Posts tagged Dom Casmurro

Canal no YouTube faz resumos de livros clássicos em 1 minuto

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Cena do filme Dom Casmurro

Cena do filme Dom Casmurro

Publicado no Catraca Livre

O canal Temos Histórias, comandado por Rafael Bicalho, de Brasília, tem como objetivo estimular a literatura entre jovens. Por isso, de forma divertida e didática, ele faz resumos de livros clássicos em vídeos de até 1 minuto.

A ideia é muito simples. Todos os vídeos são gravados no celular, na frente de uma parede branca e têm 60 minutos de duração. Para aproximar as pessoas, animações ajudam a contar as histórias com mais descontração.

Obras clássicas, que ocupam as listas de leitura obrigatória das maiores universidades do país, estão disponíveis em vídeos no canal. “Dom Casmurro”, “Triste Fim de Policarpo Quaresmo” e “A Hora da Estrela” são alguns exemplos.

Lembrando que a assistir aos resumos não substitui a leitura dos livros indicados. A ferramenta serve para fixar melhor a história em sua totalidade.

“O maior medo era que nossos vídeos recebessem muitos comentários negativos, já que o spoiler quase nunca é recebido com bons olhos”, contou Rafael. O que é acontece é o contrário, as pessoas não ficam incomodadas.

Além de dar uma mãozinha para vestibulando desesperados, o canal é incentiva a leitura. “Saber que estamos estimulando as pessoas que não sabiam como ler era legal a encherem suas estantes com livros clássicos nos deixa muito felizes”, disse o youtuber.

Além de livros para exames, Rafael Bicalho também já fez vídeos de fenômenos entre os jovens e de obras internacionais renomadas, como “Dom Quixote”, “Jogos Vorazes”, “Romeu e Julieta”, “Crepúsculo” e mais.

O projeto começou a partir do site do Temos Histórias, uma iniciativa de economia colaborativa em que novos escritores têm a chance de publicar seus livros digitalmente e começar a lucrar com a literatura. Conheça mais clicando aqui.

O que seria da literatura numa “escola sem partido”?

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Aluna de uma escola estadual do Rio de Janeiro. Alessandra Coelho/PMRJ

Aluna de uma escola estadual do Rio de Janeiro. Alessandra Coelho/PMRJ

 

Dom Casmurro, de Machado de Assis, continuaria a ser um romance de adultério

José Ruy Lozano, no El País

Aconteceu em meados de 1990. O aluno, de família religiosa, dirige-se ao professor e afirma, em alto e bom som: “Não vou ler esse livro aí, é obra de Satanás”. A obra em questão era Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, o romântico brasileiro discípulo de Byron e Musset, que temperou os enredos de seus contos com cemitérios, crânios humanos e orgias à meia-noite.

À época, não havia sombra do debate sobre a “escola sem partido”, frequente no ambiente de extrema polarização política que hoje toma conta do Brasil. Mas o fato – verídico – revela a impossibilidade de trabalhar com a literatura numa escola pretensamente neutralizada de qualquer questionamento histórico, político, social ou comportamental.

Para os defensores da ideia de uma “escola sem partido”, que ameaça a educação nacional, Dom Casmurro, obra-prima de Machado de Assis, continuaria a ser um romance de adultério. E Capitu, a Madame Bovary dos trópicos, a Anna Kariênina que pudemos ter. A interpretação hoje consagrada do narrador ambíguo e não confiável, representante da elite patriarcal brasileira, que suprime sua insegurança impondo cruel desterro à esposa, seria considerada esquerdismo militante, influência feminazi talvez. Para eles Capitu é culpada, não há dúvida.

Seria possível ignorar que romances como Vidas secas, de Graciliano Ramos, e Capitães da areia, de Jorge Amado, não sejam obras engajadas no debate político e social brasileiro do período – anos 30 do século passado – e ainda atuais nos dias que correm? Para os patronos da “escola sem partido”, todo o teor de denúncia social de obras como essas deveria ser ignorado, bem como qualquer diálogo com a realidade do jovem que ainda se depara com carências similares e injustiças idênticas.

