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Fungos ameaçam acervo da Biblioteca Mário de Andrade em SP

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Parte do acervo da Biblioteca Mário de Andrade, o segundo maior do país, está infestado por fungos. O problema foi diagnosticado menos de dois anos após o encerramento de uma extensa reforma em seu prédio principal, ocorrida entre 2007 e 2011.

Levantamento interno feito entre dezembro de 2012 e fevereiro deste ano constatou que ao menos 15 dos 22 andares com acervo na torre principal da biblioteca, no centro de São Paulo, foram atingidos em alguma medida.

Foram 18 mil livros -incluindo raros, mais antigos- afetados, dentre os cerca de 340 mil que ficam nesses andares. No total, a biblioteca tem 7 milhões de itens, considerando livros, periódicos, mapas, fotos e documentos.

A questão foi identificada no ano passado por Maria Christina Barbosa de Almeida, que dirigiu a biblioteca no segundo mandato de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo -gestão que iniciou a reforma na biblioteca.

Sala de periódicos da biblioteca, aberta ao público - Ze Carlos Barretta/Folhapress

Sala de periódicos da biblioteca, aberta ao público – Ze Carlos Barretta/Folhapress

Em março, ao passar o bastão para o novo diretor, o professor da USP Luiz Bagolin, ela entregou relatório apontando problemas na climatização. Indicado por Juca Ferreira, secretário de Cultura na gestão Fernando Haddad (PT), Bagolin assumiu o cargo oficialmente há um mês.

“A ocorrência chama a atenção. Não deveria haver fungos, já que o sistema é climatizado”, disse ele à Folha.

Os fungos resultaram de uma umidade acima do ideal nos andares climatizados -chegando a superar os 60%, quando o recomendado para acervos bibliográficos é 45%.

Como quase todos os R$ 7 milhões do orçamento de 2013 da instituição já estavam empenhados quando Bagolin assumiu, foi necessário um adendo de R$ 400 mil para a higienização e restauro. O trabalho, já iniciado, deve durar de seis meses a um ano.

Nenhum livro chegou a se perder, segundo a instituição, mas volumes infectados ficam inacessíveis ao público, já que têm potencial para causar doenças, e podem ficar deformados.
Procurada para comentar o caso, a ex-diretora Maria Christina preferiu repassar à Folha o relatório que entregou a Bagolin em março.

O texto informa que, até 2007, só os cinco primeiros andares da torre, inaugurada em 1942, eram climatizados. Nunca haviam sido identificados fungos, embora uma infestação por brocas tenha atingido o acervo em 2006.

O sistema de ar condicionado começou a ser instalado em 2008 e a funcionar no segundo semestre de 2011. Entre projeto, instalação e manutenção, três empresas se envolveram no processo.

No início de 2012, foram percebidas deformidades em livros, causadas por fungos. Medidas como higienização e troca de equipamentos foram tomadas, mas no final do ano a situação se agravou.

Em maio deste ano, a biblioteca contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas para diagnosticar os fungos; agora, especialistas buscam a origem do problema.

“Não sabemos se o projeto de ar condicionado está inadequado; se está adequado, mas a instalação teve problemas; ou se o projeto está adequado, a instalação está adequada e alguma coisa se desregulou”, diz Bagolin.

Segundo ele, como a SP Obras fiscalizou a instalação em 2011, as empresas envolvidas não têm responsabilidade legal sobre o sistema.

O diretor lembra que a Mário de Andrade está de longe em condições melhores que a maior biblioteca do país, a Fundação Biblioteca Nacional, do Rio. Para ele, os fungos refletem um problema crônico nacional. “O Brasil engatinha no que diz respeito à preservação de acervos.”

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

DIGITALIZAÇÃO

A questão da preservação inclui a digitalização, em relação à qual Bagolin tem visão diferente da gestão anterior. Em vez de terceirizar o serviço, como vinha sendo feito, ele vem organizando um setor interno, para o qual contratou três funcionários.

