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A leitura seria nociva à saúde?

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leitura, livros, criança

© RIA Novosti

Anna Fedorova no Voz da Rússia

Desde os tempos em que os seres humanos inventaram as letras, aprenderam a juntar elas em palavras e escrever livros, o debate sobre os benefícios ou prejuízos da leitura não perde a intensidade no mundo.

Em todas as épocas, nunca faltavam adeptos e defensores da leitura: todos os homens de ciência, monges e iluministas apoiavam unanimemente a leitura, insistindo na necessidade da última para a formação de cidadãos integralmente desenvolvidos, capacitados a dirigir o Estado e servir fielmente a Pátria. Os mais radicais deles afirmavam que aquele que não gosta ou não quer ler não pode crescer uma boa pessoa.

Seria assim? Seria verdade que o “homo legens” é o melhor componente da sociedade? Se a leitura traz benefícios ou apenas prejuízos?

Para a saúde do ser humano, uma leitura desmesurada é, incontestavelmente, nociva, afirmam os “inimigos de livros”. Em primeiro lugar, a maioria dos bibliófilos usam óculos, pois têm problemas de visão por lerem em condições de luz escassa, deitados na cama, durante viagens no metrô ou ônibus. Em segundo lugar, em muitos amantes de livros são observados a curvatura da coluna vertebral e, como consequência, dores nas costas, nevralgias do ciático, escoliose e outros males. Em terceiro lugar, os “devoradores de livros” levam a vida sedentária e, portanto, em muitos casos têm peso excessivo, engolindo com prazer não só livros mas também os conteúdos do frigorífico. Além disso, entre os amantes da leitura estão bastante difundidas as enfermidades como dores de cabeça de etiologia variada, distonia vegetativa vascular e distúrbios nervosos. E algo mais: a imunidade dos amigos da leitura costuma ser várias vezes mais débil do que a de seus antagonistas, porquanto as “brocas dos livros” ou “ratazanas livreiras”, como os chamam depreciativamente seus opositores, uma maior parte do tempo passam em ambientes fechados e pouco passeiam ao ar livre. Durante certas épocas, havia inclusive persecuções do público leitor. Esse hábito era considerado como nocivo, porque supostamente causava dano ao Estado, socavava a estrutura social e estragava o relacionamento com os poderes.

O que pensam os cientistas sobre o tema em questão? Especialistas franceses do Instituto Nacional da Saúde e das Pesquisas Médicas chegaram à conclusão de que a leitura, sendo um fenômeno relativamente recente na vida do gênero humano, obriga o cérebro a adaptar para seus objetivos as regiões responsáveis por controlar outros hábitos.

Os autores do experimento formaram um grupo composto por 63 portugueses e brasileiros, dos quais 11 eram analfabetos, 22 aprenderam a ler já na idade adulta e os restantes 30 frequentavam na infância a escola. Vale notar que os cientistas propositadamente não escolheram “estudantes universitários eruditos” que em pesquisas neurológicas comumente constituem o núcleo do voluntariado. O resultado obtido mostrou que os hábitos de leitura se desenvolvem a expensas da capacidade de identificar rostos humanos.

Uma outra equipe de estudiosos verificou que o intelecto, que dizer, a faculdade geral de adquirir conhecimentos e resolver problemas, a qual engloba em seres humanos todas as capacidades cognitivas – sensação, percepção, memória, representação, pensamento, imaginação – e a quantidade de livros lidos pelo indivíduo não estão relacionados de maneira alguma entre si. Com outras palavras, o indivíduo pode ler muito, porém os conhecimentos dele não se tornarão mais vastos com isso, especialmente se ele lê para se divertir ou passar o tempo.

No processo de leitura, o cérebro humano obtém informação. Todavia, esta última muito frequentemente não só é inútil para a vida e para o intelecto mas também carece de qualquer sistematização. Durante a leitura para entretenimento, a qual não pressupõe uma análise interpretativa do texto lido, o intelecto permanece inativo e, por conseguinte, não se desenvolve. A fim de manter a inteligência em estado ativo, é necessário, para além de ler, ainda resolver problemas analíticos de diversa índole, incluindo quebra-cabeças. Segue-se a seguinte conclusão: a despeito de ter lido muitos livros, o indivíduo pode ficar absolutamente inadequado para a vida real.

