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Goiano passa em seis vestibulares de medicina em instituições públicas

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‘Nunca pensei em desistir’, diz jovem após quatro anos de tentativas.
Ele decidiu estudar na Universidade Federal de Goiás, onde foi 4º colocado.

Paula Resende, no G1

Estudante passou em seis vestibulares para curso de medicina (Foto: Adriano Zago/G1)

Estudante passou em seis vestibulares para curso
de medicina (Foto: Adriano Zago/G1)

Após quatro anos prestando vestibulares por todo o país, o jovem Gabriel Alvarenga, de 20 anos, foi aprovado em seis instituições de ensino públicas para o curso de medicina. “Não me via exercendo outra profissão”, conta o estudante. A faculdade escolhida para realizar o sonho de se tornar médico foi a da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde passou na 4º colocação.

O objetivo dele sempre foi estudar na instituição goiana devido à qualidade do ensino e à proximidade da família e dos amigos. “Prestava nas outras porque não dá de prestar só um vestibular”, explica. Gabriel também foi aprovado nas universidades federais do Triângulo Mineiro, do Amazonas e do Acre, na Faculdade de Medicina de Marilia e na Escola Superior de Ciências da Saúde de Brasília.

O jovem mal teve tempo de descansar, pois as aulas da UFG começaram no último dia 25 de março. “Agora, troquei os livros do cursinho pelos da faculdade”, comenta.

Trajetória
O rapaz sempre estudou em escolas particulares, desde que morava em Rubiataba, cidade goiana onde nasceu. Para intensificar os estudos, ele deixou a família no interior e se mudou há seis anos para Goiânia para cursar o ensino médio. Foi quando decidiu qual carreira queria seguir. “É uma profissão muito nobre, que ajuda as outras pessoas”, conta. De acordo com o rapaz, o gosto pela área de biológicas também ajudou na escolha.

Após concluir o 3º ano do ensino médio, o jovem fez mais três anos de curso pré-vestibular. Além das aulas, ele estudava mais de 8 horas por dia. No entanto, Gabriel afirma ser fundamental reservar um tempo para si mesmo. “Nunca só estude, tenha suas horas de lazer, mas enquanto estiver estudando, seja disciplinado”, ensina. Ele comenta que reservava as noites de sábado e manhãs de domingo para fazer o que quisesse, como ir ao cinema com a namorada, à casa dos tios ou jogar bola.

Gabriel havia parado de tocar violão para estudar, mas já retomou a atividade (Foto: Adriano Zago/G1)

Gabriel havia parado de tocar violão para estudar, mas já retomou a atividade (Foto: Adriano Zago/G1)

O jovem lembra que também é preciso abrir mão de certas coisas, como momentos em que a família está toda reunida ou de viagens longas. Inclusive, ele parou de tocar violão, atividade que já retomou.

Gabriel ressalta que quem quer fazer medicina não deve se importar com a rotina estressante e os possíveis anos de estudo. “Deve-se propor a estudar até passar, independente do tempo”, afirma. Para ele, vale a pena se esforçar para ser aprovado em uma faculdade pública. “Estou muito realizado, me sinto bem, passei na hora certa”, conta.

Apesar da alegria e satisfação pela aprovação, Gabriel não se esquece da longa trajetória de estudo e das decepções ao não passar no vestibular. “Quando saia a lista e não via meu nome, vinha aquela tristeza. Pensava, ‘Nossa, cursinho de novo, será que é isso mesmo que eu quero?’. Depois, a tristeza passava. Não é uma prova que ia mudar meu sonho. Nunca pensei em desistir”, ressalta.

Gabriel afirma que, além de estudar muito, ter tranquilidade ao fazer as provas faz a diferença. “É primordial ter tranquilidade. A experiência me ajudou a ficar calmo. No início, acredito que era prejudicado pela falta de tranquilidade, por ficar desesperado em passar”, dá a dica.