“Temos 2.000 itens digitalizados num acervo de 7 milhões. Vejo no setor interno não só o serviço da digitalização, mas a aquisição de conhecimento e a chance de desenvolver pesquisa”, diz.

Para 2014, a meta é comprar equipamentos básicos, que devem custar R$ 800 mil.

Outros mais caros, como robôs que viram as páginas sozinhos -como na Biblioteca Mindlin, atual parceira da Mário de Andrade na digitalização-, não são prioridade, já que obras raras têm de ser digitalizadas primeiro e suas páginas precisam ser viradas manualmente.

Outra meta é criar uma sala para crianças, hoje inexistente na instituição. O projeto, estimado em R$ 400 mil, será apresentado em outubro, em evento sobre políticas públicas para a infância.

É claro que as ideias dependem da boa vontade da atual gestão no município. Em 2012 e 2013, a BMA teve orçamentos de, respectivamente, R$ 6 milhões (após projetar R$ 11 milhões) e R$ 7 milhões (após projetar R$ 13 milhões). Para 2014, a meta é conseguir R$ 20 milhões.

RAIO-X LUIZ BAGOLIN

Bagolin, novo diretor da BMA - Eduardo Anizelli/Folhapress

Bagolin, novo diretor da BMA – Eduardo Anizelli/Folhapress

Origem
Nasceu em 1964, em Ribeirão Preto (SP)

Formação
Artista plástico, com mestrado e doutorado em filosofia pela USP

Carreira
Professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP)

Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes

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Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes, série que vendeu mais de 1,5 milhão de livros e colocou a história do Brasil na moda

1889

Ana Weiss, na IstoÉ

Falar da vida privada das pessoas atrai público. Como jornalista de longa data, Laurentino Gomes conhecia bem esse fato, mas não poderia calcular onde isso o levaria. Em 2007, nas vésperas de sua aposentadoria, ao lançar “1808”, o primeiro volume da série que fecha agora com “1889”, última e melhor narrativa da trilogia que percorre o período da chegada da corte portuguesa até o governo Campos Salles, Gomes alcançou o feito inédito: manter por dois anos consecutivos um livro sobre história do Brasil no topo dos mais vendidos no País. A marca o obrigou a largar a carreira de executivo de mídia, mudar de casa e de vida e assumir o status de personalidade, amada por estudantes e detestada por muitos historiadores.

FINAL O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria, de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

FINAL
O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria,
de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens
ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

“Não foi fácil”, diz o jornalista, na varanda de sua casa em Itu, onde vive com a mulher e agente literária, Carmen Gomes, e a cadela Lua. Laurentino Gomes é hoje um dos raros autores nacionais que vivem exclusivamente de sua literatura. Isso permite certos luxos como, por exemplo, estabelecer seu ritmo de trabalho – um livro a cada três anos. “Passo dois anos e meio pesquisando e seis meses escrevendo.” Para este “1889”, que como os anteriores traz a sinopse no subtítulo (Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil), o autor se exilou em State College, na Pensilvânia, para a fase da apuração.

Foram mais de 150 fontes de consulta (devidamente reproduzidas no fim do livro), adquiridas em sebos, bibliotecas e “na maravilhosa invenção chamada Estante Virtual”, escarafunchadas sem nenhuma ajuda. “O pesquisador contratado traz exatamente o que você pede”, explica. “E é muitas vezes da informação inesperada que saem as passagens mais interessantes do trabalho”, diz. “Além do que, confesso, adoro a fase de pesquisa. Já escrever, para mim, é um fardo.” O escritor tem consciência de que a boa costura de seu fardo faz toda a diferença na apreciação do público.