A excessividade, como se sabe, é nociva em qualquer assunto. Não devemos esquecer que a leitura é um dos melhores meios para obter a informação. Aliás, as formas e os objetivos para os quais utilizamos essa informação dependem plenamente de nós próprios. Como ler corretamente, com proveito para si mesmo e para a saúde? – este será o tema de nosso artigo a seguir.

Concurso cultural literário (3)

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Juntas no amor, na dor e no rock’ n’ roll

Nina, Pâmela e Manuela são jovens adultas que chegam aos 30 anos de idade mantendo uma amizade desde os tempos de escola. Amigas inseparáveis, continuam curtindo as músicas da Legião Urbana – a trilha sonora de suas vidas – e, apesar de terem tomado rumos muito diferentes, elas conseguem se encontrar todas as quintas-feiras para a Noite do Batom, quando colocam o papo em dia, apoiam-se, dão risadas, trocam confidências e, é claro, falam mal dos desafetos, já que ninguém é de ferro.

Pâmela, já casada, é muito bem-sucedida profissionalmente, não tem problemas financeiros e parece ter a vida perfeita. Mas só parece. Manuela é separada. Casou-se um dia para esquecer o grande amor da sua vida e não foi feliz, e hoje parece não ligar mais para as questões do coração. Mas só parece. Nina é a solteira que tem uma atração irresistível por cafajestes, que sempre a fazem sofrer. Implora para que Santo Antônio a ajude a ser feliz no amor, o que parece impossível. Mas só parece.

Em uma Noite do Batom incomum, Manu inventa a OFI (Operação Faxina Interna) para ajudar Nina a superar mais um relacionamento frustrado. Junto de mais dois amigos, partem para uma divertida viagem que mudará para sempre a vida de todos. Com reviravoltas, aventuras e desventuras, será impossível você não se identificar com essas amigas, que, como todos nós, são imperfeitas em seus defeitos e problemas, mas perfeitas demais para não querermos repartir com elas as dores, as alegrias, os sonhos e a realidade de uma vida inteira.

Chegando mais um “Concurso cultural literário”.

Para concorrer, basta completar na área de comentários a frase “Ser amigo é…”. Entre os participantes, 3 leitores vão ganhar o livro “Amigas (im)perfeitas“.

O resultado será divulgado no dia 20/8 às 17h30 aqui no post e no perfil @livrosepessoas.

Boa sorte!

***

Parabéns aos ganhadores: João Bellini, Isabelle Vitorino e Maysa Lemos!

 

Esforço nas aulas faz professora ser afastada por problemas na voz

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Solange de Oliveira está há 3 anos afastada e assumiu função burocrática.
Eulina Cadin teve cisto na prega vocal e teve de operar, mas se recuperou.

Vanessa Fajardo, no G1

1A professora Solange Aparecida de Oliveira, de 49 anos, está há três anos afastada da sala de aula e trabalha no setor administrativo da Escola Municipal de Educação Infantil Cecília Meireles, em São Matheus, na Zona Leste de São Paulo. Há pelo menos oito anos sentiu os primeiros problemas na voz, resultado de mais de duas décadas dando aulas na educação infantil. Ficava rouca, com a voz áspera, muitas vezes, totalmente afônica. Chegou a dar aulas fazendo mímica.

“É mais difícil lidar com criança pequena, elas exigem, há uma rotina a ser cumprida: roda de leitura, de conversa, aula de música, parque, jogos, atividades externas. Perdia a voz com muita frequência, sentia dores na garganta, minha diretora falava: você não pode ficar assim. Perder a voz mexe com o emocional da gente”, afirma.

Solange simboliza uma pequena amostra de um cenário bem mais complexo que atinge a categoria dos docentes. Estudo feito pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro SP), mostra que 63% dos professores entrevistados (1651 docentes da rede básica de ensino) já tiveram problema na voz, sendo que 11% apresentava alguma alteração no momento da pesquisa. Entre 14 sintomas listados que denotam problemas como rouquidão, pigarro, garganta seca, entre outros, cada pessoa respondeu que tinha, em média, 3,7 sintomas.

A fonoaudióloga especialista em voz do Sinpro SP, Fabiana Zambon, diz que o grande problema é que o professor não tem na formação conhecimento para cuidar e prevenir a voz. “Quando percebe que está com problema é porque já precisa de tratamento. O professor usa a voz de forma diferente das outras pessoas, concorre com ruído de fora, da classe, tem de falar mais forte porque tem um número de alunos para atingir. Mesmo os que não apresentam problema, teriam de passar por uma avaliação.”