"Experiência me ajudou a ficar mais calmo", diz estudante sobre vestibular (Foto: Adriano Zago/G1)

“Experiência me ajudou a ficar mais calmo”, diz estudante sobre vestibular (Foto: Adriano Zago/G1)

Os corvos e a nossa língua

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Milton Hatoum, no O Estado de S.Paulo

Nos últimos dias de janeiro, apaguei, com pesar, o nome e o número de telefone de amigos e conhecidos que passaram para o outro lado do espelho. Não foi um ato de morbidez. Fiz isso porque sou distraído, tão distraído que, certa vez, liguei para um amigo e, quando a mulher dele atendeu, começou a chorar. E antes de lhe perguntar a razão do choro, ela me disse: você foi ao enterro dele, não se lembra?

Só então me lembrei daquela triste tarde de junho; pedi desculpa pela gafe e disse que a memória é um mistério, às vezes as lembranças aparecem com nitidez, outras vezes ficam guardadas, teimosamente escondidas, ou em estado de latência.

Por isso é melhor apagar nomes e números de telefone. Felizmente usei muito pouco a borracha: a imensa maioria dos amigos ainda está neste mundo. Alguns são tão jovens que parecem viver em outra era. Ou talvez seja o contrário: eu mesmo pertenço a um outro tempo.

Nas conversas com dois desses jovens, surgem estranhas expressões em inglês sobre jogos eletrônicos e complicadas redes virtuais; essas expressões se repetem até a saturação e não me dizem nada. Diante de tantas palavras desconhecidas, que aludem a um mundo virtual que também desconheço, só me resta o silêncio, nossa voz essencial, talvez a mais verdadeira. De qualquer modo, somos amigos, e quando lhes mostro um poema de Wallace Stevens, eles o leem com enfado, depois me olham com desconfiança, como se eu fosse um lunático. E enquanto eles se entusiasmam com redes virtuais e joguinhos barulhentos, eu continuo a conversar com um homem silencioso. Assim permanecemos amigos em nossos mundos cindidos, e vamos vivendo.

Na outra extremidade da ponte, os amigos longevos tampouco me abandonaram. Refiro-me a duas senhoras quase centenárias. A primeira, é a mulher que me alfabetizou e merece uma crônica à parte. A outra, Ludmila, foi minha professora no curso ginasial, e sua lucidez espantosa me surpreende e me humilha. Até hoje, examina meus escritos com lupa, e quando descobre um erro ou uma distração, me telefona a qualquer hora do dia ou da noite para dizer, com uma voz do além, que eu devia consultar um livro do gramático Said Ali antes de escrever barbaridades.

Ludmila nasceu antes de 1922. Nunca aceitou o tom coloquial dos escritores modernistas e condena o uso inadequado da próclise e de qualquer pronome oblíquo átono. Agora está enfezada com “esses conterrâneos que usam a segunda pessoa do singular com o verbo na terceira”.

Disse-lhe que esses erros de concordância já foram incorporados à fala popular, por isso são toleráveis, e até aceitos. Além disso, acrescentei, Machado de Assis já não escrevia como Camilo Castelo Branco nem como Eça de Queirós.

“Tu leste A Doida do Candal no meu colo, mas nenhum português diz ‘tu vai, tu fica, tu viu”, protestou Ludmila, com a mesma voz ríspida de 1965 ou 1964. “Essa forma bizarra dói-me os ouvidos. Daqui a pouco vão dizer que os cavalos cacarejam, as galinhas relincham, as onças crocitam e os corvos esturram.”

Disse que isso era possível na literatura, e também no sonho, que é a forma mais civilizada e mais livre de contar uma história sem escrever palavras. Depois perguntei, com ironia, se havia corvos em Manaus, nossa cidade amada.

“Há muitos”, ela respondeu. “Corvos que não crocitam nem esturram, mas roubam e mentem desde que eu nasci.”

Grande Ludmila: quase um século de vida e não perdeu a verve da revolta.