Não são apenas os desconcertos pessoais, as pequenas falhas e curiosidades da vida privada e grandes personalidades históricas que fecharam o 1,5 milhão de compras do primeiro e do segundo livro do autor, “1822” (quase um ano encabeçando o rol de mais vendidos), mas também a forma atraente com que eles são embalados. “São só técnicas jornalísticas. Isso inclui jogar muita luz nos personagens, no que eles têm de banal ou comovente”, ensina o autor, que no mês que vem lança “1808” nos Estados Unidos – um mercado fechadíssimo, do qual apenas 2% dos títulos são estrangeiros.

Na esteira do sucesso internacional, veio também o incômodo da academia. “O que faço hoje é jornalismo. Meus livros são reportagens. E é da natureza da imprensa sofrer represálias dos especialistas.” Entre críticas, “estridentes e até agressivas”, conta, e declarações derramadas de estudantes que puderam entender passagens relatadas de forma árida pelos livros didáticos, o autor se sente feliz com a média afetiva de seu público. “Fico envaidecido de saber que os historiadores olham para os meus livros. Mas minha maior vitória, até por ser um desafio autoimposto a cada livro, é chegar de forma clara aos estudantes. Eles se divertirem com a leitura é lucro puro.”

Não são só os estudantes que se divertem com o contorno pitoresco com que Laurentino Gomes apresenta os personagens, cujas características extrai de pesquisa bem fundamentada. Das consultas ao levantamento do historiador José Maria Bello, referência sobre a vida social da República Velha, o escritor apresenta Deodoro da Fonseca, figura central da Proclamação da República, em atos que revelam que, além da fragilidade ideológica e física, o marechal alagoano padecia de um estado de ânimo errático que flutuava entre o drama e a histeria. Para renunciar à presidência, o ex-imperialista escolheu abrir o discurso se dizendo “o derradeiro escravo do Brasil.” Dois meses depois o proclamador do novo regime morreu e foi enterrado sem farda.

Do governante seguinte, Floriano Peixoto, Gomes reuniu descrições ácidas de intelectuais do período, que na narrativa, como em uma boa ficção, têm o efeito redentor de ver o vilão como alvo de chacota e críticas. “Não se pode ter medo do tamanho dos fatos ou dos personagens.” O próximo livro? “Não sei. Me interessam muito as revoltas do período, a Revolução Federalista, Canudos. Seria algo como ‘Um Brasil em Chamas’”, diz. “Mas, com certeza, só posso dizer que o próximo não terá um número na capa.”

1889a

 

Escritora de 11 anos divulga seu livro na Flipinha

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Mariene Lino diz que começou a escrever nas paredes de casa.
Atração voltado para as crianças faz parte da programação da Flip.

Mariene Lino, de 11 anos, divulga seu livro durante a Flipinha (Foto: Paola Fajonni/G1)

Mariene Lino, de 11 anos, divulga seu livro durante a Flipinha (Foto: Paola Fajonni/G1)

Paola Fajonni, no G1

A jovem escritora Mariene Lino, de 11 anos, subiu ao palco da Flipinha no fim da manhã desta quinta-feira (4) para mostrar o livro que escreveu há dois anos. “O som misterioso”, nome do livro, foi uma ideia que, segundo ela, simplesmente surgiu. “Foi do nada. E se um búfalo ficasse preso no banheiro?” A menina conta que o primeiro local em que imprimiu suas palavras foi em casa.

“Comecei a escrever nas paredes. Depois meus pais pintaram, mas ainda tem uma com meus textos, minhas coisas”. A programação oficial do braço da Festa Literária Internacional de Paraty voltado para o público infantil não mostrava bate-papo com autores, mas quem passou no fim da manhã pela tenda montada ao lado da Praça da Matriz pôde conferir a atração.

Com a programação adiantada, o evento ofereceu, entre apresentações teatrais, um espaço para escritores divulgarem seus trabalhos e conversar com aqueles que estavam no local.

