem até 2025 é ainda maior. Outros países da América Latina e Caribe teriam ganhos menores (ou nulos) porque sua população jovem cai em ritmo menos intenso, ou por causa de uma proporção maior de crianças ainda fora da escola.

Esta conta, no entanto, considera que os países terão que fazer escolhas. Esses percentuais só se aplicam no caso de a relação de alunos por professor se manter estável. O tamanho ideal de uma turma é um dos temas mais debatidos — e menos consensuais — na literatura acadêmica. Há pouca discordância, no entanto, de que salas de aula com mais de 40 alunos são certamente problemáticas, ainda mais num país onde os professores reportam altos níveis de indisciplina (No Brasil, a média no ensino fundamental é de 29 alunos por professor, mas há grande variação entre estados e escolas). O que gera mais controvérsia é a estimativa da melhoria da qualidade do ensino caso haja uma redução, por exemplo, de 30 para 20 alunos por turma. Isto teria certamente um custo alto, e, segundo os autores do livro, um impacto bem menor no aprendizado.

Seria, segundo eles, mais eficiente usar os recursos para aumentar o salário dos professores. Os ganhos dessa política certamente não seriam imediatos, já que o salário do professor tem pouca correlação, no curto prazo, com o desempenho dos alunos. O principal argumento é o de elevar o prestígio da carreira docente, ajudando assim a atrair mais profissionais qualificados e elevando o grau de exigência acadêmica para quem pretende entrar na profissão. É esta a lição dos países com melhor desempenho educacional.

Professores defendem maior formação para educação de qualidade, mostra estudo

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Levantamento mostra que 80% dos professores acreditam que ter formação específica para orientar o trabalho a partir das avaliações externas inluencia positivamente a educação em escolas públicas

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Publicado em Administradores

Estudantes que não aprendem o adequado em matemática ou em português é o que se percebe ano após ano, quando são divulgados os resultados de avaliações como a Prova Brasil. Mas o que pensam os professores de escolas públicas? Uma pesquisa inédita da Fundação Lemann em parceria com a Instituto Paulo Montenegro e o Ibope Inteligência mostra que os professores consideram positivas as avaliações externas e defendem a formação para melhorar o trabalho em sala de aula. Muitos dizem que não são consultados na hora de implementar programas ou políticas nas escolas.

O levantamento mostra que 80% dos professores acreditam que ter formação específica para orientar o trabalho a partir das avaliações externas inluencia positivamente a educação em escolas públicas. Para 66% dos professores, saber o que é esperado que os alunos aprendam a cada ano facilita o trabalho do professor. Disponibilizar materiais didáticos digitais de qualidade é visto como algo positivo por 92% dos professores – mesmo percentual que acha positiva a capacitação profissional para a aplicação dessas tecnologias em sala de aula.

“Professor é uma profissão que foi escolhida, geralmente se faz licenciatura sabendo que se quer ser professor”, diz o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Faria. “Um ponto é garantir condições de trabalho para que o professor não perca essa expectativa. Se o professor não vê retorno, pode se desmotivar, pode deixar de ter essa gana de fazer o aluno aprender”, acrescenta.

A pesquisa Conselho de Classe – A Visão dos Professores sobre a Educação no Brasil foi feita com profissionais do ensino fundamental de escolas públicas. Foram feitas mil entrevistas, em 50 municípios das cinco regiões brasileiras, entre os dias 19 de junho e 14 de outubro de 2014. A margem de erro é 3 pontos percentuais, e o nível de confiança, 95%.

Quando o assunto é ser consultado para a implementação de programas e políticas na escola onde trabalha, cerca de um terço (34%) diz não ter tido a possibilidade de opinar, 20% disseram ter a possibilidade de opinar apenas após a implementação; 45% atestam terem sido consultados antes e 1% não sabe ou não respondeu.

Dentro da própria escola, 56% dizem que sempre têm a opinião levada em consideração por diretores, coordenadores e pedagogos, 41% são ouvidos algumas vezes e 3% nunca. Em relação à Secretaria de Educação à qual a escola está vinculada, as porcentagens passam para 13% sempre; 61% algumas vezes e 23% nunca. Pelo Ministério da Educação (MEC), 4% dizem ser sempre levados em consideração, 55%, algumas vezes e 40% nunca. O 1% restante em cada categoria não soube ou não respondeu.

A pesquisa também avaliou o que os professores pensam sobre a base nacional comum curricular, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE). Pela lei, sancionada no ano passado, a base deve estabelecer os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes. O levantamento mostrou que ainda há muitas dúvidas em relação ao que seria essa base e de que forma ela poderia ajudar no ensino.

Os dados levantados mostram que 52% dos professores concordam totalmente que os currículos devem ter uma base comum; 55% concordam totalmente ou em parte que a diversidade regional do país seria desconsiderada com uma base comum e 25% discorda totalmente ou em parte que uma base comum possa diminuir as desigualdades educacionais.

