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Posts tagged Dos Grandes Amigos

Concurso Cultural Literário (11)

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Viver não dói, publicação da Principium, é o terceiro livro da jornalista mineira Leila Ferreira, que chegou à lista dos mais vendidos com Mulheres: por que será que elas…? e A arte de ser leve. Nesta obra, ela pretende mostrar que viver não é fácil, como todos nós sabemos, e até os mais otimistas concordam que a vida é osso duro de roer. Mas é também um exercício apaixonante, que exige apetite, persistência e dentes afiados. “Claro que viver dói, mas dói mais ainda não viver, porque quem não aproveita a vida acaba sendo poupado do medo e do susto, mas deixa de desfrutar paisagens, deixa de ter a própria identidade”, destaca a autora.

O livro, que conta com 48 crônicas, e que pode ser comprado em capítulos, em ebook – um deles pode ser baixado e lido gratuitamente –, começa com um belo verso de Emílio Moura, poeta modernista, mineiro e um dos grandes amigos de Carlos Drummond de Andrade: “Viver não dói, o que dói é a vida que se não vive, tanto mais bela sonhada quanto mais triste perdida”. E é usando essa frase como inspiração que Leila Ferreira passa a escrever sobre como é importante viver, ser feliz todos os dias em doses homeopáticas, e não buscar a felicidade única, porque quem procurar vai buscar a vida inteira e não conseguirá perceber como era possível ter sido feliz ao longo do caminho.

Nas crônicas de Viver não dói, Leila Ferreira coloca em evidência vários assuntos: amor, sexo, felicidade, despedidas, gentilezas, manias de dieta, obsessão por celulares, o envelhecer, o prazer por solidão, entre outros temas. Ao final, há uma coletânea de frases como: “Felicidade não se compra, não se empresta, não se arrenda. A gente é feliz quando consegue, quando a vida permite, quando dá para ser” ou “Vida a dois é coisa que não se copia. É igual antidepressivo e dieta para emagrecer – o que funciona maravilhosamente bem para seus amigos pode ser um desastre para você”.

No texto “Respeito é coisa do passado”, por exemplo, a autora relembra a expressão do historiador e filósofo inglês Theodore Zeldin “Ninguém previu a escassez mundial de respeito” ao contar o caso de um vizinho de poltrona no avião, que resolveu cortar as unhas em pleno voo e deixar cair sobre ela as unhas cortadas. E esse é apenas um dos casos de falta de respeito visto dentro de aviões que Leila resgata. Ela não poderia deixar de falar sobre sexo, afinal de contas praticar ou não sexo também faz parte de viver. Na crônica “Na cama com a sogra”, que trata do tema, a autora conta uma história curiosa: a esposa que, depois de vinte anos de casamento, pede ao marido para que não transem mais, porque ele está parecido com a sogra. E, é claro, elas nunca se deram bem.

Quer concorrer a 3 exemplares de “Viver não dói“?

Basta deixar na área de comentários a sua resposta para a questão abaixo:

Qual a sua dica para ter uma visão otimista da vida e buscar ser feliz todos os dias?

O resultado será divulgado no dia 19/9 às 17h30 neste post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

Boa sorte! 🙂

PS1: Se você participar através do Facebook, por gentileza deixe um e-mail de contato junto com sua resposta.

PS2: O trecho disponível neste post pode ser baixado gratuitamente na web. E, uma novidade: no formato ebook o livro pode ser comprado inteiro ou em capítulos separados.

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Parabéns: Janis Souza, Marcela Medeiros e Thalia Gonçalves. =)

Enviar seus dados completos para [email protected] em até 48hs.

Scliar e o felino

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Detalhe da capa de Max e os felinos

Detalhe da capa de Max e os felinos

Luiz Schwarcz, no Blog da Companhia

Poucos dias após o livro A vida de Pi ganhar o Booker Prize — o prêmio literário mais prestigioso do Reino Unido e um dos mais sérios e bem organizados do mundo —, um escândalo veio à tona, através de uma matéria publicada no Guardian. O jornal inglês foi o primeiro a notar que A vida de Pi tinha uma trama idêntica a Max e os felinos, de Moacyr Scliar. O prêmio já tinha suscitado certa polêmica por conta do livro ser bem menos erudito e literário do que os tradicionais vencedores, mas essa nova acusação chegou à minha porta.

Embora o livro original não tenha sido publicado pela Companhia das Letras, Scliar vinha editando seus trabalhos conosco e me ligou indignado:

— Temos que fazer alguma coisa, tchê. Isso é plágio, Luiz. Vamos acionar advogados, uma coisa como essa não pode acontecer.

Eu falava constantemente com Scliar, como os leitores deste blog sabem — ele foi dos grandes amigos que tive, desde o início da minha carreira profissional.

— Calma, Moacyr, vou me aconselhar com advogados e ver o que é possível.

Enquanto buscava me inteirar do caso, a polêmica fervia. Indelicadamente, Yann Martel, o autor do livro premiado, declarava não ter lido o livro de Scliar, mas apenas uma resenha negativa de John Updike publicada no New York Times, o que o fizera pensar mais ou menos o seguinte: “Que boa ideia mal aproveitada. E se ela fosse retrabalhada por um escritor com o meu talento?”. Scliar nunca fora resenhado por Updike. As declarações de Martel caíam cada vez pior.

A indignação de Moacyr só aumentava. A fumaça também. O New York Times resolveu cobrir o episódio, e em suas páginas dava valor ao talento de Scliar. Foi o suficiente para que meu telefone começasse a tocar, com chamados de duas agências importantes dos Estados Unidos querendo representar mundialmente a obra do nosso grande escritor.

Liguei para Moacyr com essas informações.

— Amigo, a ICM e outras agências querem te representar nos Estados Unidos. Apesar de tudo isso ter surgido através de um episódio lamentável, é uma grande oportunidade. Você tem que aproveitar.

Enquanto isso, os advogados diziam ser impossível mover um processo com base na apropriação de uma ideia, além do custo de uma causa internacional como esta ser altíssimo.

Meu telefone continuava a tocar, e desta vez não eram agentes mas o editor de Martel, Jamie Byng, da Canongate, querendo minha mediação no caso. Jamie é um editor de grande energia, uma figura ímpar no mundo editorial por seu empreendedorismo e criatividade. DJ nas horas vagas, organiza festas famosas durante as feiras de livros, nas quais ele mesmo assume o comando musical.

No telefone ele garantia a boa fé de Martel e me pedia, em conjunto com o autor, que alcançássemos uma solução pacífica. Dar conta da polêmica literária sobre a premiação já era o suficiente para os dois.

Convenci Moacyr de que o processo seria inviável e propus que Martel desse uma entrevista valorizando a obra do brasileiro e se retratando das declarações infelizes. Moacyr, por seu lado, daria declarações dizendo que não moveria processo algum. O leitor do blog pode acessar as matérias publicadas na ocasião pelo Estado e pela Folha.

Ao assistir As aventuras de Pi no cinema agora, não pude deixar de sentir um gosto amargo, além das saudades do grande amigo que partiu.

Infelizmente, seguindo seu caráter superdevotado aos amigos, Scliar não aceitou as propostas das grandes agências que queriam promovê-lo. Se manteve fiel ao agente literário que o representava, que prometeu tirar algum proveito da polêmica e recolocar as obras de Moacyr no mercado de língua inglesa e na Europa — promessa não cumprida. E enquanto o romance de Yann Martel ganhou as telas numa megaprodução, o mundo continua merecendo conhecer melhor os livros de um dos maiores escritores brasileiros do século XX.

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