Num exercício de reductio ad absurdum, imaginemos o professor de literatura brasileira apresentando aos alunos do Ensino Médio o poema narrativo O navio negreiro, de Castro Alves. Se o poeta toma partido dos escravos e critica a economia que engendrou o trabalho servil, logo teríamos os “apartidários” defendendo a discussão do outro lado: “Seria preciso ouvir a voz dos senhores, senão estaremos tomando partido em nossas aulas! ”

Podemos recuar mais e mais na discussão e perguntar o que foram os primeiros escritores do Brasil independente senão ideólogos de um projeto político de constituição da nacionalidade, para além de seus inquestionáveis méritos artísticos. Os índios de Gonçalves Dias e José de Alencar existiriam fora do processo de construção social a que se devotaram os dois autores? Certamente não.

Até nas mais remotas obras da literatura portuguesa encontramos dificuldades semelhantes. Quando Gil Vicente apresenta em suas peças de teatro o padre lascivo e o comerciante ladrão, o professor se verá na contingência de fazer o contraponto. Para amenizar a crítica religiosa, ler, talvez, trechos da vida dos santos? Tecer elogios às virtudes do livre-mercado a fim de dirimir a acusação ao capitalismo predatório?

Sombrios os tempos em que somos obrigados a reafirmar a literatura não só como experiência de linguagem e veículo de sensibilidade mas também de conhecimento, de tomada de consciência do mundo. Os abnegados sem partido recitariam os versos de Ferreira Gullar sem perceber a acidez irônica que o poeta militante lhes dá: “O preço do feijão/não cabe no poema. O preço/do arroz/não cabe no poema (…)/Como não cabe no poema/o operário/que esmerila seu dia de aço/e carvão/nas oficinas escuras/(…) Só cabe no poema/o homem sem estômago/a mulher de nuvens/a fruta sem preço”. Ou, então, caberia ao professor explicar a política econômica da atual gestão e das que a antecederam. Sem tomar partido, é óbvio.

José Ruy Lozano é professor do Instituto Sidarta e autor de livros didáticos.

Afinal, Capitu traiu Bentinho?

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Publicado no Brasil Post [ via Superinteressante]

Livro: Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Ano: 1900
Por que ler? A suposta traição de Capitu é um mistério arrebatador há mais de um século.

Bento Santiago, o narrador do romance Dom Casmurro, é um advogado de meia-idade, herdeiro da elite fluminense, que decide contar suas memórias, em especial a suposta traição de Capitu, sua mulher, com Escobar, seu melhor amigo. Bentinho, como era mais conhecido, passa a ter certeza do envolvimento amoroso entre os dois no velório do amigo, em que percebe Capitu olhando fixamente para o morto. A partir daí, começa a enxergar sinais do adultério em todo lugar, até no rosto do próprio filho Ezequiel, que seria parecido com Escobar.

Mas nem Bentinho nem Machado oferecem provas da traição. O leitor só tem acesso ao depoimento do marido. E a ausência do contraponto de Capitu fez do livro material perfeito para um eterno e delicioso debate sobre o que “de fato” teria ocorrido entre a mulher e Escobar – uma improvável caçada pela verdade em uma obra de ficção. No início, muitos críticos literários aceitaram a versão de Bentinho sem muito questionamento. Parte do viés bentinista se explica pelo perfil da sociedade do início do século 20, ainda mais machista do que hoje. Como o personagem gozava de posição social de respeito, a visão do marido era suficiente para muitos. Bentinho é convincente. Em várias partes, se dirige diretamente ao leitor, como se estivesse conversando com um amigo, confessando sua tristeza. Difícil não se apiedar do tristonho (ou amargurado, ou casmurro) Bento Santiago.

Ao longo das décadas, porém, a sociedade mudou, assim como a interpretação do livro. As mulheres ganharam direitos e liberdades. Aos poucos, Capitu ganhou defensores e, sobretudo, defensoras. Uma pergunta ficou cada vez mais forte: por que devemos acreditar no homem rico e branco? Tudo o que estava oculto na obra emergiu definitivamente nos anos 60, quando uma crítica literária americana confrontou Bentinho no mundo acadêmico pela primeira vez. Em O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, lançado em 1960, Helen Caldwell chega a sugerir que Capitu não traiu Bentinho. O crescente poder da mulher deu uma nova leitura ao romance, uma interpretação que coloca Capitu como uma vítima de um marido neurótico. “Alguém já afirmou, em tom de pilhéria, que, se ela não traiu Bentinho, devia ter traído”, diz o professor de literatura Marcelo Frizon. Na visão de Helen Caldwell, Bentinho é como Otelo, o personagem de Shakespeare que mata a mulher, Desdêmona, uma inocente, após ser convencido de uma traição a partir de intrigas do vingativo Iago. As múltiplas interpretações revelam por que a obra continua sendo adorada por leitores e reverenciada por críticos: ela guarda mistérios insolucionáveis. Dom Casmurro é um livro de enigmas.