De acordo com o coordenador, o diálogo com os professores está aquém do que deveria, sobretudo dentro das escolas e, esse diálogo, é fundamental para a definição de uma base comum. “A informação vem [para os professores] de forma assimétrica. Se tem uma comunicação mais clara, consegue-se levar o argumento e a resistência pode deixar de existir, pode ser que a base comum faça mais sentido para a escola. Essa base vai ter que buscar o essencial.”

Para 83% dos professores, os representantes da categoria devem participar da construção da base, enquanto para 40%, eles devem liderar as discussões. Logo em seguida, aparecem os representantes do MEC, 81% acreditam que eles devem participar e 29%, liderar e os representantes das secretarias estaduais de educação (73%, participar e 6%, liderar) e das secretarias municipais (69% e 5% respectivamente)

A pesquisa mostra ainda que os fatores que têm mais impacto no cotidiano escolar estão ligados à falta de apoio para lidar com alunos que precisam de algum tipo de atenção especial – 50% dos professores. Entre esses fatores estão a falta de acompanhamento psicológico (21%), a defasagem de aprendizado (12%), a aprovação de alunos que não estão preparados para o próximo ciclo (10%) e a falta de condições adequadas para inclusão de alunos com deficiência (7%).

Entre os professores do 1º ao 5º ano é maior a porcentagem dos que apontam a falta de acompanhamento psicológico para alunos como principal problema (27%). Entre os professores do 6º ao 9º ano, a indisciplina dos alunos é destacada em maior proporção (18%).

Escolas em que mais docentes têm diploma certo vão melhor no Enem

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Ana Carolina Moreno, no G1

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Levantamento feito pelo G1 com dados da edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostra que as escolas de ensino médio que têm maior porcentagem de professores com a formação adequada também são as que atingiram médias mais altas nas provas do Enem. Considerando todas as 14.715 escolas, a porcentagem média de professores com o diploma adequado é de 59,4%. Já entre as escolas com as 100 maiores médias aritméticas das provas objetivas, segundo cálculo feito pelo G1, esse índice sobe para 71,56%.

Segundo Francisco Soares, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os professores do ensino médio precisam ser formados na licenciatura específica da disciplina que lecionam nas escolas. No ensino médio, isso quer dizer que um professor que dê aulas de física tenha diploma de licenciatura em física, por exemplo.

Os dados do Enem por escola foram divulgados pelo Inep na segunda-feira (22). Pela primeira vez, o Inep também divulgou o indicador de formação docente de cada escola.

Só apareceram na lista do Inep as escolas que tiveram pelo menos 50% de seus alunos matriculados no terceiro ano do ensino médio presentes na edição 2013 do Enem.

Professores com mais formação aumentam média

Os dados mostram que a taxa de formação docente não é necessariamente determinante para que uma escola tenha médias altas ou baixas no Enem, já que, na divisão das escolas segundo esse indicador, há exceções.

O Colégio Objetivo Integrado, por exemplo, teve a maior média aritmética das provas objetivas no Brasil (741,94), mas apenas 67% dos professores fizeram a licenciatura específica na área de conhecimento em que dão aulas.

Porém, considerando o desempenho médio das escolas segundo essa taxa de formação docente, é possível verificar que a nota média dos colégios vai aumentando conforme sobe também o índice de professores com o diploma adequado.

O grupo de escolas que têm pelo menos 90% de seus professores formados segundo a legislação reúne 275 instituições.

Nele, a nota média das escolas nas provas objetivas é de 535,00. Já considerando as 497 escolas em que até 25% de seus professores possuem a formação adequada, a média aritmética cai para 480,61, uma diferença de mais de 50 pontos.

Formação docente é meta do PNE
A meta 15 do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado neste ano pelo Congresso Nacional, prevê que os governos federal, estaduais e municipais promovam políticas públicas para que todos os professores da educação básica tenham a formação adequada.

Um levantamento feito pela ONG Todos pela Educação no primeiro semestre deste ano mostra que, apesar de 95,3% dos professores de ensino médio tenham curso de nível superior, apenas 48,3% deles são formados especificamente na área em que atuam. Só 19,2% dos professores que dão aulas de física, por exemplo, têm licenciatura em física.

Escolas do Enem 2013 na meta
Entre as 14.715 escolas que tiveram suas médias do Enem 2013 divulgadas pelo Inep, 10.805 têm pelo menos metade dos professores formados de acordo com a meta do PNE.

Mas apenas 16 já têm 100% de seus professores com a devida formação. Essa informação, segundo a assessoria de imprensa do Inep, vem dos dados do Censo da Educação Básica, informados pelas próprias escolas.

Três colégios dessa lista não informaram essa taxa, e 20 escolas afirmaram não ter nenhum dos professores dentro da exigência da legislação. Outras 487 instituições têm até um quarto de seus professores diplomados de acordo com a formação específica necessária.