O búfalo da história de Mariene ganhou vida na tinta e no papel graças aos pais da jovem escritora, que bancaram a publicação da obra. Lúcia Lino conta que o investimento valeu a pena, pois realizou um dos sonhos da filha. Bibliotecária, a mãe de Mariene diz sempre buscou colocar os livros na vida da menina, o que considera muito importante na formação de uma criança.

“A Mariene começou nas pareces de casa, rabiscava tudo. Quando aprendeu a escrever, começou a passar para o papel. Ela começou muito cedo, mas também estudava em uma escola que estimulava a leitura, o que é fundamental”.

Além da mãe, o pai de Mariene também acompanhava a filha. Enquanto ela estava no palco, ele não parou de fotografar. Foi lá que a jovem escritora respondeu a questões sobre como surgiu a história de seu livro, como conseguiu publicar uma obra com apenas nove anos e de quem são as ilustrações.

“Foi um amigo que estudava comigo que fez, o Caio Pacheco. Na hora de publicar me perguntaram se eu não tinha um amiguinho que desenhava bem, aí lembrei dele”, conta a menina, que pretender lançar seu segundo livro em novembro.

Depois dela, a paranaense Adriana Maria Zanetta subiu ao palco da Flipinha. Ela mostrou suas obras também voltadas para o público infantil, que publicou no ano passado. De acordo com a escritora, que trabalhava como professora de alfabetização, “Sopa é boa com as vogais” era usada com seus alunos em sala de aula. “O livro trata da alfabetização e alimentação saudável, uma história contada pela Bruxa Cueca, uma personagem que criei”, revela Zanetta.

Ela também mostrou o livro “A menina que agora vende sapatos”, inspirado em fatos vividos por ela.

A programação da Flipinha segue até domingo (7), dia em que também será encerrada a 11ª edição da Flip.

O futuro não é o fim, ainda

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Javier Celaya, vice-presidente da Associação Espanhola de Revistas Digitais: “A grande pergunta de todo mundo é onde está o dinheiro na internet”

Javier Celaya, vice-presidente da Associação Espanhola de Revistas Digitais: “A grande pergunta de todo mundo é onde está o dinheiro na internet”

João Luiz Rosa, no Valor Econômico

Há dois anos, parecia que o livro impresso começava a tomar o caminho da extinção. Em abril de 2011, a Amazon anunciou que a venda de livros eletrônicos superara pela primeira vez a de papel – 105 volumes digitais para cada 100 tradicionais – e a Borders, uma das maiores cadeias de livrarias dos Estados Unidos, baixou as portas, em setembro, apenas sete meses depois de entrar com um pedido de recuperação judicial. Das 511 lojas que tinha um ano antes restavam 399.

Agora, os sinais são diferentes. As vendas dos aparelhos eletrônicos para leitura de livros, ou e-readers, que pareciam os substitutos naturais do livro em papel, vão cair dos 5,8 milhões de unidades projetadas para este ano para 2,3 milhões em 2017, prevê a consultoria Forrester. O interesse do público parece tão morno que nesta semana a Barnes & Noble, outra gigante americana das livrarias, anunciou que vai abandonar parte da produção do seu e-reader, o Nook, depois de a receita com o negócio cair 34% no trimestre, duplicando as perdas na área.

Ainda mais significativo é que as próprias vendas dos livros digitais não seguiram o ritmo espetacular que se esperava a princípio. Em uma década, entre 2002 e 2012, os e-books saíram de invisíveis 0,05% da receita do mercado editorial americano, o mais avançado na área digital, para 20% das vendas. Em outros países, permanece longe desse patamar – 10% na Espanha, 3% na Itália, pouco mais de 2,5% no Brasil.

Contra as probabilidades, os números parecem indicar que o livro é mais resistente ao tsunami digital que a música. Segundo a IFPI, principal organização mundial da indústria fonográfica, o segmento digital representou 37% da receita total do setor no ano passado, mas os números só levam em consideração as vendas legais. O que é obtido por meio da pirataria fica fora do levantamento, o que distorce o cenário. Foram as vendas ilegais, afinal, que destroçaram as regras estabelecidas no setor, cujos personagens ainda estão em busca de novos formatos comerciais viáveis. No mercado editorial, talvez por não ter ocorrido o mesmo efeito devastador, fica a impressão de que a maré digital está fraca, mas muitos especialistas acham que a grande onda ainda está por vir.