O romance obrigou críticos e leitores a prestar mais atenção num aspecto decisivo do texto literário: o narrador. Parece óbvio pensar que o relato de uma pessoa é um relato parcial sobre as coisas, mas não é tão evidente assim quando se está em pleno deleite de uma obra-prima – ainda mais quando o narrador tem um texto elegante, como um lorde inglês tomando chá da tarde, e está precisando de um ombro amigo. O leitor acaba sendo fisgado pelo envolvente discurso de Bentinho e nem se dá conta de que só está vendo um lado da história. Esse é um dos trunfos de Dom Casmurro, mas está longe de ser o único.

(…) Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas…

O professor de literatura Sergius Gonzaga diz que há dois textos no romance. Um é aquele em que Bentinho afirma a traição. Há um outro em que o próprio Bentinho solta pistas de que tudo não passa de neura da sua cabeça. Essa contraprova é apresentada quando o narrador afirma que Capitu era muito parecida com a mãe de Sancha, mulher de Escobar, o suposto amigo traidor. Ou seja, a semelhança entre o filho de Bentinho e o melhor amigo poderia vir daí – e não de um adultério. São passagens que revelam que Machado semeou a discórdia de propósito entre leitores. Casmurro se tornou uma ode às coisas não ditas, às entrelinhas, aos discursos ocultos (muitas vezes, mais importantes do que as declarações explícitas).

Dom Casmurro é também considerado um retrato de como funcionava a sociedade na metade do século 19. Na época, apenas 20% da população brasileira era alfabetizada. A obra disseca a nobreza e a elite (onde Bento e sua família se encaixavam), os homens livres para quem trabalho era algo malvisto (a labuta era considerada coisa de escravos) e os escravos, que não têm tanta participação no livro.

Além disso, a Capitu descrita por Bentinho é uma rebelde que diz o que pensa e que dissimula com naturalidade, como na passagem em que o ex-marido mostra como ela se saiu bem de uma situação em que eles foram pegos namorando escondidos e que deixara Bentinho desconcertado. Essas atitudes seriam impensáveis a uma mulher oriunda de uma classe social baixa, num Brasil ainda escravocrata. “É uma narrativa que aponta o início da rebelião da mulher diante de uma sociedade patriarcal”, comenta o professor Marcelo Frizon. Machado de Assis previu uma mudança que viria a tomar forma meio século depois.

Texto de Alexandre De Santi

Livro escrito por juiz diz solucionar enigma de Dom Casmurro

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A obra foi escrita pelo desembargador Vladimir Souza Carvalho

Helena Sader e Verlane Estácio no Infonet

Título original: Livro escrito por juiz soluciona enigma de Dom Casmurro

Vladimir Souza Carvalho lançou obra na sede da Academia Sergipana de Letras (Fotos: Portal Infonet)

Vladimir Souza Carvalho lançou obra na sede da Academia Sergipana de Letras (Fotos: Portal Infonet)

O desembargador federal Vladimir Souza Carvalho promete gerar polêmica na literatura brasileira com sua nova obra lançada nesta sexta-feira, 24. O juiz e escritor lançou o livro “Dom Casmurro: a história que Machado de Assis escondeu”, que aborda aspectos importantes de peça clássica da cultura brasileira.

Na obra, lançada na sede da Academia Sergipana de Letras, Vladimir ‘soluciona’ o mistério do livro machadiano tão apreciado pelo público brasileiro. De acordo com o autor, toda a pesquisa para a construção literária foi baseada dentro do texto de Dom Casmurro. “Eu tirei todas as pistas que Machado deu ao longo do livro. Dentro daquela história que ele conta, tem outra história que ele não queria ver contada, mas dá pistas”, disse o desembargador.

Vladimir explicou que, por se tratar de uma obra com mais de um século de existência, a pesquisa em cima de Dom Casmurro foi difícil de ser feita. “Foi difícil, levou muito tempo. Mas, finalmente, chega a sua conclusão”, conta Vladimir.