Amigos fazem ‘vaquinha’ para aluno ir do CE para SP fazer prova da Fuvest

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O cearense José Evaldo Pereira está em SP para a segunda fase da Fuvest que ocorre neste domingo (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)
O cearense José Evaldo Pereira posa no vão livre do Masp; ele chegou em SP no sábado e vai fazer a primeira prova da segunda fase da Fuvest neste domingo

José Evaldo Pereira, de 22 anos, tenta uma vaga no curso de medicina. Até o professor ajudou a arrecadar R$ 1.500 para despesas de viagem.

Vanessa Fajardo, no G1

Foi com a ajuda financeira de amigos e professores que o estudante José Evaldo Pereira Sousa Filho, de 22 anos, morador da cidade de Maracanaú (CE), chegou a São Paulo neste sábado (5) para prestar a segunda fase do vestibular da Fuvest. Evaldo disputa uma vaga no curso de medicina na Universidade de São Paulo (USP), o mais concorrido do vestibular. Ele foi aprovado para a fase final do processo seletivo que começa neste domingo (6) e vai até terça-feira (8).

As provas da Fuvest são realizadas apenas no estado de São Paulo, por isso Evaldo precisou da ajuda dos amigos. A “vaquinha” reuniu cerca de R$ 1.500, dinheiro usado para pagar as passagens de avião e a hospedagem do estudante cearense. Ele chegou à capital paulista acompanhado pelo professor Ronaldo Landim Bandeira. Foi Landim quem custeou as despesas da viagem de Evaldo para a primeira fase do vestibular no dia 25 de novembro do ano passado. “Eu vejo o potencial dele, a dedicação, o entusiasmo. Resolvi fazer minha parte como professor.”

O pai de Evaldo está desempregado e a mãe trabalha como empregada doméstica. “Eles não teriam condições de bancar esses gastos. Mas minha mãe sempre me incentiva a estudar, diz para eu não desistir. Ela valoriza os estudos até porque não teve oportunidade, perdeu a mãe muito nova e teve de trabalhar”, diz Evaldo.

O jovem concluiu o ensino médio na rede pública de ensino no ano de 2007, quando foi aprovado em química na Universidade Federal do Ceará (UFC). Na ocasião, já sonhava em estudar medicina, mas não quis tentar uma vaga pois achava que era “um curso de rico”. “Estudei química um mês, mas vi que não era o que queria, que iria me arrepender. Larguei e passei a estudar para o vestibular em casa”, afirma.

Mesmo certo de que queria seguir carreira em medicina, Evaldo ainda cursou um ano de engenharia ambiental. Em 2009, conciliava as aulas da graduação com as do curso pré-vestibular do colégio Farias Brito, onde conseguiu uma bolsa de estudos. Cansado da rotina pesada, largou a engenharia e passou a se dedicar somente ao cursinho para concorrer a uma vaga em medicina. Rotina que se prolongou em 2010, 2011 e 2012.

Evaldo está matriculado no curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, onde foi aprovado pela nota do Enem de 2011, como garantia. Ainda tem como alternativa concorrer com a nota do Enem 2012 (média geral de 774) na UFC e também está na disputa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cujas provas da segunda fase ocorrem entre os dias 21 e 24 de janeiro. No entanto, almeja mesmo uma vaga na USP.”Acho que tenho chances, afinal cheguei até aqui. São Paulo é uma cidade próspera, a rede de hospital é muito boa, concentra a elite da medicina no Brasil”, diz. O estudante sabe que as oportunidades profissionais em São Paulo tendem as ser melhores do que as oferecidas no Nordeste. “Duas pessoas que se dedicam igualmente aqui em São Paulo e em Fortaleza, por exemplo, têm futuros bem diferentes. Não seria fácil deixar minha família, caso consiga ser aprovado, mas não dá para não fazer as coisas por medo. É hora de enfrentar e crescer.”

