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Posts tagged Dorian Gray

O Profile de Dorian Gray

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Leonne Castro, no Literatortura

As relações contemporâneas entre imagem e realidade na internet.

A imagem do cão morderá no futuro. Ao menos foi assim que o filósofo Vilém Flusser predisse por meio de um ensaio no ano de 1983, referente ao futuro da cultura. Trinta anos se passaram e o futuro é agora, mas e quanto à imagem do cão, morde? Morde, claro!

Essa metáfora foi usada para ilustrar uma teoria simples, mas deveras pertinente. Toda imagem, seja vídeo ou foto, significa a cena que nela está contida. Não é senão representação simbólica do objeto capturado. Ou seja, a foto de um cão significa um cão, mas não tem pretensão de sê-lo. Quem olha uma fotografia interpreta os sinais visuais e enxerga o que ali está ilustrado, buscando construir um sentindo. Neste caso, então, a foto é o significante e o que ela representa o significado. Porém, o que se tem notado é uma subversão dessa lógica.

Em uma época de constantes transformações nos veículos de informaçãoe comunicação, percebe-se que aquilo que era imagem perde gradativamente o caráter representativo e passa a ganhar força como campo das essências. A foto de uma cena de guerra, por exemplo, deixa de significar a guerra e passa a sê-la, para aqueles que não a presenciaram, mas que, por sua vez, só tomam conhecimento através do jornal que folheiam. Nas palavras de Vilém “para o receptor da imagem o vetor de significação se inverteu, e o universo das imagens passa a ser a ‘realidade’.”

Da mesma forma funcionam nossos perfis nas redes sociais. Pense: lá consta foto, nome, idade, preferências, escolhas culturais e até uma linha do tempo, traçando o comportamento do usuário ao longo dos dias. Tudo é tão plausível e verossimilhante que chega a confundir. Trata-se de uma imagem que montamos de nós mesmos e que passa a ser o que somos para um número significativo de pessoas. Quando não se teve a oportunidade de conhecer alguém com mais afinco, é com base na internet que formamos nosso [pré]conceito – prática comum inclusive em empresas, que buscam informações de funcionários e candidatos em processo de seleção. É como se fôssemos, cada um de nós, eternos Dorian Gray’s, com nosso retrato intacto aos olhos do mundo, sem se preocupar com os bastidores da alma.

Escrito por Oscar Wilde no final do século XX, o Retrato de Dorian Gray conta a história de um homem que, ao receber uma herança, passa a frequentar a alta sociedade inglesa e ser influenciado por ela através de Lorde Henry Wotton. Ao ter seu retrato pintado, Dorian deseja permanecer eternamente jovem e belo e, por força sobrenatural não explicada, obtém sucesso. A partir de então, todas as consequências físicas de seus atos e de sua vida hedonista, boemia e errante acontece diretamente à pintura e não ao seu corpo. Tal acontecimento, aliado à influência direta de seu amigo, torna o rapaz de eterna beleza um homem insensível e imoral, capaz de cometer as maiores atrocidades sem qualquer lampejo de remorso permanente. Assim como um Dorian Gray, escondemos nossa alma, corrompida em maior ou menor grau, em algum lugar longe da vista dos desavisados e mostramos na capa somente o melhor de nós.

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada”, diria o Pessoa na figura de Álvaro de Campos. Ou então, por isso mesmo, foi Álvaro quem disse? Pois bem, se o poeta hoje vivo estivesse, provavelmente diria: eu nunca conheci quem tivesse defeitos na internet. Percebamos a ironia, todos nós temos falhas, seja dentro ou fora das redes sociais. Porém é muito mais fácil suprimi-las quando temos tempo para pensar antes de responder a discussões; dezenas de possibilidades de estampar sorrisos na foto do perfil; ou centenas de filósofos para citar sem ter lido a obra. Fica tudo um tanto mais belo – e outro tanto mais falso, talvez. Não cabe aqui fazer um julgamento precipitado sobre os benefícios ou malefícios das redes sociais e afins. A proposição é unicamente reflexiva, pois, se pensarmos, fazendo as necessárias analogias, na vida real não agimos de forma tão diferente, certo?