Foi assim com Solange. Quando ela buscou ajuda médica há oito anos, recebeu o diagnóstico de nódulo e fendas nas cordas vocais, e a indicação para se afastar da sala de aula. Demorou mais cinco anos para que seguisse a recomendação médica e fosse readaptada para outras funções. “Tinha um receio grande, porque a readaptação é mal vista. Morria de medo desse tabu, mas aos poucos, fui vendo que não tinha mais condições.”

Para Solange, a lotação das salas, e ter de lecionar, muitas vezes, paralelamente às reformas que ocorrem nas escolas, sem a acústica adequada, são fatores que contribuem para o desgaste da voz. “A reforma é uma questão que precisa ser pensada. Poeira, ruído e tinta causam alergia. Os professores estão adoecendo.”

Professor deve evitar falar virado para a lousa (Foto: TV Globo/Reprodução)

Professor deve evitar falar virado para a lousa
(Foto: TV Globo/Reprodução)

Projetar a voz ou gritar?
Outro fator que pode comprometer a voz do professor é se ele grita muito durante a aula. Segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, existe uma grande diferença entre “projetar a voz” e “falar alto” em classe.

“Projetar é falar alto com controle de qualidade da voz, sem sobrecarregar as cordas vocais; já falar alto pode ser sinônimo de gritar, com esforço excessivo, que pode ser prejudicial”, define a entidade em um manual sobre problemas de voz. “O grito faz com que ocorra um forte atrito entre as pregas vocais e, se usado constantemente, pode prejudicar a saúde vocal e contribuir para o aparecimento de lesões na laringe como os calos nas cordas vocais.”

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o departamento de saúde oferece um programa voltado à saúde vocal, com caráter preventivo, aos professores da rede de ensino, além de oficinas nas escolas resultado de uma parceria feita com a PUC-SP. Sobre o número de alunos em sala de aula, a Prefeitura diz que respeita o que prevê a legislação municipal e atende, no máximo, 30 crianças por sala na educação infantil.

Solange deve encerrar a carreira no setor administrativo. No ano que vem ela completa 50 anos de vida, 30 deles como funcionária da Prefeitura de São Paulo e vai se aposentar. Apesar do problema adquirido, vai guardar boas lembranças da docência. “A sala de aula é o lugar onde eu me encontrei profissionalmente, foi uma escolha ser professora, ninguém me mandou ser, sempre gostei muito do que eu fiz. Valeu a pena a carreira longa, fui feliz enquanto estive lá.”

Professora Eulina teve de operar um cisto na corda vocal, mas já está recuperada (Foto: Cyntia Dias)

Professora Eulina teve de operar um cisto na corda vocal, mas já está recuperada (Foto: Cyntia Dias)

Cisto na prega vocal e cirurgia
O problema vocal da professora Eulina Fernandes Pereira Caldin, de 49 anos, terminou em cirurgia. Ela dá aulas há 23 para o ensino fundamental em uma escola da rede particular de São Paulo. Logo no início da carreira perdia a voz, foi buscar orientação médica, “mas achou uma bobagem, não levou a sério e abandonou o tratamento.” A atitude não passou ilesa: Eulina adquiriu um cisto do lado esquerdo da prega vocal, e teve de operar. Nos últimos cinco anos, não tinha nenhum período com a voz boa, nem mesmo nas férias.

“Ficava rouca, não sentia nenhuma dor, mas a voz sumia, faltava volume. Quando procurei ajuda médica, já era um caso cirúrgico. Minha vontade era parar de trabalhar dando aula, não tinha mais qualidade dos anos anteriores e comecei a me cobrar.”

A voz é fundamental para a emoção da aula”
Eulina Fernandes Pereira Caldin,
professora

A professora afirma que o cisto adquirido na corda vocal era como uma ‘bexiguinha que poderia se romper.’ “Após a cirurgia, o som da voz era péssimo, parecia uma senhora de 80 anos, vinha em duplicidade. Passei três dias incomunicável, só escrevia, mas a recuperação foi simples, não tive dor, com um mês de fono minha voz já estava boa.”