“Há 500 anos, desde a invenção da imprensa por Gutenberg, não se via uma revolução da mesma ordem e magnitude na indústria da informação”, disse o professor Silvio Meira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na abertura do IV Congresso do Livro Digital, ocorrido neste mês em São Paulo. Meira, que também é cientista-chefe do Cesar, centro de inovação com sede no Recife, contou que algum tempo atrás um executivo perguntou se as mudanças viriam antes de sua aposentadoria, daqui a dez anos. “Dez anos? Ih, pode ter certeza de que você vai enfrentar turbulência”, respondeu o professor.

Tempo, portanto, ocupa um papel especial na digitalização do livro. “Eu não diria que o ritmo [de vendas dos livros digitais] está lento ou abaixo das expectativas”, afirma Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e sócia-diretora da Girassol Brasil Edições. Embora o assunto esteja em discussão há anos, as vendas de e-books no país só começaram para valer no fim do ano passado, com uma resposta positiva tanto da indústria quanto do consumidor, avalia Karine. Pelas contas da CBL, o número de títulos em formato digital triplicou no Brasil em um ano, passando de 5 mil em 2011 para 15 mil no ano passado.

A expectativa é que a redução dos preços dos tablets dê um forte impulso aos livros digitais. Enquanto os e-readers, voltados basicamente para leitura, sofrem uma redução prematura das vendas, os tablets – que também permitem navegar na internet, ver filmes, ouvir música etc. – ficam mais baratos e ganham consumidores de mais classes sociais. A previsão da consultoria IDC é que as vendas mundiais de tablets vão chegar a 229,3 milhões de unidades neste ano, superando pela primeira vez a de notebooks, de 187,4 milhões de unidades. O preço médio vai ficar quase 11% mais baixo, em US$ 381. É por isso que, apesar do desinteresse pelos e-readers, os livros digitais teriam espaço para crescer. Em vez de aparelhos exclusivos para leitura, o consumidor estaria preferindo os tablets na hora de ler.

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A competição acirrada pode contribuir para a adoção mais rápida dos e-books. Companhias como a Amazon, dona do Kindle, estão lançando equipamentos básicos a preços reduzidos, com margens baixíssimas de lucro, na expectativa de vender livros digitais e recuperar o investimento mais tarde. É uma manobra que tomou emprestada do setor de tecnologia da informação: fabricantes de impressoras, por exemplo, também vendem máquinas com margens apertadas para ganhar dinheiro com tinta e papel. (mais…)

De Garfield a Bob Marley, veja figuras ‘pop’ que já caíram no Enem

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Para professores, referências fazem jovens estar sempre ‘antenados’.
Menina Mafalda e viking Hagar já apareceram em seis edições do exame.

Garfield, Bob Marley, Mutantes, Mafalda e Capitão América já caíram em questões do Enem (Foto: Reprodução/Divulgação/AFP)

Garfield, Bob Marley, Mutantes, Mafalda e Capitão América já caíram em questões do Enem (Foto: Reprodução/Divulgação/AFP)

Paulo Guilherme, no G1

O que Bob Marley, Mutantes, Coldplay, Twitter, Capitão América, Blitz, Garfield e Mafalda têm em comum? Estas e outras figuras da cultura pop já foram tema de perguntas que caíram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nestes 15 anos de existência. Nos últimos anos, a presença de artistas e personagens nas questões se tornaram mais frequentes no Enem. Segundo professores ouvidos pelo G1, esta é uma tendência que deve crescer cada vez mais para buscar estudantes “antenados” com o mundo.

