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Posts tagged Dormia

Diário de um menino

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“Bem que a mãe me avisou”, pensou ele, despedindo-se das ruas, dos brinquedos, do Nescau e do gibi.

Mariana Weber, na Época

“Ela vai ficar tão triste. E bem que me avisou.”Do banco traseiro do carro, dava para ver o cabelo castanho ondulado da mãe, solto atrás e enroscado na gola do casaco do lado direito. Ele sentiu um aperto. Olhou pela janela, começou a ler placas em voz alta. “Bilhar Augusta. A Arte da Boa Mesa. Retificadora Flora.”

(Foto: C_Dave / Flickr)

(Foto: C_Dave / Flickr)

“Tudo bem na escola, Antônio?”“Tudo.”

“Muita lição de casa?”

“Não.”

Tinha, mas não ia fazer. Pra quê?

Sentiria saudade também da tia Iara, nem achava tão chato quando ela passava lição. Mas não ia mais fazer.

“Só Botas. Pão Gostoso. Você com Saúde.”

“Ei, tá pensando na morte da bezerra? Chegamos, filho!”

Desceu do carro, mochila pendurada no ombro direito, e subiu direto para o quarto.

A Carminha, que dormia enrolada em cima do baú de brinquedos, começou a se espreguiçar, bunda para cima e patas dianteiras bem esticadas. Fez carinho na cabeça da gata. “O baú vai ser só seu, Carminha.” Pegou o cacto que ficava na janela e foi até a pia do banheiro regar a terra. Voltou com o vaso ainda pingando. Jogou dentro dele os cinco tatuzinhos que tinha recolhido no pátio da escola e guardado no estojo de lata.

Viu Carminha cheirar os bichos, que não se mexeram, e logo perder o interesse.

Em cima da cama, brincou um pouco com o carrinho vermelho, presente do pai. Leu a última história de um gibi. Na frente do espelho da porta do armário, engoliu saliva uma, duas, três vezes, tentando perceber algo diferente.

Desceu para a cozinha. A mãe esquentava vagem refogada no fogão. No forno, torta de sardinha.

“Mãe?”

“Diga, filho.” Ela mexia a panela. “Antônio?”

“Demora?”

“Tá quase, pode ir lavando a mão.”

Estava bom, e tinha morango de sobremesa. Depois, os dois viram novela no sofá da sala. Durante o intervalo, o coração de Antônio bateu forte. O ar faltou, a visão escureceu. Ele encostou a cabeça no ombro da mãe, fechou os olhos e, aos poucos, se acalmou.

Quando a novela acabou, foi escovar os dentes sem a mãe pedir. Deu um beijo de boa noite e foi para a cama, triste.

Acordou com a mãe chamando.
Como sempre, se arrastou para o banho, colocou o uniforme que a mãe tinha deixado em cima da cama, tomou leite com Nescau, comeu pão com requeijão, escovou os dentes, pegou a lancheira e a mochila. Saiu de casa preocupado porque não tinha feito a lição de português e ainda não tinha morrido.

Então viu o ponto branco no chão do carro. Será? Sim, era o chiclete. O chiclete que ele comprou escondido da mãe, com o dinheiro que ela deu pro lanche. Um lanche especial, da cantina. O chiclete que ela disse que ele não podia mascar. Porque chiclete faz mal pros dentes e é perigoso. O chiclete que ele comprou mesmo assim. Comprou no recreio, escondeu no bolso e, no meio da aula, tomou coragem para tirar do papel e colocar na boca.

Mascou com cuidado, devagar, saboreando o suco de cada mordida. Guardou, já sem gosto, na bochecha direita, na esquerda, debaixo da língua. Aproveitou o segredo até que, dentro do carro, na volta da escola, percebeu que não tinha mais nada na boca. “Engoli.” Ia morrer sufocado. E não podia contar para a mãe que tinha comprado o chiclete.

Agora, ao descer do carro, Antônio sorria. Não morreria mais.

A partir de hoje obedeceria a mãe em tudo – não pularia o muro para a casa do Pedro, não daria pedaços do bife para a Carminha nem leria escondido depois que a mãe fechasse a porta do quarto à noite. Só parou de sorrir quando viu a tia Iara e lembrou da lição de português.

Em livro, Pistorius conta acidente quase fatal e “prova de amor” bizarra

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Um crime no dia dos namorados chocou a África do Sul: ídolo mundial do atletismo, Oscar Pistorius é acusado de matar a namorada, a modelo Reeva Steenkamp, a tiros dentro de casa em Pretória; entenda o caso Foto: AP

Um crime no dia dos namorados chocou a África do Sul: ídolo mundial do atletismo, Oscar Pistorius é acusado de matar a namorada, a modelo Reeva Steenkamp, a tiros dentro de casa em Pretória; entenda o caso
Foto: AP

Publicado por Terra

O jornal inglês The Mirror destrinchou episódios marcantes da vida do atleta paralímpico Oscar Pistorius, relatados no livro de memórias Blade Runner. Na obra, o biamputado que atualmente aguarda julgamento pelo assassinato da ex-namorada Reeva Steemkamp conta ter sofrido um acidente automobilístico quase fatal depois de uma briga com outra ex-parceira amorosa e uma surpresa no mínimo estranha para se reconciliar com ela.

Pistorius tinha um relacionamento conturbado com Vicky Miles, com quem namorava em 2006 e a quem o atleta paralímpico chamava de “o grande amor de sua vida”. Após uma forte briga, porém, o sul-africano teria resolvido pegar o carro às 3 da manhã rumo à casa da ex-namorada, a mais de 600 km de distância, para tentar a reconciliação. Ele dormiu no volante e quase morreu ao sofrer um acidente.

“Só acordei quando meu carro bateu em um guard rail. Um lado do veículo estava completamente destruído. Meu comportamento foi imperdoavelmente estúpido e me arrependo desse dia”, escreveu Pistorius. Dias depois, em 14 de fevereiro de 2006 – Dia de São Valentim, equivalente ao Dia dos Namorados em alguns países -, o atleta fez uma “loucura de amor” para tentar sensibilizar Vicky Miles.

Meu comportamento foi imperdoavelmente estúpido e me arrependo desse dia
Oscar Pistorious
Sobre acidente fatal que quase lhe tirou a vida em 2006

“No Dia de São Valentim de 2006, a Vicky acordou e encontrou a surpresa que eu havia preparado enquanto ela dormia. Enchi 200 balões coloridos, um por um, e pendurei nas árvores, no portão e no quintal da casa dela. Depois, peguei uma lata de spray e escrevi artisticamente: ‘eu te amo, tigrona’ na rua em frente à da casa. Ela ficou sensibilizada”, contou.

Curiosamente, Pistorius matou a sua então namorada, a modelo Reeva Steemkamp, exatamente sete anos depois da “prova de amor” que havia feito a Vicky Miles. O crime, cometido na casa do atleta paralímpico, ocorreu na madrugada do último dia 14 de janeiro.

Morta nesta quinta-feira pelo namorado Oscar Pistorius em incidente não-esclarecido, Reeva Steenkamp era modelo, tinha diploma em direito e seria estrela de reality show; veja Foto: Instagram / Reprodução

Morta nesta quinta-feira pelo namorado Oscar Pistorius em incidente não-esclarecido, Reeva Steenkamp era modelo, tinha diploma em direito e seria estrela de reality show; veja
Foto: Instagram / Reprodução

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