Eulina se arrepende de não ter dado atenção ao problema vocal antes de ele se agravar. Hoje a professora aprendeu a respirar corretamente, usar o diafragma e fazer exercícios para aquecer e desaquecer a voz. Ela diz que o microfone na sala poderia ser um grande aliado, mas admite que nunca precisou se afastar porque conta com ajuda de professor auxiliar na sala de aula, e nos momentos de crise, tinha o apoio desse profissional.

“Hoje me sinto ótima, minhas aulas são de maior qualidade. Alunos aprendem, são motivados. A voz é fundamental para a emoção da aula. Eu já tive outras profissões, mas escolhi porque educação está no sangue, parece que você nasce com isso. Adoro o que eu faço, faço com amor.”

DICAS PARA O PROFESSOR NÃO PERDER A VOZ
– Bebe água regularmente
– Fique atento ao volume de voz. Perceba em quais momentos você pode falar mais baixo
– Articule bem as palavras
– Evite pigarrear em excesso
-Mantenha uma alimentação regular e saudável
– Após um período de uso excessivo da voz, tente descansá-la
– Ao dar uma informação longa aos alunos, fique de frente para a classe olhando para os alunos
– Evite falar muito tempo virado para a lousa
– Com orientação fonoaudiológica, faça exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal
– Ao perceber sintomas como rouquidão, dor na garganta, cansaço vocal, falhas na voz, excesso de pigarro, desconforto ao falar, procure um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo
Fonte: Fabiana Zambon – Sinpro SP

Biógrafa do novo papa fala sobre o bom humor e saúde do pontífice

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Além do bom humor e dos hábitos simples, a saúde do do papa Francisco também vem ganhando atenção na imprensa mundial.

Marcia Carmo, na BBC Brasil

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Imagem de arquivo mostra o agora papa Francisco com a camisa do San Lorenzo, seu time argentino

“Um papa austero, com um pulmão a menos e torcedor do time San Lorenzo”, publicou o site do jornal Perfil, da capital argentina.

Mas, segundo a biógrafa de Bergoglio, coautora do livro El Jesuíta, Francesca Ambrogetti, não há sinais de que os problemas afetem o pontífice.

A jornalista italiana, que mora em Buenos Aires, disse que o viu “sempre bem disposto, sem sinais daqueles problemas de saúde do passado”.

Em entrevista à BBC Brasil, Ambrogetti lembra do relato do papa sobre as “fortes dores” que sentiu em decorrência da pneumonia que sofreu aos 21 anos.

“Ele disse que foram dias terríveis, que esteve três dias entre a vida e a morte, com muita dor e muito medo. Os médicos tiveram que cortar uma parte do pulmão dele, mas ele tem os dois pulmões”, disse Ambrogetti.

Twitter

Ambrogetti também afirmou que “a pontualidade e a simplicidade” foram características dele nos encontros que tiveram durante quase três anos para as entrevistas realizadas para o livro.

“Ele mesmo respondia cada carta dos fiéis, atendia e fazias as ligações, sem depender de assessores. Agora, vamos ver como adaptará seu estilo para o cotidiano no Vaticano”.

O nome Bergoglio já aparece em uma conta no Twitter.

Mas quando morava em Buenos Aires ele preferia não usar computador e as secretárias imprimiam os emails que ele recebia, segundo a imprensa argentina.

Tango

Ambrogetti contou que Bergoglio disse que Buenos Aires é seu “lugar no mundo”, mas que suas viagens à Itália, domínio do italiano e de outros idiomas, “deverão deixá-lo bem em Roma”.

Ela definiu o novo papa como um “pastor”, “preocupado com as pessoas”, “apaixonado por tango, pelo seu time, o San Lorenzo, e um estilo de vida sem luxo algum”.

Em cada encontro, Bergoglio repetia a frase que disse logo após ser eleito papa – “rezem por mim”.

A declaração virou marca registrada do novo papa. Cada amigo, familiar ou conhecido entrevistado recentemente pela imprensa em Buenos Aires, como pais das vítimas da tragédia com um trem que deixou 51 mortos, no ano passado, repetia a mesma frase: “Ele sempre se despedia dizendo, rezem por mim”.

Uma freira, Rosita, de 90 anos, que o conheceu, disse às TVs locais: “Acho que a missão dele era grande e por isso dizia essa frase. Se era grande antes, imaginem agora”.