A primeira edição do Enem, em 1998, abriu com Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz…” A letra da música O que é, o que é foi o tema da redação do Enem há 15 anos e deu origem a uma série de citações, usos de letras de músicas, capas de discos e desenhos de figuras presentes na cultura pop.

Nos últimos dois anos, a presença de artistas populares nas questões do Enem aumentou. Em 2010, a letra de “Viva la vida”, da banda britânica Coldplay, caiu em uma questão de inglês. Em 2011, o Enem trouxe perguntas citando Garfield, Twitter e Bob Marley. A questão sobre o cantor jamaicano dizia: “Bob Marley foi um artista muito popular e atraiu muitos fãs com suas canções. Ciente de sua influência social, na música War o cantor se utiliza de sua arte para alertar sobre… (resposta certa: a persistência da guerra quando houver diferenças raciais e sociais).”

O Enem de 2012 fez muito uso destas “celebridades” nas questões. A prova de linguagens e códigos trouxe questões com as canções “Aqui é o país do futebol”, de Wilson Simonal, e “A dois passos do paraíso”, da banda pop Blitz; e uma pergunta sobre a banda Mutantes e o movimento de contracultura no final dos anos 60. Na prova de espanhol, uma tira da personagem Mafalda foi tema de uma de cinco questões.

Já a prova de ciências humanas apresentou a capa do primeiro número da revista do Capitão América, lançada no início da década de 1940. A imagem trazia o desenho do Capitão América dando um soco no líder nazista Adolf Hitler e perguntava ao candidato contra o que a participação dos Estados Unidos na luta se associava (a resposta certa era a alternativa ‘os regimes totalitários, na Segunda Guerra Mundial’).

Coldplay caiu no Enem em 2010 (Foto: Divulgação)

Coldplay caiu no Enem em 2010 (Foto: Divulgação)

Para os professores de cursinhos, todas estas referências nas questões do Enem têm como objetivo buscar um aluno mais antenado, que não fique restrito apenas ao conteúdo oferecido pelas escolas no ensino médio.

“É importante que o candidato tenha uma atitude ativa. O Enem quer aluno interessado em tudo o que a vida possibilita, que seja sempre um cidadão curioso”, afirma o professor Luis Felipe Abad, do cursinho pH, do Rio.

Para o professor Gilberto Alvarez Giusepone Junior, especialista em Enem e diretor do Cursinho da Poli, de São Paulo, o Enem busca um candidato com perfil ‘eclético’. “Por trás dessa linha pop está a busca por um estudante preocupado em ter uma formação que é maior do que a escola dá, que tenha hobbies e que leia jornais, revistas, noticiário em sites e busque informações que tenham relação com o conteúdo básico cobrado pelo Enem”, diz o professor Giba, como é conhecido.

Mafalda, de Quino, já apareceu seis vezes na  história do Enem (Foto: Reprodução/Quino)

Mafalda, de Quino, já apareceu seis vezes na
história do Enem (Foto: Reprodução/Quino)

Mafalda e Hagar
O professor cita como exemplo as tirinhas da personagem Mafalda. “Apesar de ser um desenho, a Mafalda tem sempre um toque político inserido na mensagem, e isso faz com que o candidato do Enem saiba relacionar o tema com seu contexto histórico.”

A menina Mafalda, aliás, é uma das figuras campeãs de aparições da história do Enem. A personagem criada pelo cartunista argentino Quino, já apareceu em seis das 15 provas do Enem já realizadas desde 1998 (em 2010 foram feitas duas provas por causa de um problema de impressão no primeiro exame), assim como o viking Hagar, de Dik Browne.

Em seguida aparece o gato Garfield, personagem de Jim Davis, com cinco aparições em questões do Enem ao longo da história do exame.