Livro lançado nesta sexta-feira, 24

Livro lançado nesta sexta-feira, 24

O autor acredita que a obra vai gerar discussões entre as críticas. “Evidentemente que, por bater numa corrente de mais de cem anos em sentido contrário, o livro vai gerar polêmica. Por que, a meu ver, o mistério foi resolvido”, disse. “E, quem quiser contestar, vai ter que fazer também dentro do próprio livro. Eu não saio de Dom Casmurro em momento algum”, completa o desembargador.

É a primeira vez que Vladimir Souza Carvalho utiliza de obras machadianas como base de seus livros. “É a primeira vez que faço isso, e vou dizer que achei uma experiência muito gostosa”, conta.

Autor

Vladimir Souza Carvalho é desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Além disso, é historiador, escritor e ocupa a cadeira de número 25 da Academia Sergipana de Letras.

A Editora Nemo e o Troféu HQMIX 2014

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O post de hoje é para contar a todos uma notícia que deixou a equipe do Universo imensamente feliz. Como vocês sabem, o site é parceiro da Editora Nemo, um selo do Grupo Autêntica, especializado em quadrinhos e graphic novels de todo o mundo.

Editora Nemo, um selo do Grupo Autêntica, especializado em quadrinhos e graphic novels de todo o mundo

Isabela Lapa, no Universo dos Leitores

No próximo sábado, dia 13/09, a Nemo vai receber, pelo segundo ano consecutivo, o troféu de Melhor Editora do Ano no Festival HQMIX, um festival criado em 1988 pelos cartunistas Jal e Gual com a finalidade de premiar e divulgar a produção de histórias em quadrinhos, cartuns, charges e as artes gráficas como um todo no Brasil.

Você já conhece o trabalho da Editora? Se não, aproveite a oportunidade para acessar o site deles e conhecer, tenho certeza que irão gostar!

Entre os títulos em destaque no momento, estão Fazendo Meu Filme em Quadrinhos, Bear e Como eu Realmente, mas a Editora vai muito além desses títulos e possui revistas incríveis que merecem tanto destaque quanto as citadas, e que tenho certeza que quem conhece vai concordar comigo… Vamos falar sobre elas?

Bear e Como eu realmente

Bom, um foco da Nemo são adaptações de clássicos da literatura. Os trabalhos são realizados com um cuidado incrível, com isso, conseguem preservar o tom original das obras e apresentar a ideia geral desses clássicos, tornando-os mais próximos e palpáveis para os leitores jovens. Entre eles, posso citar 20.000 Léguas Submarinas, Dom Casmurro e uma coleção incrível com adaptações dos maiores sucessos de Shakespeare, como Hamlet, Romeu e Julieta, Sonho de Uma Noite de Verão e Otelo.

classicos da literatura em quadrinhos

Também existem títulos interessantes sobre pessoas importantes do cenário nacional ou acontecimentos históricos que merecem ser lembrados. Como exemplos posso citar Ayrton Senna – A trajetória de um ídolo e A Luta Contra Canudos.

HQ -  Ayrton Senna - A trajetória de um ídolo

Recentemente, me deparei com duas obras incríveis da Editora, que ainda não resenhei, mas que não posso deixar de mencionar nesse post: Fantasmagoriana e Outros Contos Sombrios e Estórias Gerais, revista que recebeu os troféus HQMIX de “Melhor Graphic Novel Nacional” e “Melhor Roteirista Nacional”, e os troféus Angelo Agostini de “Melhor Roteirista” e “Melhor Desenhista”, e que recebeu uma edição espanhola no ano de 2006.

HQ Estórias gerais

Para o público infantil, um título que gostei muito foi Força Animal, que conta a história de quatro jovens que recebem poderes especiais para que trabalhem na proteção à natureza e lutem contra a degradação ambiental. O roteiro é incrível, as ilustrações são fantásticas e a mensagem é extremamente educativa. Vale a pena conferir!

Entre os títulos que quero ler em breve, mas que sei estão fazendo muito sucesso, estão as coleções Garfield e Snoopy. Muitas coisas boas, não é verdade?

hq - Garfield

Então eu quero deixar aqui, em nome de toda a Equipe do Universo dos Leitores, os parabéns à Nemo, pelo trabalho maravilhoso que está realizando. O prêmio é certamente merecido e com certeza muitos outros virão…

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