Oh! Dorian Gray, como deves estar com inveja de mim agora! Se tu que és nobre e rico, para seres eternamente belo e jovem precisaste desejar de todo coração. Tu que já com a angústia daqueles que encaram a finitude da vida e a efemeridade do belo pela primeira vez, precisaste esconder o teu eu verdadeiro num sótão escuro.Se chegaste a beira do pranto e corrompeste toda tua alma como consequência, eu rio de ti. Pois eu, pífio plebeu, para ter a imagem preservada e ser para sempre como quero parecer, precisei somente estar de acordo com os termos de uso do Facebook.

E eu nem li o contrato.

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“que coisa, não?”

Ex-atriz pornô Sasha Grey lança livro em São Paulo

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Rodrigo Levino, na Folha de S. Paulo

Quando virou uma estrela do cinema pornô, em 2006, a atriz americana Sasha Grey, 25, explicava que o seu codinome (o nome real é Marina Ann Hantzis) era uma referência a Dorian Gray, personagem do escritor Oscar Wilde.

Hoje ela pode se considerar colega do autor inglês. Sasha lança em São Paulo o seu romance de estreia, “Juliette Society”, que conta a história de um clube de sexo mantido por figurões da alta sociedade.

Muito do que trata o livro, por óbvio, tem inspiração na carreira de mais de 100 filmes da atriz, que extrapolou o mundo pornográfico e atuou em filmes, digamos, mais sérios, como “Confissões de Uma Garota de Programa”, de Steven Sordebergh.

Sasha Grey

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Sasha Grey durante o lançamento de seu livro ‘Juliette Society’, em Madrid – Chema Moya/Efe

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A ex-musa pornô Sasha Grey, 25 anos, lança seu primeiro romance “Juliette Society” (Editora Leya, 236 págs.) – Francesco Carrozzini

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A grande virada da vida profissional da atriz começou em 2009, quando o diretor Steven Soderbergh a escolheu para protagonizar “Confissões de uma Garota de Programa” (foto) – Divulgação

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Sasha Grey, nome artístico de Marina Ann Hantzis, durante a estreia do filme adulto “I Melt With You” no Festival de Sundance em 2011 – Lucas Jackson/Reuters

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A artista está no suspense “Open Windows” (ainda sem título em português ou data de estreia prevista), ao lado de Elijah Wood – Chema Moya/Efe

Aposentada dos sets de filmes adultos desde 2011, milionária, vocalista de uma banda de rock industrial, Sasha disse em entrevista à Folha, de Ibiza (no Mediterrâneo), onde passava férias, que a motivação do livro foi além da literária.

“A literatura erótica se tornou um assunto de massa muito por causa da internet e de livros como ‘Cinquenta Tons de Cinza’, mas ela sempre vendeu muito bem, sempre teve mercado. Não concordo com essa impressão de que é um ‘boom’ recente. Talvez por isso o meu agente insistiu durante anos para que eu escrevesse um livro”, disse rindo.

A mesma internet a ajudou a se tornar uma celebridade global. Uma busca por seu nome no Google arrasta mais de 23 milhões de citações. Além de cenas de sua afamada disposição na cama, é possível encontrar defesas de sua atuação como uma espécie de militância feminista.

“A internet impulsionou as causas feministas, tornou o debate globalizado, mas, por outro lado, é onde o assunto é igualmente ridicularizado.”

Antes de se arriscar no mundo das editoras e livrarias, Sasha Grey abriu em 2009 uma produtora de filmes pornôs, que durou apenas três meses. “Foi meu primeiro grande fracasso”, conta. Segundo ela, o insucesso foi motivado principalmente porque a produtora não se adequava à “caretice” do público médio americano.

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