“Mafalda, Garfield e Hagar são personagens presentes nas seções de quadrinhos de grandes jornais e, por isso, muito conhecidos do público que faz o Enem”, destaca Rafael Menezes, professor de história do Sistema Elite de Ensino, de Porto Alegre. Segundo ele, o uso de quadrinhos é comum para “arejar” as provas, em vez de colocar um enunciado extenso, e pode ser aproveitado para as questões de português e de língua estrangeira (inglês ou espanhol). “Os mangás japoneses ainda não apareceram no Enem, mas isto pode vir a acontecer por eles também fazerem parte do universo dos jovens”, indica Menezes.

“O Enem tem esta característica de aproximação do jovem ao seu cotidiano e aplicar estes fatos ao conteúdo exigido”, explica Kadu Lima, professor do Curso Progressão Autêntico, do Rio. “Os alunos não leem tanto, não têm tanta base literária, então, quando se cobra exemplos mais próximos, como os do cinema e da música, facilita o entendimento da prova.”

VEJA SUGESTÕES DE PROFESSORES SOBRE TEMAS ‘POP’ QUE PODEM SER ABORDADOS

A pedido do G1, os professores listaram alguns exemplos de como algumas figuras populares podem aparecer nas provas do Enem e como associá-los com temas da atualidade.

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‘Era do Gelo’

Cinema

“A série de filmes de animação mostra como o resultado dos impactos ambientais no planeta pode ser abordado em uma prova de ciências da natureza.”

Kadu Lima, Curso Progressão Autêntico

 

 

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X-Men

Quadrinhos/cinema

“Estes personagens nasceram no final dos anos 60 nos Estados Unidos, uma época em que o movimento negro norte-americano estava em alta. É possível estabelecer em uma questão do Enem um paralelo sobre a busca dos negros pelas mesmas oportunidades dos brancos.”

Rafael Menezes, Sistema Elite de Ensino

 

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Subway e Spoleto

Restaurantes fast food

“Estes exemplos de restaurantes no qual o cliente monta seu prato remete à relação de sistemas de produção da indústria conhecido como toyotismo, ou seja, a flexibilização na produção, produção sob encomenda ou demanda.”

Kadu Lima, Curso Progressão Autêntico

 

 

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Copa do Mundo

Esportes

“O Enem pode usar a realização da Copa do Mundo no Brasil para pedir ao candidato que estabeleça uma conexão maior com política, economia, momento atual brasileiro.”

Professor Giba, Cursinho da Poli

 

 

 

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Twitter e Facebook

Internet

“As redes sociais rompem fronteiras e foram muito usadas em movimentos populares como a Primavera Árabe para a derrubada de governos autoritários.”

Kadu Lima, Curso Progressão Autêntico

 

 

 

VEJA FIGURAS DA CULTURA ‘POP’ QUE JÁ CAÍRAM EM PROVAS DO ENEM

Música

Gonzaguinha (1998)
Chico Buarque (1999 e 2005)
Gilberto Gil (2001)
Engenheiros do Hawaii (2007)
Titãs (2007)
Lobão (2009)
Coldplay (2010)
Bob Marley (2011)
Jimi Hendrix (2011)
Sá e Guarabyra (2011)
Mutantes (2012)
Luiz Gonzaga (2012)
Blitz (2012)
Wilson Simonal (2012)

Desenhos/cartunistas

Mafalda (1999, 2003, 2004, 2005, 2010 e 2012)
Graúna/Henfil (1999 e 2005)
Angeli (2000, 2007)
Chico Bento (2000)
Garfield (2000, 2001, 2002, 2011 e 2012)
Frank e Ernest (2001 e 2004)
Laerte (2001, 2008 e 2012)
Calvin e Haroldo (2002 e 2010)
Hagar (2002, 2004, 2008, 2009, 2010 e 2012)
Ziraldo (2005 e 2010)
Caco Galhardo (2004)
Adão Iturrusgarai (2009)
Capitão América (2012)

Internet

Twitter (2010)
Wikipedia (2010)
Redes sociais (2011)

VEJA TODAS AS PROVAS DO ENEM

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