Além de vencer a concorrência, Evaldo também se preocupa com a política de moradia estudantil das instituições de ensino. Vai precisar de auxílio para conseguir estudar. Foi por isso que não aceitou a bolsa de 100% da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul para estudar medicina. “Eles não tem moradia, não ia conseguir me manter. Sei que terei dificuldades até para adquirir os materiais.”Mesmo na reta final das provas, o estudante não abandonou os estudos. Mantém o ritmo e todos os dias revê as matérias. Evaldo conta que na infância não gostava muito de estudar queria ser jogador de futebol, mas em 2003, quando estava na 7ª série, entendeu as dificuldades financeiras da família e percebeu que o estudo era o único caminho para mudá-las. “Nunca havia tentado o vestibular da USP por medo, não achei que fosse passar, mas tenho estudado todos os dias. No ano passado me dediquei muito, e vou fazer a minha parte.”

Foto: Vanessa Fajardo/ G1

A história de quem acreditou no sonho

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Esaú é ex-aluno de escola pública e foi aprovado em 1º entre os cotistas

Esaú é ex-aluno de escola pública e foi aprovado em 1º entre os cotistas

Excelente aluno e filho de pais dedicados, Esaú venceu todas as dificuldades e conseguiu se formar em medicina. Ele recebeu homenagem dos colegas de turma

Margarida Azevedo, no JC Online

Entre os 78 alunos que colaram grau em medicina, na quarta-feira (12), pela Universidade de Pernambuco (UPE) estava Esaú da Silva Santos, 22 anos. Tornar-se médico, para ele, é a realização de um sonho. Seu e de sua família. De origem humilde, morador da zona rural de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, sua formatura é também uma história de superação. E exemplo para tantos jovens que desistem de encarar um vestibular com medo da concorrência.

No final de 2006 Esaú foi aprovado em primeiro lugar na UPE no grupo de candidatos cotistas. Ingressou na faculdade no primeiro semestre de 2007. Aluno de escola pública a vida inteira, escondeu dos amigos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra, na UR-11, que prestaria vestibular para medicina. “Preferi não contar. Dizia que faria para biologia. Só minha família sabia a verdade. Se falasse para outras pessoas poderia não ter apoio”, relata.

Nos primeiros períodos do curso pensou em desistir. Para chegar à UPE, em Santo Amaro, ele caminhava meia hora. Depois, uma hora de ônibus. Em seguida, outra meia hora no segundo ônibus. “Não tinha condições de pagar as passagens para ir à faculdade. Havia também a incompatibilidade de arcar com livros, xerox, lanches. Minha turma sempre foi acolhedora, os colegas muito simpáticos. Comecei a receber ajuda de várias pessoas. Minha família também sempre me apoiou. Consegui continuar”, diz Esaú.

Esaú e o irmão mais velho, Jacó, hoje com 24 anos e formado em ciências sociais, aprenderam a ler em casa, com a mãe, Quitéria da Silva, que ajuda no sustento da casa vendendo produtos de beleza. O pai, Severino dos Santos, é agricultor. Cursou até a 4ª série, mas sempre estimulou os dois filhos a ler e estudar. “Minha mãe fez dois períodos de letras numa faculdade particular, mas teve que parar. Deixou para mim e meu irmão o sonho de concluir um curso superior”, conta Esaú.

A história do rapaz ficou conhecida nacionalmente em abril de 2008, contada pelo apresentador Fausto Silva em seu programa dominical da Rede Globo. Depois da exibição, muita gente ajudou Esaú. Ele ganhou livros, xerox, alimentos, roupas, sapatos e até móveis. Também dinheiro para reformar a casa.

Segunda-feira passada, na aula da saudade, a turma de Esaú o homenageou. O vídeo com a reportagem do Faustão foi mostrado e deixou o futuro médico surpreso e emocionado. “Todos da turma decidiram homenagear Esaú. Ele sempre foi muito estudioso, dedicado ao curso. É um exemplo que quando se quer é possível realizar um sonho”, afirma Bruno de Moura, 29 anos, da comissão de formatura.

Para o futuro, Esaú planeja concluir a residência em cirurgia geral e se dedicar aos pacientes. Quer também retribuir à família o que recebeu até agora. “Nada é impossível, apesar das dificuldades. Tentarei ser um bom profissional. E espero melhorar a vida dos meus pais e do meu irmão, pessoas tão importantes na minha vida.”

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

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