O sacerdote “Pepe” Di Paola, que trabalha nas “villas” (comunidades carentes) de Buenos Aires disse que “muita gente aqui nas áreas pobres chorou de emoção porque Bergoglio sempre esteve perto deles”.

Após a surpresa com a eleição do papa argentino, e do dia seguinte já sem euforia nas ruas, alguns já preparavam as malas para estarem presentes à cerimônia de posse do papa, nesta terça-feira, no Vaticano. “Domingo embarco para o Vaticano”, disse Juan Carlos Pallarols, que trabalha com pratarias e fez o cálice que presenteará ao novo papa.

40% dos professores afastados por saúde têm depressão, aponta estudo

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Pesquisa foi feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de SP.
Problema é agravado pelo excesso de trabalho e pela falta de respeito.

Elaine Cristina Gil já tirou12 licenças médicas (Foto: Reprodução/ EPTV)

Elaine Cristina Gil já tirou12 licenças médicas (Foto: Reprodução/ EPTV)

Publicado por G1

Uma pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) revela que 40% dos professores afastados por problemas de saúde, quatro tiveram algum tipo de transtorno psiquiátrico. Os diagnósticos mais comuns foram ansiedade e depressão. O problema é agravado, segundo os docentes, pelo excesso de trabalho e pela falta de respeito na sala de aula.

Passar as tarefas, tirar dúvidas e ainda pôr ordem na sala. O desafio é diário e a saúde pode não resistir. Mas de acordo com o estudo, os problemas nas cordas vocais e as dores musculares deram espaço ao desânimo, aos pensamentos perturbadores e às mãos trêmulas.

A vida da professora Elaine Cristina Molina Gil mudou há três anos, depois que ela entrou em depressão. São oito remédios por dia, alguns com tarja preta. Elaine deu aula em escolas públicas por 22 anos, mas não resistiu à pressão.

Ela já tirou12 licenças médicas e há quase um ano está afastada do trabalho. Elaine lembra que era difícil a relação com os alunos. “O pouco interesse, a bagunça, a conversa, o desrespeito. E quando você chama o pai ele diz que não pode fazer nada. Eu comecei a sentir uma angústia e me perguntei o que estou fazendo aqui?”, desabafou.

O estudo revelou ainda que 59% dos educadores com depressão não têm acompanhamento médico regular. Para o diretor da Apeoesp em Araraquara (SP), o excesso de trabalho é um dos vilões. “A maioria dos professores tem dupla ou tripla jornada de trabalho, muitas vezes ultrapassando 11 horas de trabalho com aluno e isso certamente não é recomendável”, afirmou Ariolvaldo de Camargo.

Ele diz que as condições de trabalho também prejudicam a saúde do docente. “A pressão que o professor sofre no dia a dia dentro da sala de aula é muito grande. As nossas escolas mais parecem verdadeiros presídios, porque estão todas cheias de grades e telas, e esse evidentemente não é um ambiente adequado para que se possa desenvolver um processo de ensino-aprendizagem”, analisou Camargo.

Por mês, psiquiatra atende três professores da rede estadual (Foto: Reprodução/ EPTV)

Por mês, psiquiatra atende três professores da
rede estadual (Foto: Reprodução/ EPTV)

Consultório

Por mês, o psiquiatra Marcos Nogueira, atende, em média, três professores da rede estadual. E os relatos são muito parecidos. “A falta de respeito, a falta de educação e violência por parte dos alunos”, comentou Nogueira.

Os sintomas revelam o quadro vivido nas salas de aula. “Sintomas de depressão, por exemplo, palpitação, mão gelada, falta de ar. A pessoa começa a perder o ânimo de fazer as coisas, ela tem uma tristeza muito grande, deixa de fazer aquilo que ela mais gostava, ir ao cinema, passear, ela não consegue mais”, explicou o médico.

O psiquiatra conta que na maior parte dos casos, os docentes precisam ser afastados. E muitos têm dificuldade em retornar à sala de aula. “Se El não fizer direito o tratamento e não fizer uma terapia de apoio para suportar a situação, recai na doença”, reforçou Nogueira.

Estado

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, que o programa “Educação com saúde”, criado para oferecer assistência médica preventiva aos servidores da educação e suporte para os que já apresentam problemas de saúde, está sendo expandido para o interior do Estado. O texto ressalta, ainda, que o corpo docente vai aumentar: 10,8 mil devem entrar na rede no ano que vem.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

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