Nível socioeconômico X formação docente
Além do efeito que a formação dos professores tem no resultado do Enem 2013, os dados divulgados pelo Inep mostram que a concentração de professores com a formação adequada é mais alta nas escolas onde o nível socioeconômico dos estudantes também é maior.

Na lista do Inep, 4.686 escolas têm nível socioeconômico alto ou muito alto. Nelas, a taxa média de formação docente é de 63,1%. Nesses colégios, a média aritmética das provas objetivas calculada pelo G1 ficou em 568,73 pontos, e a média da prova de redação foi de 606,89.

Já entre as 911 escolas brasileiras que figuram na lista de notas do Enem 2013 e têm nível socioeconômico baixo ou muito baixo, esse índice cai para 46,14%. Nelas, a média das provas objetivas foi de 449,12, e a da prova de redação ficou em 439,21.

Tecnologia pode transformar professor em designer digital, dizem especialistas

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Educadores entrevistados pelo R7 no mês do professor destacam mudanças na profissão

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Mariana Queen Nwabasili, do R7

A tecnologia está mudando a forma como crianças e jovens querem aprender e obter informações e, claro, as metodologias de ensino usadas nas escolas.

Especialistas que tratam do tema disseram ao R7 que docentes tendem a mudar a forma como dão aula até se transformarem em designers educacionais, ou seja, profissionais que pensam como, porque e quando determinados conhecimentos devem ser transmitidos aos alunos pelos meios digitais.

É o que defende Ronaldo Mota, ex-secretário de educação superior e do MEC (Ministério da Educação) e atual reitor da Universidade Estácio.

No livro Education for Innovation and Independent Learning (Educação para a inovação e para o aprendizado independente, em tradução livre), desenvolvido no Instituto de Educação da Universidade de Londres, ele explica que os docentes terão que quebrar as barreiras do ensino tradicional para se adaptar às mudanças vividas pela sociedade.

— É preciso ensinar aos atuais alunos como aprender a aprender pelos meios disponíveis. As interfaces tecnológicas que ajudam os alunos nesse processo devem ser complementares ao professor na sala de aula. Os professores terão que quebrar as barreiras do ensino tradicional.

Não há mágica

Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, reconhece a tendência de os docentes se tornarem designers educacionais. Porém, ela faz considerações sobre esse processo.

— Não será a lousa digital que vai resolver as questões da aprendizagem. É preciso formação para que professores usem essas e outras tecnologias, que são muito atrativas para os jovens.

Para a pesquisadora, ainda existe uma lacuna na formação dos docentes em relação a essas questões.

— Nós não temos reformulado a formação de professores, de maneira geral. Há mais de um século repetimos os mesmos esquemas de formação. Dentro disso, ainda não existem propostas de mudanças curriculares significativas que preveem a incorporação dessas tecnologias no contexto educacional.

Barrados e conectados

Segundo dados do estudo TIC Educação, sobre recursos educacionais abertos, que foi realizado em 2013 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 96% dos professores de educação básica no País utilizam esses conteúdos para elaborar aulas e ajudar nos estudos.

A pesquisa apontou também que 88% dos docentes fazem adaptações nos conteúdos abertos disponíveis. Porém, apenas 21% dos entrevistados disseram que publicam seus materiais na web. Especialistas e professores que lidam — ou tentam lidar — com as tecnologias no cotidiano reconhecem que este cenário mostra a necessidade de formação para melhor utilizar e produzir conteúdos digitais. Também é preciso tratar das restrições a materiais pulicados na internet que docentes não podem usar nas salas de aula.

Os resultados da pesquisa Recursos educacionais abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropriação em sala de aula, realizada pela Ação Educativa em parceria com a Wikimedia Foundation, mostram que apenas 10% dos sites educacionais colaborativos voltados para a docência no Brasil têm direitos autorais livres. Foram levantados e analisados mais de 230 portais desse tipo no País.

Jamile Venturini, coordenadora da pesquisa realizada pela Ação Educativa, explica que os dados mostraram que a maioria dos 231 recursos analisados não é restrita, mas, na prática, o uso permitido é limitado e fica aquém das necessidades dos professores.

— De que serve um vídeo incrível sobre o tema da minha aula se eu posso vê-lo, mas não exibi-lo para meus alunos? Ou postá-lo no blog da minha disciplina? Ou colocar legendas para torná-lo mais acessível?

Segundo Jamile, ainda existem muitos desafios para o avanço do uso das tecnologias e dos Recursos Educacionais Abertos no ambiente escolar pelos docentes.

— Há uma questão de infraestrutura que, muitas vezes, inviabiliza a democratização do acesso a essas tecnologias na escola. E isso passa não só pelo acesso aos equipamentos, mas também a uma conexão à internet de qualidade.

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